01 agosto 2008

O Tempo não pára



Assisti "Cazuza" ontem. Já tinha visto no cinema, já tinha gostado e já tinha me desmilinguido de chorar.

(Não sou crítica de cinema, não tenho nem saco pra papos muito profundos, quando a pessoa começa a falar sobre a fotografia,

hummmm...durmo. Confesso: se a pessoa diz que o filme é "bárbaro" , eu tendo a não assistir, porque quem fala "bárrrrbaro" é sempre chato pra burro. E se gostar de Tarkowiski então.....zzzzzzzzzzzzzzz.................................)

Voltando ao filme: vou pelo óbvio, o Cazuza baixou no Daniel de Oliveira, só tem essa explicação. O garoto estava incorporado, a expressão, o tom de voz , o gestual, Cazuza, Cazuza puro.

Eu ainda acho que o Cazuza era um filhinho de papai chato pra diabo, mas gente, um artista com poucos. Gosto incrivelmente de praticamente tudo que ele escreveu e/ou cantou, me toca horrores. Já postei Exagerado outro dia, provavelmente eu coloque outras ainda, porque todo mundo merece Cazuza.

A angústia do tempo passado e perdido, o medo constante e irremediável da morte estão presentes de forma tão intensa no filme, que dói. Com isso, não posso e nem consigo negar, me identifico muito. Uma amiga uma vez me disse que tenho pressa de viver, acho que tenho mesmo. Acho que esse medo impulsiona essa pressa exagerada.


O Tempo Não Pára

Composição: Cazuza / Arnaldo Brandão


Disparo contra o sol

Sou forte, sou por acaso

Minha metralhadora cheia de mágoas

Eu sou um cara

Cansado de correr

Na direção contrária

Sem pódio de chegada ou beijo de namorada

Eu sou mais um cara

Mas se você achar

Que eu tô derrotado

Saiba que ainda estão rolando os dados

Porque o tempo, o tempo não pára

Dias sim, dias não

Eu vou sobrevivendo sem um arranhão

Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos

Tuas idéias não correspondem aos fatos

O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado

Eu vejo um museu de grandes novidades

O tempo não pára

Não pára, não, não pára

Eu não tenho data pra comemorar

Às vezes os meus dias são de par em par

Procurando uma agulha num palheiro

Nas noites de frio é melhor nem nascer

Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer

E assim nos tornamos brasileiros

Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro

Transformam o país inteiro num puteiro

Pois assim se ganha mais dinheiro

A tua piscina tá cheia de ratos

Tuas idéias não correspondem aos fatos

O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado

Eu vejo um museu de grandes novidades

O tempo não pára

Não pára, não, não pára

Dias sim, dias não

Eu vou sobrevivendo sem um arranhão

Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos

Tuas idéias não correspondem aos fatos

O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado

Eu vejo um museu de grandes novidades

O tempo não pára

Não pára, não, não pára







Post publicado originalmente em novembro de 2006.

30 comentários:

  1. letras geniais numa voz de taquara-mal-rachada. Bom é ouvir o Luis Melodia cantando-as. Bjão

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  2. Guga, tb gosto muito do Luis Melodia. Mas taquara rachada? ah...sacanagem, viajou...Eu acho uma voz muiiiiiiiiiito gostosa.;0)

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  3. Fabio Fabulous2:05 PM

    será que eu sou muito jovem para gostar do cazuza?
    Tenho algumas músicas dele e acho que ele é genial e tem uma voz super boa. Mas eu prefiro o Renato Russo... sem querer compara é claro.

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  4. Fábio, vc já ta ficando velhinho...hahahah....e eu gosto de ambos, sem problemas.;0)

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  5. Belo post. Comecei a gostar de Cazuza depois de velho, diferentemente do Legião... acho que ele cantava coisas que eu ainda não entendia... e talvez ainda hoje não sei se entendo.

    Bj pra vc.

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  6. Putz, eu sei que soará bizarro, mas eu acho Cazuza afetado demais como cantor, muito maneirismo, às vezes um desleixo que tentava parecer blasé. Não gostava, não. Mas, enfim, pode ser mais um de meus enganos.

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  7. Tarcisio, eu adoro. Gosto de não entender partes tb.;0)
    Ah, e vc é muiiiiiiito velho.

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  8. Jayme, eu tb acho afetado: como falei, um filhinho de papai chato. Mas adoro o que ele compos e cantou.;0)

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  9. quáquá... para quem acaba de fazer aniversário, essa música tem um significado muito específico ahaha. Beijos, obrigada pelos parabéns!

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  10. Lou, dia de aniversário é mesmo pra pensar assim...rs...de nada, beijos.;0)

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  11. Preciso dar um jeito de conseguir ver este filme... :-/

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  12. Gostinho de Cazuza, gosto da sua música, gosto mesmo é da identificação com algumas de suas letras..."exagerado" é a cara do meu filho Arthur.
    um beeeijo beeeeem grande

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  13. Anônimo8:21 AM

    Ainda não assisti Cazuza, apesar de saber que é um bom filme. Há uns tempos venho evitando temas que deixem a gente meio 'assim', na melancolia. O Guga alertou sobre Osama lá no blog da Thelma, eu ia assistir, mas já desisti.

    Tb não curto Tarkovsky. Admiro e viajo na teoria dele e no que ele propoe, mas sempre acabo caindo no sono nos filmes dele.

    Bj.

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  14. Ai, que saudades do Cazuza! Ele e a Cassia Eller me fazem custar que se foram. Mas o que fazer. Não vi o filme, mas creio que não seja fácil interpretar pessoa tão única.
    valeu por ter ido levar Bala
    bj e ótima semana

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  15. Anônimo3:18 AM

    Engraçado. Cazuza não me toca assim.
    Ouço, acho interessante, mas não me molha as intimidades.

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  16. por aqui o tempo não pára...

    ...de armar tempestades incríveis. O verão parece estar chegando mesmo.
    bjs

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  17. Leo, acho que vc vai gostar. vale a pena.;0)

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  18. Cynthia, uma grande amiga minha me chama de Vivinha Exagerada...rs

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  19. Felipe, eu entendo vc. Eu tenho períodos em que evito sistematicamente alguns filmes.;0)

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  20. Julio, tb acho que não de3ve ter sido fácil interpreta-lo: um ponto a mais pro ator. Eu é que agradeço, seu blog é muito bom.;0)

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  21. Tati, eu sei...vc prefere TUNAI....ahhahahh.....

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  22. Guga, algo me diz que esse será um verão diferente.;0)

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  23. Ola Vi, eu aprendi a gostar das letras das musicas do Cazuza, mas da sua voz nunca gostei...tambem eu nem sequer gostava do Legiao ate que voce e o Pitty me ensinaram a boa musica.
    beijinhos carregados de energia positiva do outro lado do oceano

    Adriana

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  24. Dri, nós convertemos vc!
    beijocas.

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  25. Vivinha,
    Adorei o filme tb, concordo com vc, o artista incorporou, era o próprio.
    Essa identificação com o Cazuza, não tem nenhum sentido. Ele era doente e tinha pressa,VOCE NÃO.
    O tempo não para, para o mundo,
    entretanto não é preciso correr para viver.É preciso viver, apenas.
    Bjs, mamãe

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  26. Mãe, identificação só na pressa...pressaaaa...;0)
    beijos.

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  27. Anônimo9:41 AM

    Puxa! O tempo não para mesmo... e nós, meninas que tinham crises de bobeira ainda ontem, estamos chegando aos quarenta ou quase... e as crises de bobeira continuam... a cara é de quarenta, mas o espírito de 20, pelo menos quando junto aos amigos da época.
    bjs
    Frou
    :o)

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  28. Frou, eu sempre pensei que aos quarenta, a gente tivesse domínio sobre as crises de bobeira....rs
    beijos.;0)

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  29. Vivinha,
    Eu entendí que era só na pressa. Mas pergunto, porque a pressa??????
    Bjs

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  30. Mãe, sei lá, nasci assim...rs
    ;0)

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