04 abril 2007

os acéfalos de Jim Jones


Outro dia eu conversava com uma amiga sobre notícias e filmes que marcaram a nossa infância e início da adolescência. Lembramos, entre gargalhadas, do Homem Cobra, um filme pra lá de trash que aterrorizou uma geração. Lembramos do desastre de avião onde os sobreviventes comeram carne humana.

Mas eu estava me lembrando de Jim Jones e o massacre na Guiana. Me lembro de ler sobre o suicídio coletivo daquelas pessoas, dos seguidores do tal pastor, mentor, lunático de plantão.

Durante muito tempo, aquilo ficou na minha mente: as fotos na Manchete, a planta da fazenda, a descrição de homens , mulheres e crianças que se mataram propositalmente, para seguirem a opinião de Jim Jones.

Me assusto com os seguidores, com aqueles que preferem infiar qualquer coisa goela abaixo - ainda que seja veneno - apenas porque não podem, não querem ou não conseguem discordar.
E percebo como a questão de estar no grupo, estar na matilha, é nevrálgica. Temendo a exclusão, o indivídio se perde dentro do grupo e encontra nele, sua proteção e afago. Assustador.

E penso, sempre, como discordar, como não seguir a matilha, pode ser libertador.Pode garantir ser um indivíduo, certo ou errado, mas um indivídio que pensa por si mesmo. Sem a necessidade da aprovação, do afago infantil, do meneio de cabeça.Penso que discordar, se há necessidade disso, pode proteger seus princípios.
Pelo menos, pode impedir o veneno de agir.

21 comentários:

  1. Vivien já tinha vindo aqui, mas sem muito tempo, tinha deixadopara vir amanhã de manhã, com mais tempo, isto por que vi que vc tem coisas boas aqui, e gosto de ler tudo e comentar em todos os posts.
    Só que fui lá editar meu post porque me lembrei de algo que queria colocar, e vi que vc já tinha estado lá, então vim só te dizer que adorei sua visita, o que te faz feliz, e amanhã eu volto.
    Já me identifiquei com vc. Gosto disso.
    Um beijo

    ResponderExcluir
  2. Vivien,

    Lendo esse post, lembrei-me de um filme que vi, pouco tempo atras sobre o Charles Manson e o assassinato da atriz Saron Tate.

    E essa coisa de seguir sem questionar é um perigo, principalmente pro pessoal mais jovem, que se sente, às vezes, sem referência, precisando de alguém que lhe indique um caminho.

    E aí, é sempre inevitável lembrar de Hitler. Conhecendo um pouco o povo alemão de agora, fico sempre tentando entender como é que tanta gente, por tanto tempo, seguiu o cara. Mas isso rende um tratado.

    ResponderExcluir
  3. Lembro do programa do Chico Anísio (Tim Tones era o personagem-paródia). Como era criança, não fazia referência à piada com a tragédia em questão.

    ResponderExcluir
  4. Triste, triste... por isso que tem tanta gente que relaciona fé com falta de raciocínio lógico...

    ResponderExcluir
  5. é, no entanto, mais fácil tomar o veneno do que não fazer parte do bando

    ResponderExcluir
  6. Vi, postei mais fotos de La Coruña e de Santiago de Compostela.
    Beijos carinhosos do outro lado do oceano

    ResponderExcluir
  7. Anna, gostei muito do seu blog, voltarei sempre.;0)

    ResponderExcluir
  8. Arnaldo, perfeito! vc mostrou o perigo de se perder na turba.;0)

    ResponderExcluir
  9. Tar, me lembro do personagem.Era uma sacada.;0)

    ResponderExcluir
  10. Cláudia, a fé cega dá nisso.;0)

    ResponderExcluir
  11. Maroto, exato. Assustador, né?

    ResponderExcluir
  12. Dri, depois passo por lá.;0)

    ResponderExcluir
  13. Vivien,
    Já que estamos no terreno das lembranças, lembrei da Nara Leão cantando uma canção de protesto: Podem me prender, podem me bater, que eu não mudo de opinião... O importante é manter acessa a chama do debate, discordar quando for necessário, discutir, não aceitar nada sem pensar muito.
    Beijão

    ResponderExcluir
  14. *



    todo mundo adora acreditar que é único e segue padrões próprios.
    e é só olhar como fala, o que veste, como vive, e tudo isso vai por água abaixo.
    poucos assumem pagar o preço da individualidade.
    e não estou falando aqui de renegados, mas de quem faz coisas simples no dia-a-dia que contrariam a opinião geral.
    geralmente são os apontados como chatos, grosseiros e irritantes.



    *

    ResponderExcluir
  15. lembro vagamente desse episódio.. por essas e outras q não consigo gostar de NENHUMA seita, religião etc.

    btw, te linkei finally

    ResponderExcluir
  16. e aquele ator que interpreta o jim jones ein ...
    monstro!!!
    trabalha muito .. tá sumidão, e não sei seu nome
    E tem tbm o Tim Tones né .. rs
    sátira a pastores do chico anysio .. muito engraçado
    um beijo
    tudo de bom

    ResponderExcluir
  17. Lord, concordo plenamente.;0)

    ResponderExcluir
  18. Xõn, pois é. Ainda que estejamos presos culturalmente a uma série de padrões, o importante, creio, é não ser uma ovelhinha que aceita tudo apenas porque teme se indispor.bj.;0)

    ResponderExcluir
  19. Adriana, eu tendo a concordar com vc. Já tentei participar de algumas religiões, acho um ponto cultural importante. Mas simplesmente...não consigo. Não dá.bj. Brigadim pelo link.

    ResponderExcluir
  20. Alexandre, não conheço o filme, só me lembro da notícia. Aterrorizante.abç.

    ResponderExcluir
  21. Matilha?!?
    Sua Leboniana... kkkkkk

    ResponderExcluir

Queridinho, entre e fique à vontade: