16 maio 2009

Lugar de Mãe?









Nos primeiros meses desse blog, li em um comentário em outro blog, uma frase que me deixou bastante incomodada. O blogueiro, à guisa de defender o exercício da maternidade, dizia que as mulheres deveriam ser pagas para exercerem esse papel.
Eu publiquei esse post, que vai aqui com algumas observações, sem os muitos comentários da época e sem o nome do blogueiro, porque o que já tinha que ser dito para ele já foi e ficaria até esquisito requentar isso agora.
O caso é que esse deve ter sido um dos maiores posts que escrevi, fiquei ali balablazando sem parar e decidi republicar por conta do livro de Maria Mariana, tão (bem) criticado em vários blogs e no twitter.
Assim, por conta desse papo, republico. Então a mulher "teria" que receber salário para ser mãe...


"Bom, só o fato de ter usado o verbo "ter", já acho que o texto tem problemas.
Denota um autoritarismo retrógrado e calcado na interpretação patriarcal burguesa.
Até creio que se a frase tivesse sido escrita com "poderia" no lugar do "tinha", teria ficado até interessante. Porém a obrigatoriedade, a restrição social que essa condição imporia - sendo mãe, seria apenas...mãe - é um retorno a idealização social da Belle Epoque, equivocadíssima.
Ser remunerada para cuidar dos filhos me parece interessante. Mas ou eu li errado, ou o argumento não se sustenta.
Remunerada por quem? Pelo Estado? Pela Iniciativa privada? Pelo marido?
Pelo Estado me parece uma ótima forma de haver distorções ímpares, dado que o tal "instinto materno" é historicamente construído - e essa concepção de que é inerente a todas as mulheres é tão bem descontruído por Elizabeth Badinter - acho que iriam aparecer muitas distorções desse suposto direito .
Pela iniciativa privada? hum...já até posso ver o controle, os gráficos e as feiras para a otimização da maternidade. Não, obrigada, já estou amarrada com a iniciativa privada, eu passo.
Pelo marido ou namorado? Essa me parece a mais curiosa. Seria algo interessante de ver como se dariam as relações familiares, dado que a mãe seria uma funcionária.
Se as relações de poder já são complexas e opressoras, creio que receber salário do marido, pra cuidar do filho, seria uma forma oficial de sujeição e de um novo exercício de "luta de classes".
Algumas pessoas parecem achar que a dedicação da mulher a sua carreira e a consequente diminuição das horas dentro de casa, seria a causa do aumento de violência e falta de valores morais.
Bom.
Sem dúvida acredito que a sociedade precisa se estruturar de uma forma a contemplar as crianças que não tem uma infra estrutura adequada. Mas vários e difíceis problemas podem acontecer com a mãe fazendo bolo na cozinha, por exemplo.
Não posso deixar de pensar que se observa um passado hipotético onde as familias seriam "de outra forma". Um passado familiar fantasioso, idílico e irreal.
Como historiadora pergunto: Quando exatamente?
Phellipe Ariès escreve sobre a familia e a criança, comprovando que a concepção do que é ser criança e ou adolescente é muito, muito recente. Historiadoras como Michelle Perrot, Martha Esteves e Rachel Soihet desconstroem o mito da mulher idealizada, comprovando através de pesquisas cuidadosas que a ação feminina foi múltipla e, muitas vezes, completamente avessa ao idealizado pelo Positivismo.
Onde era tão melhor para as crianças?
Na antiquidade, onde uma criança poderia ser abandonada pra morrer?
Entre os astecas que costumavam aplicar rigorosos castigos físicos?
Na idade média onde em algumas regiões européias as crianças ficavam sem nome até quase sete anos, em função da enorme mortalidade( morria mais um...o menorzinho, aquele ali), ou talvez em grande parte da idade moderna, onde mas mães não amamentavam os bebês, nem os criavam, caso fossem ricas. Eram criados em casas separadas, ou por amas e babás e apareciam em algum momento do dia, para serem admirados como bonequinhos. Não havia essa familia celular burguesa, não existia sequer essa concepção e afirmar isso é grotescamente anacrônico.
Talvez quem se refira a esse "passado da familia" pense na tradicional familia patriarcal burguesa, que historicamente, é muito, muito nova.
Uma estrutura calcada em um modelo positivista comteando, que pensava na familia como célula mater.
Bom, estamos aqui com o resultado dessa interpretação de mundo. E o que temos é isso, violência, aquecimento global e guerras.
Tudo isso não foi gestado em uma ou duas geração, foi gestado em várias, foi gestado quando o modelo vingente era a familia positivista.
E ainda que se fale deste modelo: essa ideia de mãe acompanhando tarefa escolar e ou participando mais ativamente da vida dos filhos é recente. Mesmo dentro da idealização positivista, o cotidiano das familias - com todas as diferenças intrínsecas a cada classe - não incluia essa interlocução entre pais e filhos. Era um modelo autoritário, muitas vezes hipócrita.
A ideia de pais e filhos fazendo tarefa de casas juntos, jogando ou se entretendo juntos é uma concepção completamente inexistente até boa parte do século XX.
O universo conceitual e espacial da criança era outro.
Eu não consigo visualizar essa lendária época onde as familias eram perfeitas. Essa Atlântida é irreal. É um saudosismo à la viúva Porcina, a que foi sem nunca ter sido.
"Valores morais".
Eu tenho um certo receio dessa expressão. Fico me perguntando se podemos discutir a diferenca conceitual entre ética e moral, mas acho que aí afundamos até as orelhas na hermenêutica e não é esse o objetivo.
Então, vamos pensar em supostos valores.
Patriotismo seria um valor moral, mas um elemento tão belicoso que pode ser apontado como um dos piores males do mundo.
(Certíssimos os anarquistas ao clamarem : "minha pátria são meus sapatos".)
Que outros tipos de valores?
Ética, por exemplo?
Em que momento histórico isso foi um elemento realmente de peso? Me apontem.
Correndo o risco de ser redundante, afirmo, é ingênuo se pensar que vivemos em um momento com menos ética. Vivemos em um momento de grave crise social, sem dúvida, mas calcado em diversos outros problemas.
Esses diversos problemas levam a uma inversão de valores (o traficante passa ser herói, etc), mas essa é uma questão macro e pouco tem a ver com a mãe em casa, fazendo bolo.
Mas se uma retrospectiva histórica seria for feita, vamos ver a história sendo marcada por filhos destronando pais na base da faca, mães abandonando filhos, guerras em nome de deus e deuses, gente morta por dever pra bancos e outras distorções. Fiquemos tranquilos, a barbárie nao é novidade.
Não nego a importãncia da presença materna ou paterna. Só gostaria de atentar para o cuidado de não se deixar levar por uma idealização romantizada de um passado inexistente, cuidado pra não se colocar sobre as costas da mãe as causas de todos os males e equívocos.
E mais, discordo diametralmente da visão que restringe a mulher a ser mãe.
Ainda que ser mãe seja efetivamente o que considero o mais importante, é um dos meus papéis e jamais admitiria que alguém não me permitisse exercer todos os outros.

14 maio 2009

As meninas









O ano era 1989, o lugar era a Unicamp e as três calouras tinham entre 18 e vinte anos. Estavam sentadas em uma escada, no IFCH, próximas da secretaria. Falavam banalidades e riam, riam da mesma forma como fariam durante os próximos quatro anos,achando tudo engraçado, achando todos muito engraçados, e principalmente, achando a si mesmas muito engraçadas.
Uma delas interpelou as amigas:
- Olha ali, não é o pessoal que estava apresentando o Brasil- século XXI?
- Acho que sim, são eles mesmos...eles falaram hoje. Eu não assisti, fui só ontem.
- Aquele ali não é o Fernando Henrique Cardoso?

***** pausa: atentem para a data, ele era o então professor da USP e senador, foi antes de seus mandatos como presidente *****

- Ele mesmo, pô, bonitão, heim?
- Credo, fulana...que velho.
- ah, mas dá um caldo...
( risadas, comentários impublicáveis)
- Ele foi professor da USP ainda jovem, sabiam?
- É mesmo, professor da USP, ai, fiquei nervosa...
( mais risadas)
- Olha só, vou passar ali e dar uma bundada nele.
- ????
- Só uma bundadinha, ué.
- Que isso, fulana, tá maluca?
- Eu vou andando e ai, sem querer, eu esbarro nele. Mole, mole.
- Como assim, sem querer??
- Bom, pelo menos um dia, quando eu for mais velha, vou poder contar que dei uma esbarrada nele. Nossa, olha que chiquérrimo....
( risadas)
A menina foi andando, completamente rebolosa, chegando perto do então professor, deu uma bundada no fulano. Totalmente sem querer.
Ele virou, ficou olhando, divertido.
Ela foi embora, as outras riam ainda. E rindo foram pra aula.

*****publicado originalmente em 13/11/07

13 maio 2009

O dia que eu não estava na lista










Acho que eu já disse aqui, tenho um fraco por professor. R. foi um amálgama de professor, namorado e amigo. Atualmente é leitor eventual dessa Casa, apesar da distância.

Ele foi quem me apresentou a alguns autores que nunca tinha lido, quem me estimulou a discutir e -segundo ele -foi a motivação pra eu fazer História.
Mas isso é egocentrismo dele.
O fato é que eu adorava suas aulas, isso é verdade.

Na época do Colégio, eu, R., Dri, seu então namorado e atual marido , Pitty, e outros amigos saíamos da aula e fazíamos um pit stop no bar da frente. Estudávamos à noite e sexta feira era obrigatoriamente dia de beber e jogar conversa fora.

Olhando agora, mais velha e infinitamente mais careta, acho um absurdo grande parte das coisas. Bebíamos por lá e íamos a pé até uma parte do Cambuí, cheia de bares, apelidada carinhosamente de Setor. Isso em uma era pré diluviana em que se podia andar a pé em Campinas, durante a noite.

Na sexta feira, era dia de ver Tati e Carô no Ilustrada, o bar mais bacana da época.

Me lembro de uma noite , andando ao lado da prefeitura, quando um garoto de rua desceu correndo, disparado e apavorado, fugindo de dois jovens.

O garoto agarrou as pernas de R., talvez percebendo, de alguma forma, que poderia ser protegido por ele.

R.segurou o garoto, falou calmamente com os perseguidores - que haviam sido assaltados pelo menino - e resolveu tudo. Mas com uma firmeza, um olho no olho, que não deixava espaço pra discordar. Os caras foram embora, o garoto foi salvo. E eu só pensava : "uau..."

Acostumada aos colegas histriônicos, aquele controle todo da situação era cinematográfico pra mim.

Na época, me encontrava com meu amor eterno da época lá no Setor, ele saia da agência e ia direto pra lá. Tinha ciúmes de R., coisa que só fui entender mais tarde. Antes que eu mesma notasse, ele já tinha notado meu interesse. Se é que dá pra entender isso.
Após o fim do relacionamento com esse namorado, houve algo muito bacana com R.
Como eu estava saindo de um relacionamento que havia me ocupado toda a adolescência e eu estava muito "mudééérninha", vivemos uma coisa esquisita no melhor estilo "relacionamento aberto".Eu achava o máximo na época, mas de forma alguma repetiria a dose hoje em dia.
Já disse, sou infinitamente mais careta.
Quando eu decidi terminar com ele, continuamos muito amigos.Tínhamos um gostoso ritual, cada vez que ele vinha pra Campinas:sair pra almoçar, conversar o dia todo, se despedir sem angústia. Era bom.
Depois, ficamos muito tempo sem nos ver.

Há alguns anos, nos reencontramos em São Paulo, ele vinha pra cá e combinamos de nos ver por lá.Um final de semana pra matar a saudade.
Já fazia alguns anos que não nos víamos. Foi bom e foi ruim. Acho que eu fui esperando o professor e ele foi esperando a aluna e "eles" não foram.Confesso que foi estranho.

Em um determinado momento, desse final de semana de remember, R. começou a relembrar as mulheres que passaram por sua vida. Sei lá porque. Fulana, Beltrana...todas lindas e inteligentes, blablabla.E eu ouvindo.

Mas ele me pulou. Eu estava deitada no sofá e pensei: "porra, ele me pulou".

Não corrigi, nem brinquei com isso. Só pensei que não estava na lista.Foi tão frustrante, me senti como se ele tivesse roubado algo que era "direito" meu, direito a parte de sua história. Talvez eu devesse ter dado um pedala bem dado, exigindo meus direitos, "ô meu filho, você está na minha lista, c***!"

Um dia ainda escrevo pra ele e digo isso. Ou deixo ele ler aqui.



**** publicado originalmente em 13/04/07.

12 maio 2009

Sadismo pode?

Acabei de ver essa coisa absurda no Alex Maron.
Se algum leitor entender de Direito, me avise: isso aqui está dentro da legalidade? Não é possível fazer algo contra esse showzinho de horrores sádico?
No CQC vi uma cena desse apresentador maluco carregando a garota dentro de uma mala, mesmo após ela repetir que estava machucando.
Agora isso. Vejam vocês mesmos.


11 maio 2009

Ser ou não ser? (Sempre a mesma questão....)













Eu estava lendo o blog da Rosely Sayão agora há pouco. Vejam que interessante - e angustiante - a observação que ela faz:

"Em tempos de ideais individualistas, vivemos uma contradição: priorizamos nossa autonomia, mas queremos compartilhar nossa vida com um outro.Valorizamos o relacionamento conjugal porque, ao se tornar a base das relações íntimas entre pessoas da mesma geração, pode ser um antídoto para a solidão típica do nosso tempo. Podemos dizer que o casamento ganha importância cada vez maior na vida dos adultos.O número de separações é grande, mas o de recasamentos também. O problema é que não sabemos muito bem como conduzir essa relação tão peculiar."


Pois é, momentos de alteração de categorias, mudanças de paradigmas, tendem a dar um certo tombo em todo mundo. E aí, pintam as mais variadas questões: tenho amigos dentro de casamentos convencionais que adoram, tenho amigos dentro de casamentos tradicionais que se sentem presos e sufocados, gente que só namora e não pensa em casar, gente que nunca namora,gays festeiros, gays caseiros, mulheres que trabalham e querem ficar em casa, mulheres que ficam em casa e querem trabalhar, mulheres que trabalham e gostam, gente que sofre porque não tem filhos, gente que nunca vai ter filhos por opção, tem de tudo.
De qualquer forma, a dificuldade dos relacionamentos é algo inegável. Quem - como eu e algumas amigas - conseguiu comprar e sustentar uma casa sozinha ou com filho, acha difícil conseguir dividir isso com outra pessoa.
O mais estranho é que mesmo alguns casais que tem muito em comum - como eu tinha com meu primeiro marido - podem ser devorados pelo tédio. Devo confessar que esse divórcio foi causado, em grande parte, por imaturidade de ambos, mas a vida é assim.
Ela não é cor de rosa com desenhos, como querem algumas pessoas. (Alguém realmente tem saco pra esse tipinho de gente?) Pode até ser, mas não é pra grande parte das pessoas.
Meu segundo casamento foi um "juntamento", diferentemente do primeiro, não oficializamos nada. O que tornou mais fácil a separação, ou pelo menos, menos burocrática. Mas, ainda que eu ache meu segundo marido bonito e inteligente - e eu acho - percebo como chegar em casa e encontrar paz é uma dádiva divina. Sem ter que conviver com mudanças de humor inexplicáveis e outras chatices. Paz mesmo. Delícia.
(Deculpa, N., mas você sabe que era terrível!) O engraçado é que durante todos os anos que fomos namorados, ele não era tão instável. Ou era, mas eu podia me resguardar disso, dentro da minha própria casa.
Eu adoro minha casa e minha vida, com todas as coisas que conquistei sozinha, por minhas próprias pernas, sem pegar carona no sucesso de outros. Sou eu-comigo.
A forma de lidar com o cotidiano, com as contas, com as regras, a maneira de colocar um vaso ou a cortina, as manias, tudo isso fica cada vez mais difícil de ser compartilhado. Pode vir a ser uma boa experiência, mas ainda assim, árdua.
Não que o casamento seja ruim por definição. Não. Difícil, entendiante muitas vezes, mas não ruim. Mas ainda que tenha qualidades - e certamente as tem - fico me perguntando se ainda nessas próximas décadas saberemos como preservar a individualidade que valorizamos, com um relacionamento afetivo saudável.
Mas eu acho que é possível. Conheço poucos cuja felicidade me convence realmente, que parece algo sólido e não pra inglês ver. Porque em tempos de internet, vocês sabem, o povo faz uma graça que só por Deus....(risos)...tendo que provar sei lá o quê, pra sei lá quem, todo o tempo, sem descanso. ( Haja tempo disponível, vamos combinar..)
Mas , enfim, eu ainda creio em felicidade à dois, acredito sim, não costumo ver muita ...mas.. adoraria que um geek bonitão me ensinasse a brincar de casinha.
Aposto que seria divertido, duvido que seria perfeito, creio que seria humano.
Porque é assim que rola, não é?

09 maio 2009

Conversa de passarinho







Ontem eu entrei no Twitter. Sei que estou sendo meio lerdinha, pois me parece que o ápice se deu em novembro - salvo engano - mas eu demorei para decidir se entrava ou não.
É divertido. Para quem ainda não entrou ou não conhece, se trata de uma nova ferramenta para interagir com outros internautas: uma espécie de microblog onde são postadas mensagens de até 140 caracteres e tem como mote a seguinte pergunta:"O que você está fazendo?"
Aí você diz o que quiser.;0)
Quando você "segue" alguém, todas as postagens desse usuário vão para sua página. Por exemplo, eu estou seguindo umas quarenta pessoas, entre famosos distantes e amigos queridos, tudo que eles twittam, aparece na minha página.
Acho que ainda preciso explorar as possibilidades midiáticas dessa ferramenta, mas por hora, digo para vocês: é bem interessante e divertido. Vamos ver se o twiiter vinga, porque parece que grande parte dos ingressantes o abandona no período de três meses. Vamos ver o que rola.
A blogueira Marina W. mandou bem nesse exemplo de atuação do twitter, veja você:


" Jornal: John Lennon morreu ontem.
Blog: John Lennon acaba de morrer.
Twitter: John Lennon está dando autógrafo para um esquisitão ali na esquina
"

05 maio 2009

A Novela Cor de Rosa do Bia








Em primeiro lugar, quero dizer que gostei do livro. Começo logo explicando isso, para que ninguém ache que as críticas que faço impliquem em não gostar da leitura, porque gostei.
Dito isso, vamos aos trabalhos. Optei por não fazer ruma resenha propriamente dita, porque isso implicaria em encher de spoilers aqui. Digamos que seja um comentário sobre a leitura.
Bom, mais uma coisa, uma coisinha. Vou tomar a liberdade de chamar o livro apenas de "Uma Novela Cor de Rosa", como Bia fez quando falou na FILC. (Assim evito piadas como a da Karen, que chamou "Ô, Bia, vem logo autografar a NOVELA da Vivi..", e não, ela não falou "novela", a doida.)
Então, vamos ao texto, de uma vez por todas.
Na minha opinião livro é oscilante: alterna cenas com vigor dramático e fortes cores cinematográficas - me arrisco a dizer que você consegue ouvir o barulho da batida do carro de Tiago - sem perder o rítmo e o foco, com cenas absolutamente dispensáveis.
Cenas que ficam perdidas e mal se sustentam, aparentando uma inserção no texto à forceps. Parecem estar ali apenas para marcar território, para alimentar a aura "ousada" já iniciada em Sexo Anal. Aliás, acho Virginia Berlim tão superior a Sexo Anal que realmente não compreendo porque se fala mais dele. Enfim.
O livro começa muito bem, mas perde o ritmo e fica entrecortado com cenas que poderiam ter sido reescritas. A cena em que Monique assedia o dr. Lobo é tão bizarra que poderia ser roteiro de pornochanchada anos 70. Mas obviamente esse era o intuito do autor, que constroi outras cenas que transitam entre o cômico e o escatológico sistematicamente.
As personagens femininas são um caso à parte, em uma trajetória que vem desde Virgínia Berlim, passando por Sexo Anal e culminando em Uma novela cor de rosa, elas são sempre notoriamente amorfas. Nem diria burras, elas são "um nada" - como na descrição de Virgínia - e seguem profissões que enchem seus dias sem maiores compromissos intelectuais. Valéria diz que poderia ser manicure ou cuidar de crianças, não há nenhuma ligação mais intensa com sua profissão ou com qualquer coisa mais profunda, são mulheres assustadoramente rasas. O curioso é que são muitas: uma horda de mulheres-nada.
Por alguma razão, as mulheres dos livros do Bia são absolutamente insossas, incultas e até tolinhas. Quando alguma é mais forte ou intensa, isso se dá no âmbito da sexualidade. Mulher mais poderosa é mulher comedora e pensa com os países baixos.
Ponto a ser discutido com mais vagar, mas por hora, apontado aqui neste texto.
Diferentemente de Sexo Anal, que mostrava o lado perverso da imprensa marrom, a história de Uma Novela Cor de Rosa perpassa um jornaleco de uma cidadezinha de 100 mil habitantes, não há, portanto, cenas grotescas que apresentem o lado B do jornalismo. No máximo, apresentam a parte burocrática e cotidiana. Isso é fascinante: o texto não procura mostrar o lado fascinante, mas o lado mesquinho, pequeno, rodrigueano mesmo.
Porque você pode esperar tudo de Biajoni enquanto escritor, menos que ele seja óbvio.
Curiosamente, parte significativa dos homens casados do livro é vidrada por travecos. As meninas são visitadas geralmente nas segundas feiras, que seria o dia dos casados da cidadezinha fazerem a festa, após a frustração do final de semana com a esposa.
O jornalista escroto de Sexo Anal reaparece aqui, apaixonado por Tiago, assim, inustitadamente, surge uma história de amor gay. Isso também não é explorado, Bia não cai em pieguismo politicamente correto simplista. É um amor, ponto.
Sem dúvida, Tiago é o personagem mais interessante - ainda que não inspire empatia propriamente dita - mas, comparado aos outros, é o mais complexo e curioso. O motivo de sua morte - não vou ser tão sacana e contar, fiquem sossegados - é fabuloso: é cínico, é doente, é brilhante.
O tom do livro permite ao leitor imaginar que tem em suas mãos um possível roteiro, como eu já disse, o tom cinematográfico é interessante, bem elaborado e o melhor de tudo, profundamente original.
Imperdivel.

03 maio 2009

Fragmentos no domingo









Sexta feira estava encerrando as notas, sendo que parte dos alunos mandou trabalhos nos últimos cinco minutos do segundo tempo...mexe daqui, corrige dali, três e meia da madrugada eu estava com as notas para serem lançadas no computador. Senha errada, nada de logar na sala virtual. Ops, olho o email, pois havia solicitado novamente a senha: nada.
Exatamente 03h47min, notas prontas, eu sentada na frente do pc e nada de senha.
Só vou lançar na segunda, após falar com a secretária na faculdade.
Alouuu...se você é meu aluno e está lendo, espere um pouco, logo tudo estará no ar, ok?
******

Participo de várias listas de discussão. Por falta de tempo, praticamente não leio nenhuma, mas às vezes me dou conta do que acontece. Em uma das listas - sobre roteiro de cinema - uma integrante falou sobre o falecimento de um cineasta do sul. Apareceu um corninho metido a engraçado, fazendo piadinhas onde ninguém chamou.
Gente, tá tomando uma sova até agora.

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Escrevi um depoimento pra uma amiga ( !) no orkut. A mulher interpretou mal, sentou o sarrafo aqui na tia, deu um piti no meu orkut constrangedor, me deletou, me excluiu, mandou jogar sal na minha casa e colocou minha foto em postes, escrevendo "procura-se".
Como a palavra escrita é curiosa. Parte dela me pertence, parte dela pertence ao Outro, ao Leitor. E quem disse que consigo - ou que alguém consiga - dar conta da loucura alheia?
Eu, heim. Toma gardenal e passa amanhã, credo.
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Sábado, parentes queridos do Rio em casa,Tio João Luiz, Cris e Bia, então programa campineiro: feira hippie - vocês sabem que adoro - com acarajé e mais compras gostosas.
Shopping Iguatemi e Livraria Cultura, compra de livro - depois conto e resenho - café e encontrar alguém pra dar oi: incrível como todo mundo vai ao Café da Cultura.
Será que é porque a livraria é uma delícia, o atendimento é ótimo e os cafés são bons?
******

Churrasco na casa de outro tio, papo.

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Tentei levar minhas primas Cris e Bia para conhecerem o Centro Cultural da CPFL, do qual sempre falo. Fechadíssimo, sem ninguém pra mostrar e sem boa vontade.
Humpf.

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Voltinha na Unicamp pra mostrar o campus pras meninas. Rapidinho, nem descemos.
Pra quem for, recomendo uma visita ao Arquivo Edgardg Leuenroth e na Biblioteca Central. Se for almoçar, cantina da Letras ou da Dança.


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Minha mãe está ótima, pensando em viajar para o Rio novamente, por conta de um casamento que vai rolar por lá.
Não vou deixar ir, lógico...a maluca acabou de sair do hospital, acreditam?
Está tudo ok, agradeço as mensagens e emails.


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Vou ler e depois comento. Sucumbi ao listão: comprei A Cabana. Vocês sabem como sou preconceituosa - e toooodo preconceito é BURRO - em relação a Best Sellers. Mas fiquei curiosa, o Ricardo Agreste, genial pastor da igreja que frequento, falou sobre ele. Comprei, queridinhos, tô lendo e gostando muito.



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Cinema, Wolverine - suspiro - Wolverine correndo - suspiro - bunda do Wolverine - ooooutro suspiro - Wolverine apaixonado - morri.
Mas não se anime, o filme tem mais buraco no roteiro do que queijo suíço, desde a estrutura da narrativa até as motivações pessoas, uma tristeza. Depois conto tudo.
Se você quer ver um bom filme, não vá.
Se você quer ver o Wolverine peladão, não perca.
Ah, sem perder tempo: Que Gambit é aquele, meu Deus? Fiquei nervosa.
ai, ai, esses filmes me matam.
Apaixonei.
Depois conto.
Beijos e bom domingo.

01 maio 2009

Compulsão

Só mais um pouco:


Have You Ever Seen The Rain? (tradução)
Creedence Clearwater Revival
Composição: J.C. Fogerty

Você Alguma Vez Viu A Chuva?

Alguém me falou há muito tempo
que há uma calmaria antes da tempestade.
Eu sei; vem vindo há algum tempo.

Dizem que quando terminar choverá num dia ensolarado.
Eu sei; brilhando como água.

Eu quero saber, você alguma vez viu a chuva?
Eu quero saber, você alguma vez viu a chuva
Caindo em um dia ensolarado?

Ontem e nos dias anteriores,
o sol estava frio e a chuva estava forte.
Eu sei; tem sido assim toda a minha vida.
E para sempre assim será
através do ciclo, rápido e devagar.
Eu sei; isso não vai parar, eu me pergunto.

Eu quero saber, você alguma vez viu a chuva?
Eu quero saber, você alguma vez viu a chuva
Caindo em um dia glorioso?

Yeah!

Eu quero saber, você alguma vez viu a chuva?
Eu quero saber, você alguma vez viu a chuva
Caindo em um dia ensolarado?

30 abril 2009

Saudade?










Minha mais recente mania é ficar séculos ouvindo músicas que finalizaram episódios de Cold Case - seriado policial-para-historiadores..rs - que adoro.
Essa daqui é uma que simplesmente não consigo mais para de ouvir.
Depois escrevo mais, agora vou ouvir novamente.;0)




Your Song (tradução)
Elton John


Sua Canção

É um tanto engraçado este sentimento interior
Eu não sou do tipo de pessoa que consegue esconder facilmente
Não tenho muito dinheiro, mas garoto, se eu tivesse
Compraria uma grande casa onde nós dois poderíamos viver

Se eu fosse um escultor, mas poxa, não sou
Ou um homem que faz poções em um show ambulante
Eu sei que não é muito, porém é o melhor que eu posso fazer
Meu presente é minha canção e esta é para você

E você poderá contar para todo o mundo que esta é sua canção
Talvez ela seja bastante simples, mas agora que está terminada
Eu espero que você não se importe (bis)
Que eu tenha colocado em palavras
Como a vida é maravilhosa enquanto você está no mundo

Me sentei no telhado e retirei o musgo
Bem... alguns dos versos me colocaram em uma encruzilhada
Mas o sol estava adorável enquanto eu escrevia esta canção
É para pessoas como você, que a mantém viva

Então perdoe-me se eu esquecer, mas estas coisas eu faço
Perceba que esqueci, se são verdes ou são azuis
De qualquer maneira, bom... o que eu realmente quero dizer
É que seus olhos são os mais doces que já vi.





*** Em tempo:

gente, é só eu publicar uma música ou pseudo-falar de paixões antigas pra um monte de espíritos surgirem do passado, pensando que eu falo deles.
Se eu tivesse tanto cara querendo me cantar, como tenho ex com ego super aquecido...estava feita nessa vida.
( E isso vale pra VOCÊ também, querido ex e atual leitor diário...rs)
ô, coisa...rs

28 abril 2009

Ludus









Ontem terminei uma Oficina muito estimulante para mim: sobre Cultura Popular.
Ficamos juntos por cinco encontros, em noites de segunda feira, no Cenapec, onde trabalhamos diversas abordagens sobre a cultura polissêmica existente no Brasil.
O enfoque foi pedagógio e a preocupação era discutir a aplicabilidade desses elementos dentro de sala de aula, fugindo de um discurso maniqueísta, que encara os brinquedos contemporâneos sempre de forma negativa. Vou discutir esse ponto mais detidamente em outro momento, porque sou uma entusiasta dos jogos e brinquedos atuais.
Assim, discutindo Contos de fada, lendas, brinquedos, brincadeiras, remédios, festas e tantos temas, levamos esses dias.
Ontem, para finalizar, fizemos um café diferente, com bolos e doces tradicionais, chás e doce de leitte. Bom demais.
Sorteei quatro brinquedos que havia comprado na feira hippie, como contei em posts anteriores: um carrinho de tração de madeira, um pato colorido que era empurrado com um cabo, uma torre de hanói e um pião. Os brinquedos foram usados ali e espero que sirvam para colorir as aulas desses queridos professores.
Hoje, apra minha alegria, no post onde comento sobre os brinquedos, uma das alunas comentou:

"educadora said...
Oi Vivien,
Tudo bem? Sou aquela sua aluna que ganhou o pião no sorteio, amei sua idéia!!!
Bom eu ainda não consegui fazer ele rodar, mas ....meu pai adorou o brinquedo, ele tem 63 anos e me disse que brincou muito com este brinquedo na adolescência, precisa ver como ele se empolgou!!!!
A oficina foi maravilhosa,
Bju
Néia"


Um dos pontos que trabalhamos foi exatamente esse: recuperar algumas memórias e fazer disso uma ponte para entrelaçar relações, descobrindo o universo do Outro, que muitas vezes está tão perto.

Foi um prazer trabalhar com eles, professores, artistas plásticos, artistas de teatro, músicos...um público inesquecível.

27 abril 2009

Deus branco?







Como já falei aqui com vocês, há cerca de um ano e meio frequento uma igreja presbiteriana e adoro. Ontem, ao ouvir um questionamento do pastor acerca da representação de Deus como branco, da representação da figura de Jesus - judeu - como um ariano...ao ouvir reflexões críticas sobre essas criações da arte medieval e, ao mesmo tempo, ouvir uma inteligente reflexão filosófica sobre trechos bíblicos, percebi: achei meu lugar.
Minha mãe foi internada e fará uma cirurgia de emergência. Para quem, como eu, acredita em Deus, peço uma oração. Para quem não acredita, peço que mande lá uns pensamentos positivos, porque realmente creio que isso ajude.
Beijos e obrigada.



25 abril 2009

Uma manhã campineira







Nem posso dizer que foi manhã, manhããã mesmo, porque acordei tarde, como sempre faço aos sábados, mas foi uma boa semi-manhã campineira. Porque um dos meus programas prediletos por aqui é ir pra Feira de Artesanato ou Feira Hippie, como a chamamos por aqui, apesar de ter apenas uns três hippies vendendo as mesmas bijoux vendidas em Woodstock.
Lá muito gostoso. Fica em um lugar privilegiado, chamado de Centro de Convivência, onde há uma praça em torno de um teatro interno e um de arena, árvores magníficas e ainda é pertinho do City Bar - uma espécie de Bar Luiz daqui - onde aos sábados uma turba bastante eclética se reune. Se você estiver por aqui, não deixe de comer um bolinho de bacalhau com uma cerveja bem gelada, eu recomendo.
Na feira sempre pintam atividades além das barracas, capoeira, gente dançando, gente cantando. Eu gosto.
Foi bom comer acarajé, bolo de chocolate, comprar um monte de coisas pra minha casa, ver cachorro com roupinha e viseira, conversar, essas coisas. E estava um tempo tão gostoso, o lugar é tão bonito que fiquei com o astral lá no teto. Bom demais.
Estou precisando é comprar uma máquina pra colocar fotos aqui pra vocês...vou providenciar isso.
Antes que eu me esqueça: quem for para lá não perca a barraquinha de brinquedos tradicionais, está ótima. Comprei vários pra mostrar na oficina que dou sobre cultura popular, vou sortear entre os alunos no final, vai ser bacana.





23 abril 2009

Peguei lá no Pinhead





















O Alexandre fez isso lá no blog dele e eu catei, quem quiser, pegue. Hoje é uma quinta feira pós feriado, quinta feira com cara de segunda e vale uma brincadeira boba pra segunda, sempre vale. Eu gosto.
Lembra aqueles caderninhos de pergunta que eu respondia quando era pré adolescente. Vamulá.


1. Nome: Vivien Christina Botelho de Souza Morgato, Vivien Morgato.

2. Porque lhe deram esse nome? Era o nome da heroína de um livro água com açúcar que minha mãe leu.

3. Você faz pedidos às estrelas? Sempre. Sou protestante, mas mantenho minhas macumbinhas íntimas.

4. Quando foi a última vez que você chorou? Vendo uma reportagem sobre doação de orgãos.

5. Gosta da sua letra? Não.

6. Gosta de pão com o que? Requeijão e azeitona.

7.Quantos filhos você tem? Um. Maravilhoso.

8. Se você fosse outra pessoa, seria seu amigo? Não tenho dúvidas que sim.

9. Saltaria de bungee-jump? Nem ganhando em dólar.

11. Acredita que você seja uma pessoa forte? Na maior parte do tempo, sim. Pelo menos enquanto tem alguém olhando.

12. Sorvete favorito? Chocolate.

13. Vermelho ou Preto? Vermelho, sempre.

14. O que menos gosta em você? Os quilos à mais.

15. O que mais gosta em você? Tudo, sou egocêntrica militante.

16. Descreva que roupa e calçado esta usando agora: Calça cinza, sandália rasteirinha, blusinha azul, brinco azul.

17. O que você está escutando agora? Uma música escrota na lan house.

18. A última pessoa com quem falou ao telefone? Sei lá, telefone é um saco.

19. Bebida favorita? Água gelada, refrigerante com gelo, chopp.

20. Comida? Árabe ou qualquer coisa com peixe e pimenta.

21. Último filme que viu no cinema e com quem? Benjamin Button, com uma prima.

22.Dia favorito do ano? Reveillon, sem dúvida.

23. Inverno ou verão? Primavera.

24. Beijos ou abraços? Muito.

25. Sobremesa favorita? Qualquer coisa com chocolate.

26.Que livro está lendo? O que é virtual? Pierre Lévy.

27.O que tem na parede do seu quarto? Prateleiras com livros, quadros com divas hollywoodianas.

28. Filmes favoritos? Matrix.

29.Onde foi o lugar mais longe que você foi? Minha mente.

30.Uma música? Roda Viva.

31.Uma frase? " I have a dream...."


***** Não esqueça de votar na enquete ao lado, para escolher a ordem das resenhas, beijocas.*****


(Remexendo na papelada virtual, achei isso, de 2006.



Eu vi essa brincadeira lá no Zander e decidi fazer. É assim, você escolhe uma banda e responde a umas perguntas usando títulos de músicas. Vamos nessa.

Minha banda escolhida é: Barão Vermelho

1. Você é homem ou mulher? Flores do mal.

2. Descreva-se: pedra, flor, espinho

3. O que as pessoas acham de você? Exagerado.

4. Como descreveria seu último relacionamento amoroso?
o inferno é aqui.

5. Descreva sua atual relação com seu namorado ou pretendente:
Como um furacão

7. O que pensa a respeito do amor?
fúria e folia

8. Como é sua vida?
Pro dia nascer feliz.

9. O que pediria se pudesse ter apenas um desejo?
Amor, meu grande amor

10. Escreva uma frase sábia:
o tempo não pára

Agora se despeça:

Todo Amor Que Houver Nessa Vida
Barão Vermelho Composição: Cazuza / Frejat

Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós, na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente nem vive
Transformar o tédio em melodia...
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum venenoanti-monotonia...
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio
O mel e a ferida
E o corpo inteiro feito um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente, não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria...
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E algum veneno anti-monotonia...

Passo pra quem quiser fazer.

20 abril 2009

Livros e Gente ( com atualizações)









O Festival Internacional de Leitura está acontecendo na Estação Guanabara, restaurada, linda e completamente afeita a eventos assim. Muitos stands com boas editoras, editoras desconhecidas e livros dando em árvore - literalmente.
O evento vai continuar pela semana toda, quem estiver por aqui, confira.
Ontem houve uma mesa sobre literatura e blogs, onde participaram a Fal, o Bia e Branco Leone, falando sobre os Viralata.
Eu estava com saudades da Karen, uma das amigas mais queridas que fiz pela blogosfera e doShira, sempre com seus papos entusiasmados e cheios de planos.
Tendo a discordar muito do Bia, mais isso é o que torna a amizade dele mais interessante para mim: eu tenho lá que concordar com todo mundo?
A Fal eu não conhecia pessoalmente, só por email e pelo delicioso e único blog. E ela é exatamente aquela Fal que junta uma legião de amigos em torno dela, coerente, clara e afetuosa.
Comprei livros dos três e já estou terminando todos, esganada que sou. Leio e resenho por aqui, mas já garanto que vocês devem comprar, pois é literatura de qualidade. Vou rasgar uma seda nervosa, porque fico feliz em ver coisa boa sendo produzida, publicada e lida. Quem quiser conferir, visite o site dos Viralata.
Beijos e apareçam pela FILC, ainda vai rolar muita coisa bacana.


****atualização ****

Queridinhos, já terminei de ler. Aqui ao lado você vota e escolhe o primeiro a ser resenhado, ok? Beijos.

16 abril 2009

Papel










Leio raramente o Estado, sempre achei terno-e-gravata demais, apesar de alguns colunistas interessantes. Em geral, prefiro a Folha. Apesar de alguns problemas, como a atual farofada em chamar a Ditadura de Ditabranda e as incoerências que sempre se vê aqui e ali.
Na Folha, geralmente me irrito com o editorial: Clóvis Rossi e Eliane Cantanhêde eu particularmente detesto. Acho que já estão com as opiniões completamente estagnadas dentro da cachola, muitas vezes só se preocupando em ser pseudo engraçadinhos e pseudo irônicos. Um saco.
Carlos Heitor Cony é um lenga lenga. E confesso que, depois de ler na Denise Arcoverde a reação dele a favor de Doca Street quando do assassinato de Angela Diniz, olha, nunca mais consegui ler o fulano.
Mas eu disse que gosto da Folha e gosto mesmo. Em geral gosto dos textos, acho a parte cultural muito boa e sou adepta ao tom didático-com-planilhas-e-explicações que eles tem, acho que efetivamente torna o texto mais claro.
Leio o Correio Popular também. É um jornal regional, que abrange a Região Municipal de Campinas, é um jornal redondinho, interessante, com gente interessante produzindo.
Tem chatos, mas onde não tem chatos?
Gosto, em especial do Bruno Ribeiro e de um jovem jornalista chamado OrFabiano Ormaneze. O primeiro tem uma coluna sobre cultura e faz entrevistas sempre muito interessantes, o segundo é francamente influenciado pelo New journalism e tem o dom de encontrar matérias que atraem a atenção de todos. Há alguns dias escreveu sobre um vídeo game cujo objetivo era estuprar um grande número de meninas e obrigá-las a abortar, de forma violenta.
O cara promete, acho que ainda vai produzir muita coisa boa.
Quanto a revistas, sem dúvida, prefiro a Época. É de longe a mais plugada em mídias digitais, tem os textos nerds mais bacanas e tem a Ruth de Aquino, de quem sou fâ incondicional. A mulher é porreta, articulada ao extremo, texto perfeito, jornalista de primeira linha. Uma vez foi até engraçado, eu estava lendo uma reportagem sobre China e estava show de bola, transitando pela antropologia, bem costurada, ótima. Mas não tinha reparado quem havia escrito, quando fui ver isso, vi que era de Ruth de Aquino e pensei imediatamente: "ah, só podia ser". Acho que pensamentos assim ratificam a qualidade da editora/colunista.
E você...o que tem lido?

12 abril 2009

As flores de D. Beija





Essa coisa toda com o pé me trouxe algumas coisas. Trouxe tédio, por ficar enclausurada, preocupação por conta de meus alunos ficarem sem aulas, medo de que a saúde piorasse, etc e tal.
Mas como tudo tem não dois lados, mas muitos, consegui ver a quantidade de pessoas que se preocupam comigo.
Foi um tal de amigo vir, ligar, escrever, foi tanta gente dando carinho, que isso me reconfortou muito. Mas, para minha surpresa, descobri que uma pessoa, uma pessoinha baixa, estava feliz com tudo isso.
E a desocupada bate o cartão aqui no blog sempre, vocês acreditam?
Creiam, queridos, creiam, existem pessoas baixas assim. A ponto de terem uma vida tão vazia - e cheia de mentiras - que se contentam em saborear os problemas alheios.
Sim, claro, falta de divã, certo? Uma dieta pra queimar as banhas já seria um passo.
Mas eu acho realmente, que não devo dizer o que penso sobre esse ser esquisito. Mesmo porque, gastaria meu tempo e o seu com isso, não valeria a pena.
Portanto, lembro uma historieta de D.Beija e suas invejosas vizinhas:

"Um dia, um escravo entrega para D. Beija uma linda bandeija de prata, coberta com um finíssimo guardanapo. Ao descobri-lo, a cortesã vê que recebeu uma quantidade de esterco de vaca. Sim, cocô de vaca enviado como presente. Imediatamente, manda o escravo colher as mais belas flores do jardim e enviar de volta, como um presente.
Surpresa com a atitude, uma mucama pergunta a D.Beija porque ela mandaria flores para quem havia enviado fezes
.


- Simples - responde, ela - cada um dá o que tem."

09 abril 2009

A novela do pé - segunda parte





















Respondendo aos amigos que escreveram por email ou orkut: ainda não melhorei.
Se eu conseguisse ficar aqui um tempo, responderia a todos, mas alguns minutos com o pé para baixo e já fico com uma dor insuportável.
E toca chamar alguém pra me ajudar a voltar a deitar. Estou deitada há dias, estou mordendo a parede de irritação por isso e por outras coisas imblogáveis.
Porque pior do que ficar doente é ter que explicar que está doente, saca isso? Sempre tem uma criatura para quem você tem que se justificar uma, duas, duzentas vezes.
Caraca, não estou andando! Será que alguém opta por isso por livre e espontânea vontade? Quem convive comigo mais do que quatro minutos sabe que sou agitada, tenho o maior pique, sou um burro de carga pra trabalhar. Porque adoro trabalhar, estudar, adoro mesmo. Ficar aqui, ilhada, não é opção...é um castigo.
Passei por vários médicos, um estúpido e superficial, em um hospital aqui de Campinas foi o pior. Olhou meu pé da mesa, sem se mexer, pra dizer que estava infeccionado ( jura??) e teve que ser lembrado de me indicar a um reumatologista.
A consulta durou cinco segundos e ele estava na porta, gritando o nome de outra paciente...depois de me dizer pra ficar "em repouso e continuar com o antibiótico por mais 15 dias".
Um mês com antibiótico? Outra me enfiou uma injeção dolorida...já outra queria me dar uma benzetacil ( saca aquela? que parece um tiro no traseiro?) sem perguntar nem se eu era alérgica a penicilina.
E eu aqui, deitada, com tédio, irritada, sabendo que tenho alunos me esperando, trabalho acumulado e gente cobrando.
Ah, pra fechar com chave de ouro: um projeto muito bacana que eu estava ingressando na Unicamp, um mega projeto bacana...não vai rolar.
Legal, né?
Inferno astral ou eu não consigo ler as linhas tortas de Deus? Porque tem que haver um bom motivo pra isso tudo, TEM QUE HAVER.

05 abril 2009

Doeu pacas ( com atualizações)





Faz mais de quinze dias, machuquei levemente o meu pé direito. Coisa pouca, um furinho de nada. Higienizei, coisa e tal, esqueci.
Depois de vários dias, o pé começou a doer. Mas doer de um tanto, que nem sei.
Além disso, inchou, ficou uma coisa horrível.
Atualmente, estou desenvolvendo uma Oficina sobre Cultura Popular em um Ponto de Cultura, todas as segundas. O caso foi que nessa última segunda feira, saí de lá mancando, toda torta, dando um "ai" a cada meio passo.
No dia seguinte, claro, médico. Como minha carteirinha da nova assistência médica ainda não estava pronta, fui até um posto de saúde.
Para minha grata surpresa, só tenho elogios ao posto: muito simples, mas organizado, com um atendimento atencioso e eficaz. Saí de lá com um braço dolorido de vacina, remédios já entregues e uma prescrição para alguns dias de repouso.
Os dias de repouso é que foram um problemão: porque o pé doeu muito, muito mesmo. E dá um tédio dos infernos ficar ilhada em casa, vamos combinar.
Daniel, super Daniel, deu a maior força, lavando louça, cozinhando, me mimando. Hoje, como a dor piorou, fui em outro posto: mesmas observações, só tenho elogios em relação ao atendimento. Tomei outra injeção, desta vez anti inflamatória, e eu vou te contar uma coisa....estou sentada de lado, parece que um enxame de abelhas africanas me atacou, terrível, terrível.
De acordo com a médica, meu organismo demora pra entender que há algo errado. Ficou lerdo. Como o Lúpus faz com que o sistema imunológico trabalhe aceleradamente, os imunosupressores que tomo há duas décadas fizeram meu corpo ter uma resposta vagarosa diante de algo errado.
Ou seja, depois de quase dez dias o corpo se tocou "ih, é mesmo, ela machucou o pé.."
Dá pra acreditar?
Mas espero que tudo fique bem, estou indo pra casa da minha mãe, que já conclamou minhas amigas para me levarem para lá. Eu vou, mas já sinto que ele está melhorando, apesar de ainda não conseguir andar direito.
Mas, vamuquivamu. Beijos a todos.


**** terça feira ******

Depois explico melhor, mas ainda não melhorei. Não consigo andar e sinto muita dor.
Estou preocupada com meus alunos e nas aula que não estão tendo.
Fui em outro médico hoje, terrível, grosso e incompetente, depois eu conto.
Torçam aí, meninos.

30 março 2009

Sobre a natureza dos gatos


Pois é, Renildes está apaixonada. Está maluca pelo Malcom X, meu lindo gato preto. Mas Renildes não entendeu ainda que esse romance impossível já nasceu fadado ao fracasso, desde a primeira ronronada desse gato sacana.
Porque ele é gato e essa é a natureza dos gatos. Ele simplesmente não compreende a euforia estabanada dela, que ao vê-lo na sala, corre, torpeça, cai, de língua de fora, risonha.
Eles até que brincam bastante, até mais do que eu supus ser ele capaz, mas sempre menos do que ela quer. Ela mordisca a orelha dele, ele dá patadinhas suaves nela. Um tempão.
Até que ele enjooa, aí, não tem choro , nem vela. Não adianta ela apelar , segurando-o com a pata.
Ele pula pela janela baixinha tão rápido que só resta a Renildes fazer aquela cara de pidona e bater com a patinha no vidro, uma ,duas, muitas, muitas vezes.
Ele deita no jardim e lambe a pata. A gente aconselha:
- se manca, Renildes..... se manca...
-Renildes, vem pra cá, nem adianta que agora ele não vai entrar.
Mas ela continua na janela, batendo com a patinha.
Depois de um tempo, ela deixa a janela e vai brincar com o paliativo que encontrou: um sucedâneo de Malcom X, uma velha meia preta do Daniel, que ela morde, abraça, brinca.
- Não é o Malcom, bobona....rs.....te deram o pirulito e tiraram, né, menina?
Ela olha pra mim, olha pra janela e morde a tal meia. Coitada da Renildes...não entendeu que essa é a natureza dos gatos.
E Malcom X continua no jardim, lambendo as patas, sem dar a mínima.
Gatos.....



**** post publicado anteriormente em fins de 2006.

26 março 2009

Tempo Rei


Três na sala. Fulana, Sicrana e Beltrano.
Fulana deitada no sofá, descabelada, com cara de bunda.
Sicrana, com o telefone na mão:
- Então, tô ligando lá na farmácia....eles entregam o floral aqui mesmo.Você vai ver, floral é bacana, porreta, tiro e queda.
Fulana:
- ...hum...
Beltrano:
- Você deveria tomar empatiens.
Fulana, abrindo um olho só:
- Pra quê que serve...?
- ah...é bom pra impaciência. Assim como você está, o bom mesmo é rescue.
Fulana pensou que cara deveria estar pra ele dizer "assim como você está". Tentou ajeitar o cabelo, pensou em sentar, mas desistiu, ficou deitada, com cara de bunda.
Sicrana ri:
- Rescue é uma beleza....beira o fantástico - fazendo gesto de quem pega uma corda - resgata, sabe? Você quer ser resgatada?
Fulana, com riso nervoso:
- Alguém me tire daqui...
Sicrana:
- você está com uma cara melhorzinha.....está mais pra Jekill...antes estava Hyde....
Beltrano:
- o ruim de floral é que dá pesadelo pra caramba.
Fulana:
- o quê??? Além de tudo vou ter pesadelo??
Sicrana, conciliadora:
- Não ....não é assim.Bom, depois de um tempo, você sabe, floral coloca os bichos pra fora.
Fulana, de olhos arregalados:
- ãh???? Eu tô f***. Colocar os bichos pra fora?!
Sicrana:
- E aquele que eu te dei pra dormir, foi bom?
- Vixe maria.
- Eu te liguei , você dormiu rápido.
- Cheguei, tomei e apaguei.
- E acordou melhor? ( animada)
- Não.....( riso nervoso)
- Olha que amiga que sou...te dei um daqueles que não tomo nunca.
- Aqueles que a dra. X "miguela"?
- É.
- Amiga mesmo
.
Beltrano ainda diz que Fulana deve tomar Rescue. Sicrana e Beltrano discutem sobre florais. Fulana engole em seco, ainda vai ter que trabalhar.
Os jilós também trabalham.

********** Tempos depois...****************




Soube que a Fulana se mudou: viajou com um personal de 1.95m pra Israel e foi morar em um kibutz. Dizem que tiveram uma briga homérica sobre os territórios ocupados e ela quebrou um ou dois pratos na cabeça dele.
Parece que depois Fulana passou um tempo em Paris com um escultor que falava latim. Bom, não entendi ao certo se ele falava latim, mas duas palavras parece que ele sabia à perfeição.
Mas Fulana se desentendeu com o escultor, arrumou sua mala e se mudou. Disse que ia tentar os pintores...
Viajou sem rumo uns meses, trabalhando aqui e ali. Pintou o cabelo de vermelho, tatuou um símbolo da cabala na nuca e mudou o nome pra Sarah.
Hoje dirige uma galeria de arte alternativa e mora com seus três namorados no Soho.

*** Posts anteriormente publicados em dezembro de 2006, os comentários constam nos posts originais.

20 março 2009

Vocês ouviram?

Sem fazer a apologia do filme, que é ingênuo e cheio de equívocos, percebo que ele lida com algumas questões simbólicas interessantes, assim como é uma versão "para colorir", da jornada do Herói de Campbell.
Mas não é esse o tema desse post. Não, não meus queridos.
A minha pergunta é: vocês prestaram atenção no nome que ele grita?
Richard Gere, arrasadoramente lindo de terno - adoro terno - com flores na mão e gritando....ouçam, ouçam...ai, ai.

*suspiro*

15 março 2009

Watchmen - Depois de 18 anos






Quanto eu tinha 22 anos, namorava J., que viria a ser meu marido e pai de Daniel. Ele era um aficionado por HQ, colecionador e responsável por minha total conversão ao universo dos Quadrinhos.
Passamos nosso primeiro reveillon juntos em Paraty e foi aí que conheci Wachtmen.
Pra quem não conhece - pare de ler esse texto, vá comprar e ler, rápido, rápido! - é uma graphic novel brilhante, escrita por Alan Moore e colocada no papel por Dave Gibbons.
É um clichê dizer que Wachtmen revolucionou a cena HQ, mas eu preciso repetir esse clichê, porque revolucionou também todo o meu olhar para essa gama de personagens e histórias. Depois de ficarmos na festa de Ano Novo, voltamos para a pousada em que estávamos hospedados: me atraquei com o Quadrinho e li, inteiro, até o amanhecer. Foi meu reveillon com Alan Moore. Como boa compulsiva que sou, simplesmente não conseguia parar de ler aquela maravilha, que era diferente de tudo que eu havia lido.
Wachtmen trabalha com uma década de 80 paralela, onde gangues dominam as ruas, a ameaça de guerra nuclear é eminente e Nixon está estatelado no poder.
Dentro disso, a HQ transita em três tempos específicos: a década de 40, onde os Minutemen se fantasiavam e saiam às ruas para defender os norte-americanos e eram ovacionados por isso; na década de 60, onde um grupo tenta recriar isso, tendo apenas o Comediante da "turma antiga" e a década de 80, onde os mascarados cairam na ilegalidade, sendo hostilizados por boa parte da população.
Tudo isso em um clima irônico, que desconstrói toda a aura comum nos heróis: o Comediante é um fascista hiper violento, a primeira Silk Spectre,uma mulher que explora a ultra sensualidade da fantasia, a segunda, sua filha, que entra na dança por imposição materna; Rorschach, cuja identidade é revelada apenas na prisão, dono de uma integridade ímpar, violência rara e moralismo tacanho, e muitos outros, interessantes e originais.
O fato é que a nostalgia é o tom constante na HQ, dado que os primeiros mascarados estão velhos e olham com saudades e ternura para tempos áureos.
O plano de Adrian Veidt, o Ozmandias, é muito próximo ao que já apareceu em várias criações de ficção científica, com em Babylon V ou Heroes: a concepção de que uma grande desgraça coletiva traria a paz forçosa e que a destruição de milhões de vida, salvaria bilhões.
Não posso falar mais nada, ou o post vira spoiler, certo?
Quanto eu li essa graphic novel, no reveillon dos meus 22 anos, desejei ardentemente, que se tornasse filme. Com medo, porque porcas adaptações me dão arrepios.
A adaptação em questão, apesar de não captar essa ironia em relação a homens fantasiados combatendo o crime, consegue transmitir a nostalgia presente na HQ, consegue transpor para as telas personagens já-não-humanos, como dr. Manhattan e aquele eterno bonito-meio-bobo, como o segundo Nite Owl.
O filme tem uma trilha sonora incrível, só pecando algumas poucas vezes, tem a caracterização dos meus sonhos e procura ser bastante fiel a obra original, apesar dessa não ser a opinião de Alan Moore, cujo nome não aparece nos créditos.
O sonho americano, idealizado, ridicularizado e ressignificado, é isso que vemos em Watchmen. O sonho americano de malha colorida.

12 março 2009

O Rio Nilo na sala de aula


Quando eu trabalhava com ensino fundamental, tive experiências inesquecíveis. Algumas já contei aqui, outras eu gosto de lembrar.

Uma vez, junto com uma 5a série animada - e me parece que todas as 5as séries são animadas até as orelhas...- tive uma idéia aparentemente bacana: pra finalizar um trabalho que eles estavam desenvolvendo sobre Egito Antigo, faríamos um grande painel na sala.

Peguei o material na sala de artes: papel pedra, papel sei-lá-o-que que parece água, canetinhas, brilhinhos, toda uma parafernália maluca.

Era menino desenhando na mesa, no chão, pendurado no ventilador, uma farra.

Só que eu não tenho essa perspectiva do conjunto, essa noção estética, essa coisa da criação plástica, sou horrível nisso. Horrível pra valer, eu não faço a mínima idéia de como alguém pode ser cenógrafo ou arquiteto, me parece um tipo de conhecimento alquímico que nunca terei. Acho lindo. Absolutamente lindo.

Começamos a fazer um enorme rio Nilo, o papel que parecia água acabou e uma das meninas emendou um papel crepom. Esse também acabou e um garotinho colocou outro papel crepom, de outra cor. Foi uma emendação sofrível, entortada pra "parecer" um rio, tosca.

Eles desenharam pirâmides, sarcófagos e barcos. Cada um de um tamanho.

Quando tudo estava colado. Cruzamos os braços e apreciamos, com cara de intelectual em galeria de arte. Finalmente, alguém falou;

- professora...tá feio pra caramba....

Caímos na risada. Estava feio, estava horrível, desproporcional, medonho. Olha, rimos muito.

Eles decidiram não tirar, a sala ficou com aquilo pendurado. Até que foi trocado por nossa próxima idéia brilhante.



**** post publicado em 2007, republicado em atenção às minhas turmas de Pedagogia, repletas de animação, idéias e milhões de perguntas.
Beijo pra vcs!

04 março 2009

Corujas de todo o mundo, uni-vos!





Algumas vezes acho que falo muito do meu filho por aqui, mas é compreensível, venho que uma longa linhagem de corujas.
Saca só o olhar completamente corujal da minha mãe para mim, no batizado do Ricardo ( meu irmão arquiteto e lindo) em 1972.
Quem disse que uma imagem diz mais do que mil palavras, acertou em cheio.

22 fevereiro 2009

Porque sou fã do meu filho





Daniel encanou que quer ter uma kombi. Não contente com isso, quer grafitá-la e batizá-la de "Tereza".
- Filho...que tipo de garota vai sair com você com um carro assim?
- Simples - respondeu ele, rindo - uma que não seja nem fútil, nem interesseira.

Dá pra não ser fã desse cara?

19 fevereiro 2009

Mulheres à beira de um ataque de nervos


Frases ouvidas de amigas queridas nos últimos tempos:


" Eu casei seis vezes e meia. Pra arredondar, conto sete."

" Minha vida sexual com meu marido era pão-pão-queijo-queijo. Às vezes faltava pão...às vezes faltava queijo."


" (...) Então eu disse que tinha ficado tantos anos casada, que era a primeira vez que estava me relacionando com outro homem, que estava receosa...Se era verdade? Claro que não, mas colava que era uma beleza."

" No fim do túnel tem uma luz: é um trem."

" Do fundo do poço não passa. Mas que dá pra patinar um bocado, ah, isso dá."

15 fevereiro 2009

O Canto da Ju








Minha prima Ju tem um canto todo especial: uma casa onde ela passa religiosamente todos os finais de semana há um ou dois anos. Essa casa fica na represa de uma cidade chamada Avaré, no interior de São Paulo.
Estou aqui agora, enquanto escrevo. A casa é realmente especial, porque Ju é decoradora e completamente entusiasta de tudo que diga respeito a cores, formas e essas paradas que os decoradores entendem. Então, a casa ficou absolutamente especial, rica em detalhes, coisinhas, onde tudo tem um lugar certo e um porquê, nada está por acaso.
Daniel me aconselhou a não andar de lancha, pois conhece a mãe medrosa que tem, mas fiz ouvidos moucos pra isso e fui, e olha, gostei demais. O lugar é lindo e curti a velocidade - o que é incrível, porque eu REALMENTE, sou medrosa. E estou tão rebelde com esses meus antigos medos que até vou arriscar a andar de jet ski da próxima vez ou quem sabe esquiar - como meu irmão, aqui na foto . É isso, gente, ano novo e morte aos medos antigos.
Vivien atlética, hahahah, é o fim dos tempos...

08 fevereiro 2009

Fogo na boca














Confesso que ando tão viciadinha em pimenta, que acabo colocando em tudo, exageradamente, o que complica, porque os pratos acabam ficando com sabor parecido. Sabor de pimenta. Mas vou melhorando, meu intuito agora é aprender com quem entende do riscado, como a Fer, de quem sou fã declarada. Mas, gente,as duas coisas melhores com pimenta, na minha opinião, são arroz picante com liguiça calabreza e moqueca de peixe.
Mas ou menos assim: refogue a linguiça com cebolas e pimentões amarelos, deixe dorar, mexendo com ares de dona Flor. Pode se achar, faz parte. Se é pra cozinhar, tem que entrar no clima, certo? Eu, por exemplo, tenho que usar avental, sei lá, compoem a personagem.;0)
O arroz é refogado ali e, depois de estar bem perfumado, coloque pimenta ( pode ser dedo de moça, calabreza...escolha sua ardência favorita) e açafrão.
Não deixe secar totalmente, apague o fogo ainda com ele relativamente úmido.
Junto com uma saladinha verde, é só alegria.
A Moqueca é o prato fácil mais gostoso que conheço. Gosto de usar filés, mas se quiser fazer com postas de peixe, tá valendo.
Use uma panela de barro - depois coloco a foto da minha, lindinha, lindinha - coloque um fundo de azeite ( não costumo usar dendê, acho que pesa, opto por um bom azeite de oliva)e faça camadas alternadas com peixe - previamente temperado com limão e sal - tomates, cebolas e pimentões verdes e amarelos, em fatias grossas.
Regue com azeite, sem ser mão de vaca. Mande bala na pimenta, mas coloque dentro do que você consiga segurar a onda. Deixe em fogo baixo e quando estiver maravilhosamente cozido, regue com leite de côco e salsinha ou coentro.
Sirva com arroz branco, salada verde com tomatinho cereja.
Depois? Só correr para o abraço.

07 fevereiro 2009

Cidade de Pedro


Nos anos que morei em Caxias, ir para Petrópolis era um programa que a gente costumava fazer de final de semana. Como a cidade ficava muito próxima, era só meu pai perguntar se a gente queria "sentir um friozinho" e pronto: todo mundo pulava da cama e se arrumava, animadamente, prontinho pra "patinar" no Museu.
Porque era sagrado ir ao Museu Imperial, delicioso, que tinha um atrativo à mais, para a molecada: para a proteção do chão, a gente calçava um chinelão de feltro, que dava pra escorregar por alguns corredores. Uma delícia.
Mês passado, fui pra lá com Daniel e uma turma escolhdia a dedo, minhas primas Cris e Bia, e o namorado de Cris, Felipe.
A conversa com eles é sempre agradável, divertida.
Então a idéia era ir ao Museu, que está impecável, como sempre -sugiro que quem vá, assista ao show que eles tem à noite, dessa vez não fiquei, mas já assisti e é ótimo - e passear por lá, Quitandinha, Palácio de Cristal, blábláblá. Curtir a cidade e a arquitetura peculiar, incluenciada por alemães e outros europeus lá de cima.
A gente optou por almoçar em um restaurante português perto do Museu, chamado Transmontano ou algo assim, que era interessante: charmoso, com um bolinho de bãcãlháu de matar um de felicidade, um peixe saboroso e um atendimento diretamente com o dono, um portugués super simpático. Ah, e fado choramingando.
Minha dica pra quem estiver explorando o Museu: minha peça favorita é um colar fantástico que pertenceu a Marquesa de Santos, com um camafeu com a gravura de D.Pedro. Vai ser cara de pau assim lá longe, heim?

02 fevereiro 2009

"Pintinho Explosivo"


Daniel entrou em um curso de Arte Contemporânea no ano passado. Gosta demais, mudou seu olhar em relação a muita coisa, e continua me mostrando o universo da arte urbana, coisas que eu nunca tinha parado - de verdade - pra notar: como o universo do grafitti, por exemplo.
A última vez que estivemos em São Paulo, teve que ser com parada obrigatória no Beco do Batman, que rendeu uma coleção de fotos no meu orkut.
Estou mesmo entusiasmada com essa nova forma de olhar a cidade.
Na exposição de obras de alunos desse curso, o "Pintinho Explosivo" foi a contribuição do meu rebento. Contém stencil, colagem e pintura.
Beijos e já volto, pessoas, estou um pouco atarefada em montar umas oficinas, mas já estarei por aqui, contando tudo.

29 janeiro 2009

Estrelinhas









Apesar de gostar de cozinhar, como comentei com vocês, nunca havia assado um peru, nunca tinha sido tão protagonista da noite de natal.
Pois bem, com a ajuda da Fer, que me teleguiou com vários e atenciosos emails....produzi minha obra prima natalina: meu peru!
Ficou deliciosamente tenro e úmido( porque fui religiosa em regá-lo com azeite de vinte em vinte minutos, com os cuidados de uma mãe) bem recheado e ladeado por estrelinhas de carambola.
Pensei em fazer um recheio com provolone, como havia visto por aí,mas minha gurua culinária achou que pudesse ficar meio chicletento, então desisti: fiz uma farofa caprichada e mandei bala.
Junto com ele, e devidamente enfeitada com estrelinhas de carambola e tomatinhos cereja, fiz uma salada de frango defumado e abacaxi, que já virou uma pedida certa na ceia.
Adorei, crianças.
Depois conto mais, beijos.


24 janeiro 2009

No Paço e na tv


Queridinhos, durante esses dias no Rio, vi algumas exposições imperdíveis. Uma delas está no Paço Imperial - que é, por si mesmo, um lugar imperdível - e é sobre a obra de Burle Marx.
Depois de ficar nadando naqueles quadros de cores inverossímeis, acho que comecei a entender melhor seus jardins maravilhosos. São quadros, tão lindos e inacreditavelmente coloridos quando as pinturas: só que ele pinta com flores. Cara, coisa de louco, de artista, de gente que vê para além das flores ou vê totalmente as flores. Não sei. Mas vê além de mim, isso tenho certeza.
Daniel e Guilherme, filho da Kátia, minha prima querida, foram meus acompanhantes e também gostaram demais. Pra quem for, sugiro assistir ao vídeo e ver Burle Marx falando de suas obras e cantando ópera. Demais.
Durante as noites, uma das coisas que gostei de fazer foi assisti Maysa, primeiro com a Kátia, depois com Cris e Bianca, outras primas muito queridas.
Gostei da adaptação, apesar do texto ser de Manoel Carlos, aquele chato. Na verdade, já fui esperando gostar, porque acho o Jayme Monjardim bastante talentoso e inovador.
A atriz que saiu do anonimato para a fama, mereceu o papel principal: a mulher é da pá virada, é uma grande atriz. Adorei.
Mas sacanearam o Bôscoli, heim? Porque eu fiquei achando que o cara era um canalhinha de quinta mesmo, nossinhora.
Quanto a Maysa, personagem, continuo com a mesma impressão: cantora maravilhosa, egocêntrica e chata como todo/a bêbado/a. Vamos combinar, neguinho vira uma cachaça e já se sente um suuuuper transgressor, certo? Olha, tio, como sou rebelde! Fala sério.
Enfim: a despeito do egocentrismo, o talento da mulher era indiscutível.

Então, deixo uma das minhas prediletas pra vocês, como presentinho.


21 janeiro 2009

2009


Por incrível que pareça, eu fiquei mesmo desplugada por muitos dias. Via o pc ali, sozinho e prontinho pra receber meus dedinhos blogueiros, mas faltava vontade. Assim, pela primeira vez na minha vida de blogueira, não fiquei doida pra postar.
Mas isso foi nas férias, tenho certeza que mais uns dias e já estarei de novo inteiramente de volta, escrevendo e lendo como antes. Fases, fases.
Claro que nem vou cair naquela lenga-lenga de quem desbloga, dizendo que "tenho outras coisas melhores pra fazer" ou outras dessas bobagens ingratas.
Sempre tive implicância com neguinho que deixa de blogar e passa a falar da blogosfera com um certo desprezinho bobo, não, queridinhos, não vou cuspir no blog que li.
Esses dias foram dias de viagem, de papos e de risadas. Bom demais rever a família, rever o Rio, passear e jogar WAR.
E - isso é incrível - eu, uma perdedora sistemática de WAR, venci uma batalha! Venci, fotografei, pulei, fotografei de novo esse momento histórico. Delícia.
Será que deixei de ser a jogadora óbvia como me chamava Daniel? Ahá, na guerra e no amor vale tudo, ok? Se eu ganhei no WAR, significa que agora só falta o amor.
Então, alguém tem aí o telefone do Reynaldo Gianechinni?

13 janeiro 2009

Ainda desplugada


Volto pra Campinas no sábado, aí quero sentar, escrever sobre a viagem e ler todo mundo, porque estou off line todos esses dias e aposto que estou bem desatualizada em relação aos textos dos blogs que tanto leio e gosto.
Estou desde quinta aqui na Barra, fui pra Petrópolis e algumas histórias estão aqui na minha cabeça, mas só vou conseguir amadurecer alguma crônica quando estiver em casa.
Claro que já andei novamente pelo apaixonante centro do Rio, mas contar isso requer tempo e calma. E eu vou contar.
O fato, queridos, é que o Rio de Janeiro continua lindo.
Um grande beijo.

05 janeiro 2009

2009


Pois é, meus queridos, aqui estamos, em pleno 2009. Minha lista de coisas a fazer desse ano tem 30 ítens, bem pensados e bem desejados. No final desse ano, conto o resultado.
Cheguei aqui no sábado, dia 28, no último sábado de 2008, tentado me livrar desse ano e antecipar o outro.
O reveillon foi em Cabo Frio, meus tios, sempre muito unidos, tem casas de praia no mesmo condomínio. Então, forma-se uma insólita vizinhança de muitos tios, primos, barulho e risadas. Muito bom.
De certa forma, ir pra lá exige um exercício mental meu, que nem sempre consigo fazer: porque ser lúpica, não poder tomar sol, onde toda a diversão gira em torno da praia/piscina, é algo - no mínimo - complicado.Pra piorar as coisas, deixei minha carta de motorista vencer. Resultado? Fiquei de carona, o que é sempre, sempre, uma questão muito delicada. Mas não vou comentar isso agora, deixa pra depois.
Mas foi iso: vi 2009 raiar em um lugar bonito, concentrada na possibilidade de muitas melhoras...Isso é bom.
Fui pra Búzios e de novo fiquei doida com aquele lugar maravilhoso, descolado e cheio de estilo. Claro que falo da rua das Pedras, porque a parte dos moradores é uma droga. Mas como fiquei lá, na parte paradisíaca dos turistas, vi a parte show, e a parte show ..é absolutamente demais mesmo. A decoração dos bares, restaurantes, lojas, é de um bom gosto fantástico, parecia uma exposição de design de interiores.
Enfim!
Vim para Niterói, mas para não me alongar....conto depois.

04 janeiro 2009

O Rio de Janeiro continua lindo....

Queridinhos, cheguei de Cabo Frio, estou em Niterói e estarei no Rio nos próximos dias...quem estiver por aqui e quiser papear, me escreva, beijos.

vivien_morgato@yahoo.com.br