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25 agosto 2011

Keep Calm and Carry On











Um das manias em voga nos blogs decór é usar esse cartaz. Descobri, graças a várias blogueiras que explicaram isso em seus textos, que esse cartaz fazia parte de um conjunto de mensagens motivacionais criadas pelo governo inglês no período da Segunda Guerra.
Apesar de várias outras terem sido divulgadas na época, essa ficou retida, pois seria apresentada como campanha no caso da Inglaterra ser invadida pelos nazistas.
Como sabemos que isso nunca ocorreu, o cartaz nunca foi divulgado, e hoje, passadas tantas décadas, está em domínio público.
O caso é que essa gracinha está bombando nas decorações e - adivinhe! - já encomendei o meu, assim como esse, com base vermelha.
Você pode saborear esse detalhe em diversos estilos de decoração.

















Uma coisa que me atraiu muito foram as divertidas versões para esse cartaz, objetos que estão tão frequentes nos ambientes quantos os originais.
















(imagens Coisinhas Outras)



























































































Caso você queira ver outras imagens, corra no delicioso Atraiu o Meu Olhar e veja. Aproveite e passeie pelo blog, você vai gostar.















14 junho 2011

O Dia em que meus alunos choraram





Quando trabalho com um tema, faço uma opção metodológica: faço, como qualquer professor, um recorte que privilegie um determinado ponto de vista.
No caso do Nazismo, coloco mais peso na força da propagana e no caos que o preconceito aliado ao poder pode fazer.
Ao trabalhar esse filme, A Lista de Schindler, me pautei na força dramática de Spielberg - vamos combinar, o cara tem dom de mexer nas nossas emoções mais baratas, ele usa uma luz x, uma músca y e todo mundo pira, é um dom - optei por usar esse filme porque acredito que a Segunda Guerra deva ser observada , em especial, pelo viés da destruição em massa, baseada em teorias supostamente cientificas e imortalizadas nos discursos enlouquecidos do Fuhrer.
Ao trabalhar com cinema em sala de aula, tento instrumentalizar a moçada para que eles apurem seu olhar, para que tentem exercitar esse tipo de análise em outros momentos.
Mais tarde eu posso sugerir filmes mais complexos, aliás, creio que eles mesmos os descubram. Por hora, me jogo no cinemão.
Mas algo me motiva mais: apresentar a individualidade daquelas pessoas, no intuito de deslocar o olhar do aluno e fazê-lo executar sua alteridade em um nivel mais intenso.
E acho que isso rolou. Uma oitava terminou o filme fungando o nariz, clima tenso, triste. A outra oitava aplaudiu o filme e se debulhou em lágrimas torrenciais. Um menino, antes de terminar o filme, pediu aos prantos, para sair da sala. No meio da choradeira, duas meninas se abraçavam, chorando e dizendo "coitados, coitados..".
Em um mundo onde a violência está cotidianamente banalizada, ver adolescentes tocados com o sofrimento do Outro é algo que me deixa comovida.
Não digo que amo essa moçada?

29 abril 2011

História, Mulheres e Direitos







Pequena aula de História:

Em meados do século XIX, especificamente no ano 1857, um grupo de operárias que trabalhavam nas grandes fábricas de tecelagem em NY, entraram em uma das importantes greves do período. Como vocês sabem, apesar de trabalhar como os operários (CERCA DE 16 HORAS DIÁRIAS) elas recebiam muito menos e eram submetidas ao que chamamos hoje de "assédio sexual" , sem qualquer tipo de proteção.
Durante essa greve, esse grupo de mulheres foi trancada dentro de uma fábrica, onde acontecia um incêndio. Alguns apontam o número de 130 mulheres mortas, dentro desse incêndio.
Por conta desse fato, foi decretado, poucos anos depois, o "dia internacional da mulher".
Evidentemente, esse dia foi apropriado pelo Mercado, paulatinamente, passou - para ALGUMAS pessoas - a deixar de ser um dia de luta, para ser um dia pra comprar cremes e flores.
Nada contra cremes ou flores, adoro ambos. Mas detesto quando as datas são deturpadas e manipuladas no sentido de dar lucro a meia dúzia de espertalhões.
O Dia das Mulheres é um dia pra se refletir, manifestar e lutar contra a violência doméstica, sexual, preconceitos ainda sentidos no mercado de trabalho, tripla jornada, etc.
Como a foto do post, onde grupos de mulheres se manifestava contra a nojenta ditadura de extrema direita, capitaneada pelos milicos de pouco cérebro que mataram, torturaram e calaram o Brasil.


*****publicado originalmente em 2009.


E como a Lola disse "Tem gente que quer ser súdito, eu rpefiro ser cidadã, obrigada"

08 março 2011

Década de 40




Vovô, vovó, Dindinho ( em pé), Tio Antônio Carlos sentadinho, Mamãe bebê.

26 janeiro 2011

1976






Eu me lembro muito, muito vagamente, pois tinha oito anos. Mas me lembro de ouvir a música e achar a novela linda.
Um jovem escultor e sua musa, apaixonados e separados por décadas. Ele com vários casamentos, ela com um longo (Mário Lago?.

Vejam a cena final e me digam se Lauro Cezar Muniz não é o Cara....

20 janeiro 2011

Ligações Perigosas, a peça


Passei quase todas as férias de molho: fiz uma cirurgia e tive que ficar sem dirigir, sem me mover muito, blá, blá. No finalzinho desse período fui pra São Paulo, por sorte, meu irmão Ricardo - que é arquiteto e lindo - também estava de férias e tivemos uma semana muito bacana.
Primeiro porque rodamos muito. Fizemos um mega tour nos mais diversos bairros, passando pelos descolados, atravessando os curva-de-rio e observando os chiquérrimos.
São Paulo é o lugar das diversas tribos, isso ficou mais claro do que nunca. Depedendo do recorte temático que você faz, a cidade muda junto, se torna outra.
Uma das coisas bacanas foi ver a peça Ligações Perigosas, para onde fui toda animadinha, já que adoro o livro e o filme homônimo. O livro é um romance epistolar onde a história pode ser rastreaada através das cartas trocadas entre os personagens. Toda a múltipla gama de códigos de conduta aparecem ali, de forma intrigante.
(Eu bem que adoraria falar sobre o filme, mas depois da Lola, bem dá. Leiam a crítica da Lola, como sempre, é fantástica.)
Ricardo foi comprar os ingressos e voltou feliz, tinha conseguido no gargarejo, na primeira fila mesmo. Disse:
- Vamos sentar tão perto que a Maria Fernanda Cândido vai cuspir na gente.
Pulamos de alegria.
A noite foi ótima. Fomos jantar em um restaurante árabe - uam das cozinhas que mais gosto - papeamos e fomos lá, ser cuspidos pela atriz.
A peça foi muito boa, mas Marat Descartes - isso é nome ou planfleto? - que interpretou o Marquês deixou a desejar. Eu, particularmente, achei canastrão.
Mas a Marquesa da Maria Fernanda Cândido é formidável.
A peça tem poucas possibilidades de errar, já que o texto é incrível.
E o final, me perdoem pelo spoiler - onde ela diz que vai esperar o que o que fim do século trará aos nobres...enquanto uma imagem da guilhotina se projeta na fundo é de uma deliciosa obviedade. Sim, caros, muitas vezes o óbvio é a melhor e mais franca opção.

26 novembro 2010

No dia dos professores, saudades do José Luiz

Eu pensei em falar sobre o dia dos professores, pensei em comentar as coisas incríveis que acontecem, o provilégio que é poder participar de momentos tão importantes da vida das pessoas.
Mas não quero falar como professora, quero falar como aluna que fui.
Eu gostaria de falar do José Luiz, ou Zé luiz, pra nós, seus alunos no ensino médio. Zé Luiz me apresentou a música de Chico Buarque, me apresentou ao terrores da didadura em debates em que nós, os alunos, nos inflamávamos, inquietos com tanta coisa com a qual discordávamos. Foi certamente a pessoa mais importante na minha formação intelectual e politica na adolescência. Eu mal podia esperar por suas aulas e quando ele dizia: "alguém tem alguma colocação a fazer"? podia contar com minha mão erguida, palpites, opiniões e muitas, muitas duúvidas. E eu não era a única. Os outros palpitavam, discordávamos entre nós, concordávamos, decidiamos continuar o papo no bar do Beto ( Coisa que ele discordava, aliás, com veemência. Ele argumentava que a localização do tal bar era ilegal, dado que ficava na frente de uma escola. Mas nós, tomados pela tolice ingênua e linda da juventude, achávamos lindo continuar o papo da aula ali, no nosso queridissimo Bar do Beto)
Era fins de 80 e nós queríamos mudar o mundo. As aulas dele faziam as coisas terem um sentido diferente.
Nós nunca o deixávamos sair da sala de aula, sem ir atrás, ainda discutindo, perguntando, questionando. Zé Luiz - incrivelmente parecido com Sidney Poitier - foi meu professor de História e com ele conversei sobre livros, filme e política, muita política. E ele tinha toa a paciência do mundo com minha pressa juvenil e minhas tolices.
Exatamente por isso fico tão feliz quando acontece comigo, quando um aluno me acompanha ao final da aula, ainda com discussões por terminar. Exatamente por isso, sinto uma infelicidade extrema quando escuto um enfadado "sei lá" ou um dar de ombros para a aula, para o tema, para o mundo. Uma atitude me leva ao paraiso, a outra, ao inferno.
Quanto terminei o colegial e passei na Unicamp, voltei pra dar um beijo, milhões de obrigadas e um livro do Manuel Puig. Só depois de formada, já trabalhando, entendi o olhar de felicidade que ele tinha para mim naquele dia.
Hoje, no dia dos professores, vinte anos depois, só posso dizer que sou professora graças a ele e até hoje, digo para meus alunos uma frase que ele sempre repetia:

"Gostaria que vocês nunca perdessem a capacidade de se indignar"

Zé, um grande beijo pra você.




####publicado originalmente em 2008 e republicado agora, com atualizações.

28 outubro 2010

Baseado em fatos reais


























Professora chega em casa, deita no sofá, mãos na cabeça, fazendo a dramática:

-Meu trabalho não serve pra nada, nada. Não consigo inspirar aqueles meninos, são tão conservadores, alguns tão alienados que me dá uma angústia hoirrível. Não sirvo pra nada ali..Parece que o negócio é consumir, usar etiquetas idiotas, ouvir músicas idiotas, ninguém quer ler, caraca, em pleno ano eleitoral..e ..bláblábláblábláblá...caraca, sou professora, não sou domadora de leões...chego no maior pique, cheia de ideias e blábláblá....sério, não adianta. Eu não faço a menor diferença na vida daquelas crianças.

Filho da Professora, acostumado às nuances da profissão da mãe, consola:

- Claro que seu trabalho faz diferença. Nem todo mundo vai ser alienado, vocêvai ver, logo eles já estarão lendo jornal, comentando as notícias, vendo o mundo. Desencana, mãe.

- .............( meneando a cabeça e querendo pular de um abismo)


@@@@@@@@@@@@ Dias depois @@@@@@@@@@@@

Professora chega em casa, toda animadinha, joga a bolsa, senta no sofá, pega a cadelinha no colo, conta:

- Você nem acredita, precisa ver que bacana a moçada da sétima série discutindo política, discordando, dando opiniões, tudo com a maior qualidade! Adoro quando discordam de mim, adoro discutir com gente inteligente, argumentos interessantes, não piadinhas imbecis de gente burra, mas argumentos mesmo, estruturados..adoooro isso.....odeio aluno com cara de morri-ontem-sentei-aqui-cadê-o~coveiro...

Filho da Professora:

- Viu, não falei? É isso. Tinha certeza de que logo alguma coisa legal ia acontecer.

- Ah, e outro dia eles terminaram uma prova...um abriu um livro, depois outro, e outro. Quase tive uma síncope, disse pra eles que isso era o sonho de qualquer professor...METADE da classe lendo concentradíssima! Até fotografei...haha
E blábláblá...uma aluna vai cantar "Meu guri" e a outra diz que adora Chico, Cazuza, Caetano...não é o máximo?



@@@@@@@@ à noite @@@@@@@@


- Te contei sobre a eleição da quinta série,né?

- Contou, mãe, deve ter sido bem bacana mesmo. Eles devem ter gostado. Eu queria ter visto

- Foi DEMAIS....Cada equipe escolheu um deus grego e fez campanha...maior barato a campanha.E o debate? Você tinha que ver que demaaaaaiiiss...deu até segundo turno, olha que bonitinho...rs...depois eu te conto como foi, mas olha, acho que deu pra ficar claro o que é democracia, participação política.
(Pensando) Sabe? Alguns daqueles meninos um dia podem mesmo se candidatar. Já pensou?

25 março 2010

Alunos, alunos e alunos ( com atualizações)


Frases que ouvi essa semana;

"Prô, você tem blog, twitter...você é moderninha.."

(Moderninha, aguenta essa.;0)

Enquanto começamos a preparar o projeto Livrinho de Pré-história, na quinta série:

"Minha cabeça está tão cheia de ideias que eu acho que vai explodir!" (Gabriel)

Claro que eu fico hiper feliz com isso, morro de rir, acho o máximo. Mas como nem tudo são flores nesse mundão de meu Deus, um outro menino, na mesma sala, no mesmo projeto, decreta;

"Eu odeio esse livro, vou odiar fazer, vou odiar o tempo todo."


O que me anima é aluno empolgado. Nada mais desanimador do que aluno com cara de nada, preguiça de respirar e ombros caídos. Ai, meus sais, não aguento.
Adoro quando a sexta inteira levanta a mão, perguntando milhares, milhões de coisas que parecem brotar naquelas cabecinhas geniais.
Os clássicos.."e se?"

" E se o cara é suserano de um e vassalo de outro, mas os dois estão em guerra...quem ele ajuda?"

" E se o mensageiro não chegar a tempo?"

E as clássicas perguntas romãnticas:

" E se o senhor Feudal se apaixonasse por uma serva?"

O bacana é tentar mostrar uma outra forma de olhar e sentir o mundo, diferente da nossa, com outras cores e valores.
Mas é divertido, por que o "e se" é quase sem fim.

As oitavas fizeram seu primeiro debate, uma das turmas foi muito bem, considerando-se ser a primeira atividade e não ter tido pesquisa, apenas preparação simples.
Mas ainda penso que preciso de RedBull para conquistá-los.


A sétima entende rápido, lê bem e escreve melhor ainda. Em uma atividade simples, um mini seminário, grupos pensam em fazer power point, grupos pensam em se apresentar como uma pequena peça.
E me procuram, de laptop na mão, para ler os mini roteiros bem bolados sobre Absolutismo.


****

Publiquei esse post hoje à tarde, na escola. De lá, fui com outros professores em uma gostosa Temakeria da cidade. Um dos donos, um jovem muito bonito, olha e diz:
- Você não é a Vivien?

Gente, foi meu aluno. Lembro dele garoto, foi demais reencontrá-lo. Fiquei sabendo que outros da época do Farroupilha - escola que adorei trabalhar - aparecem por lá.
As lembranças vem aos borbotões: aulas, trabalhos, provas, barracos, bagunças, broncas, risadas. Cara, ser professora há 16 anos é algo muito engraçado. E muito bom.

E é por isso que eu acho que estou onde eu realmente deveria estar.

06 março 2010

Minha veterana


Quando entrei na Unicamp, minha vida mudou totalmente. Era um mundo novo, com debates, leituras e situações completamente diferentes pra mim.
Logo nos primeiros cinco segundos, fiquei amiga de Mara, que se tornou minha eterna veterana, como a chamo até hoje.
É realmente curioso como algumas amizades surgem rápida e espontaneamente e como isso cria um elo forte e duradouro.
Lá naquela época vivemos coisas incríveis...aulas, festas, papos intermináveis, tudo o que rola na vida acadêmica. Depois de formadas, a gente se perdeu um pouco de vista, foram alguns anos sem se ver ou conversar.
Em um mundo pré internet, isso acontecia.
Mas depois de um tempo, graças a um amigo em comum, a gente se reencontrou e continou a papear e rir como se nenhum minuto tivesse se passado.
Periodicamente, a gente se encontra em um restaurante japa gostoso aqui de Campinas: o papo não pára, é sempre uma delícia.
Foi isso o que aconteceu ontem e foi bom pra caramba. Além do mesmo curso ( História na Unicamp) agora rola outra coisa em comum: trabalhar na mesma rede de escolas, o que propicia uma boa troca de figurinhas.
A vida corre que é uma coisa, ontem eu tinha vinte, hoje tenho quarenta...e um.
(As duas garotas da graduação casaram, tiveram filhos, se formaram, trabalham, etc e tal. Mas quando se encontram, tem vinte anos de novo.)
Milton estava certo, amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não, mesmo esquecendo a canção.;0)


21 janeiro 2010

Langsdorff, o fantasma







Se não levo um livro, só posso mesmo partir para as revistas da sala de espera, quando vou ao médico. Li uma, folheei outra,quando achei uma Metrópole - uma revista dominical que vem anexada ao Correio Popular - fui imediatamente ler o texto de Eustáquio Gomes, que é, tradicionalmente, a primeira coisa que leio nessa revista.
O texto, ótimo como sempre, tinha o seguinte título :"A Maldição de Langsdorff".
Eustáquio falava sobre uma pesquisa organizada pela Unicamp sobre a Expedição Langsdorff, organizada por esse genial cientista alemão que veio para o Brasil no século XIX, representando a Rússia em uma ambiciosa viagem de pesquisa.
Pois é, junto com ele vieram Taunay, Rugendas, Hercule Florence, entre outros.
A viagem foi incrível, cortando o Brasil, passando por minha região, estudando plantas, animais, pessoas, hábitos. Anotando, desenhando, estudando cada detalhe. O lance é que houve afogamentos, mortes, loucura. Além de um outro integrante que enlouqueceu durante a viagem, Lansdorff - cientista, poliglota, intelectual - perdeu a razão com cinquenta e poucos anos, no meio do Brasil, no meio da pesquisa. Nunca mais recuperaria a sanidade.
Eustáquio comenta que o primeiro organizador da pesquisa, posteriormente comandada por Danúsio no Centro de Memória, faleceu.
Por que estou contando isso para vocês?
Rapaz, porque eu também participei da pesquisa. Eu trabalhava com microfilmes de manuscritos dele, em português ( ele havia feito anotações me português, alemão, russo e francês). Fui auxiliar de pesquisa do prof.Plínio, que faleceu ainda durante o projeto. Apavorada como sou, lia a brincadeira de Eustáquio e já pensava "pronto, ferrou tudo, Langsdorff miserável.."
Mas tudo vai dar certo, pé de pato mangalô, certo?
Pô, Lansdorff, não me assombre....

****post publicado originalmente em maio de 2008.

10 novembro 2009

A Lenda do Besouro







Vi Besouro ontem. Daniel quase teve um treco, adorou do começo ao fim. E acho que isso reflete bem o que o filme pode trazer: trabalhar a auto-estima da comunidade negra e mestiça.
Contando a história de um lendário capoerista, o filme abusa das cenas de luta com um delicioso toque de realismo fantástico, embalado em uma trilha sonora impactante.
Particularmente, gostei da forma como os orixás aparecem, como a mitologia se confunde com a realidade, de forma poética e atraente.
Algumas cenas foram especiais: a paquera sensual entre Besouro e Dinorah, misturando sorrisos e golpes de capoeira, as cenas em que os orixás o ajudam, a cena em que apenas ele e alguns conseguem ver Exu, que tira satisfações com um e outro.
Os atores estão medianos, só o capataz se destaca, o restante tem atuação que poderia ser melhor. Besouro lança uns olhares à la Chuck Norris que poderiam ser dispensados.
Mas o conjunto é bom, inaugura uma nova esfera de filmes, mistura ação, tradição e recuperação da memória.
E vocês me perdoem o spoiler, mas a cena que o coronel toma uma surra de Dinorah, eu quase pulei e grite na cadeira.
O final surpreende com uma opção inusitada na narrativa, que acaba por dar mais força ao modelo místico.
Com esse novo modelo de herói acho que caminhamos para o desenvolvimento de geeks tipininquins. O que é ótimo.

07 novembro 2009

Achtung!




Eu vi alguns vídeos no youtube. Aliás, é o que estou fazendo agora.
Muitos me emocionaram, mas, esse, em particular, me comoveu. Procurei o título da música, a letra, mas não achei.
Na época das imagens, eu estudava alemão, mas esse língua linda e complexa está longe do meu cotidiano e acabo me lembrando de muito pouco.
Jogo na sorte, se for coerente, deve seguir a imagem.
Não vejo a Queda do Muro de Berlin como o triunfo do Capitalismo ou coisa que o valha. Vejo a Queda como um dos momentos marcantes em que o Autoritarismo e o cerceamento das liberdades individuais foram derrotados.
Pelo que vi e li, jovens com menos de 20 anos não sentem o peso da Alemanha dividida, mas quem viu isso acontecer, sabe o que significa ver as imagens que aparecem aqui.
Eu era uma caloura em um curso de História, no tempo da queda do Muro e da quebra de muitos paradigmas.

02 novembro 2009

Mix


Pela primeira vez, crianças bateram na minha porta no tal Dia das Bruxas. Eu havia comprado doces e adorei ser visitada por monstrinhos alegres, bruxinhas loucas por balas e mais dúzias de sorridentes fantasiados.
Um dos grupos, ao passar por último, ficou sem os doces, que haviam acabado.
Um fantasminha me tranquilizou:
- Não tem "ploblema" nenhum...
Eu achei o máximo.
Não torço o nariz para o "ralouím" tupiniquim, não mesmo. Penso na cultura como algo vivo e, portanto, necessariamente dado a miscigenações.
Aqui pode bater saci ou bruxinha, porque sempre vai rolar bom humor na recepção a qualquer um desses.
E vamuquivamu.

22 outubro 2009

Maus


Depois de anos, finalmente li Maus. Para quem ainda não se deparou, fica a dica, procure uma boa livraria com uma sessão razoável de HQ e leia, leia já.
Maus já pode ser considerado um quadrinho clássico.
(Bem) escrito por Artie Spiegelman, Maus narra a história de seus pais na Polônia quando da ascenção do nazismo, passando pelo gueto e culminando em Auschwitz. O autor optou por construir essa narrativa concomitantemente com a narrativa da própria coleta da história. Assim, podemos ver Artie conversando com Vladek, seu pai, ao mesmo tempo que ouvimos/lemos e, obviamente, sofremos com a história do próprio Vladek.
Artie retrata judeus como ratos - uma interessante ironia envolvendo a forma como eram descritos pelos nazistas da época - os alemães como gatos, americanos como cães.
A fluência da história é incrível, impossível parar de ler, viciante e asfixiante ao mesmo tempo. Poucas vezes vi uma descrição da fome com tanta vivacidade.
Vladek possui hábitos regrados e um senso de economia que vai às raias da loucura. Porque me parece que, emocionalmente, ele não conseguiu sair de Auschwitz, portanto, sua relação com a realidade é diferente.
Além de retratar a bela história de amor dos pais, o sofrimento do Holocausto, Maus consegue trazer a baila uma conflituosa relação entre pai e filho. Nesse caso, entre pai e filho judeus, com toda a carga, todo o peso da guerra, dos campos de concentração e da sobrevivência.
Ler Maus é uma necessidade.

31 agosto 2009

O Amor nos tempos do Cólera


Em tempos de pandemia, a gente acaba mudando hábitos. Nunca vi tanta gente lavando as mãos, alguns produtos viraram arroz de festa e eu não vou ao cinema há milênios.
Não me chamem de exagerada, porque sou imunossuprimida e uma gripe dessas vai fazer esse sistema imunológico aqui pirar, socorro.
Mas eu confesso que acho engraçado a mudança de alguns hábitos, gente que se cumprimenta de longe - sorry, mas eu ainda beijo as pessoas, pelamor - e coisas assim.
Em meados do século XIX, aqui em Campinas, a febre amarela dizimou parte considerável da população, assim como aconteceu no Rio. Os Almanaques da época comentam como as pessoas deveriam ser portar nos enterros e no dia de finados, como seria mais adequado. Reprovavam o fato dos escravos irem na frente, pra limpar os túmulos, colocar flores...e ao esperarem seus senhores, fazerem uma roda de samba, cantando e dançando alegremente. Os jornalistas achavam absurdo - engraçadíssimo acharem que os escravos deveriam ficar condoídos com a morte dos senhores, aliás - descreviam a cena, provavelmente meneando a cabeça.
Como seriam as relações sociais dentro daquela pandemia? Fico pensando como as relações e hábitos podem ser pautadas nos novos medos.

08 julho 2009

Será que fizemos as perguntas certas?

Conversando com algumas pessoas, percebi que uma fala se repetia: a culpa da imprensa em relação a degradação pública de Michael Jackson. Fiquei pensando sobre isso.
Concordo sim, sem dúvida, mas comecei a relativizar.
Quando meus amigos diziam "os jornalistas fizeram isso e aquilo", não consigo me furtar de pensar que os jornalistas, salvo raras exceções, são funcionários como outros, ou seja, cumprem ordens e fim. Quem imagina uma grande liberdade de ação descarta o poder do capital do dono dos meios de comunicação, cujo desejo é, em última instância, lucro e mais lucro.
Noticia ruim vende bem, escândalo vende mais ainda. Alguns chutam o pau da barraca, como os famosos tablóides ingleses, chulos e fantasiosos. Outros jogam uma ou outra m*** sobre uma celebridade e esperam o resultado.
Amy Winehouse vende mais com notícias dos shows ou quando corre de soutien pela rua?
Fico me perguntando se todas as reportagens que vimos sobre as sucessivas e loucas transfornações de MJ fizeram todas as perguntas possíveis.
Porque eu sei que ele se transformou, sei que se escondia com máscara, mas não sei se foi investigado se a família o questionava sobre isso, não sei se foi investigado se um médico trasnfigurar uma pessoa à exaustão era ético.
Se ele pirou em público, além de fofocar sobre isso, o que exatamente foi perguntado?
Porque eu nem vou dar pitaco sobre seu branqueamento. O que sei eu sobre o que significa ser negro dentro de uma sociedade WASP? Será que essa massificação de um tipo de beleza foi expressa apenas por seu pai maluco?
Se eu não consigo assumir meu cabelo cacheado e faço escova, se preciso disso pra me sentir melhor, o que eu posso dizer sobre outras transformações?
Posso apenas verificar que MJ perdeu o senso de limite e que, efetivamente, não conseguia se enxergar.
Mas se o jornalista faz o que o patrão manda e se o patrão quer lucro a qualquer preço...quem deu esse lucro?
Enquanto continuarmos consumindo a decadência das pessoas, nem só a imprensa marrom vai suprir nossa sanha, mas a imprensa "convencional" vai fazer o mesmo.
No vídeo abaixo, cenas do último ensaio.


(Me enganei ou ouvi trechos do famoso discurso "I Have a dream" do reverendo Martin Luther King ao fundo? Vejam e me contem.)