11 dezembro 2006

Histórias de alunos


Acho fantástico que meus alunos viajem a trabalho. O máximo que viajei a trabalho foi para o Rio e pra Curitiba, mas esse povo vai pros EUA, Espanha, França. Até pra China, creiam. Provavelmente que nunca vá pra China, então, gosto de ouvir os causos, ver as fotos, perguntar muito. Alguns trazem jornais, revistas, pra mim, outros trazem postais, todos trazem histórias.
Cabe dizer que meus alunos tem entre 25 e 40 e muitos anos, são trabalhadores e não tem histórias de vida que propiciem viagens assim.
A maior parte começou a trabalhar no início da adolescência e vê na faculdade a possibilidade da realização de um sonho coletivo, familiar. Junte isso com as viagens que fazem e temos aí o motivo de orgulho da família.
E eu confesso que , prá mim, são motivo de orgulho também.
Apesar da trajetória pragmática - talvez por causa dela - alguns tem grandes lacunas culturais. E é aí que eu entro, ou tento, pelo menos. E quando sinto que minha interferência deu algum tipo de resultado, vibro, vibro mesmo.


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Quando entrego as provas finais, reservo um tempo para o atendimento individual, prá conversar sobre o que estava bacana e sobre o que deve ser melhorado ou mudado.
Atendi um aluno que estava me dando pouca ou nenhuma atenção. Ele estava sentado ao meu lado, mas observava a namorada todo o tempo. Eles não se desgrudam na aula, seus olhares esfomeados denunciam que eles preferiam realmente estar em outro lugar.É uma graça.
- você não está nem me ouvindo, né?
- ........(sorriso)
- você está apaixonado, né, D.?
- Não, professora - sem parar de olhar pra ela, sorrindo como só algumas pessoas conseguem - eu tô amando.
Uma hora eu morro do coração.

10 comentários:

  1. Uma hora vc me mata do coração.... ai ai que coisa mais linda...eu quero alguém que me ame!!!! Um cheiro.

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  2. Andrea Frou10:09 PM

    Augusta,
    Adoro historia de alunos. Que lindo!
    Duas historias de amor, ne amiguinha? A deles e a sua por eles.
    bjs
    :o)

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  3. Vivien,

    Acho que sou o campeão de viajar a trabalho. Há muitos anos. Por isso, conheci o mundo inteiro (quase !!!) e no começo, era uma excitação só. Hoje em dia, além da sensação de saco cheio, toda vez que tenho que enfrentar sala de embarque, avião, hotel, tem uma sensação de vazio, por entar em algum lugar diferente, sem ter a Clélia ao meu lado. Pra descobrirmos juntos as coisas novas. Só assim é que tem graça.

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  4. Arnaldo, lindo seu comentário!

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