23 março 2007

Júlio


O meu primero amor se chamava Júlio.

Eu estava no pré e ele na quarta série, absolutamente sedutor, cabelos compridos e eternamente despenteados. Lembro dele com detalhes.

Na hora do recreio, que eu esperava ansiosamente, a gente tinha um daqueles rituais esquisitos - ele implicava comigo e eu dava uns tapas nele. Gente, como aquele garoto gostava de tomar uns tapas....

Ele era engraçado, sedutor nos seus incríveis dez anos, e ficava me provocando cotidianamente. Meses. Uma delícia.

Na época, para se dançar quadrilha, o menino convidava a menina. Eu estava certa que seria convidada pra dançar, estava só esperando a tal hora, toda nervosa.

Júlio continuava com seu flerte - porque era assim que a gente flertava...- e continuava com aquele jeito, cuja lembrança me fazia suspirar, de tirar o cabelo preto do olho. Cabelo descabelado que ele tirava de um jeito que fazia meu coração de seis anos pular.

Mas ele convidou outra menina pra dançar. Ela me contou, com uma certa maldade, com um prazer mórbido. Eu fiquei firme, super segura nos meus seis anos de maturidade.

Não dancei quadrilha aquele ano, nem nos outros, nem nunca mais.

21 março 2007

Alunas ou professoras?


Já falei disso aqui e continuo sendo conselheira.

Obviamente, o roto aconselhando o rasgado, uma beleza. Em uma das salas de Engenharia, uma aluna está me contando, semana a semana, um início de relacionamento. Ontem, no final da aula, ouvi mais um capítulo.

Ela contou como sairam no final de semana, onde foram, como ela declinou um convite mais ousado do garotão.

Eu perguntei:

- então, vocês estão namorando...?

- ah, não..namorando não.

- ué, e o que é isso, então? ih....esse chove não molha é um saco, não enrola o garoto...Assume logo que está namorando, ué...é tão bom.

- professora, você não tá entendendo...primeiro eu vou fazer ele rastejar muito, muito....risos..

- mas pra que, Fulana? você não está interessada nele?

- Eu tô. Mas ele não precisa saber disso. - fazendo uma cara de vamp - deixa ele sofrer um pouco que faz bem.

Elas estão erradas, não são elas que tem que pedir conselhos pra mim.
Eu é que deveria tomar umas aulinhas básicas com elas.
Mas acho que não aprendo não. Sinceramente. Vou continuar uma boboca até o fim da vida.
Ser vamp consome muito tempo e energia. Mas deve dar certo, pelo visto.

20 março 2007

Filho de blogueira


Vou falar pouco, quase nada, porque tudo que eu digo sobre ele,ele implica.

Quem tem filho adolescente sabe como é.

Então, só vou dizer uma coisa.

Meu rebento também virou blogueiro.

13 março 2007

A minha receita ( com atualizações)
















Meu amigo, Guga, o homem mais cool que já conheci, deu no seu blog a "receita de mulher". Vou copiar sua idéia e dar a minha "receita de homem". Quem sabe o meu ornitorrinco dos sonhos não pára e lê meu querido bloguinho??
Vamos lá...
Tem que ser inteligente, ser bem humorado é condição primordial, sarcásticos são bem vindos, se souberem dosar o veneno, que nunca poderá me atingir.
Tem que ser carinhoso, praticamente meloso, grudar mesmo, carinhos e beijos nunca, nunca são de mais.
Tem que gostar e entender de política, mas não pode ser militante, porque militante, ninguém merece.
Tem que gostar de ler, babar nos mesmos livros que eu e ter uma maravilhosa coleção de HQ
Tem que ter um ciúme mortal dessa coleção, e só emprestar pra mim, porque é...pra mim.
Tem que ser geek, ser trekker e saber beber. Pode não saber dançar, mas se souber, tem que dançar só comigo, respeitando meu ciuminho boboca.
Tem que me mimar todo dia, porque é bom demais. Tem que ter mas mesmas taras que eu, ou pelo menos, curiosidade sobre elas.
Tem que ser meio bobo, meio tímido e meio seguro, em um amálgama delicioso.Tem que ser bom moço, porque acho os bad boys um grande engodo.
Tem que ser sexy e gostar de ser sexy, mas só pra mim.
Tem que adorar cinema, saber sobre cinema e me fazer babar quando fala, cheio de confiança. Mas nunca, nunca com pedantismo.
Tem que saber cozinhar, cozinhar comigo e gostar da minha comida. Tem que gostar do meu filho. Tem que ler pra mim na cama. Tem que me mandar emails indecentes. Tem que gostar quando eu fizer surpresas. Tem que ser discreto pra se vestir e nunca, nunca cair nas artimanhas de um metrosexual. Tem que saber falar palavrão com classe. Tem que discutir sem perder a pose. Tem que ter sorriso gostoso e beijo melhor ainda.
Tem que ter cheiro de homem bonito e me fazer sentir saudades toda hora.


Esse é o meu ornitorrinco.
################### atualizações
Bom, como eu disse nos comentários, esse é mesmo um Frankstein ( Xôn acertou). É uma mistura das coisas que eu gostava muito nos namorados e maridos que tive.
Então, já que é pra falar....vamos exagerar:
Além do que eu já disse: tem que ignorar carnaval, não ser baladeiro e gostar de uma boemia light. Tem que ter um prazer sacana com minhas unhas vermelhas. Tem que ter necessaire menor do que a minha, de preferência, nem saber o que é uma necessaire.
Tem que ler meu blog e entender porque gosto de escrever aqui. Tem que me dar rosas, porque "toda mulher gosta de rosas, de rosas, de rosas. "
Tem , necessariamente, que ser "careta". Tem que ter mão grande e que ela se ocupe em mexer no meu cabelo toda hora.
E tem que me amar, desordenadamente e sem freio.



10 março 2007

Sobre o passado que nunca houve ou Um comentário para Bruno Ribeiro


Antes de começar, quero dizer que sou leitora do Bruno mesmo antes de ler seu blog. Já o era desde quando só conhecia seus textos do Correio Popular, gosto dos textos, gosto do tom passional que o blog assume por vezes. Mas o comentário que ele deixou na Tati, me irritou de sobremaneira
.Diz o Bruno:


"Dia da Mulher de Cu é Rôla. Ninguém pensa nas operárias de Chicago, que foram queimadas pelo patrão, dentro da fábrica. Por causa delas foi criado o Dia da Mulher, que deveria ser um dia de reflexão e de luta. Mas nada. As mulheres só querem ganhar jóias e flores, os homens só querem levá-las para o motel. De modo que não há o que ser comemorado. Concordo contigo Tati: homem, mulher, não importa. O que precisa ter é dignidade e respeito. E mulher não tinha que trabalhar fora não, tinha que ficar em casa, cuidando da educação dos filhos, e ser MUITO BEM REMUNERADA por isto. Sem a referência da figura materna em casa, a família tem se desestruturado. O resultado disso estamos vendo nas ruas todos os dias: violência, abandono, falta de valores morais, de perspectiva de futuro. Sem mãe, a sociedade não é nada, o mundo não é nada.. ". (Bruno Ribeiro)

Como diria Jack, vamos por partes:

1) "mulher tinha que ficar em casa , cuidando da educação dos filhos, e ser MUITO BEM REMUNERADA por isto."

Bom, só o fato de ter usado o verbo "ter", já acho que o texto tem problemas.
Denota um autoritarismo retrógrado e calcado na interpretação patriarcal burguesa.
Até creio que se a frase tivesse sido escrita com "poderia" no lugar do "tinha", teria ficado até interessante. Porém a obrigatoriedade, a restrição social que essa condição imporia - sendo mãe, seria apenas...mãe - é um retorno a idealização social da belle epoque, equivocadissima.

2) Ser remunerada para cuidar dos filhos me parece interessante. Mas ou eu li errado, ou o argumento não se sustenta.
Remunerada por quem? Pelo Estado? Pela Iniciativa privada? Pelo marido?
Pelo Estado me parece uma ótima forma de haver distorções ímpares, dado que o tal "instinto materno" é historicamente construido - e essa concepção de que é inerente a todas as mulheres é tão bem descontruido por Elizabeth Badinter - acho que iriam aparecer muitas distorções desse suposto direito .
Pela iniciativa privada? hum...já até posso ver o controle, os gráficos e as feiras para a otimização da maternidade. Não, obrigada, já estou amarrada com a iniciativa privada, eu passo.
Pelo marido ou namorado? Essa me parece a mais curiosa.Seria algo interessante de ver como se dariam as relações familiares, dado que a mãe seria uma ....funcionária.
Se as relações de poder já são complexas e opressoras, creio que receber salário do marido, pra cuidar do filho, seria uma forma oficial de sujeição e de um novo exercício de "luta de classes".....

3) Bruno parece achar que a ausência da mulher, quando na sua profissão, gera mais violência e falta de valores morais.
Bom.
Sem dúvida acredito que a sociedade precisa se estruturar de uma forma a contemplar as crianças que não tem uma infra estrutura adequada.Mas isso pode acontecer com a mae fazendo bolo na cozinha, por exemplo, como é o caso de várias áreas do Brasil.
Não posso deixar de pensar que se observa um passado hipotético onde as familias eram "de outra forma".Um passado idilico familiar, idilico e irreal.
Como historiadora pergunto? quando? que forma?
Phellipe Ariès escreve sobre a familia e a criança,comprovando que a concepção do que é ser criança e ou adolescente é muito, muito recente.Hstoriadoras como Michelle Perrot,Martha Esteves e Rachel Soihet desconstroem o mito da mulher idealizada, comprovando através de pesquisas cuidadosas que a acao feminina foi múltipla e , muitas vezes, completamente avessa ao idealizado pelo positivismo.
Onde era tão melhor para as crianças?
Na antiquidade, onde uma criança poderia ser abandonada pra morrer?
Entre os astecas que costumavam aplicar rigorosos castigos fisicos?
Na idade média onde em algumas regiões européias as crianças ficavam sem nome até quase sete anos, em função da enorme mortalidade( morria mais um...o menorzinho, aquele ali), ou talvez em grande parte da idade moderna, onde mas mães não amamentavam os bebes, nem os criavam, caso fossem ricas.Eram criados em casas separadas, ou por amas e babás e apareciam em algum momento do dia, para serem admirados como bonequinhos.Não havia essa familia celular burguesa, não existia sequer essa concepção e afirmar isso é grotescamente anacrônico.
Talvez quem se refira a esse "passado da familia" pense na tradicional familia patriarcal burguesa, que historicamente, é muito, muito nova.
Calcada em um modelo positivista comteando, que pensava na familia como célula mater.
Bom, estamos aqui com o resultado dessa interpretação de mundo. E o que temos é isso, violência, aquecimento global e guerras.
Tudo isso não foi gestado em uma ou duas geração, foi gestado em várias, foi gestado quando o modelo vingente era a familia positivista.
E ainda que se fale deste modelo: essa ideia de mãe acompanhando tarefa escolar e ou participando mais ativamente da vida dos filhos é recente. Mesmo dentro da idealização positivista, o cotidiano das familias - com todas as diferenças intrinsecas a cada classe - não incluia essa interlocução entre pais e filhos.Era um modelo autoritario, muitas vezes hipócrita.
A idéia de pais e filhos fazendo tarefa de casas juntos, jogando ou se entretendo juntos é uma concepção completamente inexistente até boa parte do século XX.
O universo conceitual e espacial da criança era outro.
Eu não consigo visualizar essa lendária epoca onde as familias eram felizes.Essa atlântida é irreal.é um saudosismo à la viúva porcina, a que foi sem nunca ter sido.

4) "valores morais".
Eu tenho um certo receio dessa expressão.Eu fico me perguntando se podemos discutir a diferenca conceitual entre ética e moral, mas acho que aí afundamos até as orelhas na hermenêutica e não é esse o objetivo.
Então, vamos pensar em supostos valores.
Patriotismo seria um valor moral, mas um elemento tão belicoso que pode ser apontado como um dos piores males do mundo.
Certíssimos os anarquistas ao clamarem : "minha pátria são meus sapatos".
Que outros tipos de valores?
Ética, por exemplo?
Em que momento histórico isso foi um elemento realmente de peso? Me apontem.
Correndo o risco de ser redundante, afirmo, é ingênuo se pensar que vivemos em um momento com menos ética. Vivemos em um momento de grave crise social, sem dúvida, mas calcado em diversos outros problemas.
Esses diversos problemas levam a uma inversão de valores ( o traficante passa ser herói, etc), mas essa é uma questão macro e pouco tem a ver com a mãe em casa,. fazendo bolo.
Mas se uma retrospectiva histórica seria for feita, vamos ver a história sendo marcada por filhos destronando pais na base da faca, mães abandonando filhos, guerras em nome de deus e deuses, gente morta por dever pra bancos e outras distorções. Fiquemos tranquilos, a barbárie nao é novidade.
Não nego a importãncia da presença materna ou paterna. Só gostaria de atentar para o cuidado de não se deixar levar por uma idealização romãntica de um passado inexistente, cuidado pra não se colocar sobre as costas da mãe as causas de todos os males e equívocos.
E mais, discordo diametralmente da visão que restringe a mulher a ser mãe.
Ainda que ser mãe seja efetivamente o que considero o mais importante,. é um dos meus papéis, e jamais admitiria que alguém não me permitisse exercer todos os outros.

07 março 2007

Paixão antiga sempre mexe com a gente


Zorro , pra mim, sempre teve esse apelo indescritível. Acho que nada é mais sexy.

Agora, colocar o Bandeiras pra fazer o Zorro, isso já é golpe baixo. Quando vi no cinema, a apresentação do filme - onde ele entra, joga a capa e assina com a espada - foi recebida com numerosos e espalhafatosos suspiros da mulherada toda.

Deveriam ser presos, por ferirem a moral e os bons costumes....

04 março 2007

Ex alunos unicamp


Já contei como foi aqui. Alexandre, meu veterano, eu , Raquel, amiga da Raquel e Célia.

Todos da História em diferentes momentos do IFCH.

cadê a cortina?


Esse é o lugar pra ler, ver tv e papear. Pequeno e aconchegante.

Eu adoro minha casa, adoro esse canto que tem tanto da minha história e do Daniel.

Os de paz são bem vindos


Essa é a primeira coisa que se vê quando se entra na minha casa. Os quadros são posters de peças importantes de Sarah Bernhardt, as peças são mulheres africanas que comprei - sério - na Liberdade, o móvel eu comprei em Barão Geraldo e é meu queridinho.

E é assim que recebo quem entra na minha casa, com esse cantinho das mulheres.

Em Joaquim Egídio


Daniel de boné virado no meu restaurante favorito. Almoçar em Joaquim, em um domingão, é uma das coisas que mais gosto de fazer.
Com boa companhia, nada melhor.

Quarenta anos depois....


Ainda são lindos. Teimosos e terríveis, mas lindos.

Viagens


Dentro das possibilidades da grana da época, sempre viajávamos. Me lembro com saudade e muito divertida dessas aventuras familiares.
Vestidinho de marinheira é terrível mesmo, eu sei.

Amor , meu grande amor


A foto mais linda do mundo


Essa foi, sem sombra de

dúvidas, a foto mais linda que tirei.

Em uma festinha junina na escolinha , Julinha - minha sobrinha - e Daniel trocam o beijo mais carinhoso que já vi.

A foto tem 12 anos e esta na minha sala. Até hoje, ela é especial pra mim, é impossível olhar pra ela sem sorrir.

Quem sabe ainda sou uma garotinha....


Pequena e jovem família nos anos 70.

Era aniversário do Rogério, meu irmão, comemorado no Rio, na casa de minha avó Góia.

Casal


Há quarenta anos, esse então jovem casal estava apaixonado e em plena lua de mel.
Passada em Poços de Caldas, o must da época.
Lindos.

26 fevereiro 2007

Um post para Jane


Há alguns anos, quando eu trabalhava com adolescentes, fui chamada pela RP da escola.

- Vivien, tem uma mãe que eu quero que você atenda...ela é super legal, mas....

- ih.,....mas o quê? - imaginando a maior roubada.

- ai, ela faz umas perguntas tão complicadas, ela está fazendo doutorado na unicamp, vai lá falar com ela porque é teu estilo. - e rindo - eu me embolei toda!

Fui falar com ela, me sentia lisonjeada quando eles passavam essas situações pra mim.

Mas foi bem melhor do que só me sentir lisonjeada. Gostei da Jane de cara.

Em pouco tempo a gente já tinha desenvolvido uma amizade que espero mesmo que dure.

Ela defendeu seu doutorado hoje. Bióloga, professora de universidade federal, veio aqui pra Campinas pra elaborar seu belo trabalho junto a Educação.

Revi a Ju, sua filha, que está linda , uma moça. Me lembrei, com saudades, de como ela era uma menina articulada e profunda, que sempre se destacava nos debates que eu organizava. Me lembrei do seu namoradinho, ótimo desenhista e grande rpgista.

Gostei demais do tema que Jane trabalhou, e gostei, em especial de alguns pontos que vão ao encontro do que acredito como professora.

Ela desenvolveu um trabalho com uma atitude respeitosa em relação aos professores sobre os quais ela discute. Atitude bastante rara, dado que a Academia parece crer que tem somente a oferecer e nada a aprender, dado que a Academia apesar de se advogar discutir a alteridade, parece analfabeta em relação a esse conceito.

Outra coisa que me atraiu foi perceber o quanto ela valoriza a reflexão sobre a prática e o quanto ela valoriza a teoria subsidiando, mas não ofuscando a dinâmica própria que a sala de aula tem.

Meu trabalho vai nesse sentido e outra hora conto, porque hoje é o dia da Jane.

No momento de sua apresentação, fechou com agradecimentos que mostravam a mistura que se faz entre o momento da pesquisa e a vida da pesquisadora: ela mesclou fotos de vários momentos da pesquisa, com fotos do nascimento da Ju, com fotos de amigos. E eu chorei pacas. Bem quietinha lá, mas toda emocionada.

Porque só posso pensar na pesquisa como algo que se mistura na vida, que se embola e se confunde. Eu pretendo defender esse enfoque, porque é calcado nele que estudo.

Além de um trabalho interessante, Jane trouxe um elemento cênico para a apresentação, com gravuras, objetos e textos. Adorei.
Fiquei feliz em ter sido convidada por ela pra participar desse momento tão importante.
Meu dia também está chegando e espero ter por perto, amigos que viveram essa história comigo.
Parabéns, Jane.
Doutora.

25 fevereiro 2007

Livros de gordinha


Toda vez que começo uma dieta, compro uns livros de gordinha.

Sabe com é? Livros de quem emagreceu e conta a agruras, livros de auto ajuda na cara dura , livros de novas receitas que acabo não experimentando.

Quando comecei o texto com "toda vez que faço dieta' ..já deu pra perceber que desisto delas.

Umas deram um pouco certo, outras deram muito certo, outras foram um fracasso total, mas larquei todas.Todas. Por um motivo ou outro, me enfiei no sorvete ou no espaguete. Com toda a culpa do mundo.

Mas estou em pleno momento "agora vai". O fato de estar fazendo hidro, estar caminhando está dando um certo ânimo. O porcaria da cortisona torna tudo mais lento, mas enfim....quero muito emagrecer.

Um dos meus livros de gordinha predileto, é do Mário Prata.

Com sua experiência em spas - cara, magro em spa deve ser um et...- ele conseguiu coletar histórias que são tão antológicas quanto irresistíveis.

O meu predileto é Hoje Acordei Gorda. Crônicas maravilhosas com as quais me identifiquei pra caramba. Ri delas, ri de mim.

E é fundamental rir de si mesma, certo?

Ele conseguiu sacar as neuras, a compulsão, o delírio, a culpa. Cara, ele entrou na mente das gordinhas....sério. Outro dia eu transcrevo uns trechos, mas vocês devem ler. Divertidíssimo.

Conversando sobre isso com uma amiga, tive a grata surpresa de receber deliciosos elogios.

Ela dizia:

- você reclama que está gordinha...

- tenho espelho em casa, minha filha....( risos)

- mas você só pega filé...só pega bonitão! - e pensando - você tem atitude, acho que é isso.

- Atitude, A.??? Eu sou mulher mais insegura do mundo.Você sabe disso.

- Eu sei, mas você não deveria contar. Não dá pra notar, você tem esse jeito assim Preta Gil, sabe?

Ai, adorei, Sou a new Preta Gil.

23 fevereiro 2007

Sobre o Quarto Poder


Eu fico impressionada com a imprensa brasileira. Evidentemente, não vou defender qualquer posicionamento que se advogue a direito de ser "neutro". Parto do pressuposto de que a neutralidade não existe e que um discurso supostamente "neutro" é apenas hipócrita.
Isso é um ponto.
O outro é a imprensa fazer campanha acirrada sobre um tema.Campanha sistemática. Isso é outra coisa, é isso é criticável quando feito da forma como vejo.
No caso, a campanha que me refiro é pela diminuição da idade para a punição legal. As notícias televisivas, por exemplo, se encadeiam de uma forma, com uma estrutura argumentativa que leva, sem sombra de dúvidas, a refletir positivamente sobre isso. Todas as entrevistas corroboram o argumento central: favorável a diminuição.

Que idéia de gênio!!!! Com esse sistema penitenciário que funciona à perfeição, evidentemente teremos uma diminuição na criminalidade, como ninguém pensou nisso antes?
Todas as argumentações são a favor dessa diminuição de idade....não vi, nos telejornais, sequer uma argumentação sólida e bem estruturada contrária a esse argumento.

Me interesso pela comunicação de massa, ainda que não tenha leitura teórica sobre o assunto.Mas me interesso e me impressiono...e depois de assistir a vários telejornais, me pergunto: não há outras opções, outras vertentes de análise, será que que essa é a única via possível?
Como tão bem disse o Bruno, " E me desanima saber que, se João Hélio fosse preto e pobre, ou mesmo se fosse filho de traficante, a comoção geral não teria chegado na mídia. E até você, que lê o meu blog agora, talvez não se importasse tanto."

Evidentemente a morte do garotinho me comoveu, obviamente penso que sua família está marcada com uma dor absurda.

Mas também não posso me esquecer que mortes horrendas ocorrem todos os dias, portas de barracos são chutadas por policiais e armas enfiadas na cabeça de crianças todo dia. E não vejo essa comoção jornalística.

Algumas manifestações beiram ao ridículo. "Queremos paz"

E o povo sai de branco e vai pra praia.

Só eu pirei ou isso também parece insólito pra vocês? Não me lembro de ter lido um bom artigo que efetivamente faça uma leitura social da criminalidade. Alguns pontuam "falta Educação"...falta sim.

E falta feijão, meu filho, porque saco vazio não pára em pé. Falta feijão. E saco vazio cheira cola, e saco vazio assalta velhinas armadas ( vocês se lembram da mulher que foi elogiada pelos jornais??), saco vazio não está nem aí: é matar ou morrer.

Uma diminuição da idade seria uma estratégia populista, equivocada e torta. Não concebo uma diminuição da criminalidade sem uma estratégia política que, efetivamente, altere e melhore a vida dos que estão condenados desde o berço.


Insônia


Uma das coisa que mais detesto é insônia. Eu sou adoro dormir, adoro sonhar e já falei disso várias e várias vezes aqui. Ontem fui acometida por uma insônia terrível.
Estou indo dormir mais tarde, porque apesar de já ter visto toda a segunda temporada de Lost, simplesmente não resisto a ela. Fico acordada pra assistir . ( E, Alek, você tinha razão, segunda temporada é so Sawyer mesmo, sem dó nem piedade, o personagem está tudo de bom.)
Depois disso, ritual diário: banho quentinho, ler um pouco pra embalar, fazer relaxamente e bater um papo com o anjo da guarda. Aí é dormir e sonhar pra burro.
Ontem eu li muito mais do que o normal, ai tentei dormir. Tentei, tentei, mudei de posição, fiz relaxamento de novo, mudei de posição, bebi água, continuei acordada, acordada, acordada. Desisti, fui pra sala e vi um pedaço de Bugsy, comendo Nutela. Ah, já que estava com insônia merecia um agrado-fora-da-dieta....tá no inferno, abraça o capeta e chama de meu nêgo, certo?
Só consegui dormir depois das cinco, um horror.
Acho que o pior da insônia é saber que vou ficar quebrada no dia seguinte e a cama está ali, totalmente `a minha disposição , e eu não consigo curtir a dita cuja.

Dica da Tia Vivien IX


Eu descobri essa blogueira aqui há pouco tempo, lá no blog do meu blogueiro favorito.
Linkei quase imediatamente, porque bastou umas duas visitas pra eu perceber que eu iria querer ler todo dia os textos dessa professora-escritora. Textos inteligentes, deliciosamente escritos e com um humor irresistível.
Acho que vocês vão gostar.

22 fevereiro 2007

Pérolas da Sabedoria II


Eu e Daniel em casa, assistindo jornal.

- Mãe, você pensou naquilo que eu te falei?

- no quê?

- em aplicar na Bolsa.

- ah...pensei...quando eu tiver uma grana eu vejo isso com a gerente. Falei com um aluno, ele ganhou uma grana.

- E onde a gente vai aplicar?

- Não sei...o que você acha da Petrobrás, filho?

- hum....sei lá, as coisas com o Evo Morales estão tão incertas.....

Continuei o papo, fingindo que não estava achando o menino o máximo....


**************


- Mãe, você já notou como tem expressões demagógicas por ai?

- Por exemplo?

- ah....por exemplo....."pessoa com personalidade forte"....tradução: barraqueira, histérica..

- (risos)

- tem mais, olha: alternativo é igual a chato....irreverente...igual a sem-noção....diferente...igual a chato.

- Ih, Daniel como você é irreverente....rs



***************


Eu e Daniel no shopping.

- Me espera ali na Fnac , filho. Vou passar no banheiro.

- Por que mulher adora banheiro?

- Pra fazer xixi, gênio??? - rindo.

- Aposto que lé é o QG. Vocês se encontram , "agente 776 se apresentando, senhora",aí vocês recebem as missões e dão os relatórios. 'Não esqueçam o protocolo"

- ah, é? e qual nossa missão?

- ( olhar debochado) enfernizar a vida dos homens, ué.

21 fevereiro 2007

A Construção


Depois de ter literalmente abandonado por longos meses, recomecei a trabalhar na minha dissertação de mestrado. O processo que estava parado, tinha sido lento, lerdo e chato. Simplesmente eu não queria mais escrever.
Penso que o blog pode ter dado uma chacoalhada, porque ficou mais fácil, mais fluido.
Claro que ainda vou mexer muito nesse texto, ainda vou ter que ficar horas remodelando, talvez tenha que jogar um monte de coisas fora.
Mas ele está saindo, está nascendo e isso está me deixando feliz. Perceber que consigo construir essa pesquisa, essa Torre de babel.
Por incrível que pareça, até retomei a idéia de fazer doutorado. Idéia que eu tinha abandonado por completo há algum tempo, por vários motivos.
Agora estou namorando essa possibilidade. Provavelmente eu deixe de trabalhar com rpg, apesar de gostar muito do tema, ela já me acompanha há tempos, está na hora de mudar.
Talvez eu trabalhe com blogs. Além de ser um tema instigante, eu teria a desculpa ideal pra ficar horas lendo blogs. Que delícia.
Taí, acho que vou estudar....vocês.


19 fevereiro 2007

Carnaval ?


Até os 15 anos , mais ou menos, eu ia com minha família pra Cabo Frio ou Arraial do Cabo no carnval. E eu gostava.
Nunca fui fã de multidões, fato que só piorou com o tempo, mas me atrevia a curtir um carnaval de rua com o M., meu amor eterno da época.
Era legal.
Quando mudei pra Campinas, em 1985, passei um carnaval em um clube chiqueeeeeerrrimo da cidade. Foi um saco, nunquinha mais eu faria nada disso, prometi pra mim mesma.
Já disse aqui que não vou a um lugar lotado, sem água gelada por perto ou banheiro fácil, mas há uns dois anos, rompi esse meu trato comigo mesma.
Fui no ensaio da Grande Rio. Bom, pra mim, pobretona e provinciana como sou, foi super divertido ver aquele monte de globais, alguns dos quais bêbados de pai e mãe, junto aos outros mortais. Eram, em especial, globais de segunda ou terceira linha, estilo garotão malhado de malhação, saca?
Foi interessante, a bateria realmente é muito contagiante e eu estava cheia de primos pra rir e fofocar. L. uma jovem prima, mais baixa do que eu, acredite, sambava na minha frente e quase engoli umas pluminhas azuis que ela colocou no cabelo.
De repente, vejo a multidão se abrir como o mar vermelho, junto com alguns ohhhs emocionados.
Um homem sem camisa abria caminho: peludo como o Tony Ramos- ou seja, anormalmente - suado como um porco, ele passava e o povo pulava, horrorizado, fugindo do ser cheio de cerveja e suor. Jisuis, pulei e ele não encostou sequer um dedinho peludo em mim.
Em duas horas eu já estava de saco cheio, como estava em grupo e sem meu carro - burrada total - sentei perto da saída VIP e fiquei curtindo o pileque alheio dos famosos.
Carnaval pra mim é pra ler, ver filmes e namorar - se for o caso.
Quer coisa melhor?

Sobre a Solidariedade


Um amigo me perguntou porque eu chutei o pau da barraca e falei aquilo tudo no post anterior, sendo que poucos amigos, nesses anos, sabiam que eu já fazia quimioterapia.
Bom, a própria pergunta engloba a resposta: porque eu chutei o pau da barraca. Foi um foda-se geral.
Mas funcinou muito, muito mesmo.
Escrevendo aqui meu medo - e quando escrevi eu estava no auge da sensação - expurguei um pouco o que estava me sufocando. E junto com esse exercìcio de colocar tudo pra fora, sempre sugerido por minha amiga Tati, veio essa leva de solidariedade incrivelmente tocante pra mim.
Um monte de gente tentando dar um apoio, das mais variadas formas, mas com algo em comum: com a ponte, com a ligação, que faz com que a gente não se sinta sozinha dentro do medo.
Eu vou fazer os chatos e demorados exames e saber exatamente em que grau está. Acredito que se eu me tratar corretamente, posso retardar ese processo em muito tempo. Vou fazer o possível pra isso, aliás.
De qualquer forma, acho que é um momento pra refletir e fazer aquele balanço básico da vida.
Uma coisa eu já tinha e isso piorou: a pressa, a pressa.
A última vez que me apaixonei, disse pra ele que não tinha tempo a perder, que odiava o limbo, odiava o talvez. E é isso mesmo. Odeio mesmo, tenho uma pressa incrível de viver e agora, opa, mais do que nunca.
Bom, vou mudar de assunto e escrever sobre outras coisas. Só quero deixar registrado o quanto os comentários dos amigos aqui me fizeram bem.
Como dizia o filósofo Pernalonga " Por enquanto é só, pessoal!!!"

15 fevereiro 2007

O Tempo devora tudo


Dei um certo vexame em um consultório hoje. Conversei com a médica e descompensei: desandei a chorar ali, patética e sozinha.

O caso é que tenho lúpus e tenho convivido com isso desde os 17 anos. Em outras palavras: 21 anos sem ir a praia, ou indo apenas no começo da noite, tomando cortisona e outros venenos, sem tomar sol e sem fazer todas as milhões de coisa que as pessoas fazem no sol.

Eu juro que nunca me rebelei, ou quase nunca, pelo menos.

Acabei sendo a lúpica exemplar: quem conhece alguém com o mesmo problema sempre me apresenta, como uma forma de dizer "olha só, dá pra viver super bem". E lá faço meu papelzinho polianístico de alto astral ambulante.
Já levantei muito astral de muita lúpica.Muita.

E não é sacanagem, me sinto muito bem praticamente todo o tempo.

Depois do nascimento do Daniel, fiquei com um problema renal que me levou a fazer quimioterapia por alguns meses. Eu sabia do risco, mas risco maior seria viver sem conhecer o Daniel.
Passa um tempo, faço de novo, passa um tempo....balbalablab.
É o tipo de coisa que destrói de uma forma tão intensa que fica difícil voltar a polianizar.
O dia seguinte é pior do que ressaca desgraçada de vinho barato. Pior mil vezes, é devastador.
O fato é que de alguma forma, eu achava que isso era reversível. Controlável, pelo menos.
Taí gente, não é.
A médica me disse isso com a naturalidade de quem diz isso todo dia " vamos tentar retardar a insuficiência, mas é impossível controlar ou diminuir".
Foi nesse ponto aí que eu comecei a chorar porque fui tomada de tal pavor que me senti com cinco anos.
Eu queria perguntar " e depois?"...quando não tiver mais jeito, qual será a solução, hemodiálise? transplante?
E eu só conseguia pensar: "caralho, eu não conheço Paris.....eu não aprendi alemão....eu ainda não fiz tanta coisa!!!"
Ela percebeu que eu não tinha consciência da gravidade, apesar desses anos de tratamento. Tentou me acalmar e eu tentei parecer 38 anos, mas ambas fracassamos.
Para tentar ver como "retardar" esse processo, devo fazer novos exames, novos tratamentos agressivos e uma modificação alimentar radical. Deverá ser sem sal e sem proteína.
Isso não é um fator limitador apenas no tocante ao delicioso "precado" da gula. Eu adoro ir em restaurantes, adoro cozinhar, adoro ir comer com amigos. Isso TAMBÉM eu não posso mais.
Nunca me perguntei isso, mas acho que está na hora: por que eu??
Porque coisas triviais que todo mundo faz, foram retiradas da minha vida há tantos anos?
Meu Melhor Amigo já me disse que acha engraçado eu, que costumo pontuar algumas frases com palavões, nunca usa-los aqui.
Não usava mesmo, porque um aluno poderia ver, poderia pegar mal....e....
Quer saber?
Foda-se. Caralho, caralho, caralho. Vou falar todos os palavrões que quiser.
Sem sal, sem sol, sem o que mais????
Caralho, ainda tem tanta coisa que quero fazer !!!!!
Caralho, ainda não conheço Paris!!!!!!
Caralho, que medo de morrer.

13 fevereiro 2007

Dica da Tia Vivien VIII


Esse texto aqui foi uma das coisas mais delicadas e tocantes que li nos últimos tempos.

Água, água, água


Eu adoro água. Adoro. Bebo água o tempo todo e quando vejo multidão, me apavoro por alguns motivos, um deles é que não teria água gelada pra beber. Por isso, já avessa a carnaval, me arrepio quando vejo aquela multidão.

E se der sede?? e se der vontade de fazer xixi??

Multidão, nunca. Como eu ignoro o carnaval totalmente, me espanto com as pessoas felizes na multidão. Pois é, nem sempre posso entender o Outro, esse mistério que é a alteridade.

Comecei a fazer hidro ginástica, a dica foi de uma amiga que está em um astral ótimo, emagreceu e tem uma super disposição. Bom, comecei.

E a água tem essa coisa mágica de dissolver os problemas. Quando o Professor Franguinho ( "franguinho"de tudo....) passa lá os movimentos brincalhões, acho tudo uma delícia.

Dissolve mesmo, não resta nada. E eu lá, feliz da vida dentro d'água, pensando que esse ano regido por Júpiter pode sim melhorar, ah, pode. Ali dentro eu acho que tudo é possível.

Eu sonho muito com água: passei dias sonhando com tsunamis em dezembro.

Agora eu quero que a magia das águas me traga paz. Acho que estou conseguindo.

12 fevereiro 2007

Momento auto ajuda na cara dura


Sexta feira briguei comigo mesma, briguei com Deus, tomei umas satisfações "que porra é essa?sonhei tanta coisa pra mim, e essa aqui é minha vida? se eu batesse as boas amanhã teria valido a pena? Teria nada, sou uma fraude."
E segui me sentindo uma fraude, alguém que não foi, um projeto. Uma vida que é uma bagunça, que é a casa da mãe joana.
Eu só conseguia pensar nos planos que fiz e que não foram adiante, nos amores que morreram na praia, nos problemas práticos que estou enfrentando agora.
Mas como toda boa geminiana, no dia seguinte, já não pensava assim.
Acho mesmo que estou em uma fase de "balanço", esse ano faço 39 e acho que a chegada dos 40 propicia essa reflexão "é isso mesmo que eu queria?".
No sábado tive de recusar quatro convites de amigos queridos: estou em uma fase em que o dinheiro entra, não esquenta lugar e escapa. Não dava pra ir.
Mas a delícia era saber que eu tinha esses convites. Que eu tenho amigos com quem gosto de estar, papear, rir e choramingar, se for o caso.
Mas tinha baixado uma Polyanna de frente e aí ninguém me segura, fica tudo colorido , meu humor fica a mil ( obs. A Urubua que não me venha dizer que tomei ácido, eu sou careta!.;0)
Mas o caso é que estava em casa com o Daniel, fazendo nosso jantar , vendo dvd e pensei na incrível sorte que eu tinha.
Eu sonhei um monte de coisas que não aconteceram, ou que aconteceram e falharam ( como meus casamentos), mas conheço outras lúpicas em situação tão limite...e eu estou aqui, sem dor, com filho, encarando tudo.
Ai pronto, já me sentia a própria mulher-maravilha - quase cantei a musiquinha dela -por não deixar o lúpus dominar, por entrar na unicamp vinda de escola pública e sem cursinho, por ter amado e ter sido amada, por ser mãe, por ter esses amigos deliciosos, por ter trabalhado nas melhores escolas da cidade, por vencer a timidez patológica da infância e conseguir palestrar pra cem pessoas, por tudo.
Por conseguir ver que minha casa é o canto mais gostoso do mundo, por conseguir ver que jogar rpg com o Daniel no sábado é um dos melhores programas que já fiz.
Eu disse pra vocês a Polyanna quando baixa, nem cantando pra subir ela desiste...
Na hora do melhor do meu humor, vi que tinha um recado na caixa postal. Quase pulei.
Na verdade, não era quem eu esperava, mas tudo bem, eu estava "polyannada" e isso não abaixou o astral. Deu uma abaladinha, mas não abaixou.
O recado era mais ou menos assim;" Vivien!!! atende esse celular! Depois você reclama que não consegue falar comigo. Só você não consegue. Tem meu celular certo? é xxxxxx. Entendeu?
Olha, quer ir comigo no Barril? mas a gente tem que chegar cedo, porque hoje é Sandália de Prata e lota. Cheio de mulher , bom pra mim e ruim pra vc ( risadinha escrotinha que homem dá quando faz esse tipo de piada) Ah, então blablablbalbalbla...( falou um monte de coisas, com aquele jeito animadíssimo que só ele tem) blablabla ( silêncio rápido) . Ah, aqui é o W."
Eu ri muito com o recado, com o jeito encantador do W., que é um amigo muito querido.

Eu acho que ainda vou pensar muito sobre as escolhas que fiz, sobre os caminhos que tomei e continuo tomando.

Ainda estou sonhando e desejando muita coisa, mas não posso deixar de dizer: 'confesso que vivi"

09 fevereiro 2007

Tédio



Tem dias que dá tudo errado e só o que a gente precisa é de um colo. É , eu sei, "mulher é bicho esquisito."Mas tem uns dias que o negócio seria esse, chutar tudo, rasgar todas as contas, mandar todo mundo pastar e escrever no blog:
"Procura-se um Ornitorrinco. Tratar aqui."
E só.
Mas tudo bem, segunda feira está perto.

07 fevereiro 2007

O passado batendo na porta


Semana passada um ex me ligou, disse que tinha esquecido um livro na minha casa ( séculos atrás) e se eu poderia entregar pra ele. Hum. Primeiro eu tinha que ver SE o livro ainda estava lá. Porque eu guardo presentes e lembranças, mas coisas esquecidas vão pro lixinho do banheiro. Eu fui lá ver, o livro tinha escapado com vida, estava lá.
Ok, vamos combinar então. Aí a coisa ficou assim: você pode na segunda, terça, quarta?
Eu não podia nenhum dos dias. Não é doce não, porque nem tenho saco pra fazer gracinha. Não podia porque tinha compromissos, pepinos pra resolver, abacaxi pra descarcar.Podia na quinta, aliás, até que eu fiz um super convite, a Tati vai cantar no Galleria e eu vou ver.Ele disse que não pode.Mas ele faz doce, ah, faz....conheço de outros carnavais.
Mas é sempre bom rever ex. Pelo menos quando dá pra lembrar dele.
Alguns da pra elaborar uma amizade sólida, profunda. Outros não. Eu tenho um ex que , com certeza, é a pessoa que mais me conhece e melhor sabe lidar comigo. Até o Daniel concorda, apesar de dizer que ele "ainda é um amador". Mas , com certeza, é um grande e querido amigo.
De qualquer jeito, gosto de rever ex. Porque fica claro pra mim, naquele momento, ainda que pontuado com esse ou aquele momento nostálgico, que acaba, que passa. É reconfortante saber disso, porque dentro do olho do furacão, eu me esqueço.

06 fevereiro 2007

Os calouros ( com atualizações)


Eu estava lendo a Lúcia Carvalho, como faço sempre: ela comemorou hoje o ingresso do seu filho na USP. Tô feliz por ela, como mãe, imagino o orgulho.

Aí abro meu email....minha amiga Clélia, esposa do Arnaldo, me dá a boa notícia: Cecília, sua filha, passou na USP também. Vai fazer História . ( uhú!!!!)

Entrar na Unicamp foi uma das grandes alegrias da minha vida, mas o ingresso de um filho deve ser ainda mais emocionante.

E todo um mundo completamente novo, que me deslumbrou e me irritou e que fez isso com várias pessoas.

Quem sabe esses lindos calouros não se conhecem por lá?

Dica daTia Vivien, que adora dar uma de cupido.
@@@@ atualização @@@@
A Cecília me perguntou quem era esse professor aqui. Eu disse pra ela, já que ela vai pra usp e não pra unicamp, não vai ter a oportunidade de me dizer se concorda ou não comigo.
Mas depois ela me conta sobre os professores de lá.
@@@@ atualização 2 @@@@
Acabei de ler , ali na Tati, que o Lucas, também entrou na Usp..
Gente , que galera.
Só vai dar filho de blogueiro???
Parabéns pra esse calouro também!!!!

05 fevereiro 2007

A centopéia


Quando eu era criança, a gente frequentava muito dois sítios, o do meu padrinho, que vou falar em outro texto e o de um primo da minha mãe.

Esse último, para delírio da molecada, tinha um rio deliciosamente gelado com uma cachoeira irresistível. A gente passava o dia lá, chegava morrendo de fome e cansaço, em uma felicidade absurda.

Uma das tradições desse sítio era fazer caranguejada e nunca, nunca me entupi tanto de caranguejo como naquela época. Delícia.

A gente ia em um grande grupo de pessoas, me lembro que os carros faziam uma grande caravana. Não tinha luz, e o lampião era o toque mágico que dava a tudo um halo ainda mais interessante.

Em uma das vezes, quando a gente ia embora, caiu uma chuva monstruosa. uma chuva horrenda. Pela quantidade de pessoas, ia ser demorado, ir e vir com o lampião. Alguém teve uma idéia genial: "e se a gente fizesse uma centopéia?"

E explicou; alguém ia na frente, com o lampião, todo mundo ia atrás, em uma fila indiana...e pra cobrir a cabeça, um super plasticão, um encerado, como eles chamavam.

Pra molecada, festa total, a chuva caía, a gente se esgoelava de dar risada, os adultos faziam medo, e a centopéia de tantas idades saiu da casa até o lugar onde estavam os carros.

Longe, longe...mas isso pode ser a minha lembrança infantil, não sei ao certo.

Me lembro de ter sido divertido, ninguém ficou reclamando, dizendo que estava ruim, que estava complicado, estava todo mundo, em fila indiana, debaixo de chuva. Se divertindo.
Apesar daquele tremendo programa de índio, estava todo mundo se divertindo.

Eu tenho certeza, absoluta, que consigo rir de mim mesma por ter vivido cenas assim.

O bom humor da segunda feira


Eu já disse em outros textos, mas quero repetir: Adoro segunda feira.Adoro.

Como já disse antes, acho que é o dia das possibilidades, das decisões, das oportunidades. E eu estou precisando de tudo isso, imediatamente.

Eu estive pensando nesse final de semana, como tive a decisão certa em me mudar. Além da casa que tanto gosto, ganhei de quebra alguns novos amigos e tenho a sorte de ser vizinha de velhos amigos. Isso é muito novo pra mim, nunca dispensei pra vizinhança nada além de um olá muito do chocho. Sempre tive um preconceito horrível com vizinho.

Agora é tudo diferente. Eu posso passar na casa de F. ou M., minhas amigas desde a graduação, como posso dar um pulinho na casa do Pablito e da Nil, ou do M. - que diz ser meu maior leitor, olha que delícia...! - ou da C., pra conversar, discutir, debater, rir.

Sábado almocei no Pablito e na Nil, além da comiga deliciosa, o papo divertido foi a grande estrela da tarde. Daniel adorou.

Sabadão à noite eu voltei pros praços de Dickens. ( Quem pensou que eu preferia outros braços. acertou....mas me contentei com ele mesmo.)

Domingo, na casa da F., revi P. uma amiga querida que conheci também na graduação, que me apresentou , dessa vez, o irmão e a cunhada. Muito simpáticos e divertidos, contavam da vida no Canadá, onde moram.
Claro que eu, pobretona e provinciana como sou, adoro ouvir isso. É tudo tão diferente, que tenho a certeza que só quem viaja muito efetivamente vive. Sempre me sinto em dívida comigo mesma, quando converso com amigos com essas experiências fantásticas.
O final da noite foi com todo mundo se perdendo em uma cidade próxima, onde a gente foi buscar um super sanduiche. Delicioso, imenso, totalmente oposto do que eu deveria comer, já que estou de dieta. Estou...acho.
Todo mundo perdido, pedindo informação, se perdendo de novo, até achar uma portinha esquisita. Olhei torto pro lugar, mas confiei na dica dos amigos,e não me arrependo.
Deveria até me arrepender, com aquela orgia calórica. Mas foi tão bom pra mim, meu bem.Oh, yeah.Quase pedi um cigarro depois.
M., meu maior leitor, faz propaganda do meu blog sempre que pode, e eu adoro isso. Meu ego recém abalado adora isso.
Ele comenta todos, tem os textos prediletos, uma delícia. Nunca pensei que ser lida fosse tão delicioso. Melhor do que o super sanduíche.

31 janeiro 2007

Possibilidades ?


A minha amiga Alek me disse que , ultimamente, repete uma espécie de mantra que aprendeu com no blog no Inagaki : " a vida é boa e cheia de possibilidades".
Hum.
Eu jurto que tô tentando, Alek....mas , pela primeira vez na minha vida, tô duvidando disso.
Em vários momentos, quando uma faceta da vida ia meio mal, eu ia a reboque em todos os prazeres que a vida profissional me dava, e sempre, sempre dava.
Oh, baby, essa parte está uma bela catástrofe e , pela primeira vez, penso , com seriedade em mudar de área.
Mudar de área com 38 anos? Depois tantos anos como professora, depois de um mestrado calcado na experiência e nas propostas de novas formas de educação? Pois é, nada animador.
Há poucos posts, eu disse , brincando, que queria ser blogueira.
O que acho que quero é retomar a paixão que sempre tive pelo trabalho e que, aparentemente, me deixou. Nesse momento, me sinto perdida aí, nas escadas enlouquecidas do Erscher.
Alguém me tire daqui.

30 janeiro 2007

28 janeiro 2007

Post número 100


Faz tempo que quero escrever um blog. Desde que comecei a ler, há três anos. Comecei a ler porque um amigo criou um e insistiu para que eu lesse, através dele conheci outros e outros...o caminho normal dos leiores bloguísticos.
Fiquei fiel leitora de alguns, abandonei outros tantos, revi uns outros: gente que eu achava idiota, acabei achando o máximo...e vice-versa.
Fiz amigos incríveis, boa parte deles pessoalmente, outros ainda só por essa comunicação interessante que é a blogosfera.
Não me canso de dizer que aqui é que tenho lido algumas dos melhores textos que tenho acesso, seja em relação a discussão política ou falando sobre música ou as deliciosas crônicas que encontro todo dia, nos blogs que frequento com assiduidade.
Também já disse várias vezes que tudo vira blog pra mim e tenho vontade de escrever sobre tudo: muita coisa eu não faço, por medo, pudor ou as duas coisas misturadas. Mas que tenho vontade, tenho.
Muitos comentários me fazem rir, me comovem, me irritam e isso é fantástico. Toda essa interação que se tem, transformando o "blogar" em algo coletivo e mutante. Acho que a intertextualidade presente a todo momento é uma das coisas que me seduz.
Eu gosto de cuidar do meu blog: gosto de escrever, gosto de pensar nas imagens que vou colocar aqui, gosto de ler as pessoas que linkei e fuçar nos outros, descobrindo outros escritores.
A idéia de poder escrever sobre qualquer coisa, sem compromisso, sem pauta, sem censura - só a minha interna - é muito instigante pra mim.
Acho que é uma forma de olhar para o Outro e buscar entendê-lo, olhar pra mim mesma e escrever sobre o que penso e sinto. Em uma descoberta constante e , às vezes, dolorosa.
Nem sempre olhar profundamente no espelho é fácil. Exatamente por isso, é fascinante.
Eu descobri o que quero ser quando eu crescer: quero ser blogueira.

Dica da Tia Vivien VI


Queridos amigos, olha que personagem mais lindinha essa amiga do Dudu.Essas minhas xarás são ótimas...
Leiam.

A outra semana


A secretária da médica com quem faço acupuntura me ligou: eu tenho
duas sessões já pagas, que não fiz.
Posso ir lá essa semana.
Quase tive um treco.
VIBREI. A clínica onde eu faço - ou melhor, fazia...- é meu paraíso particular. Na sala onde eu fico toda cheia de agulhinhas espetantes, tem uma luz suave, uma música meio hipnótica e um jardim de inverno com uma aguinha que me deixa moooole , só de pensar que vou ouvir.
Eu achei esse tipo de tratamente realmente interessante, senti rapidamente os efeitos, em vários aspectos.
A médica com quem fiz era extremamente ortodoxa e se "rendeu" a essa técnica há anos, depois de muita pesquisa e observação.
Ela já sabe que alguns pontos são muito dolorosos pra mim, faço manha mesmo, não adianta.
Mas , uma vez devidamente "agulhada", durmo.Durmo mesmo, sonho, elas me acordam. E saio pronta pra absolutamente qualquer coisa.
Essa tradição oriental é de tal forma sutil e profunda, que nem me atrevo em tentar compreendê-la. Talvez não compreendê-la também tenha um toque mágico. E eu gosto disso.

26 janeiro 2007

Mas eu sou .....


.......a Vivien.

Eu queria ser....


.......bruxa.

Onde...?


Eu sempre fui cheia de idéias. Sou tão workaholic que quando comecei a trabalhar em na escola X, anotava todas as sugestões que tinha - pra curso extra -curricular, grupos de pesquisa, clube de rpg, oficinas de hq.... Uma vez fui chamada , de repente, pra uma reunião, onde as pessoas deveriam dar sugestões.
Eu tinha um monte , todas anotadas, refletidas. Muitas foram aceitas, muitas foram elogiadas e ganhei um espaço bem bacana junto a direção. Dai em diante, sempre que precisavam de algo: discurso, organização de atividades,organização de grêmio, demonstração de aulas, textos, blabalbalba....me chamavam.
Agora estou em fase de profundas mudanças. Mudanças de trabalho, de área, de coisas que contarei aqui, caso dê certo.
Mas , onde estão minhas idéias?
Onde está a tal criatividade , aquilo que sempre me orgulhei?
Sei lá. Na minha cabeça é que não está.

..................................


Esse ano começou tão engraçado.Fiz amigos maravilhosos e melhorei muito o humor.Acho que já saí mais do que a soma das saídas do semestre passado inteiro.
Mas está tudo tão incerto. Incertezas no trabalho, que me deixam preocupada, já que a vida de mãe divorciada é pesada. Incertezas de tantas coisas , tudo fluido, tudo fluido.
Comecei o ano com saudades e ainda estou. Saudades que não vou matar, porque não tem jeito. A vida é assim mesmo: tem coisas que tem jeito, tem coisas que não. Essa "coisa" não tem, eu que me vire com minhas saudades. E ainda dê um jeito de procurar novos trabalhos e novas possibilidades.
Tô carregando essa saudade como se fosse uma sacola, eu vou e ela vai, uma hora nem noto mais.Mas, por hora, ainda pesa.

25 janeiro 2007

Eu, eu e outra eu


Tenho vários apelidos. Começo como Vivien. Se a pessoa se torna um pouco mais próxima, já me promove a Vivi ou Vi. Eu gosto. Sempre tive uma queda por apelidos.Principalmene os esquisitinhos. Meu primeiro marido me chamava de Careta, porque sou mesmo , careta total.
O segundo marido me chamava de Fadinha. Pode rir, porque começou com uma ironia e acabou pegando. Algumas primas me chamam de Vinha. Em tio me chamava de Tivics, Vika e outras coisas esdrúxulas.
Mas eu gosto mesmo, é de ser chamada de Vivinha.Meu apelido familiar, apelido que eu sou chamda por poucos e muito queridos amigos. Apelido que fui chamada por homens que gostei muito, muito mesmo. E ainda gosto, aliás.
Apelido de criança que acho que , de alguma forma, entra em contato com a parte mais íntima da minha personalidade.

24 janeiro 2007

Ainda sobra minha viagem


Eu disse no post anterior que tive uma gravidez tranquila. E tive mesmo.Estava no último ano da graduacão, participando de um projeto de pesquisa sobre Anarquismo, toda feliz.
Fui em passeata anti Collor, apresentei trabalho, senti desejo de comer miojo, muito miojo, vi filme, chorei em muitos, li muito, chorei de novo. Os nervos totalmente à flor da pele.
Assistia as aulas com muito sono, conversava com a barriga "vamos na cantina comer mousse, neném?".
No dia anterior ao parto, comecei a sentir contracões ja bastante fortes.Passei a noite em claro, acordei meu então marido de manhã, já morta de dor.Fomos pro hospital e nada. Dor, dor. Devo dizer que sou muito, muito exagerada. Tudo é muito. Gosto muito, odeio muito, desejo muito....e quando sinto dor, sinto muita dor.
E fiz um escândalo daqueles. Porque aquela dor dos infernos merecia.
Grudava o coitado que passasse do meu lado, e com olhos injetados, suplicava algo pra dor.
Algo pra dor, pelamordedeus!!!!!!!
Fiquei o dia todo assim porque Daniel depois das sete da noite.
Eu tinha a estranha teoria que , se ficasse sozinha, sem marido ou mãe, eu seguraria a onda.Tola teoria.
Um residente assumiu o papel de anjo da guarda, ficou segurando minha mão e se emocionou: "nasceu...nasceu!!!", todo feliz. Tinha o sugestivo nome de Eugênio ( "bem nascido") e riu quando eu disse que tinha visto seu RA. Ele era de 89, logo tinhamos entrado no mesmo vestibular.
Lembro que ele brincou comigo
- Sei...voce me viu e pensou, alguem traga um médico de verdade...!!!!
Como o parto foi muito difícil,correram com o Daniel para prestar os primeiros cuidados.Eu ainda nao sabia, mas ele tinha nascido com o apgar ( teste aplicado aos recem nascidos) muito baixo.
Como minha avó dizia, a dor foi esquecida rapidamente,.
Nunca senti algo assim. Olhando o bebê que tinha sido gerado no meu corpo, me senti a mais forte, a mais poderosa das mulheres. Eu mudei aquele dia e mudei pra sempre.
Nunca imaginei que um amor daqueles pudesse existir, um amor total, sem limites.
Nos dias mais dolorosos, é nesse amor que busco abrigo.


A minha viagem


Eu me lembro exatamente do dia que fui pegar o resultado do teste de gravidez, em 1992. Já contei isso aqui. Fui com uma amiga e quando li, gritei e pulei tanto, que as pessoas do laboratório vieram dar parabéns. Foi um dos dias mais felizes da minha vida.
Aqui cabe dizer que tenho lúpus e que a gravidez seria de risco. Assim, todo mundo, mas tooodo mundo mesmo, ficou muito preocupado. Eu os entendo. Mas queria que alguém ficasse feliz comigo, porque eu tinha sonhado com isso a vida toda.
Eu sempre desejei ser mãe. Acima de qualquer coisa, queria e quero ser mãe. Tudo está abaixo disso. E , naquele momento, era a possibilidade de realizar um sonho.
Naquela época, eu cantava "trem do pantanal" pro Daniel, cantei a gravidez toda e me emocionava muito com a tal música.
Por incrível que pareça, só no ano passado, percebi o que batia nessa música.Percebi que a viagem era mesmo só minha e que não consegui dividi-la com ninguém.
Não tive mimos de grávida, não dividi isso com meu então marido. Por opção dele.
Eu estava ótima: me sentia bonita, feliz, não tomava nada de remédio, tive parto normal e cuidei daquele bebezinho como se eu tivesse feito isso a vida toda. Mesmo nunca tendo carregado um bebe tão pequeno.
Não creio em instinto materno inato, concordo com E. Badinter, acho que é culturalmente construido. Mas suponho que algumas pessoas devam ter alguns desses instintos. Eu tenho.
Cantando "trem do pantanal", eu segui com a gravidez que tanto desejei. Em uma viagem muito peculiar, íntima e única.


trem do pantanal - almit sater

Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
As estrelas do cruzeiro fazem um sinal
De que este é o melhor caminho
Pra quem é como eu, mais um fugitivo da guerra
Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
O povo lá em casa espera que eu mande um postal
Dizendo que eu estou muito bem vivo
Rumo a Santa Cruz de La Sierra
Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
Só meu coração esta batendo desigual
Ele agora sabe que o medo viaja também
Sobre todos os trilhos da terra
Rumo a Santa Cruz de La Sierra