25 dezembro 2009

Feliz Ano Novo

Queridos amigos leitores, desejo a uma deliciosa passagem de ano, cheia de supertições, brindes, risadas e beijos.
Definitivamente, o reveillon é meu dia favorito no ano: o dia de todas, todas as possibilidades.
Sei que 2010 reserva coisas maravilhosas.
De presente para vocês, tentei colocar uma cena que adoro, um revival dos anos 80, uma cena que eu sempre vejo quando preciso melhorar de humor. E melhora, sempre melhora.
Mas como nem sempre as coisas saem como a gente planeja, a incorporação foi proibida.
Não há problema, deixo para vocês a cena final de Cinema Paradiso, que já me comoveu tanto e deve ter comovido vocês também
A gente se vê no ano que vem, "no ano que vem, em Jerusalém", como cantavam os judeus quando ainda sonhavam com a sua terra Prometida.
Sonho com uma vida prometida, vou por aí buscá-la.
Beijos e feliz 2010.




22 dezembro 2009

Daniel, 17


Há 17 anos eu era uma jovem grávida que estava entrando em trabalho de parto. Esse parto normal - ah, normaaaaal...- durou muitas horas e só terminou no dia posterior, dia 23 de dezembro de 1992.
Nesse dia, virei mãe.
Eu fiquei super comovida ao saber que Shira, amigo queridíssimo, vai ser pai. E descobrindo isso, descobriu o sentido da vida.
Eu entendo perfeitamente essa viagem, porque até então, eu não tinha certeza do meu objetivo. Sabia que queria estudar, sabia quais profissões me agradavam, sabia o que gostava de fazer. Mas quando Daniel nasceu, assim como Shira, entendi porque eu estava aqui. Estava aqui pra ser mãe do Daniel.
Ao entrar na adolescência, aquele menino super agradável virou um chatinho, ou melhor, "garoto opinião" que se transformava em...."chato boy".
E até ser chato era engraçado. Também passou por aquele período clássico de rompimento do cordão umbilical onde tudo que a mãe faz é mico, onde não se pode andar com a mãe e onde algumas diferenças devem ser marcadas. E é assim a vida, ué.
Deixou de ouvir minhas músicas pra ouvir as suas - apesar de eu achar que trocar Chico por Garotos Podres e Ramones não foi uma boa escolha...- passou a ler mais e melhor, desprezando toda a safra de best sellers adolescentes pra cair de boca em autores como Huxley e Sartre.
Após essa fase, deixou a vergonha de lado, já consciente da idade que tinha. Agora podemos ir ao cinema juntos, sem problemas.
E essa transformação dele em rapaz é algo lindo de ver. A facilidade com que lida com a responsabilidade, com a parte financeira da casa, a cabeça fria com que enfrenta problemas, a forma como está no momento que quebrar paradigmas e despreza tudo que seja fútil e consumista.
Que cara legal ele se transformou. E sempre sacaneio, dizendo que o único grande defeito que sua futura esposa vai ter, vindo dele, é a sogra. Ah, coitada...
Uma vez, escutei um discurso imenso - e chato - de uma amiga que implicava com minha definição de mim mesma: "mãe do Daniel", argumentando que eu era "mais " do que isso.
O que ela não conseguiu entender é que tudo que faço - e adoro - está em segundo plano. Nada na minha vida é mais importante do que ser mãe.
E todo o resto que faço se relaciona com isso: sou boa professora, porque sou boa mãe. E sim, isso me define.
Então, amanhã, serei mãe de um jovem de 17 anos. E isso é o máximo.

20 dezembro 2009

A cultura da ironia ou Sou Bom demais pra ser educado

























Na semana passada acompanhei uma amiga advogada em uma audiência trabalhista. Já pedi para ver outras, porque aquilo que achei punk, ela me disse ser absolutamente light, então, quero ver até onde vai o troço.
O caso é simples: o processo estava sendo finalizado e só um ponto devia ficar claro para o juiz, se o demandante tinha ou não vínculo empregatício com o demandado.
Assim, a tal audiência foi rápida, mas houve tempo suficiente para a juíza dar meia dúzia de petelecos verbais nos advogados. E nem houve predileção: levaram ambos.
O ponto a que quero chegar é absolutamente simples, uma dúvida prosaica: por que algumas pessoas, investidas de poder, acreditam que sua atitude tem mais peso, mais credibilidade se vier acrescida de uma patada?
Porque, vamos combinar, tudo que a juíza falou, poderia ser dito de forma polida. Por algum raciocínio tortuoso, vejo que algumas situações são culturalmente associadas a tiradas irônicas, ou melhor, usando meu passado caxiense: são situações que vem com um belo coice.
Em todas as defesas de tese que vi, isso se repetiu. Os professores que arguiam o candidato pareciam acreditar que suas observações deveriam vir embaladas em ironias escrotas. E o candidato lá, com cara de nada, respondendo a tudo como se não estivesse com o fígado em petição de miséria.
Se a mesma observação poderia ser feita sem aquele teatro arrogante, por que fazê-lo?
E esse tipo de atitude acaba naturalizada, a ponto do jovem juiz repetir essa atitude pouco tempo depois de empossado, a ponto do jovem professor se chacoalhar todo entre sorrisinhos debochados para demonstrar como seu interlocutor é tolo.
Ai, gente, esses egos supersônicos me cansam.

Virgínia Berlim















Ultimamente, já andei comentando isso por aqui, tenho feito a releitura dos livros na sequência. A primeira vez que leio é com pressa e gulodice, a segunda, na sequência, é com calma e saboreando. Imitando a tal leitura extensiva de séculos anteriores estudada por Chartier. A leitura que se repete, se repete.
E hoje, o livro que passou por essa primeira e segunda mordida foi Virgínia Berlim de Luiz Biajoni.
O livro é curto e encerra em si o início, o (não)desenrolar e o fim de um amor. Amor do personagem principal - cujo nome não chegamos a saber - por Virgínia, sobre quem pouco ou quase nada nos é dado a saber. O estilo é instigante, as palavras são exatas e a angústia que vai assolando o personagem magicamente toma conta do leitor.
Virgínia aparece na história como um ser insosso; "para mim, ela era como as outras; uma escriturária sem sal. Nem bonita eu a achava. Uma loira pálida, peitos pequenos, bunda caída". O autor ainda a socorre rapidamente; " Era jovem e tinha um certo frescor, umas sombrancelhas arqueadas, inquisidoras".
Mas é enfático: "Mas no geral, era ninguém."
Essa frase perseguiu minha leitura e durante todo o desenvolver da trama eu me perguntei quem era Virgínia.
Mas não sei, uma ninguém.
A despeito disso essa personagem beija o narrador surpreendentemente, iniciando algo confuso - e doloroso - para ele.
Como foi para Virgínia? Não sei.
A história é narrada do ponto de vista do narrador e assim como ele, ficamos limitados a figura do observador, vendo Virgínia entrar e sair do apartamento sob olhar do narrador.
O livro pode( aliás,deve)ser lido com o acompanhamento do cd que vem no encarte. Uma idéia original que consegue colocar o leitor um pouco mais profundamente no apartamento do narrador e dentro de sua ansiedade.
Um apartamento de um homem "soturno" - chamado assim por algumas namoradas e por ele mesmo - com livros e muitos discos de vinil. Sim, vinil.
Apesar do livro não trazer localização delimitada do tempo onde se passa a história, o médico que o atente tem celular, assim, suponho que o autor colecione vinil por opção, não necessidade técnica.
Assim, sem sobre aviso, Virgínia entra na vida no narrador. Mas não se trata de um romance, de uma paixão avassaladora ou romântica da parte dela(ou se trata?). Virgínia entra e sai do apartamento do narrador algumas vezes nos dias em que ele está impossibilitado de sair.
Após o surpreendente beijo, sem compreender exatamente o que havia se passado, ele ouve música, bebe uísque e tropeça no copo, cortando furiosamente o pé.
Então temos o narrador recluso à força. Cortado profundamente, sem equilíbrio, sem ficar em pé, um pouco ridículo. Ou seja, se não fosse um corte no pé, seria a melhor descrição para alguém apaixonado.
Curiosamente,tomado pelo corte e pela paixão,o narrador está indefeso diante do que acontece.
A mercê das dores que o imobilizam : "o pé latejava e sentia uns calafrios. Não sabia se era por causa do pé ou por causa..."(pág.11)
Em alguns momentos tem clareza do objeto de sua dor/desequilibrio:
"Virgínia era a causa desse ferimento, dessa confusão toda. Se não estivesse aparecido aqui eu estaria hoje, restaurado, pronto, inteiro, intacto." (pág.11)
Mas ele não está intacto.
O narrador é tomado pela ansiedade, pelo desejo da presença de Virgínia, de quem ainda não sabemos - e nem saberemos -muita coisa. Ela não fala, ela não se mostra, ela recua quando ele tenta fazer com que ela apareça.
Enquanto isso, jorra amor do narrador, mesmo quando a pia do banheiro quebra e jorra água por todo lado ( o símbolo mais sexual dentro do universo onírico), absolutamente sem controle.
Assim,de uma hora para outra, depois de uma das despedidas dela que a ele pareceu definitiva, ela morre.
"Foi nesse domingo quente de verão que ficamos todos sabendo que Virgínia estava morta."
Todos nós: o narrador, o namorado médico, a mãe, a polícia e nós, os leitores. Sabemos que estava morta, que fora em um quarto barato de hotel e que talvez possa ter sido suicídio. O bilhete no bolso, que hora parecia poesia, hora bilhete suicida e hora receita de bolo, desaparece. Ela desaparece.
Então, com em quase todo amor, nasce de repente, dói e dá prazer, morre e cicatriza. Como o corte do narrador.

E eu terminei o livro com a sombra de Virgínia, quem era a garota de bunda caída, cabelos tingidos, tropeçando nos cadarços,que havia morrido? Por mais que eu leia e ouça o cd, acho que nunca vou saber. Nem o narrador.
Na introdução do livro o Alex Castro diz que o "Bia escreve pra caralho". Mas como eu sou uma dama, não digo essas coisas. (Mas que ele escreve pra caralho, ah, escreve.)

19 dezembro 2009

O Tempo e o Vento de Benjamin Button






"- O que você está olhando?
- O vento."

Com esse diálogo que me remeteu, imediatamente ao delicioso Tempo e o Vento de Érico Veríssimo, começa O Curioso Caso de Benjamin Button.
Como no romance brasileiro, o filme norte americando - adaptação de um conto de Fitzgerald, de quem nunca gostei muito - pauta sua narrativa no vento. O vento aparece como metáfora para as mudanças, convergindo para a inevitável morte da mãe idosa, ao mesmo tempo em que o Furacão Katrina assola Nova Orleans.
A filha lê o diário de Benjamin para sua mãe, que na cama de hospital, na eminência da morte ( e do furacão), decide contar parte de sua vida, até então, guardada apenas em sua memória.
O filme trabalha com algumas coisas que adoro: narrador, que imprega uma intimidade com o espectador; flash back que sempre me envolve e a atmosfera mágica dos sedutores contos de fada.
Assim, a história narra a vida do bebê que nasce velho e que ao crescer, passa a ser, paulatinamente, mais jovem. Nessa caminhada, reflete - e faz refletir - sobre as escolhas da vida e sobre a possibilidade do recomeço, da releitura da própria vida. Sempre pautado pelo vento.
Ao se tornar cada vez mais jovem, cada vez mais criança, faz o parelo perfeito entre os velhos/crianças, já que esses parecem dividir não só as pequenas alegrias, como as grandes dependências dos adultos, aqueles que estão no meio desses dois pólos.
Eu chorei, que me desmilingui. Daniel fica durão, nunca chora, tira sarro do meu choro fácil. Michelle, que já havia assistido, disse que chorou duplamente, porque como já sabia o que vinha, chorava por antecipação.
Em um dado momento da vida de Button, quando ele está crescendo/remoçando, ele tem um quê de Marlon Brando em O Último Tango em Paris ( sacumé? meio caído, mas ainda irresistível?) e nessa hora, Michelle me cochichou exatamente o que eu estava pensando:
- Ops, Vivinha...nesse ponto aí, eu já pegava....
E é claro que a beleza absurda de Brad Pitt aparece com sua força total, momentos depois, de forma que chego a duvidar que alguém possa ser realmente tão inenarravelmente atraente. Chega a doer nos olhos.
O filme é delicado e a emoção que desperta passa longe da pieguice. É um daqueles filmes que fazem você sair meio torto, meio feliz, meio angustiado, meio embolado em tudo isso.
Vá, chore muito e me conte tudo.







****post publicado originalmente em fevereiro de 2009.

17 dezembro 2009

Ode para Música Perdida












Eu li Música Perdida nessa semana. E eu fiquei me perguntando como eu ainda não tinha lido nada de Luis Antonio de Assis Brasil. Lê-lo foi fantástico e quero ler tudo que ele escreveu.
O livro me envolveu e comoveu intensamente. Não estou falando em termos sutis ou com um levantar de sombrancelhas intelectualizado. Me comovou às lágrimas, aos soluços.
O livro narra a vida do maestro Joaquim José Mendanha: na cena inicial,um velho maestro morador de Porto Alegre. Cena esta que, após a leitura do livro, se torna absolutamente ressignificada e emocionante.
Entrecortado por flash backs, o livro reconta o início da relação do maestro com a música, começando com a constatação do seu "ouvido absoluto", feita por seu pai, um singelo músico de uma pequena cidade. Nesse momento, ele é Quincazé e conforme os flash backs vão avançando no tempo e na trajetória do músico, ele é chamado de Joaquim José, militar, maestro.
Nessa trajetória, iniciada com o pai, o maestro encontra e se influencia profundamente por outros dois homens: um rico músico de outra cidade e um padre no Rio de Janeiro.
A diferença na relação entre eles é grande, a provável paixão do professor pelo então jovem músico e seu desejo de que seu protegido avance artisticamente, a visão do padre, temeroso do brilhantismo, temeroso da soberba. A morte dos três instaura ao maestro o peso da cobrança, do devir, dos desejos e espectativas de outros que pesavam em seus ombros, seus três fantasmas, como ele os chamava.
Um dos personagens mais comoventes é Pilar, a esposa do maestro, que assim como a fantástica Mulher do Médico no Ensaio Sobre a Cegueira de Saramago, é o sustentáculo do marido, expresso de forma berrante no próprio nome. A simbiose perfeita do amor dos dois chega a ser dolorosa ao leitor.
No decorrer desse caminho, o maestro compõem uma cantata que julga ser perfeita, nobre - por isso a esconde do padre, evitando críticas a sua suposta soberba - mas comete desatino de mandá-la ao compositor europeu Rossini, para uma avaliação. Assim manda a única partitura, sem cópia. (Sem cópias porque quando jovens, não imaginamos que vamos esquecer, ou não conseguir, ou não brilhar. Tudo é fácil, tudo são promessas ao nosso olhar ainda jovem. E foi assim com o maestro.)
Ele não a recebe por anos, por décadas. E ele passa a vida compondo hinos que considera menores, medíocres. Ele passa a vida emaranhado em algo que ele mesmo não respeita.
O maestro passa a vida em busca da música que havia perdido, em uma metáfora belíssima para o sentido da vida, para a busca initerrupta que acomete a tantos, talvez a você que esteja me lendo nesse momento. A busca que marca todo o livro, ou seja, toda a vida de Mendanha.
Alguns momentos do livro me lembraram Ensaio de Orquestra, de Fellini. Vi há muitos anos, mas uma cena onde cada músico fala sobre as idiossincrasias do seu instrumento, sua personalidade, essa relação específica, esse olhar de músico voltou a minha memória muitas vezes, norteando meu olhar sobre a
narrativa. Me lembrou Salieri observando uma partitura de Mozart em Amadeus, descrevendo-a com os olhos e ouvidos de músico, ensinando, dando a mão ao leitor para que o acompanhasse nessa interpretação tão sutil. Essa cena inesquecível eu vi há vinte anos e me voltou a memória muitas vezes ao ler esse romance.
Assim como o momento em que Mozart dita a música, captada por Salieri com fúria, com admiração, com inveja, cena onde a música aparece do ponto de vista privilegiado dos músicos. Ah, como desejei ouvir dessa forma, criar dessa forma. A velhice do maestro me comoveu, me assustou, a velhice aflora de forma surpreendente para ele e para o leitor. Não estamos esperando a velhice do Maestro, não estamos esperando a nossa própria velhice. A fugacidade e por vezes até a inutilidade da vida começam a doer na leitura. Viver para quê? Onde estava a cantata?
Onde estava, enfim, o sentido da vida?
A Cantataé descoberta, enviada ao maestro, copiada para cada instrumento pela sempre presente e estrondosamente forte, Pilar.
Não é à toa que Pilar é a copista, com sua letra magnífica, mostra o específico(a parte de cada músico) para que se costure o total: a orquestra.
E é nessa noite, na noite do encontro com a música, na noite da definição do Finale, que Medanha morre. Sua música perdida e achada, sua música perfeita é ensaiada, com exceção do Finale. Os músicos não ensaiam o Finale.
Mais uma belíssima metáfora nos acomete, porque, enfim, como ensaiar o final? como ensaiar a morte?
Sem ensaio, tocam com perfeição, lêem o que Mendanha havia escrito. Um pequeno trecho onde ele se apresenta diante de Deus com sua cantata perdida.
O finale do maestro também é perfeito, em seu útimo momento, ouve com perfeição a primeira nota que identificou com seu ouvido absoluto: o "sol".
Após a Música, o enterro, só resta o choro de Pilar e o choro dessa blogueira.
E para o maestro-escritor,só tenho uma única palavra:
BRAVO.

*********** post originalmente publicado em dezembro de 2007.
Esse texto está linkado nas críticas dos livros no site do prof.dr.Luis Antônio de Assis Brasil.


@@@post originalmente publicado em setembro de 2008.

Elocubrações


Eu ando pensando cá com meus botões. O que pode motivar alguém a ser grosseiro?
Digo grosseiro no sentido de ser indelicado, de dar alfinetadas todo o tempo, de falar coisas que deixam o interlocutor ( ou "aquele-que-ouve-o-monólogo") constrangido a ponto de não responder.
Hum, digo um pouco mais, o que motiva alguém a ser indelicado com alguém que não passa uma boa fase?
A criatura é apenas alguém sem educação mesmo? Ou podemos pensar que é alguém com tamanho complexo de inferioridade que usa um mal momento do outro para se auto afirmar? Ou é puro sadismo?
Eu não sei.
Vocês tem alguma ideia?

08 dezembro 2009

Dicas da Lola


Há pouco tempo, descobri um blog bastante especial: Escreva, Lola, escreva.
Já simpatizei por fazer uma paródia do título de um filme que adoro. ( Se você ainda não viu o alemão "Corra, Lola, Corra", desembeste até a próxima locadora, é divino.)
A Lola criou um concurso interessante, onde blogueira estão apresentando textos sobre maternidade. Os textos não percorrem um só caminho, tem uns que me fizeram rolar de rir, outros me fizeram pensar.
Nessa toada li muitas blogueiras que eu não conhecia e tive o prazer de visitar. Algumas virei freguesa, como a Rita, que escreve um dos blogs mais interessantes e inteligentes que já descobri nos últimos tempos.
Então, amigos leitores, fica a dica do dia: Vá correndo para a Lola.

04 dezembro 2009

Eu quero um Zeca Baleiro de Natal


Fui ver um pocket show do Zeca Baleiro na terça. Minha gente, minha gente, eu não sei o que rola, mas neguinho pega o violão, começa a cantar e vira um deus.
Ele é comum, baixo, um rosto praticamente anônimo: mas começa a cantar e a mulherada - me inclua aí - praticamente se joga no palco.
Com classe, claro.
O lance do pocket - além do fato de ser gratuito - é que como só cabem poucas pessoas, você fica ali, pertinho do cara, praticamente amigo de infância.
Ele assoou o nariz, se desculpando, perguntou:
- Vocês já viram Sinatra fazer isso? Que vergonha, no palco...
E todo mundo achando lindo.
Em outro momento:
- O que vocês disseram pra enganar essas crianças e trazerem elas aqui? Falaram que era show do NxZero? Do Freno?
Diante das risadas, perguntou diretamente a um menino de seis anos:
- E você...gosta do Fresno?
Surpreendentemente, o moleque não titubeoou:
- Toca Rauuuul!!!!
A gragalhada foi geral e quando ele tocou aquela música em que ele comenta o invitável "toca raul" da boemia, deu umas olhadas significativas pro molequinho.
Na minha frente, uma gordinha de cabelos muito vermelhos se rebolava em algo que ela acreditava ser coquete, dos lados, namorados sorridentes filmavam tudo com seus celulares.
Uma moça diz:
- Zeca, essa música foi ouvida agora, em Salvador! - e mostrou o celular.
Ele riu, todo charmoso:
- Ainda bem que não pago essa conta...quem era? baiano ou baiana? Baiana? Manda um beijo pra ela.
Gente, vamos combinar, apesar de rápida, é interação e é uma delícia.
O show foi bom demais, as músicas de lançamento, algumas já conhecidas, umas palavras aqui e ali.
A Frou sempre o achou atraente e eu sempre disse a ela pertencia que ele ao elenco de "gatos" dela: ou seja, homens feios. Porque a minha amiga adora homem feio, avemaria.
Mas nesse caso, eu reconheço: é um feio-bonito cheio de charme, mais Wagner Moura e menos Brad Pitt, sacumé?
Bom demais da conta.

01 dezembro 2009

O Eça da internet ou Um post sobre Branco Leone


Uma das coisas bacanas da blogosfera é descobrir escritores que eu ainda não conhecia. Uma das melhores descobertas foi Branco Leone.
Eu só comprei um livro ( Os melhores (e alguns dos piores) textos de Branco Leone
Albano Martins Ribeiro, pocket, crônicas)
e estou ensandecida pra comprar e ler todos que ele publicou.
Parafraseando Obama, Ele é o cara.
Como me rendi aos encantos de Eça de Queiroz muito cedo, fiquei feliz em ver como Branco consegue ter proximidade com esse estilo: acurado, sagaz, perspicaz, irõnico até o âmago, preciso, cirúrgico.
O livro condensa uma pequena e imperdível coletânea de textos, onde aqueles que foram retirados do seu próprio passado tem luz específica. A forma como descreve sua juventude, a compra de um carro em comum por um bando de jovens de jaqueta de couro, as aulas de piano e a professora com seu português idiossincrático ou a escola de padres são sempre um mote para textos rigorosamente perfeitos, e sempre, sempre, envoltos em uma fina e interessante ironia.
Cara, queria saber escrever assim.


***

Nunca comento as ilustrações, porque espero que o leitor faça a ponte sozinho. Mas desta vez, me permito interferir: a escolha para ilustrar esse textos foi o Real Gabinete Português de Leitura, no centro do Rio, um presente para quem gosta de ler e uma homenagem desta blogueira aos escritores portugueses.

29 novembro 2009

Manoel Carlos e a pedagogia da porrada


Semestre passado eu estava com aulas todas as noites, quando via a novela era em um ou outro sábado e ficava mais perdida que cego em tiroteio.

Agora estou com algumas noites livres e estou assistindo. Mas ainda não estou entendendo muitas coisas, talvez vocês possam me ajudar.

A principal delas é por que não existe um movimento grande contra a propaganda "pró porrada" que ele faz sistematicamente. E deveria ter, deveria ter.

A pancada parece ser educativa para o autor...me lembro de ter visto o pai da fulana que maltratava os avós apanhando, em outra coisa maravilhosa que ele escreveu. Assim, pai banana se redime e espanca a filha. Educa. Que beleza.

Nessa novela isso se repete.

Entendo que alguém irritado tente sair na mão com outro, é compreensível e é real.

Mas o que me deixa passada é ver que isso é colocado de forma educacional.

Exemplo: a sem noção da garota-que -não -me -lembro - o-nome continuava dando em cima do sacanão- que- trai -a- mulher- professora de teatro, personagem escondidinho. A tal garota bate boca com a cornélia e toma uns tapas, compreensível, porque ninguém gosta de ser corna.

Mas aí entra a pedagogia da porrada....a mãe da garota - Alguém sabe o nome do personagem da Ana Botafogo?? - coloca a filha em uma sala e solta a seguinte pérola:

- ninguém vai te bater, porque quem tem que te bater sou eu....

E soca pancada na sem-noção.

Essa foi uma das inúmeras cenas onde a pancada parece ter um valor educativo, pedagógico.

Ainda uma vez digo que não tenho leitura teórica sobre comunicação de massa, mas me interesso sobre o tema. Aí fica a hipótese: a trivialização, a banalização da violência doméstica já é um mal em si. Mas a demonstração disso como algo não só admissível, como recomendável, é asqueroso. E sério, e muito sério.

Ah, Manoel Carlos, você e seu Leblon idílico estão mesmo na contramão da história.




***** texto originalmente publicado em março de 2007.



******2009*******


Manoel Carlos do Leblon continua aquele. Em sua nova novela, Viver a Viva, a sua didática porrada insiste em continuar a ser uma estratégia para se controlar a filha agressiva. Porque é sempre filha, aliás. Outro ponto a ser observado. Nesse caso, uma surra de cinto dada pela personagem Tereza em sua filha Isabel, a pentelha.
Por hora, vamos apenas localizar o seguinte: em três novelas relativamente próximas, em um instrumento de comunicação de massa e em horário nobre, o teledramaturgo exibe cenas de espancamento.
Seria interessante haver uma discussão apropriada que comparasse a real inserção de campanhas anti-agressão fisica em contraponto a cenas de óbvia exaltação da mesma, dentro de obras de ficção.
Não se trata de negar a violência, mas se trata de discutir como esta aparece dentro do contexto da comunicação de massa. E se trata de perceber o estrago que cenas ridículas como essa podem fazer.

24 novembro 2009

Você chorou?



O filme é de 73, mas obviamente só o assisti uma década depois. Em uma era jurássica onde eu fazia teatro amador e poucas pessoas tinham vídeo cassete, combinei com duas amigas do meu grupo de fazermos uma sessão de filmes. Os escolhidos, depois de muitos debates, foram os muitos românticos, do estilo bem mulherzinha mesmo.
Era 84 ou 85, acho. Eu, Tatinha e Magali, três "atrizes" dedicadíssimas, escolhemos esse filme, fizemos um monte de porcarias pra comer e ficamos falando
( um pouco mal, um pouco bem) dos nossos namorados e dos nossos incríveis futuros.
No meio do tal filme, cochilei. Acordei depois e insisti que elas recolocassem a fita ( a fita, olha isso..rs), para que eu assistisse o final do filme.
Caracoles: aquele carinho triste que ela faz no cabelo ( liiiindo) dele foi o suficiente, chorei cachoeiras de sofrimento adolescente, diante do riso das minhas amigas.
E como boa adolescente maluca, coloquei a cena de novo e me debulhei...de novo.
A história, um tanto óbvia, é bonitinha: o garotão WASP e a menina-judia-politizada, começam com briguinhas e se apaixonam, blábláblá.
Algumas cenas são antológicas, como quando ele a visita e ela exulta e dorme ao seu lado ou quando existe o choque cultural com os amigos, etc.
Mas o final, ah, o final. Acho que choraria mesmo se visse hoje.
Sou uma romãntica inveterada, vocês me entendem.

10 novembro 2009

A Lenda do Besouro







Vi Besouro ontem. Daniel quase teve um treco, adorou do começo ao fim. E acho que isso reflete bem o que o filme pode trazer: trabalhar a auto-estima da comunidade negra e mestiça.
Contando a história de um lendário capoerista, o filme abusa das cenas de luta com um delicioso toque de realismo fantástico, embalado em uma trilha sonora impactante.
Particularmente, gostei da forma como os orixás aparecem, como a mitologia se confunde com a realidade, de forma poética e atraente.
Algumas cenas foram especiais: a paquera sensual entre Besouro e Dinorah, misturando sorrisos e golpes de capoeira, as cenas em que os orixás o ajudam, a cena em que apenas ele e alguns conseguem ver Exu, que tira satisfações com um e outro.
Os atores estão medianos, só o capataz se destaca, o restante tem atuação que poderia ser melhor. Besouro lança uns olhares à la Chuck Norris que poderiam ser dispensados.
Mas o conjunto é bom, inaugura uma nova esfera de filmes, mistura ação, tradição e recuperação da memória.
E vocês me perdoem o spoiler, mas a cena que o coronel toma uma surra de Dinorah, eu quase pulei e grite na cadeira.
O final surpreende com uma opção inusitada na narrativa, que acaba por dar mais força ao modelo místico.
Com esse novo modelo de herói acho que caminhamos para o desenvolvimento de geeks tipininquins. O que é ótimo.

07 novembro 2009

Achtung!




Eu vi alguns vídeos no youtube. Aliás, é o que estou fazendo agora.
Muitos me emocionaram, mas, esse, em particular, me comoveu. Procurei o título da música, a letra, mas não achei.
Na época das imagens, eu estudava alemão, mas esse língua linda e complexa está longe do meu cotidiano e acabo me lembrando de muito pouco.
Jogo na sorte, se for coerente, deve seguir a imagem.
Não vejo a Queda do Muro de Berlin como o triunfo do Capitalismo ou coisa que o valha. Vejo a Queda como um dos momentos marcantes em que o Autoritarismo e o cerceamento das liberdades individuais foram derrotados.
Pelo que vi e li, jovens com menos de 20 anos não sentem o peso da Alemanha dividida, mas quem viu isso acontecer, sabe o que significa ver as imagens que aparecem aqui.
Eu era uma caloura em um curso de História, no tempo da queda do Muro e da quebra de muitos paradigmas.

04 novembro 2009

Comportamento de manada com bois acéfalos


Há pouco tempo recebi um email de uma amiga que falava sobre o tal caso da Uniban. Eu não sabia, mas um pulinho no twitter me mostrou a cena insólita, do povo doido gritando contra a moça. Denise Arcoverde fala sobre o assunto e levanta uma lebre: se a moça fosse magra, isso teria acontecido? Porque magra pelada na rua é rotineiro, gordinha querendo ser sexy parece ser algo ofensivo aos olhos brasileiros.
Não sei.
Umas alunas disseram que ela "estava provocando". Claro que isso remete aos argumentos usados há poucas décadas, que desqualificavam o papel de vítima de mulheres estupradas, dizendo que elas "haviam provocado" por usar roupas provocantes.
Assim, mulheres que haviam sido vítimas de inúmeras agressões não podiam nem denunciar o crime, pois seriam tratadas como causadoras.
As constantes ironias em relação às mulheres agredidas pelos maridos levou a criação de uma delegacia especializada em crimes domésticos. Ainda assim, só com a recente lei Maria da Penha, a agressão doméstica foi realmente criminalizada e mão resolvida na base de meia dúzia de cestas básicas pagas pelo agressor.
Vi uma escritora no Roda Viva que explicava que o véu muçulmano tinha afunção de proteger....os homens. Sim, você leu certo. Em termos, os homens seriam destituídos de auto-controle, portanto, caberia as mulheres conservar sua imagem apagada, para que os instintos masculinos não fossem despertados.
Não me interessa se a roupa da garota estava adequado ou não. Se ela fosse de biquini ou nua, quem deveria discutir com ela a viabilidade do traje seria a instituição e nunca, nunca, deveria ser mote para agressões físicas ou verbais.
O comportamento de manada sempre me assusta. Alunos que escutam um maluco gritar e correm atrás dele, no afã de gritar também, são capazes de qualquer coisa.
Quando as pessoas seguem os "alfa" e agem como manada, se escondem na multidão e mostram atitudes que seriam impensáveis, caso tivessem que repeti-la sozinhos, de cara limpa.


02 novembro 2009

Mix


Pela primeira vez, crianças bateram na minha porta no tal Dia das Bruxas. Eu havia comprado doces e adorei ser visitada por monstrinhos alegres, bruxinhas loucas por balas e mais dúzias de sorridentes fantasiados.
Um dos grupos, ao passar por último, ficou sem os doces, que haviam acabado.
Um fantasminha me tranquilizou:
- Não tem "ploblema" nenhum...
Eu achei o máximo.
Não torço o nariz para o "ralouím" tupiniquim, não mesmo. Penso na cultura como algo vivo e, portanto, necessariamente dado a miscigenações.
Aqui pode bater saci ou bruxinha, porque sempre vai rolar bom humor na recepção a qualquer um desses.
E vamuquivamu.

01 novembro 2009

Lúcio 80/30


Na sexta feira, enquanto eu tomava um café com a Lidiane - a fofa blogueira do Bicha Fêmea - apareceu, toda esbaforida, uma vizinha e amiga.
Ela, Cláudia, havia ganhado dois ingressos para uma peça em cartaz no teatro de Paulínia e estava me procurando para irmos. Fomos, claro, eu topei na hora, sou sempre facim, facim quando o programa é bom.
O teatro é uma construção monumental. Cafona, como é praxe nas construções de Paulínia, famosa aqui na região por seus portais horríveis.
O interior do teatro, entretanto, se mostrou confortável, grande, bonito, bem estruturado. Muito maior do que os teatros de Campinas e, sem dúvida, multo melhor aparelhado.
A peça em questão era sobre Lúcio Mauro e Lúcio Mauro Filho, ambos comediantes com anos de estrada, bem digeridos pela Globo.
O fato é que a idéia de fazerem um trabalho juntos vem no momento em que o pai tem um piripaque e vai para o hospital. Na noite em que passa fazendo companhia ao pai, filho tem a sacada: eles devem fazer uma peça, uma peça juntos.
Assim, a peça é sobre a peça: como montar, o que dizer, quem chamar.
A brincadeira com a metalinguagem dá o tom da obra.
Eu gostei, ri, achei uma graça a platéia aplaudir várias vezes em cena aberta. Entretanto, acho que o momento poderia ser aproveitado com alguns causos da história de Lucio Mauro, coisa que eles fazem pouco. Acho que o momento remember poderia ser mais explorado até para alguns ajustes de contas, que sempre ficam.
Achei tocante quando o filho, negociando um tempo a mais para o pai, diretamente ali, com Deus, diz;
"Eu sei que ele já fez tudo que queria, viveu bem, eu sei que ele está preparado pra ir. (pausa) Eu é que não estou"
Rindo ou achando comovente sem ser piegas, me diverti muito.
Recomendo, crianças.

27 outubro 2009

Eu prefito ser uma Metamorfose ambulante...


Eu sempre achei que as pessoas organizadas fossem pessoas chatas. Escrevi sobre isso aqui, falando (mal) de professores organizados. Porque, efetivamente, os professores mais organizados com quem trabalhei eram...organizados e só. Limitados e rígidos como formigas em fila, desesperados por qualquer mudança, qualquer inovação.
Eu pensava, equivocadamente, que as pessoas organizadas eram sempre pessoas sem criatividade.
De certa forma, ser bagunçada fazia parte da minha personalidade, era como eu me definia, era como me definiam. Não foi à toa que escolhi "A Casa da Mãe Joana" como título para o blog. Até pouco tempo, o subtítulo era" uma bagunça de ideias" e na lateral, tudo era regido pela palavra "baderna". Substitui por "Casa" e retirei o subtítulo, porque as palavras tem poder, e tem muito poder.
Nesse ano, 2009, descobri que organizar pode ser um exercício de criatividade. Claro que não é nada parecido com os meus colegas chatérrimos, entediantes...não, não.
A nova organização que me proponho a seguir é inspirada em vários blogs bacanas que estão linkados aqui ao lado, como o Chega de Bagunça, Arrumadíssimo, Atelier Ordenar...e tantos outros. Gente, um charme. Uma forma delicada, criativa, de lidar com o seu próprio canto, redescobrindo as delicias de tornar a sua casa cada vez mais personalizada.
O fato é que desde que me "converti" à arrumação modifiquei muita coisa na minha casa: estou tentando adaptá-la a sabedoria do Feng chui, arrumei armários em demoradas semanas onde descbri provas minhas de vestibular(!!!), fotos esquecidas, roupas inúteis e cartas de amor. Tudo foi selecionado, a cesta de lixo foi grande, bem grande, porque muita coisa que faz sentido em um tempo, passa a ser inútil depois.
Claro que muita coisa foi guardada, mas guardada direito, com carinho, não jogada "pra ver depois". A sensação de controle é interessante.
Há pouco tempo, quando eu procurava um livro ou cd, ele poderia estar na estante, no rack, no freezer, no banheiro...sei lá. Agora sei. Agora sei onde as coisas estão e eu as controlo, não o contrário.
Nesse frenesi organizador, entrou o capricho, as flores, os aromas. E a minha casa, que já era meu lugar predileto no mundo, ficou ainda melhor.
Nem entendo como vivi quatro décadas com tanta bagunça. Não sabia que ser assim seria tão bom, tão saboroso.
Estou , hoje, absolutamente convencida de que a arrumação da casa, dos armários, das gavetas (ah, as gavetas...) refletem totalmente o estado de espírito da pessoa.
E nessa mudança, não renego a antiga Vivien, a "dona da baderna", como eu me definia aqui no blog. Mas não preciso do caos pra me explicar, não preciso mais.
Bem vindos, essa é a Casa da Mãe Joana, versão arrumadinha.



(foto retirada da internet)

24 outubro 2009

O passado bate a sua porta






Ok, ok, um dia, beeeem distante, beeeem distante mesmo, pode até ser que eu tenha gostado - um pouco - de carnaval. E aí ficou esse registro: vestida de marinheira em Caxias, eu mereço, eu mereço.
Mas, me digam, não parece uma propaganda de coca-cola? Ah, esses terríveis anos 70..

22 outubro 2009

Maus


Depois de anos, finalmente li Maus. Para quem ainda não se deparou, fica a dica, procure uma boa livraria com uma sessão razoável de HQ e leia, leia já.
Maus já pode ser considerado um quadrinho clássico.
(Bem) escrito por Artie Spiegelman, Maus narra a história de seus pais na Polônia quando da ascenção do nazismo, passando pelo gueto e culminando em Auschwitz. O autor optou por construir essa narrativa concomitantemente com a narrativa da própria coleta da história. Assim, podemos ver Artie conversando com Vladek, seu pai, ao mesmo tempo que ouvimos/lemos e, obviamente, sofremos com a história do próprio Vladek.
Artie retrata judeus como ratos - uma interessante ironia envolvendo a forma como eram descritos pelos nazistas da época - os alemães como gatos, americanos como cães.
A fluência da história é incrível, impossível parar de ler, viciante e asfixiante ao mesmo tempo. Poucas vezes vi uma descrição da fome com tanta vivacidade.
Vladek possui hábitos regrados e um senso de economia que vai às raias da loucura. Porque me parece que, emocionalmente, ele não conseguiu sair de Auschwitz, portanto, sua relação com a realidade é diferente.
Além de retratar a bela história de amor dos pais, o sofrimento do Holocausto, Maus consegue trazer a baila uma conflituosa relação entre pai e filho. Nesse caso, entre pai e filho judeus, com toda a carga, todo o peso da guerra, dos campos de concentração e da sobrevivência.
Ler Maus é uma necessidade.

21 outubro 2009

Fortaleza II - Praia do Futuro




Gente, é a ilha de Caras...rs
Sério. A praia além de bonita pra caramba, é base pra algumas "barracas" que são resorts....formam um conglomerado de restaurantes transados, bares, piscinas, redes, tudo com um paisagismo de ilha da fantasia. Lindo, lindo, lindo.
Ao lado, ali mesmo, atravessando a rua, não encontramos prédios, mas favelas. Lixo pela rua, casebres e bastante violência, lugar perigoso mesmo.
Uma terra de contrastes.


ps. fotos retiradas da net.

19 outubro 2009

Fortaleza I - Dragão do mar





Das coisas que vi em Fortaleza, umas das que mais gostei, sem dúvida, foi o Centro Cultural Dragão do mar. Eu tinha pesquisado um pouco na net e já fui com o intuito de encontrá-lo, mas não achei que fosse tão bacana.
A entrada não promete e o a arquitetura é de gosto duvidoso, mas o lugar é um paraíso. Voltei várias vezes e quero falar das coisas que vi com mais tempo, pois eram exposições que merecem um post cada uma. Mas por hora, fica a descrição gral: o lugar conta com teatro, anfiteatro, auditório, salas de exposições variadas, lugar para oficinas, muiiito espaço, livraria, café, planetário, Museu de Arte Contemporânea e, atravessando uma passarela, casarões LIIIIINDOS restaurados que funcionam como bares e fervem à noite.
Ao lado, a enorme biblioteca pública e um Sesc bem bacana, onde vi uma exposição de arte naif maravilhosa.
Eu surtei naquele lugar, quem for pra lá, não deixe de conhecer.
Depois conto mais, beijos.



11 outubro 2009

Fortaleza









Minha gente, tô aqui,em Fortaleza.
Notícias detalhadas depois de quarta feira. Beijos a todos.

07 outubro 2009

03 outubro 2009

Sobre água, rosas e caldeirões


Então, fiz o tal shiatsu. Só conhecia massagem tradicional, que adoro. Shiatsu foi a primeira vez.
O encantador nessa terapia é que o corpo físico está amalgamado com todas as questões emocionais, tal e qual na acupuntura, que também gosto muito.
Segundo a massagista, ao analisar os pontos que doem e os que não doem, dentro de mim há uma mocinha, uma criança que foi magoada. Olha isso.
Parece que minha fatia adulta até que está legal, o problema é com a Vivinha juvenil.
Isso está me interessando de sobremaneira. Essa viagem interna não foi proposital, aconteceu. Junto com outras mudanças - boas - veio uma vontade de caprichar no auto-cuidado, na auto massagem, nos banhos prolongados de banheira, em caprichar para uma noite de sono melhor.
Essa atração por água é velha, já comentei aqui no blog.
Mas a atração por flores, é totalmente nova. Não que eu não gostasse de ganhar flors, por exemplo. Sempre gostei, apesar de ter ganhado poucas vezes. Mas nunca comprei tantas flores pra minha casa, nunca senti essa necessidade quase visceral de tê-las por perto. Em especial, rosas, ando fissurada por rosas.
Se eu já gostava de cozinhar, isso se tornou mais do que u ritual, se tornou uma necessidade deliciosa, um momento meu, uma forma de expressão e conforto.
Estou fascinada por histórias de "bruxas", no sentido de compreender formas de expressão da feminilidade. O blog da vez, dentro desse movimento, é o Casa Claridade.
Vou contando pra vocês o processo de mudança.

29 setembro 2009

Colcha de retalhos







Continuo fazendo uma super faxina nas minhas coisas. Essa limpeza geral está sendo um processo muito louco. Abrir pastas e encontrar cartas antigas, provas de vestibular(!), papéis inúteis misturados com fotos memoráveis é um exercício interessante. Se trata de liberar a vida de coisas passadas, que já não importam e de guardar aquilo que sempre vai importar.
Recebi um email de uma amiga que falava sobre isso, sobre liberar espaço para que as mudanças e as coisas boas possam entrar na vida. Então, que entrem.
Essa limpeza ainda vai ter várias fases. Quero organizar meus livros, que estão misturados, na maior balbúrdia. Quero olhar e saber onde está cada papelzinho, cada caderno, cada prato e cada copo.
Não vou chegar a etiquetar, "panelas", "liquidificador", como fazia o segundo marido de Dona Flor, o doido. Mas estou quase lá.
A sensação é muito boa, é de controle sobre a vida.
Acho engraçado como coisas tão prosaicas como arrumar armários possam ter um efeito tão grande na mente da gente. Acho fantástico.

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Continuo também andando todos os dias com a Renildes. Gente, minha cadela é a Lassie.
Ela sabe o horário que andamos e me cobra isso. Posso zanzar pela escada o dia todo, na hora da saidinha dela, se subo...ela se rebola toda. Ontem latiu, em chamando, como não fui, voltou, quase com as patinhas na cintura, latindo:
"então, vamos ou não vamos?".
Fomos, claro. E tomamos chuva.


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Ando conversando com um amigo de comecinho de adolescência. Uma coisa maravilhosa e rever um namoradinho de mil anos, não há cerimônia, como se continuássemos jovens tolos. Welcome aos enta, Vivien.


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Estou relendo Garcia Márquez e eu definitivamente sei que meu amor é eterno.


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Na quinta feira vou fazer shiatsu, ver uma amiga querida à tarde e outra amiga queria à noite. Meu projeto agora é ser feliz todo dia.

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Apesar do Daniel me deserdar por isso, continuo assistindo a novela do Manoel Carlos do Leblon. Pão e circo para o povo, minha gente.

24 setembro 2009

Outro post para Anna


Eu gosto de São Paulo, gosto de ir...e gosto de voltar. Não consigo conviver com clássica pressa paulistana. Já comentei aqui, até as escadas rolante são mais rápidas e eu estou meio que fugindo disso.
Mas eu gosto de muita coisa, nessa cidade multifacetada.
Gosto muito da Liberdade, mas andei me decepcionando com o bairro.
Gosto muito de ir pra lá ver exposições. As mais interessantes foram Brasil-500 anos e os Guerreiros de Xiang. Gosto muito de pirar e não entender necas na Bienal de Arte, mas confesso que a última...hum...aquela do vazio, achei chata.
Acho que uma dica sempre bem vinda é onde comer um bom sanduíche, bom, se for de madrugada, no Bar do Estadão.
Pra comer massa e se sentir dentro de um filme sobre máfia, não há dúvida: Roperto.
Um lugar sempre gostoso é a Pinacoteca, sempre gosto das exposições de lá, e fica exatamente em frente ao Museu de Língua Portuguesa, que eu adoro.
A livraria Cultura é um verdadeiro paraíso, em todos os aspectos.
Pra quem gosta de bares descolados, restaurantes legais e graffiti, vila Madalena e o Beco do Batman.
Conversar com pessoas desconhecidas sempre é uma viagem interessante, mas em São Paulo o povo puxa assunto a todo momento e em qualquer lugar, é legal demais.

Além disso, sugiro visitar o MAE, museu de arqueologia e etnologia da usp, pequeno, bem montado, interesante, com várias peças da antiguidade, alguma coisa da pré-história e uma boa ala sobre arte africana.


Museu Paulista ( Museu do Ipiranga), com uma nova proposta museológica, bastante interativo, com muitas peças interessantes e várias ambientações. Espaço incrível e arquitetura fantástica.


Ibirapuera, pra andar, ver gente com todas as rodas possíveis, ir na Oca, ir no MAM, mas nunca, nunca almoçar no péssimo restaurante do parque.


E eu não sei vocês, queridos amigos e leitores, mas eu adoooro bater perna em shopping. E se tiver um cinema bacana, então, socorro. Me jogo.

Não sou lá uma notívaga de confiança, mas acho que a noite de São Paulo dispensa recomendações. Eu não saberia indicar mesmo, minhas dicas são quase todas diurnas.;0)

Queridos amigos e leitores, quem tiver dicas, não se reprima, como já diziam os filósofos Menudos. Conte pra mim.

18 setembro 2009

Post para Anna (1)


A Anna Maron foi a primeira blogueira que conheci, assim, " ao vivo e a cores", quando eu ainda não tinha blog. Eu estava no Rio, pra apresentar um trabalho sobre RPG & Educação na ExpoInterativa e combinamos de sair pra conversar e beber.
Ela é uma fofa, tão interessante quanto seu blog, que anda abandonado, por conta da Clara, sua filhotinha.
Bom, a Anna se mudou pra São Paulo e eu disse, em seu blog, que daria umas dicas do que gosto por lá.
Eu não moro em São Paulo, somente nasci lá,
sempre morei em outros lugares. Conheço - pouco - de São Paulo como turista, mas uma turista animada com tudo.
Bão, vamos lá.
Eu costumo ficar no Fórmula Um do Paraíso, comecinho da Paulista, barato, prático, bem localizado e bem estruturado. Assim, muito do que faço sempre, é por ali, à pé mesmo.
Gosto de sair andando por lá e já sugiro um almoço em um botequim ao lado do metrô.
É um botequim meeesmo, não é força de expressão, mas eu e Daniel adoramos. Aquela coisa de São Paulo: você como muito bem em qualquer lugar.
O lugar tem uma comida deliciosa, temperadíssima, farta, suculenta e com preço bastante convidativo.
Vale a pena visitar e provar.
Seguindo, há uma lista de lugares que gosto na Paulista:

Centro Cultural Itaú: imperdível pra quem gosta de arte digital - e eu adoro - porque as exposições mais interessantes, mais interativas, estão por lá.
O lugar tem três andares, monitores meia boca ( esqueça deles, não vale a pena perder tempo), boas publicações gratuitas e um Café caro e sem opções.
Veja as exposições, brinque - porque dá pra brincar! - vá comer em outro lugar.

Sesc Paulista: sempre com exposições bacanas, vale a pena entrar e se divertir. Nunca vi apresentações, mas como todo Sesc, tem uma boa programação gratuita.


Casa das Rosas: Uma casa da Belle Epoque - mas com art decó e mistureba total, uma deliciosa salada - que foi construída pelo fantástico Ramos de Azevedo como presente para sua filha, é uma delícia de se ver. Mas para além da riqueza arquitetônica, o lugar é um centro cultural bacana, com exposições e palestras. Pra quem gosta de RPG, o espaço reserva encontros para jogadores.
O jardim é um caso à parte, só andar por ele já vale a visita. O Café também é caro, mas os doces são gostosos. Pra quem gosta de doces italianos, há algumas opções.


A arquitetura da avenida dispensa comentários.


Reserva Cultural : um espaço delicioso, com livraria, cinema, Café e um restaurante charmoso no qual você pode apreciar os transeuntes da avenida como um aquário.
Comida ótima, atendimento ótimo, café cheio de charme ( feito no seu lado, com explicações da barista) mas um pouco frio. Carinho, mas vale a pena.

Masp: preciso comentar? Se alguém coloca seus pezinhos em sp e não vai ao Masp, merece a um peteleco na cabeça. O Museu é incrível, maravilhoso, o acervo próprio é um luxo e as exposições eventuais sempre, sempre maravilhosas.


Depois comento os outros museus e lugares que gosto, por hora, paramos na Paulista.
Quem quiser ler alguns dos posts sobre São Paulo é só procurar em "Cidades", aqui no final do post.
Quem tiver dicas pra Anna, deixe aqui, please.
Beijos.

13 setembro 2009

A idade da Razão


Engraçadíssima é a relação com a - aparentemente abstrata - acepção do conceito "idade" para meus amigos. Às vezes flagro uma ou outra mulher nessa mesma viagem, mas, em geral, são meus amigos hombres que caem nessa folia.
Explico.
Por alguma razão que desconheço, meus amigos acreditam piamente que se forem uns quatro ou seis anos mais jovens do que eu, são, automaticamente meus filhos.
Sim, lindos, é isso mesmo. Uma vez, quando eu tinha 26, ouvi de um que tinha 20:
- Vivien, você que tem praticamente o dobro da minha idade e...
Stop. Não precisa voltar, você não leu errado. E eu estava beeem em forma, antes que você pense que a titia aqui estava caída.
Só pude responder, entre risos.
- Cara, na boa, você sabe fazer conta?
Enfim.
Inúmeras vezes me deparo com meus amigos(!) falando comigo em tom filial, comentando sobre o "meu tempo". Sério.
Em contrapartida, um amigo querido, dez anos mais velho, diz nove entre dez vezes:
- Você me entende, porque a NOSSA geração, blá blá.
Pessoas, na década de 70, quando ele ia pra balada, eu brincava de boneca. Na década de 80, quando eu ia pra balada, ele estava casado e era pai de dois.
Então é mais ou menos assim: se o amigo é seis anos mais novo, ele é meu filho, sou praticamente sua mãe, se ele é dez anos mais velho, tem a mesma idade que eu.
Matemática idiossincrática que deusmelivre.
A mais legal foi essa: ouvi que não fui adolescente nos anos 80.
Geralmente, ouço besteira e fico muda, porque sou lerda. Mas até que consegui responder, apesar de ficar atônita.
- Olha, Fulano, em 1980 eu tinha 12 anos. Sempre me achei precoce, mas se você quer me dizer que fui adolescente ANTES dos 12, tudo bem pra mim.
Na boa, os homens são muiiiiiito estranhos.

11 setembro 2009

"Mudaram as estações, tudo mudou.."


Trabalhei a maior parte do tempo como professora de História pra pré-adolescentes e adolescentes. Quem é professor, sabe o que digo, ninguém sabe exatamente o que é conseguir atenção, até falar sobre a Revolução francesa pra molecada de 13 anos.
Realmente, conseguir a atenção de quarenta adolescentes é uma tarefa hercúlea. Estou falando em atenção, atenção mesmo, não silêncio sob chibata.
Trabalhei em diversas escolas particulares da região de Campinas, tive a sorte de trabalhar com diretoras extremamente criativas, que apoiavam inteiramente os projetos que desenvolvi.
Coordenação já é outra História. Em alguns lugares trabalhei com coordenadoras incríveis, que me ensinaram muito, em outros, com burocratas sonsas, das quais tenho alergia. Porque vamos combinar, nada pior do que gente sonsa, pé de pato, mangalô.
Acabei indo trabalhar exclusivamente em faculdades da região. Como toda escolha, ganhei e perdi. Ganhei novos desafios. Engana-se quem pensa que se exige mais do ensino superior. Minha experiência em escolas de ponta me mostraram como a maior parte delas tem um nível que algumas faculdades não atingem, por vários motivos.
No começo, adorei a diminuição do stress - trabalhar com adultos é outra coisa - mas senti falta da energia das crianças, da animação.
Se antes eu conhecia todos os meus alunos, nome, sobrenome, gostos específicos...eu os via três vezes por semana, por anos. Entretanto, no momento da relação universitária me vi diante de salas cheias, das quais me lembro de poucos nomes, pois é humanamente impossível lembrar de todos os alunos de uma sala de 70.
Em cada um dos níveis, há aspectos interessantes e aspectos horríveis.
O lado gostoso é sentir que fiz parte da vida deles, que influenciei de alguma forma.
Uma ex aluna queridíssima, Naíma, hoje aluna de jornalismo na Usp, brincou comigo no post abaixo, lembrando-se do livro que eu dei no seu aniversário de 15 anos.
Agora há pouco, antes de chegar na casa da minha mãe, encontrei um ex aluninho. E não adianta, eu sou uma tia mesmo, ele é adulto e eu o vejo como garotinho, como quando contava histórias na aula.
Quanto ao tempo que fiquei com os adultos, passei por várias turmas bacanas - e umas tão chatas que nem vale a pena comentar...- mas as minhas prediletas, foram, sem dúvida, uma turma de Computação ( onde trabalhei com uma matéria de introdução a sociologia) e uma turma de calouras da pedagogia ( onde trabalhei com uma disciplina sobre novas tecnologias).
Turmas interessantes, inteligentes, antenadas e, principalmente, com uma fome de conhecimento, com um desejo de pensar, que não se vê todo dia. Morro de saudades deles.
As escolhas são assim, recheadas de perdas e ganhos. Agora estou fazendo outras escolhas, mas o que vou ganhar e perder, ainda não sei.
Mas quando eu descobrir, conto.;0)

31 agosto 2009

O Amor nos tempos do Cólera


Em tempos de pandemia, a gente acaba mudando hábitos. Nunca vi tanta gente lavando as mãos, alguns produtos viraram arroz de festa e eu não vou ao cinema há milênios.
Não me chamem de exagerada, porque sou imunossuprimida e uma gripe dessas vai fazer esse sistema imunológico aqui pirar, socorro.
Mas eu confesso que acho engraçado a mudança de alguns hábitos, gente que se cumprimenta de longe - sorry, mas eu ainda beijo as pessoas, pelamor - e coisas assim.
Em meados do século XIX, aqui em Campinas, a febre amarela dizimou parte considerável da população, assim como aconteceu no Rio. Os Almanaques da época comentam como as pessoas deveriam ser portar nos enterros e no dia de finados, como seria mais adequado. Reprovavam o fato dos escravos irem na frente, pra limpar os túmulos, colocar flores...e ao esperarem seus senhores, fazerem uma roda de samba, cantando e dançando alegremente. Os jornalistas achavam absurdo - engraçadíssimo acharem que os escravos deveriam ficar condoídos com a morte dos senhores, aliás - descreviam a cena, provavelmente meneando a cabeça.
Como seriam as relações sociais dentro daquela pandemia? Fico pensando como as relações e hábitos podem ser pautadas nos novos medos.

26 agosto 2009

Música do dia

Já quis ser judia e morar em um kibutz, fui revolucionária ( ou coisa que o valha) e já acreditei no socialismo, mas tomei todos os tombos que a queda do muro de Berlim provocou, sou fascinada pelo Anarquismo, fui estudante, sou professora, sou blogueira, tento ser twitteira mas o tempo não deixa, fui reacionária quando criança, fui espírita, tentei ser católica, sou protestante, fui dançarina de jazz, fui ativista do teatro amador, fui militante estudantil, fui casada, fui corna, sou divorciada, fui apaixonada, fui sacana, fui bacana, fui banana a maior parte do tempo, fui frívola, fui profunda, sou leitora, fui profundamente tímida, sou exibidérrima, sou geminiana, fui mulher de cabelos curtos, sou mulher de cabelããão, fui roedora de unhas, sou usuária das unhas vermelhas, sou abstêmia, fui pseudo fumante, fui palestrante, fui mestranda e larguei, fui fã de acampar, sou um monte de coisas ainda, mas sou acima de tudo, sou principalmente a mãe do Daniel.

14 agosto 2009

Pequenos rituais cotidianos





Minha cachorrinha, Renildes, está em pólvorosa.
Como eu não estou mais trabalhando à noite, posso sair com ela para passear. Saio sempre no mesmo horário, mas ela começa a pular uma hora antes, pedindo pra sair, toda maluca.
Na maior parte das vezes em que a levava para passear ia com duas amigas e seus respectivos bichinhos. Uma tríade feminina e canina passeando, tagarelando e rindo de tudo.
Ultimamente, como tenho ido sempre e durante a semana, vou apenas com a Nildinha, minha vira-latas.
Eu tenho feito um exercício cotidiano de tentativa de desnaturalizar as milhares de coisas bacanas que acontecem rotineiramente.
Há algum tempo, fiquei embasbacada com as nuvens. Acho que só tinha reparado como são incrivelmente lindas quando era pequena. Agora são as árvores. Estou passando o mundo a limpo, mentalmente.
Tenho procurando ser uma versão feminina do Flaneur de Baudelaire, quando Benjamin o discute: quero buscar o olhar novo de quem se perde em um cidade desconhecida, percebendo as minúcias.
Adoro o lugar em que moro, adoro as praças, as ruas, minha casa, tudo. Fico celebrando isso com a minha cachorrinha e pensando como tenho sorte em poder perceber as milhares de coisas incríveis que acontem todos os minutos.
Tô meio pollyana, heim? haha.

08 agosto 2009

A Rainha do Frango Assado






Algumas vezes na vida calha da cabeça desocupada da gente se encher com filosofias baratas de botequim. Assim, quando essas coisas acontecem, quem tem blog tem a oportunidade de dividir essas elocubrações bestas com os leitores.
Estava eu aqui, pensando com meus botões: por que será algumas pessoas mentem?
Mas não falo daquela mentira educada, quando você elogia um prato que odiou ou não diz exatamente o que pensa sobre as novas sandálias de uma amiga. Não. Também não é aquela lorota que por vezes a gente conta, pra tirar um amigo ou amiga de uma enrascada que ele/ela mesmo se meteu:
- Na sexta feira? ah..claro, fulando estava aqui..ah, demorou pra chegar?...ah, mas estava comigo, desencana.
Com um remorsinho, você mente e salva a pessoa de seu legítimo castigo.
Falo de outras lorotas. Aquelas assim, contadas a sangue frio, tolas, fantasiosas, engraçadíssimas de ouvir, dada a sua mínima probabilidade. Uma miríade de mentiras que são contadas e recontadas, cada vez mais coloridas, onde os detalhes se confundem e você pensa: caraca, mudou de novo a história?
Eu me arrisco a imaginar que alguns bons anos de divã podem vir a resolver isso, porque evidentemente se trata de um nível de insegurança muito arraigado, que se utiliza da fantasia para escapar de uma realidade mediocre, solitária e cheia de chutes na bunda.
Penso que se apoiar na bengala da vida fake é um estratagema penoso, só posso crer que a auto imagem do mentiroso patológico deva ser realmente comprometida. Infelizmente, para o mentiroso, suas historietas não vão alterar a vida que passou, passa e continua sendo pouca e rala.
Enquanto isso, a gente se diverte com as histórias da carochinha.

04 agosto 2009

Meu carro é vermelho





Na sexta feira fui levar minha mãe em um show gratuito que acontece toda última sexta feira do mês, aqui em Campinas.
Esse show acontece na praça Carlos Gomes, o pessoal senta em mesas, fica em pé, canta, toma alguma coisa, aplaude e vai embora, feliz da vida.
Nessa sexta a bola da vez era Eduardo Araújo, cantor da época da Jovem Guarda, coisa que minha mãe curtiu muito.
Mas ele não ficou apenas no momento remember, cantou praticamente todo o tempo canções novas, com uma pegada country, legal até, gostei. Chegou a se arriscar em algo que poderia ser um blues, mandou ver na gaita e todo mundo gostou.
Tinha um grupo de senhoras completamente animadas, perdendo a linha, dançando, chamando de gostosão, maior barato, adorei.
Na manhã seguinte foi dia de Feira Hippie, que agora conta com uma barraca de comida mexicana que é simplesmente demais. Me mato naquelas pimentas.
Uma roda de capoeira pra ver, coisas pra admirar, comprar e uma jazz band super animdada, que arrancou ardorosos aplausos.
Dessa vez não fiz massagem, mas pra quem estiver por lá, recomendo: vá até a cadeira do Paulo, um massagista que te torce inteiro, estala aqui e ali e manda as dores pro espaço. Bom demais.
O resto do final de semana banquei a Maria limpando a casa, vi uns filmes e li.
E você, o que fez? Contaí.

03 agosto 2009

Sobre a ditadura das crianças




Andei pensando sobre crianças nesses dias. Mais precisamente, sobre o autoritarismo infantil.
Não é difícil perceber porque regimes totalitários utilizaram crianças e adolescentes a seu favor: nesse período da vida, longe da relativização da maturidade, é muito fácil ser profundamente maniqueísta. Tudo parece ser certo ou errado; branco ou preto. Crescer envolve perceber - nas palavras de uma amiga - que existe uma grande "variedade de cinzas entre o branco e o preto".
Mas os pequenos ditadores não percebem isso, e o que é pior, tem uma concepção equivocada do mundo como um grande mercado onde as pratelereiras estão repletas de opções para eles mesmos, eles se imaginam o centro, o motivo da existência da humanidade, que parece sempre dever algo aos pequenos reis.
O resultado me assusta.
Não tenho uma interpretação ingênua e romântica de um modelo antigo de família, um modelo que a história mostra que nunca existiu. Não olho o passado remoendo: oh, como tudo era tão bom...não, não penso assim.
Acredito que muitas das relações passadas eram calcadas em um modelo repressivo, onde as crianças e adolescentes não tinham voz.
No sentido de dar voz às crianças, os adultos ( pais, avós, tios, etc), se esforçaram para oferecer uma nova forma de estabelecer relações.
Mas parece que o tiro saiu pela culatra.
Acostumados a receber e receber, dotados de uma visão simplista de mundo dividido entre bem X mal, imbuídos da concepção de que o mundo feito para eles, os adolescentes, dedo em riste, exigem, julgam, insultam e magoam. Sempre atolados em uma perversa idéia de que foram ludibriados(!), que os adultos estão em débito.
Vale a pena lembrar que os criadores dos pequenos nazistas foram seus pais. Ao rechear aquelas jovens almas com ódio, passaram, tempos depois, a ser objeto desse próprio ódio.
O jovem ditador crê que nada deve a ninguém: ele é sempre aquele que recebe. O pequeno ditador, dedo em riste, não parece capaz de ver o que recebeu, porque está muito ocupado cultivando suas cobranças initerruptas e egocêntricas.
Nunca acredita que o que recebe possa ser suficiente. Ele exige, ele insulta. Por algum motivo, ele se julga nesse direito.
Temo pela sociedade que virá, com esses pequenos déspotas egoístas.
Como no vídeo abaixo, creio firmemente, que se nada for feito, se não combatermos esse egocentrismo perverso, o que nos restará será limpar o traseiro desses jovens imperadores sem autonomia.




@@@@@ Post originalmente publicado em maio de 2008, em "homenagem" a todas as crianças ranhetas, manhosas, autoritárias, interesseiras, grosseiras e os malucos que criam esses seres.

31 julho 2009

Tipos de Homens







Bom,tem o intelectual espirituoso, que é o meu favorito. Diferentemente do intelectual padrão, ele não se sente na obrigação de gostar de filme iraniano, não faz cara de conteúdo e não lê por obrigação.
É aquele cara que conversa com naturalidade, bom humor - mas humor na medida, não é um macaco pulando - sabe ser sagaz de um tanto que faz você pensar que ouvi-lo é uma delicia. Principalmente de manhã, antes do café, ainda com a cabeça no travesseiro.
Fala sobre política sem ser dogmático, tem uma relação de fé, mas nenhuma religião.

Outra opção da enquete era o sarado de academia.Um saco. Acorda e dorme olhando os bíceps, come coisas integrais, lê página de esportes. Não vai ao cinema, vê dvd em casa e tem preconceito contra cinema nacional, que não conhece.
Usa tênis dia e noite, traça as colegas de malhação e é um babaca de carteirinha.
Alguém aguenta isso?


A terceira opção era o artista em crise. Bom, tem quem goste, recebeu votos e tudo.Mas eu, particularmente, durmo só de pensar. Está em crise criativa, pinta ou escreve coisas incompreensíveis, assiste aos espetáculos de mil horas do Zé Celso Martinez Correia, jura que adora mímica e bebe vinho barato. Bebe vinho caro, quando tem grana, mas como nunca tem, encara um porcaria mesmo.É até gente boa, serve pra ser amigo ou pra apresentar pra aquela amiga desesperada, mas não dá pra perder cinco minutos não.
Geralmente, edipiano e profundo.Ou uma tentativa de ser profundo.

O militante boêmio seria, certamente, minha escolha há vinte anos. Naquela época, nada era mais sexy pra mim: olheiras, copo na mão e revolução no discurso.
Hoje eu poderia até ser amiga, mas acordar ao lado desse é coisa pra mulher militante e boêmia. E não sou nada disso há muito tempo.
Esse é o cara que anima a roda, carismático e romântico. Mas com validade vencida.


Tipo "alfa" provedor tem suas qualidades, pode ser gentil, cavalheiro e isso é bom. Mas vamos combinar, os "alfa" tem uma nódoa de um machismo tacanho que só sendo muito lerda pra aguentar.
O cara paga a conta e grita isso, não gosta de maquiagem e não gosta de ler. Quando compra um livro, está na lista dos mais vendidos.
Leva em restaurante caro, mas não é gentil com o garçom.Tipo muito estranho.


O tipo "beta" é aquela coisa meio Edu Guedes, saca? Um tanto quanto assexuado, assumindo de vez seu lado mulher, vê novela,chora, faz a linha sensível.
Se eu encontro um tipo assim, soco a criatura até virar gente.Só digo isso. Passo.



Geek rpgista: eu adoro. Em geral são engraçados, do tipo que pode ficar horas falando sobre seriados antigos ou sobre Alan Moore. É meio tímido, mas surpreende no momento certo. Não bebe, toma litros de fanta uva e tem um personagem há anos com o grupo que joga.Dá caixa inteira de Star Trek no seu aniversário e liga várias vezes por dia.


Como eu disse, o tema aqui é brincadeira e convido você a brincar comigo. Escolha um e descreva do seu jeito. Vou gostar de ler.

******* Esse post foi publicado originalmente no ano passado, após uma enquete com os(as) leitores(as) sobre "tipos de homens".

28 julho 2009

"Mudaram as estações, tudo mudou.."







Semana passada houve um encontro muito importante pra mim. Fui na casa da Di, uma querida amiga da Unicamp que eu não via há anos e reencontrei ano passado, acompanhada de Mara, outra amiga querida, com a qual eu já havia recuperado contato há tempos. Só faltou a Frou, que machucou o pé e ficou em Campinas.
Esse ano faz 20 anos que a gente se conhece. Mara e Di são de 88 e eu e Frou de 89. Mara me "adotou" quando eu era uma caloura deslumbrada e continua sendo minha eterna veterana.
As meninas moravam na mesma república, onde havia festas divertidas, onde conheci o pai do Daniel.
Sim, eu vou falar as meninas, claro, porque quando a gente se reúne, parece que nenhum desses vinte longos anos se passou.
A intimidade é a mesma, o humor implacável da Mara exatamente o mesmo, a delicadeza da Di imutável. Isso é absolutamente único.
Fiz bons amigos em alguns lugares que trabalhei. Mas olho pra trás, para os dois últimos lugares, que fiquei anos e só consegui fazer - no máximo - colegas de trabalho cuja amizade finaliza assim que as aulas acabam.
No almoço em São Paulo, houve espaço pra sessão remember - claro - mas houve espaço pra nossa vida atual, nossos alunos, nossos filhos.
Fiquei pensando que privilégio é poder ter amigas assim, cujas décadas podem ser praticamente minutos.
Acho que a gente perde pessoas, por conta do cotidiano, até do descuido. Eu me esforço pra manter amigos assim por perto, porque no fim das contas, é isso o que importa.

24 julho 2009

Os monstros, o mico e os monges.







Ontem fui dar uma volta pela Liberdade. Achei o bairro caído, sujo, diferente das últimas vezes que estive por lá. O tal "Cidade Limpa" do Kassab certamente não foi bom para o bairro, que teve de retirar os letreiros em japonês, minando um pouco o clima do lugar. Pena.
Como eu e Daniel somos fãs da culinária japonesa, chegamos secos pra entrar em um restaurante. Rodamos bastante, tropeçamos em alguns que, segundo o Daniel, pareciam a ala B da Yakuza, onde ele imaginou um shushi man gordão, limpando o facão na camiseta suja e cuspindo.
Piadinhas nojentas à parte, passamos por alguns que pareciam caros: havia os caros e os esquisitos. Andando um pouco, achamos um mediano e entramos.
O restaurante era simpático, ninguém falava português e eu me entendi quase com mímicas com a simpática garconete.
Perguntei se o prato era suficiente pra duas pessoas, ela disse um monte de coisas com sons incompreensíveis para mim, no qual identifiquei "arroz". Ok.
Entendi que ela sugeriu siri. Siri com gengibre. Toda feliz da minha vida, pedi.
Chegou uma travessa cheia de yakimech, mas estava realmente sem graça. Daniel, verde de fome, resmungava:
- pô, virado eu como em casa...
Um pouco depois chegaram os siris. A travessa trazia os monstros inteiros, cheios de milhares de pernas, junto com duas pinças ( alicates?) em formato de pata.
Pedi para que ela nos ensinasse, ela pegou a pinça, toda torta e apertou um pedaço de um dos monstros. A carne ficou ali e eu não sabia como tirar. Com a mão, ela disse, ou melhor, mostrou.
Eu tentei, juro, mas as velhinhas da frente me encararam tanto que tive certeza de estar fazendo errado.
A última vez que comi siri, assim, inteiro, foi em um sítio, em uma rede. Parafraseando Rubem Braga ao falar de manga: pra comer direito, tinha que sujar até a lâmpada.
Eu esperava uma super casquinha e me vi em frente de cascas pernudas duras. Ai.
Pagamos, mandamos embrulhar e saímos com cara de nada.
Como eu não havia identificado nada no cardápio, achei que era comida de alguma região específica do Japão...sei lá, o equivalente a buchada de bode aqui, algo assim.
Descobri que o restaurante era chinês e eles estavam há quatro meses no Brasil.
Saí com fome.
Pouco tempo depois, passamos em frente a um templo budista. Monges davam bençãos e tocava uma música super envolvente, com uns mantras, interessante mesmo.
Os monges davam bençãos, refeições, logo uma pequena multidão pacífica se aglomerava ali. Infelizmente, não conseguimos entrar no Templo, pois isso só seria possível mais tarde.
O Museu da Imigração ainda estava fechado. Continuamos caminhando, vendo as lojas com milhões de objetos diferentes e Daniel apontou um porãozinho meio macabro: um lugar para acender velas na igreja das Almas dos Enforcados. Não riam, parecia filme de terror e quase corri.
Depois foi encarar o metrô e ir pra casa do meu irmão.
*****
Agora, me digam uma coisa, como viver em uma cidade cujas escadas rolantes já são mais rápidas do que as outras ( eu juro que são!) e você ainda tem que ficar à direita, porque o povo sobre correndo as mesmas escadas?
Cara, juro, eu me estresso só de olhar.
Mas foi bom. Depois conto mais, inclusive o reencontro com amigas queridas da Unicamp, no nosso "aniversário de vinte anos de amizade".

16 julho 2009

Harry adolescente






Chega a ser comovente ver Harry Potter no cinema. Com a vantagem de conseguir o mesmo grupo de atores durante toda a saga, o filme faz com que a gente exclame interiormente, tal qual as velhas tias: "nossa, como eles cresceram...".
É bacana.
Comecei a ler os livros sobre os pequenos e divertidos bruxos para Daniel, quando ele era pequeno. Como já comentei aqui, ele passou a ler sozinho e posteriormente deixou de gostar desses livros, mas eu continuei e li todos. Gosto realmente.
Como gosto de vários outros infanto-juvenis, como Os Meninos da Rua Paulo e Tom Sawyer.
Vi todos os filmes com minha prima Michelle, que chamo de filha e com a qual tenho milhares de coisas em comum, inclusive a simpatia por Hogwarts.
O filme foi uma adaptação bastante interessante, como os anteriores, mas deixa a desejar na cena final, completamente impactante no livro.
O final, repleto de tramas em aberto, deixa o espectador - assim como deixou o leitor - com a curiosidade a mil. Não conto aqui, pra não dar spoiler, ok?
As cenas de quadribol continuam dinâmicas de deliciosas - ainda aguardo um jogo virtual assim...- Snape continua ambiguo e macabro, mas as tramas são menores em relação aos outros livros, por dar espaço ao momento "love story" adolescente.
Mas fica bonitinho, não cai na pieguice, e acho que fica inevitável lembrar das agruras dos "amores eternos" que assolam nossa adolescência.
No mais: destaque para as crises de Draco Malfoy, que refletem bem alguns dilemas adolescentes em relação às expectativas dos pais e mentores e em relação à sua própria identidade.
Além disso, novamente a Penseira de Dumbledore, local para se derramar as lembranças, guardadas em frascos e nas quais se pode mergulhar é absolutamente fascinante. Já estava presente no livro anterior e tem função preponderante no último - e imperdível - da saga.
Helena Bonham Carter como Belatrix Lestrange está absolutamente perfeita: louca, louca e louca.
Assistam e se divirtam, beijos.

08 julho 2009

Será que fizemos as perguntas certas?

Conversando com algumas pessoas, percebi que uma fala se repetia: a culpa da imprensa em relação a degradação pública de Michael Jackson. Fiquei pensando sobre isso.
Concordo sim, sem dúvida, mas comecei a relativizar.
Quando meus amigos diziam "os jornalistas fizeram isso e aquilo", não consigo me furtar de pensar que os jornalistas, salvo raras exceções, são funcionários como outros, ou seja, cumprem ordens e fim. Quem imagina uma grande liberdade de ação descarta o poder do capital do dono dos meios de comunicação, cujo desejo é, em última instância, lucro e mais lucro.
Noticia ruim vende bem, escândalo vende mais ainda. Alguns chutam o pau da barraca, como os famosos tablóides ingleses, chulos e fantasiosos. Outros jogam uma ou outra m*** sobre uma celebridade e esperam o resultado.
Amy Winehouse vende mais com notícias dos shows ou quando corre de soutien pela rua?
Fico me perguntando se todas as reportagens que vimos sobre as sucessivas e loucas transfornações de MJ fizeram todas as perguntas possíveis.
Porque eu sei que ele se transformou, sei que se escondia com máscara, mas não sei se foi investigado se a família o questionava sobre isso, não sei se foi investigado se um médico trasnfigurar uma pessoa à exaustão era ético.
Se ele pirou em público, além de fofocar sobre isso, o que exatamente foi perguntado?
Porque eu nem vou dar pitaco sobre seu branqueamento. O que sei eu sobre o que significa ser negro dentro de uma sociedade WASP? Será que essa massificação de um tipo de beleza foi expressa apenas por seu pai maluco?
Se eu não consigo assumir meu cabelo cacheado e faço escova, se preciso disso pra me sentir melhor, o que eu posso dizer sobre outras transformações?
Posso apenas verificar que MJ perdeu o senso de limite e que, efetivamente, não conseguia se enxergar.
Mas se o jornalista faz o que o patrão manda e se o patrão quer lucro a qualquer preço...quem deu esse lucro?
Enquanto continuarmos consumindo a decadência das pessoas, nem só a imprensa marrom vai suprir nossa sanha, mas a imprensa "convencional" vai fazer o mesmo.
No vídeo abaixo, cenas do último ensaio.


(Me enganei ou ouvi trechos do famoso discurso "I Have a dream" do reverendo Martin Luther King ao fundo? Vejam e me contem.)