18 julho 2007

Sobre o acidente



















Eu sou fã do Imprensa Marrom. Sou fã de carteirinha: Indiquei pra uma amiga que trabalha com Sociologia em um curso de Jornalismo, parte dos alunos começou a ler, parte já conhecia e lia.
O texto é de uma inteligência, elegância e clareza ímpares.
Sobre o triste acidente de ontem, Fernando diz

"17. 07. 2007

NOTAS SOBRE O ACIDENTE

A TAM disponibilizou o número 0800-117-900 que é denominado “Assistência a Parentes das Vítimas”. Tal número, porém, é o mesmíssimo usado para vendas etc. Obviamente, a empresa não é obrigada a CRIAR um número de telefone. Claro que não! Mas é extremamente desagradável ligar para lá neste momento e receber dicas de passeios em Buenos Aires, passagens para NY, entre outros temas bem pouco relevantes diante da tragédia atual.

* * *

É impressionante como o partidarismo contamina a imprensa de forma triste, lamentável e escancarada. Um blogueiro da Veja, por exemplo, já colocou a culpa em Lula. O mesmo blogueiro reclama sobre falta de informações e - dias atrás - julgou ser uma irresponsabilidade tomar decisões precipitadas (quando comentou acerca das acusações feitas aos policiais na operação do Complexo do Alemão; naquele mesmo texto, o blogueiro fez acusações sem prova alguma, apenas baseado em evidências que ele apurou lá de São Paulo, por meio da imprensa).

Diante do acidente de hoje, ele acha espaço para colocar a culpa em Lula. Parece um tanto precipitado. Se não pela total falta de provas ou pela falta de nexo de culpabilidade entre o fato e o “acusado”, trata-se de uma precipitação também porque as causas do acidente ainda não foram totalmente apuradas.

* * *

Vamos supor que a pista não tenha mesmo as tais “ranhuras”, como se alega aqui e ali, ainda sem comprovação. Trata-se de “culpa do Lula” ou de “culpa” da empreiteira que assim entregou a obra, ou mesmo “culpa” de quem aprovou a entrega da pista sem checar tal item?

Se este é um momento de achar “culpados”, antes mesmo de se apurar os fatos, logo logo dirão que a culpa é da modalidade contratual empregada na reforma da pista, ou mesmo da “iniciativa privada como um todo”, na hipótese de ser uma obra tocada por empreiteira privada.

* * *

Enfim, cada um pode escolher seu culpado. Isso não leva a nada. Serve apenas para reduzir um debate sério à seara das brigas de torcida. É preciso às vezes dar uma folga aos comprometimentos partidários - ainda que uma folga breve - para que pelo menos os textos não saiam contaminados por uma raivinha ridícula, bem pouco afeita ao que se espera dos grandes veículos em momentos trágicos como este."

Espinafrado por Gravatai Merengue | textogravata

19 comentários:

  1. Discordo do teor da notícia.. Entrei no site da TAM ontem à noite, por volta da 21hs e o telefone divulgado lá e na TV não era 0800. Jamais foi, ao menos pela Globo. E aBand acabou de mostrar a imagem gravada otem... O avião teve a primeira explosão ainda na pista...

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  2. Sandra, não chamaria isso de teor na notícia. É um comentário que ele faz no primeiro blog, né?
    De resto, acho que uma das coisas mais tristes desse ano.

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  3. Vivinha,
    se é para achar algum culpado, eu tenho o meu, o Serra. O governador do estado foi eleito pra que??? O aeroporto de Congonhas, tão paulistano e problemático, não é da competência do estado????, ficar escondido atrás do governo federal,é no mínimo vergonhoso.
    Bjs
    Mamãe

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  4. Olha... é tudo tão triste... nem sei se vale a pena discutir quem tem culpa, quem não tem...

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  5. Mãe, acho que o desejo de se culpar o presidente parece dominar as análises e impedir uma interpretação mais independente.

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  6. Cláudia, muito triste, horrivelmente. Nem consigo imaginar como as pessoas devem estar sofrendo.;0(

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  7. Sibila10:09 AM

    Vivi, atônitos, comovidos, tristes, indignados estamos.
    Essa tragédia de Congonhas me leva a pensar na eterna discussão público/privado. O poder público sempre foi privado nesse país. E o poder público, nas democracias "evoluídas" também é privado porque defende e representa, em última instância, os interesses dos países em que está instalado (o protecionismo econômico, a própria história nos dizem isso e a presença de imigrantes neses países flagram o fato). A questão é que tratamos essas esferas como se não tivessem face. parecem não ter face. A malha de poder começa nos interesses privados de potentes corporações, empresas e se completa pelos serviços prestados pelos "serviçais" ñ sem algo em troca) que as representam nos poderes Executivo e Legislativo. Acho q existem setores do gov. Lula empenhados em quebrar esse jogo cordial entre gdes empresas (inclusive a poderosíssima imprensa) e os poderes regentes da Nação. O leviatâ q nos países ditos c/ história recente socialista foi um massacre às liberdades individuais e, por fim, não deu jeito nos grandes problemas sociais (como se a ausência de liber// ñ fosse um gde problema por si mesmo). O gov. militar fez + ou - o mesmo. O Estado aqui e ali não se constituiu como um espaço democrático. O que me pregunto é o seguinte: sem o Estado, ou c/ uma diminuição drástica de suas instâncias (mtos diriam "burocracia - elitismo burocrático" - cordiali// do mesmo jeito), como se observa nos últimos tempos (mesmo q Lula tenha aumentado o nº do funcionalismo) é uma saída salutar? A tragédia de Congonhas é a vitória do desbunde particularista, exclusivista às últimas conseqüências. Universais, mas com cara, semblante, personalidade, o básico: saúde, educação, trasporte, moradia, lazer. E a possibilidade de diálogo com a diferença - o ser humano, visto de longe, é universal, mas contempla uuma série e infinidade de diferenças. Há q evoluir e muito na democracia - re-pensado o Estado e tb (!!!!) o poder econômico privado. Ufa, desculpe o desabafo.
    PS: O acidente nada tem a ver com as ranhuras na pista. Bjs., ainda bem q vc é linda!

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  8. Sibila12:55 PM

    Vivi, tinha escrito um verdadeiro tratado e não chegou. Talvez melhor. Mas esse vi ser grande, não no teor, mas na indignação, no nque preciso falar e aqui tenho um meio onde posso ir. Disso tudo: a questão do público e do privado. A instância pública não é privada demais em toda a parte e, c´q no Brasil, à toda?
    Onde a democracia progredia ao longo do XX e antes, não nos agrediam com colonialismos ou neo-colonialismos, neo-protecionismos mil?
    Não nos agrediu como humnidade o público-pseudo-socialismo Euro-oriental-asiático e com ilha nas américas? E não agressão o privado-desde-sempre Brasil, já algum tempo com potentes mídias "cordiais"? Sertá q não há outro termo para se falar em público ou privado? O espaço público no Brasil, na visão da historia que tenho, sempre foi minúsculo. De poucos músculos nossa Res publioca. E nunca a tratar com a gente que interessava, nunca a dialogar com os jeitos de ser dessa gente: tupiniquim, tupinambá, nagô, iorubá, toscana, sardenha, chineza, japobneza, alemã, iraniana, israelita, dos 5 continentes em naçaõ ou religiâo diferente, pertencente a diversas nações e culturas, a todos os estados e a procura de um estado de respeito ao múltiplo. O povo não é bobo, só não têm a mesma cultura política de alguns próximos ao poder.
    O público e o privado discussão de sempre.
    PS: NÃO FOI PROBLEMA DA PISTA O DESASTRE EM CONGONHAS. Mas o aeroporto não proporciona as condioções para receber aviões de grande porte.
    Beijo amiga.

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  9. Bah, Vivi. Pode parecer mesquinho a gente ficar apontando o dedo, como criança - foi tu, foi tu, não foi, foi ele - mas alguém tem responsabilidade. E a imprensa, marron, cor de rosa ou roxa, tem dever de indicar caminhos. Cada um puxa pro seu lado, não existe imprensa neutra (quem te fala é jornalista burra-velha, com mais de 35 anos de estrada), mas os da direita vão apontar os da esquerda, os da esquerda os da direita etc etc. E vou te contar: se criou um banzo com a Veja que já tá virando onda nacional. No tempo da ditadura militar, era bem parecido. Vivi isso. Mas continuo defendendo o direito da Veja de fincar no Lula e no PT e o direito do Mino Carta e da Carta Capital de ficar atirando em tudo que se move que ele acha que não é da esquerda.
    Quando bipolariza, empobrece.
    E a gente se perde.
    bj
    maristela

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  10. O telefone 0800 foi aquele que a BandNews colocou no ar durante a cobertura do acidente.

    Eu e uma amiga ligamos para lá - ela precisava checar uma informação - e de fato ouvimos gravações sobre destinos turísticos etc.

    Sandra, é totalmente saudável vocÊ "discordar do teor da notícia", mas você pelo menos deveria ter ligado pra lá.

    Um abraço

    Gravata

    ps - náo houve explosão "na pista", também...

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  11. Vivien, é prá achar um culpado? então eu que não "aprendi ainda" a votar.

    Como hoje é dia 20, não poderia me esquecer de você. Feliz dia do AMIGO e ótimo final de semana.

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  12. Este comentário foi removido pelo autor.

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  13. Maris, não creio em imparcialidade nunca, nem da imprensa, nem de absolutamente nada. Mas existe um espaço entre posicionamento e entre dados. Na HIstória há, por ex.
    beijos, amiga.

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  14. Fernando, é uma honra ter vc por aqui, a Casa é sua.;0)

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  15. Sibila, acho que essa questão do público e privado ainda devem ser amplamente discutidas mesmo.Adoro suas participações.

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  16. Vivien,
    O assunto, pelo visto, continua rendendo. Somos todos passionais, defendemos nossas opiniões. Acho isso vital, importante, não somos bananas. Mais do que qualquer coisa, quero deixar bem claro a importância que dou aos pontos de vista diferentes dos meus. Procuro respeitá-los, tomo sempre cuidado em deixar isso bastante evidente. Até porque reconheço que em tudo na vida é muito difícil a gente ter certeza. Eu, pelo menos, apenas acho. Deixei uma brincadeirinha pra você lá no Lord.
    Beijo

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  17. Lord, já to indo lá ver..iaiaiaiai...rs

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  18. jayme3:11 PM

    Também virei fã do Imprensa Marron. Beijo,

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  19. Jayme, vc tem bom gosto.;0)

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