04 outubro 2007

Literatura infanto-juvenil ou Um soco na inteligência de qualquer um










Aqui em casa temos um esquema: eu leio os livros indicados pela escola, para discuti-los com o Daniel, ajudar na prova, essas coisas de mãe.
Vou dizer uma coisa pra vocês: nunca entendi a lógica das escolhas dos livros.
Eu gosto de ler, sempre gostei, fui uma criança com livro na mão e detestei praticamente todos indicados pela escola.
Mas os que Daniel tem que ler, são ainda piores.Com tantos autores bons, com tanta gente de qualidade...por que ler porcarias?
Esse último é segundo o Daniel " uma tentativa patética de ser politicamente correto, parece Paulo Coelho misturado com propaganda da Natura".
Tive que acompanhar meus alunos em uma palestra com uma autora, há algum tempo. Só não dormi porque sou dura na queda, porque foi uma tortura mesmo.Além da chatice, ela os entupiu com informações incorretas sobre História. Juro que fiquei quieta, fiquei na minha. Mas em um determinado momento, ela perguntou:
- Não é verdade, professora?
- Na verdade...não.

Interromper a maluca poderia ser um equívoco e optei por não fazê-lo, mas compactuar com besteirol era demais.
Aí eu penso, se meu filho, que lê e gosta de ler, detesta o livro, despreza o livro...como ficam as crianças que ainda não descobriram a literatura?
Pois é, as escolas precisavam de mais Lulus.

24 comentários:

  1. Hahahaha Paulo Coelho com Natura foi a melhor do dia :)

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  2. No colégio do Léo há também, mas os livros são alegres, fáceis e até eu me divirto. O último, ainda não li, mas ele já me avisou para ler com o rolo de papel higiênico do lado.... rsss

    beijos

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  3. Menina, tem certos livros escolhidos pela escola que me dão a impressão que o objetivo é afastar pra mais longe possível o gosto pela leitura... aff...

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  4. Márcia, tivemos que ler essa coisa linnnnddda....rs

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  5. Sandra, o que não me conformo é que existem milhares de ótimas opções...por que optar pelo ruim?

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  6. Cláudia, minha teoria é que são escolhidos por professores que NÃO gostam de ler. Mesmo.

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  7. "...parece Paulo Coelho misturado com propaganda da Natura". Que idade tem esse menino?? Essa descrição é fenomenal! Pois eu tive na adolescência um professor de português, lá pelos 12 ou 13 anos, tido como conservador, ex-seminarista, rigoroso. Pois ele usava um livro didático -- não me lembro do nome -- que foi muito importante para o meu gosto por leitura. Foi ali que eu tomei contato com os cronistas mineiro-cariocas, com excertos do Machado, contos curtos de Rachel de Queiroz, enfim, um pequeno mundo de delícias. Mas tenho visto alguns exemplos disso que vc descreve.

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  8. Vivien,
    Concordo com você. Sabe qual é o problema, a maior infelicidade? É que os professores não gostam de ler. Há alguns anos fui convidado para dar uma palestra em uma escola. Eles leriam o Computador Sentimental e conversariam comigo sobre o livro. Cheguei lá e foi um desastre. Os alunos não tinham lido o livro. Mais tarde acabei percebendo que a professora também não. Se o professor não gosta de ler, não tem amor pelos livros, como é que vai indicar um?
    Beijão

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  9. Vivinha,
    Paulo Coelho + Natura, foi ótimo!!!
    Fiquei com peninha do gerundinho,
    por causa desses bastardinhos da língua portuguesa, o gerúndio, foi DEMITIDO. Tadiiiinho...!!!!!
    Bjs

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  10. Anônimo2:53 PM

    Vivien,

    infelizmente, muitas vezes, os livros são escolhidos apenas pelo visual, pela capa exibida em catálogos.
    Sei de escolas em que os professores nem lêem o livro que indicam. Além de não gostarem de ler, como você lembrou, não lêem, mesmo. Como é que uma coisa dessas pode dar certo?
    Ainda bem que existe o outro lado, os professores viciados -bendito vício! - em leitura. Quanto maior o vício, melhores e mais selecionadas as leituras. Esses nos comovem.

    Beijo comovido

    Vivina.

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  11. Grave problema, pois estimular o gosto pela leitura em crianças e adolescentes, quando bem sucedido, pode determinar virtudes positivas no adulto que vão se tornar.
    Estava com saudades de lhe ler!
    Abraço amiga!

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  12. Jayme, ele tem 14 anos, cheio de opiniões e ironias, ai, como sou apaixonada por ele...rs
    Quanto ao seu livro didático, me lembro de alguns assim tb: depois eu ficava doida atrás do livro cujo texto tinha aparecido por ali.
    Mas as indicações de leitura eram sempre terríveis, mas os que Daniel tem que ler são ainda piores...rs

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  13. Lord, em minhas caminhadas por escolas, tive a grata oportunidade de conviver com professores que liam e gostavam de ler...e tive a infelicidade de ter que explicar quem era Saramago ou García Marquez para a professora de LITERATURA...que me confessou que dos clássicos brasileiros, tinha lido resumos.
    Preciso comentar?

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  14. Mãe, demissão por justa causa...rs

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  15. Vivina, como alguém que não tem o hábito de ler pode estimular um aluno? Não rola, não rola...e ainda tem aquele papo medonho de sala dos professores :"essas crianças não pegam em um livro!".Mas o mané que afirma isso, com cara de espanto, tb não lê.
    E agora, José?

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  16. Lady A., é um mistério.;0)

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  17. Ana Paula, concordo com vc!
    Que bom te ver por aqui de novo.;0)

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  18. Não há nada mais asfixiante do que ler por obrigação. O que fazem na escola, essa coisa de mandar as crianças lerem, pra depois ficar fazendo perguntas pra elas, nada mais faz do que criar raiva aos livros, nos meninos e meninas. Ler deve ser um prazer. Nunca uma obrigação.

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  19. Vivien, nisso eu tive sorte. Quando estava no fundamental, pouquíssimos professores me 'obrigaram' a ler. Devorei a Coleção Vagalume quase toda por querer mesmo, os livros eram muito bons. Não tinha como não gostar :)

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  20. Adorei a definição!

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  21. Arnaldo,meu querido, sempre com razão: quer coisa mais brochante do que essa tentativa de criar leitores, que mais funciona como um grandeeee "afastador" de livros??

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  22. Neutron, li vários deles e gostei....li vários e odiei: mas literatura é pra isso mesmo,não é?? beijos.

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  23. Tati, arte deveria ser incentivada todo dia.;0)

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