10 março 2007

Sobre o passado que nunca houve ou Um comentário para Bruno Ribeiro


Antes de começar, quero dizer que sou leitora do Bruno mesmo antes de ler seu blog. Já o era desde quando só conhecia seus textos do Correio Popular, gosto dos textos, gosto do tom passional que o blog assume por vezes. Mas o comentário que ele deixou na Tati, me irritou de sobremaneira
.Diz o Bruno:


"Dia da Mulher de Cu é Rôla. Ninguém pensa nas operárias de Chicago, que foram queimadas pelo patrão, dentro da fábrica. Por causa delas foi criado o Dia da Mulher, que deveria ser um dia de reflexão e de luta. Mas nada. As mulheres só querem ganhar jóias e flores, os homens só querem levá-las para o motel. De modo que não há o que ser comemorado. Concordo contigo Tati: homem, mulher, não importa. O que precisa ter é dignidade e respeito. E mulher não tinha que trabalhar fora não, tinha que ficar em casa, cuidando da educação dos filhos, e ser MUITO BEM REMUNERADA por isto. Sem a referência da figura materna em casa, a família tem se desestruturado. O resultado disso estamos vendo nas ruas todos os dias: violência, abandono, falta de valores morais, de perspectiva de futuro. Sem mãe, a sociedade não é nada, o mundo não é nada.. ". (Bruno Ribeiro)

Como diria Jack, vamos por partes:

1) "mulher tinha que ficar em casa , cuidando da educação dos filhos, e ser MUITO BEM REMUNERADA por isto."

Bom, só o fato de ter usado o verbo "ter", já acho que o texto tem problemas.
Denota um autoritarismo retrógrado e calcado na interpretação patriarcal burguesa.
Até creio que se a frase tivesse sido escrita com "poderia" no lugar do "tinha", teria ficado até interessante. Porém a obrigatoriedade, a restrição social que essa condição imporia - sendo mãe, seria apenas...mãe - é um retorno a idealização social da belle epoque, equivocadissima.

2) Ser remunerada para cuidar dos filhos me parece interessante. Mas ou eu li errado, ou o argumento não se sustenta.
Remunerada por quem? Pelo Estado? Pela Iniciativa privada? Pelo marido?
Pelo Estado me parece uma ótima forma de haver distorções ímpares, dado que o tal "instinto materno" é historicamente construido - e essa concepção de que é inerente a todas as mulheres é tão bem descontruido por Elizabeth Badinter - acho que iriam aparecer muitas distorções desse suposto direito .
Pela iniciativa privada? hum...já até posso ver o controle, os gráficos e as feiras para a otimização da maternidade. Não, obrigada, já estou amarrada com a iniciativa privada, eu passo.
Pelo marido ou namorado? Essa me parece a mais curiosa.Seria algo interessante de ver como se dariam as relações familiares, dado que a mãe seria uma ....funcionária.
Se as relações de poder já são complexas e opressoras, creio que receber salário do marido, pra cuidar do filho, seria uma forma oficial de sujeição e de um novo exercício de "luta de classes".....

3) Bruno parece achar que a ausência da mulher, quando na sua profissão, gera mais violência e falta de valores morais.
Bom.
Sem dúvida acredito que a sociedade precisa se estruturar de uma forma a contemplar as crianças que não tem uma infra estrutura adequada.Mas isso pode acontecer com a mae fazendo bolo na cozinha, por exemplo, como é o caso de várias áreas do Brasil.
Não posso deixar de pensar que se observa um passado hipotético onde as familias eram "de outra forma".Um passado idilico familiar, idilico e irreal.
Como historiadora pergunto? quando? que forma?
Phellipe Ariès escreve sobre a familia e a criança,comprovando que a concepção do que é ser criança e ou adolescente é muito, muito recente.Hstoriadoras como Michelle Perrot,Martha Esteves e Rachel Soihet desconstroem o mito da mulher idealizada, comprovando através de pesquisas cuidadosas que a acao feminina foi múltipla e , muitas vezes, completamente avessa ao idealizado pelo positivismo.
Onde era tão melhor para as crianças?
Na antiquidade, onde uma criança poderia ser abandonada pra morrer?
Entre os astecas que costumavam aplicar rigorosos castigos fisicos?
Na idade média onde em algumas regiões européias as crianças ficavam sem nome até quase sete anos, em função da enorme mortalidade( morria mais um...o menorzinho, aquele ali), ou talvez em grande parte da idade moderna, onde mas mães não amamentavam os bebes, nem os criavam, caso fossem ricas.Eram criados em casas separadas, ou por amas e babás e apareciam em algum momento do dia, para serem admirados como bonequinhos.Não havia essa familia celular burguesa, não existia sequer essa concepção e afirmar isso é grotescamente anacrônico.
Talvez quem se refira a esse "passado da familia" pense na tradicional familia patriarcal burguesa, que historicamente, é muito, muito nova.
Calcada em um modelo positivista comteando, que pensava na familia como célula mater.
Bom, estamos aqui com o resultado dessa interpretação de mundo. E o que temos é isso, violência, aquecimento global e guerras.
Tudo isso não foi gestado em uma ou duas geração, foi gestado em várias, foi gestado quando o modelo vingente era a familia positivista.
E ainda que se fale deste modelo: essa ideia de mãe acompanhando tarefa escolar e ou participando mais ativamente da vida dos filhos é recente. Mesmo dentro da idealização positivista, o cotidiano das familias - com todas as diferenças intrinsecas a cada classe - não incluia essa interlocução entre pais e filhos.Era um modelo autoritario, muitas vezes hipócrita.
A idéia de pais e filhos fazendo tarefa de casas juntos, jogando ou se entretendo juntos é uma concepção completamente inexistente até boa parte do século XX.
O universo conceitual e espacial da criança era outro.
Eu não consigo visualizar essa lendária epoca onde as familias eram felizes.Essa atlântida é irreal.é um saudosismo à la viúva porcina, a que foi sem nunca ter sido.

4) "valores morais".
Eu tenho um certo receio dessa expressão.Eu fico me perguntando se podemos discutir a diferenca conceitual entre ética e moral, mas acho que aí afundamos até as orelhas na hermenêutica e não é esse o objetivo.
Então, vamos pensar em supostos valores.
Patriotismo seria um valor moral, mas um elemento tão belicoso que pode ser apontado como um dos piores males do mundo.
Certíssimos os anarquistas ao clamarem : "minha pátria são meus sapatos".
Que outros tipos de valores?
Ética, por exemplo?
Em que momento histórico isso foi um elemento realmente de peso? Me apontem.
Correndo o risco de ser redundante, afirmo, é ingênuo se pensar que vivemos em um momento com menos ética. Vivemos em um momento de grave crise social, sem dúvida, mas calcado em diversos outros problemas.
Esses diversos problemas levam a uma inversão de valores ( o traficante passa ser herói, etc), mas essa é uma questão macro e pouco tem a ver com a mãe em casa,. fazendo bolo.
Mas se uma retrospectiva histórica seria for feita, vamos ver a história sendo marcada por filhos destronando pais na base da faca, mães abandonando filhos, guerras em nome de deus e deuses, gente morta por dever pra bancos e outras distorções. Fiquemos tranquilos, a barbárie nao é novidade.
Não nego a importãncia da presença materna ou paterna. Só gostaria de atentar para o cuidado de não se deixar levar por uma idealização romãntica de um passado inexistente, cuidado pra não se colocar sobre as costas da mãe as causas de todos os males e equívocos.
E mais, discordo diametralmente da visão que restringe a mulher a ser mãe.
Ainda que ser mãe seja efetivamente o que considero o mais importante,. é um dos meus papéis, e jamais admitiria que alguém não me permitisse exercer todos os outros.

42 comentários:

  1. Vivien, como já disse lá na Tati, acho que preciso urgente de um marido. ahahah
    Lindas argumentações. Parabéns.
    Bjão

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  2. Guga, sempre sarcástico...rs...que bom que vc gostou.;0)

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  3. Adriana3:42 AM

    Vi, nao e para mim uma surpresa sua argumentaçao...mas adorei ler o post.
    Parabens mulher guerreira....

    Beijinhos do outro lado do oceano

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  4. *



    Guga, o teu não tem um irmão?
    também quero ser remunerado pra ficar em casa.


    que postão, hein tia?
    enfezou-se, pois, pois.




    *

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  5. Sonia8:28 AM

    Vim parar aqui por acaso. Sua argumentação é completa, não há o que acrescentar. A não ser o fato de você ter escolhido uma ilustração inadequada. A princesa e depois imperatriz Leopoldina, no quadro representada como uma mãe típica do século XIX, foi uma mulher politicmaente ativa, teve participação vital no processo da independência e, embora princesa, era um cientista.

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  6. Dri, brigadim sempre.

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  7. Xon, quero conhecer os maridos de vcs...rs

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  8. Sonia, adorei seu comentário.
    D.Leopoldina era , sem duvida, uma intelectual, botanica e profundamente envolvida por politica.
    Nao seria limitador que ela fosse vista, pela historia, apenas como aperece NESSA imagem?
    Volte sempre, beijos.

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  9. Estou correndo o risco de ser classificado como aquele cara que fica em cima do muro por concordar com todo mundo, ou então aquele cara do contra, por discordar sempre. O fato é que eu concordo e discordo de ambos.

    Antes de mais nada, o que eu conheço do Bruno Ribeiro me permite supor que ele não faz o estilo machista chauvinista. Assim como eu, ele defende a liberdade de opção e de ação, de maneira que, embora tenhamos lido as mesmas palavras, me dou a oportunidade de interpretá-las de maneira diferente.

    Mas vamos às minhas opiniões:

    Antes de mais nada, considero a comemoração desta data, o dia da mulher, uma grande bobagem. Acontece que eu considero a comemoração de todas as datas uma grande bobagem, a começar pelo natal. Dou tão pouco valor às datas comemorativas, que esqueço as datas de aniversário das pessoas que mais amo. Não acredito em dar presentes em datas especiais. Prefiro dar presentes quando tenho vontade, quando me inspiro a isso. Além do mais, datas como o dia da mulher, dia do bombeiro ou dia de Santa Rita Durão, têm significados específicos para cada um e como ninguém é dono do calendário, cada um faz o uso que mais lhe convier, seja para refletir, para protestar numa manifestação, para espernear ou pra vender flores encalhadas e com data de validade vencida.

    De qualquer maneira, concordo com a Vivien que a mulher deve ter o direito de escolher o que faz da sua vida. Se quer ficar em casa cuidando dos filhos, se quer ter filhos, se quer praticar um aborto, se quer fazer palavras cruzadas durante uma viagem de avião. Mas esse direito deve ser de todos os seres humanos e não apenas da mulher.

    Reconheço, como mostrou a nossa historiadora, que a mulher tem sido, ao longo dos tempos, oprimida pelo homem, mas, mais do que isso, a história mostra uma sucessão de exemplos do homem explorando e oprimindo outro homem. Isto é inerente à raça humana. Vem daí meu conhecido pessimismo em relação a esta espécie. A história de repressão, opressão e exploração entre humanos é longa. Os negros da África foram escravizados pelos brancos na América. Os mesmos negros que escravizavam outros negros, de tribos diferentes, em sua terra. Os judeus foram perseguidos na Europa durante a segunda guerra. Os mesmos judeus que hoje oprimem e perseguem os palestinos. Enfim, o ser humano tem esse infeliz dom de escravizar seu semelhante, como nenhum outro animal é capaz de fazer.

    Alguém, provavelmente, vai dizer: É, mas o ser humano é o único capaz de amar. É verdade, mas mesmo o amor, em geral, é um amor exclusivista, possessivo e condicional. A grande maioria só consegue amar alguém se também for amado. E quer amar com exclusividade. É o amor monogâmico e possessivo. É o amor egoísta. Como só o ser humano é capaz de ser.

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  10. Sonia7:05 PM

    Arnaldo, o Homem é o único ser capaz de escolher, e por isso pode optar entre o Bem e o Mal. Ele só é capaz de amar porque tem a opção de odiar. Ou seríamos só instintos. Quanto à escravização do mais fraco pelo mais forte, essa existe desde que existe civilização. As características mudam - já não se vendem pessoas, mas a escravização continua, travestida de outros nomes.
    A violência contra a mulher, por exemplo, contra a qual tanto se luta atualmente. Ela é muitas vezes brutalizada pelo homem, por ser ele o mais forte. Mas quantas mães brutalizam seus filhos, já que neste caso as mais fortes são elas? E quantas "senhoras" brutalizavam seus escravos e escravas? E quantas chefes de estado foram governantes conhecidas por sua dureza? Portanto não creio que o problema seja homem X mulher, e sim o mais forte (ou dotado de maior poder) oprimindo o mais fraco. E, infelizmente, duvido que isso venha a mudar.

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  11. Gostei do seu post. Discordo do Bruno no sentido que nao eh preciso remunerar a mae para ser so mae. Existem outras solucoes. Aqui em Londres e na Europa em geral existem trabalhos de meio periodo, trabalhos feitos em casa, e varias outras solucoes.

    Outra coisa. Por que nao o homem ficar em casa e a mulher trabalhar? Eh uma opcao tambem, por que as pessoas esquecem que isso pode acontecer? Ou mesmo o pai trabalhar em casa e a mae sair? Conheco um casal assim no Rio e o pai esta muito feliz de estar vendo a filha crescer.

    E se o pai e a mae trabalhassem realmente 8 horas por dia, e perdessem pouco tempo no transporte (e nao chegassem em casa caindo de cansados), poderiam deixar a crianca numa creche ou escola de tempo integral e ficar um bom tempo ainda com os filhos.

    Sao muitas opcoes, aqui na Europa tem familia que consegur viver com um so trabalhando fora, o que deixa o outro livre para o trabalho de casa. Jah no Brasil, mesmo com os dois trabalhando fora fica dificil de conseguir pagar as contas.

    (e mesmo assim aqui tem gangues de adolescentes marginaizinhos, o que prova que o mais importante de tudo eh que os pais tenham VONTADE e se esforcem para criar os filhos direito)

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  12. Este comentário foi removido pelo autor.

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  13. Viven:

    leia o que o Arnaldo disse: não sou machista. Acho que você exagerou na sua interpretação. O comnetário no blog da Tati foi um desabafo e redigido no fluxo do pensamento, sem revisão. Onde escrevi que "a mulher não tinha que trabalhar fora não, tinha que ficar em casa, cuidando da educação dos filhos, e ser MUITO BEM REMUNERADA por isto" poderia ser trocado por "e a mulher não deveria precisar trabalhar fora ou não tinha de ser remunerada apenas para trabalhar fora, mas deveria ter o direito de optar entre o trabalho do lar e o da rua - e ser bem remunerada pelos dois".

    É isso o que penso e se não escrevi na hora do comentário foi porque não queria transformar isso numa longa discussão. O motivo do comentário nem era esse, mas a maneira desvirtuada como as pessoas comemoram o Dia Internacional da Mulher. Ora, celebrar só teria sentido se ao invés de flores houvesse porrada nas ruas. As mulheres e os homens que amam as mulheres deveriam, no dia 8 de março, lembrar das operárias mortas, na fábrica de Chicago, ao invés de se darem presentes.

    E quanto à remuneração: ela viria do Estado, naturalmente. Cabe ao Estado cuidar do bem estar físico e psicológico de seus cidadãos. Mas sem patriotismo não se chega a isso.

    Esta é a minha opinião, acho que você exagerou um bocado na interpretação..rs. Bjo.

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  14. Como se não bastasse toda a sobrecarga de trabalho que as mulheres atuais têm, acumulando funções de profissional esperta, mãe amabilíssima e esposa/amante quente, ainda temos que levar a culpa do aumento da violência na sociedade, por conta de nossa suposta falha em dar atenção aos filhos...

    ai, ai...

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  15. ...de onde as pessoas tiram que a responsabilidade de criar os filhos eh DA MULHER? Eh dos dois.

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  16. Bruno, eu chamei vc de machista no meu texto? Não.
    Apenas acho que sua sugestão é equivocada porque não se sustenta.A mulher seria remunerada pelo Estado? Sério?
    A continuação da minha argumentação foi no sentido de discordar de vc quanto aos "valore morais" e a uma idealização - erronea - de modelo familiar.
    Não entendi porque vc achou "exagerado". Serio, não entendi.

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  17. Arnaldo, minhas ressalvas são em relação a uma idealização de um passado que nunca existiu.,
    E concordo com seus comentarios.

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  18. Baxt, perfeito: seus argumentos enriqueceram a discussão.
    bj.

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  19. Cláudia, pois é. VEJA VC!!!!
    volte sempre, bj.

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  20. Sonia, vc chegou participando ativamente, adorei.;0)

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  21. Essa coisa de blog é legal, mas enche o saco às vezes. Vivien, eu não estava bravo ao dizer que vc exagerou, estava achando até muito boa a discussão. O problema é ser mal interpretado, tem até leitores seus me execrando aí, como seu eu fosse o pior dos machistas e tivesse defendendo a submissão da mulher etc. O que é isso? É totalmente o contrário! Eu sempre fui um grande defensor das conquistas femininas! É irônico ser julgado por algo que não penso, já que fiz apenas um comentário descompromissado e sem revisão no blog de uma amiga. Você poderia tomar como exemplo um texto meu, publicado no meu blog, mas nunca um comentário em blog alheio. Comentário é só comentário, é como dizer na mesa do bar "lugar de mulher é no tanque". E eu jamais começaria um texto sério com aquela brincadeira tatianíssima de "dia da mulher de cu é rôla" (risos). Pelo começo do texto vc deveria ter sacado que aquilo era papo de buteco entre eu e Tatiana, Ora, se um dia eu fiz piada machista é porque estava brincando para irritar uma namorada ou coisa parecida. Nunca que essa seria a minha opinião. Agora, se vc toma um comentário de mesa de bar como a verdade absoluta da pessoa... É rigoroso demais, não acha? Claudia Lyra e Baxt, só para tomar dois exemplos de leitores do seu blog, deixaram comentários irônicos, indignadas comigo, como se soubessem de quem estão falando, julgando-me um machista ou então um omisso, um canalha ou coisa do tipo. O lance de botar a culpa na mulher pela violência... Seria ridículo, onde é que eu disse isso? Onde? Eu apenas disse que a família está se perdendo como núcleo e que isso tem sim reflexos diretos sobre a saúde psicológica da sociedade. A culpa não é da mãe que trabalha fora, gente! A culpa é do capitalismo, que faz com que pais e mães tenham de trabalhar feito cães sarnentos para botar comida em casa. Eu morei num bairro onde nenhuma criança tinha mãe presente, todas trabalhavam fora. Muitas dessas crianças cresceram e estão mortas ou presas. A culpa não é de mãe, mas da ausência dos pais, da escola, de valores sim. O comentário de seus leitores denota um certo desprezo por minha pessoa. E isso foi gerado pelo exagero do seu texto, acho que se vc quisesse debater essas questões deveria ter escrito reservadamente. Eu teria autorizado a publicação, mas certamente teria feito os reparos necessários para não ser mal interpretado. Na pressa, posso trocar "moral" po "ética" ou por "princípios" ou por qualquer coisa, não aceito que um comentário descompromissado seja tomado ao pé da letra como foi tomado. Mas agora quem está exagerando sou eu. Não é para tanto. Não vou me justificar de nada, porque seria desnecessário. Mas continuo achando sim que o Estado deve cuidar do bem estar social. Não há como haver igualdade quando a iniciativa privada passa a ter mais responsabilidades do que a mãe ou o pai. Beijo.

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  22. "Dia da Mulher de Cu é Rôla"

    Estou chocada!

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  23. Também acho que esa coisa de blog é legal, mas que às vezes enche o saco. Só que o que eu acho legal é justamente quando provoca discussões mais acaloradas, como esta. O que me enche o saco, são aqueles comentários mornos, sem nenhum conteúdo, só pra dizer alô, dizer tudo bem.

    Gosto mesmo é da porrada, da discussão. E se às vezes alguém é mal interpretado, a saída é falar, é escrever. Isso é que me seduz nos blogs.

    E sobre as pessoas babacas que nos desrespeitam, nos execram, sem mesmo nos conhecer, Bruno, isso não tem jeito. Tem gente babaca em qualquer lugar.

    E Vivien, é possível discutir qualquer coisa numa boa. Nem sempre é preciso brigar, ficar indignado, ficar irritado. Às vezes, é só uma questão de aceitar que as pessoas pensam diferente da gente. Isso é, aliás, até saudável.

    Um grande beijo a todos!

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  24. Bruno, como eu já disse anteriormente, não te chamei de machista no meu comentário. Disse que vc partia de uma premissa equivocada e chegava em uma suposta conclusão errada.
    Vc não contra-argumentou comigo, falou sobre outros temas, mas não contra argumentou.
    Não me responsabilizo pela opinião dos meus leitores, para que não houvesse qq leitura tendenciosa minha, optei por transcrever seu comentário na integra.
    Se as pessoas não concordaram com ele, é uma outra questao: eu não adulterei, não coloquei uma parte, coloquei na integra.
    Blog é algo complicado mesmo, de qq forma, esta aí é livre e pode ser apropriado e comentado.
    Eu posso e faço. Repito: transcrevi o seu comentairo inteiro e comentei apenas uma parte.Cada um chega a conclusão que quiser.
    Não há obrigatoriedade em se manter a discussão em nivel privado, dado que ela se iniciou com um comentario no aberto.
    É o risco da exposição.
    Continuo sendo seua leitora e gostando muito dos seus textos - seu blog deve ter sido o que mais eu indiquei aqui - entretanto, estou apenas discordando de vc.
    Não de forma "exagerada".

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  25. La Carmencita, eu nem discuti a legitimidade do dia em questao....so acho que o comentario esta mal fundamentado.
    Blog tb deve servir pra discordar, certo?
    beijos, querida.

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  26. Arnaldo, Blog é pra discutir, pra pensar.
    Como eu já disse para o Bruno, eu transcrevi o texto dele na integra, se as pessoas se manifestaram contrarias a ele, é uma questao da leitura de cada um.
    Mais uma vez....não disse que ele era machista, disse que partia de premissas equivocadas e mal fundamentadas.
    Me reservo o direito de discordar, não creio que eu tenha sido indelicada.
    Mas talvez o Bruno tenha "exagerado" um pouco nos comentarios...mas isso é uma questao de ótica.

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  27. Entendi e não se fala mais nisso.

    Vivien, eu poderia contra-argumenta, mas ando numa correria desgraçada. Sempre escrevo correndo no meu blog e no dos amigos, gerando às vezes alguns mal entendidos.

    Eu entendi seus comentários. Não gostei apenas de vc ter selecionado um texto meu que foi apenas um comentário sarrista, escrito propositalmente de maneira grosseira, feito no blog da Tatiana - e, usando, por sinal, expressões que ela usa bastante, como aquela que chocou a Carmencita. Era um sarro, uma simples provocaçãozinha, e não era para ter sido levado ao pé da letra.

    Era isso o que eu queria dizer, mas deixa pra lá. Tá tudo bem!

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  28. Vivien12:18 PM

    Bruno, tamos de bem?
    Fica bravo não, palavra escrita é isso ai....beijos da leitora.

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  29. Bem, meus queridos, acho que esse papo já deu o que tinha que dar. Além do mais, esse é o tipo de discussão que só vale a pena ter continuidade em frente a uma mesa cheia de garrafas de cerveja. Todas, devidamente vazias, evidentemente.

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  30. Foi linguajar. Não o dia.

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  31. Armaldo, discordo de vc.;0)

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  32. La Carmencita, o linguajar não me incomodou, achei até engraçado.
    Mas como eu já disse aqui, blogosfera é um espaço livre, onde qualquer leitor pode - e deve - se manifestar.;0)
    beijocas, querida.

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  33. Então, Vivien, eu desisto!!!!

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  34. Bruno, nao achei que vc era um monstro machista e horrivel nao!!! So quis dar uma questionada basica nesse default que as pessoas em de achar que cuidar de filho eh funcao da mae. So isso. Ninguem aqui falou nenhuma barbaridade.

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  35. Arnaldo, eu nunca digo quando as pessoas devem parar de comentar aqui.....risos....

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  36. Baxt, eu quero comentar sobre a imagem utopica da familia e ninguem falou disso...;0)
    beijos.

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  37. Gostaria de saber, Vivien, quais são os impedimentos jurídicos, a nível de legislação vigente que possuímos, nada de história, que impediriam o Estado de remunerar as mulheres se estas decidirem ser donas de casa? Essa resposta você não deu!
    Obrigada.

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  38. Gostaria de saber Vivien, já que essa resposta você não deu, quais são os impedimentos jurídicos em nossa legislação vigente que impediriam o Estado de remunerar as mulheres que ficam em casa. Obrigada.

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  39. ***Mariane, em primeiro lugar, acho que ficou claro no meu texto que respeito essa opção. Já a defendi em outros blogs, por exemplo.
    Quanto ao "impedimento jurídico", a tal "resposta que não dei", eu te responderia que não há. Quem falou em impedimento jurídico?
    Na verdade, nem sei como surgiu sua dúvida.
    Minha crítica vai em outro sentido


    "Bom, só o fato de ter usado o verbo "ter", já acho que o texto tem problemas.
    Denota um autoritarismo retrógrado e calcado na interpretação patriarcal burguesa.
    Até creio que se a frase tivesse sido escrita com "poderia" no lugar do "tinha", teria ficado até interessante. Porém a obrigatoriedade, a restrição social que essa condição imporia - sendo mãe, seria apenas...mãe - é um retorno a idealização social da belle epoque, equivocadissima.

    2) Ser remunerada para cuidar dos filhos me parece interessante. Mas ou eu li errado, ou o argumento não se sustenta.
    Remunerada por quem? Pelo Estado? Pela Iniciativa privada? Pelo marido?
    Pelo Estado me parece uma ótima forma de haver distorções ímpares, dado que o tal "instinto materno" é historicamente construido - e essa concepção de que é inerente a todas as mulheres é tão bem descontruido por Elizabeth Badinter - acho que iriam aparecer muitas distorções desse suposto direito ."

    O resto está lá no texto mesmo.

    abç,

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  40. Vivien, realmente, continuo sem entender. O que é ser apenas mãe? É voltar no passado? A mulher não pode ter o direito de escolher ser apenas mãe? Não entendi mesmo algumas colocações. Me parece que você coloca a mulher como alguém que tem que ser mais que o homem, e ser apenas mãe é um ato vergonhoso nos dias de hoje. E o Estado já remunera sim as mulheres, quando está de licença maternidade, ou outras possibilidades, ela é sustentada por quem se não pelo Estado? Ou não é o INSS que paga essa licença?
    Estranhas as suas colocações. E mais estranho é você falar que não tem responsabilidade sobre a opinião de seus leitores, que por acaso é você quem modera! Isso se chama responsabilidade civil, e no caso de um processo você responde solidariamente, você e quem fez o comentário. Sorte que Bruno é um anjo que caiu do céu, e não tem nada, nada mesmo, do que você tentou colocar, juntamente com os seus leitores.
    É isso!

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  41. Ah, e você ainda não respondeu à minha pergunta sobre porque o Estado não poderia auxiliar as mães que ficam em casa, ao menos para cuidar do filho até uma certa idade. Há algo na lei que impeça isso ou é somente porque a mulher "tem" que trabalhar, na sua opinião, e JAMAIS deve ser sustentada por alguém?

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  42. ***Mariane,

    1) releia o texto.

    2) não disse que a mulher tem que trabalhar, disse que ela PODERIA optar por não trabalhar fora...questionei o fato do autor dizer que ela TEM que ficar em casa...acho que as mulheres podem e devem ESCOLHER. Isso está no texto.

    3) Não disse que o Estado não poderia, disse que haveria distorções e acredito que, após a leitura, vc entenderá.

    3) A parte do Bruno ser um anjo eu não entendi...rs...e acredito que nem ele, pois além da religião dele ( candomblé, uma religião linda) não acreditar em anjos...ele é - graças a Deus! - um rebelde, com textos ácidos e fortes.

    4) Acho que vc está lendo de forma errada e me parece agressiva. Te aviso que modero os coments porque não admito agressões: o blog é meu, falo o que quero e respondo a quem quero. Decidi responder a vc, mas não irei aprovar comentários agressivos, ok?

    5) De novo! Acho que as mulheres devem ESCOOOOOLHEEEERRR o que vão fazer. É direito das mulheres. Quando eu disse "apenas mãe", caso vc tenha lido com cuidado, perceberá que é a visão social. Seríamos ingênuas se achássemos que não é uma visão reducionista e preconceituosa a que é deitada sobre as mães que não trabalham fora. Eu não estou desvalorizando isso, se vc reparar me defino - no meu perfil - como MÃE DO DANIEL...antes de professora. Porque SER MAE é mais do que qq outra coisa.
    O fato é que muitas pessoas que não estudam História super valorizam um passado idílico que não existiu, atribuindo a nós, mulheres, coisas que não existiram.
    Espero que eu tenha sido clara sobre a questão de DECIDIR E LIBERDADE DE ESCOLHA. Apesar isso estar no texto.
    Um grande abraço,

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