10 janeiro 2007

Um olhar sobre a cidade


Eu estava andando pelo Mercadão de Campinas. Acho que não ia lá há anos, anos mesmo.
Eu fiquei um tempão por lá, coletando histórias. Porque as histórias pulavam enlouquecidas em cada pessoa, em cada tempero, em cada língua das muitas que são faladas por ali.
Me diverti com uma brincadeira que tenho com meu irmão - na qual ele é infinitamente melhor do que eu - que consiste em criar um personagem pra cada pessoa..depois falo melhor sobre isso.
Mas eu me admirei comigo mesma em ignorar por tanto tempo aquele mundo todo. Coisas muito específicas, como as barracas só de temperos - as minhas favoritas - ou as que devem servir pra matar a saudades, como as de chimarrão, rapadura, outras coisa que eu acabo nem sabendo o gosto.
Muitos olhinhos puxados e aquelas línguas exóticas e incompreensíveis, muitos sotaques diferentes, muitos tipos de tudo: de frutas, de línguas, de gente.
Muita pobreza contida, muita velhice, muita paquera, muito trabalho, muito tudo. Fiquei inebriada de gente.
Como eu andei com muitos problemas no final do ano, acho que só esses dias tive consciência de que um novo ano começou, estou me abrindo pra ele e isso está sendo prazeroso.
Parei pra comprar flores em uma banca. Na minha casa sempre tem flor, foi uma das coisas que prometi pra mim mesma quando me mudei. E eu simplesmente adoro flores.
Um rapaz demorou pra escolher umas flores que mandaria, fiquei ali, colhendo aquela história.
Me lembrei de uma história que já contei aqui.
Imaginando que talvez fosse a primeira vez que ele mandasse, a primeira vez que ela iria receber esse presente que é sempre tão delicado, tão gostoso.
As tais flores seriam pra uma moça em uma loja, imaginei a festa que fariam suas amigas, imaginei a carinha de feliz da menina e tudo me pareceu tão singelo, tão comovente.
Tudo me parecia tão vivo, tão colorido.
Percebi que estava mesmo saída do poço estranho que entrei em dezembro, onde, com o perdão do clichê, eu estava vendo tudo cinza.
Eu combinei comigo mesma de ir sozinha passear no Mercadão, saboreando cada história.

29 comentários:

  1. *


    eu tenho veradeira fascinação por mercados públicos e feiras livres. aqui em porto alegre e a tente tem um mercado bem legal, não é muito grande, mas tem diversidade e colorido.

    tem cheiros, cores, sabores, exotismo, esoterismos. tem doce e salgado, azedo e amargo, colorido e sem cor.

    e tem vida, muita vida.

    meu preferido ainda é o de sp, com toda aquela diversidade e riqueza. dá pra ficar um dia todo lá dentro.



    *

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  2. Ai que delícia de post, emais ainda que delícia de recomeço amiga! É isso muita força e muitas flores (eu tb amo) para vc. Um cheiro no coração.

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  3. eu adoro teus posts.

    Teve uma época que eu comecei a ter flores em casa, sempre tinha, aí comecei a fotografar as flores, depois passei a desenhá-las. Me fez um bem danado - eu também estava saindo de um período ruim, e hoje me lembro dele como um período que terminou em flores. Minha biografia fica bem mais agradável assim :)

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  4. XÔN, Eu conheci o Mercado de sp há pouco, falei dele aqui.
    São mundos incríveis mesmo.

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  5. Jan, começou o ano.;0))))

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  6. Maroto, seu comentário foi um lindo post!;0)

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  7. A gente adoooooora o Mercadão de São Paulo! Programa sempre associado a um pulinho no churro, da Rua Ana Neri, do qual Arnaldo já falou no seu blog (Sabores antigos).
    bjo,
    Clé

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  8. O mercadão de SP é lindo, mas não é vivo no sentido que ainda é o de Campinas... ali as coisas tem o preço que devem ter e as pessoas ainda o usam como mercado, não como turismo.

    O pastel é de japonês e custa o quanto deveria custar um pastel, não uma refeição completa...

    De qq forma, os dois tem seu charme.

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  9. Clélia, espaços pra serem curtidos muitas vezes.;0)

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  10. Tarcísio, acho que vc matou a charada. Ela ainda é só um mercado mesmo e isso o torna muiiiiito interesssante.
    E aquela vez que a gente foi lá em sp, foi a primeira que fui no Mercadão.

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  11. Vivien,

    Como a Clélia já falou, adoramos o mercadão de São Paulo. Esse programa foi um dos que sentimos muito perder quando nos mudamos pra cá. O outro foi ter cinemas em que passam filmes interessantes.

    Do mercado de campinas não acho muita graça. Prefiro o mercado da Rua Ferreira Penteado.

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  12. Arnaldo, acho que sei qual vc esta falando....mas acho que vc deve rever o velho Mercado. Ainda acho que vc vai gostar.;0)

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  13. Anônimo8:14 PM

    Belo, Vi! Também gosto muito dos mercados e das feiras-livres (estas, sobretudo no finzinho da madrugada, quando está tudo fresquinho e cheiroso - no fim do dia já fica suja e melancólica).

    Os cheiros de cada box nos mercados são incríveis e deles eu só não curto a ala das carnes. A dos peixes ainda ainda, dependendo da limpeza e da "validade" do que está sendo vendido. Sinto muito forte isso que tu descreveste, da presença humana. Tenho mesmo a sensação de me misturar com aquela aquarela de tantos estímulos, de tanta vida, cada uma com uma cara, uma alma, uma marca diferente.

    Não admira que esses lugares energizem a gente. São vida pura. Nada melhor para dar uma limpada nos pesos dos estresses do que uma boa dose de vida.

    Beijo grande!

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  14. Lipe, exato..."limpada nos pesos dos estesses" com uma "boa dose de vida". Acho que foi isso mesmo.Beijão.

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  15. Anônimo9:10 AM

    Vi, estive 10 a0s fora do Brasil e quando ai cheguei...sentia falta dos sabores, dos olores..das cores de Campinas, dos passaros...por isso posso entender perfeitamente essa sensaçao...Sentimentos misturados com prazeres, com sabores, com colores e com sentimentos....Beijo grande

    Adriana Spain

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  16. Dri, senti sua falta nesses dez anos. Foi fantástico te rever e prometo que blogo sobre nossos áureos tempos no Aníbal...rs...como vc sugeriu pra fazer.
    Vai pensando em uma das nossas historias e me fala.;0)

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  17. Anônimo10:28 AM

    eu tb adoro mecadão, feira livre. esse povão todo misturados, aqueles soataques todos, os cheiros.
    adoro. um dia vou em algum mercadão desses lá no pará.
    um dia eu vou.

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  18. Vivien,

    Acho difícil eu me encantar com o mercadão de Campinas, pois vou sempre ficar comparando com o de São Paulo. É inevitável.

    Concordo com o Tarcísio que aquilo virou ponto turístico, mas isso é moda e, portanto, dura pouco. Até os comerciantes estão com o saco cheio disso. Eles reclamam. Só quem deve estar gostando é o cara que vende pastel a R$ 6,00.

    Nunca fui ao mercadão de São Paulo como turista. Ia lá pra comprar meus temperos e especiarias. Pra comprar joelho de porco e salsichas de todo o tipo. E principalmente pra comprar queijos.

    Não há, em Campinas, um lugar que venda queijos tão bons e tão baratos como lá. Se alguém souber, que me avise!

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  19. Tatiana,

    O maior mercado de Belém do Pará é o Ver o Peso. Nunca fui, só passei perto. Como estarei lá na semana que vem, vou ver se dá pra fazer uma visita.

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  20. Tati, mercado interessante e o baiano....tem capoerista...hummm....rs

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  21. Arnaldo, posta sobre o Ver o peso!

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  22. Vivien,

    Se eu conseguir visitá-lo, tirarei alguma foto e escreverei sobre o que achei dele. Vai ser o meu primeiro post por encomenda!

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  23. Andrea Frou12:02 PM

    O merdacao eh tudo de bom e mais alguma coisa. Ainda bem que a gente nao fica mais no terminal, nao eh? kkk

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  24. Arnaldo, fechado e combinado.

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  25. Frou, só vc pra ficar lembrando esses tempos miseráveis...risos...

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  26. eu sempre me demoro escolhendo flores, no fim acerto, nunca vi garota alguma reclamar do meu gesto, no cartão um poema cujo último verso rime com o nome dela, ironicamente todas minhas namoradas tinham nomes que rimavam, seria uma escolha inconsciente da minha parte? não sei... mas você captou algo honesto da vida, as pequenas histórias que nos circundam, que cruzam conosco nas ruas, se cavarmos fundo chegaremos através delas em shakespeare, mas mesmo passando os olhos por cima como você passou, já dá para sentir a matéria-prima, depois lapida-la vem a ser a grande arte dos cronistas... nenhum maior que rubem braga, singela opinião...

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  27. Vivien, que delícia de post :-)!!!
    Beijos,
    Carô

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  28. Ricardo, está sendo uma nova forma de ver o mundo, pra mim.

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  29. Carô, que bom que vc gostou!

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