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14 junho 2011

O Dia em que meus alunos choraram





Quando trabalho com um tema, faço uma opção metodológica: faço, como qualquer professor, um recorte que privilegie um determinado ponto de vista.
No caso do Nazismo, coloco mais peso na força da propagana e no caos que o preconceito aliado ao poder pode fazer.
Ao trabalhar esse filme, A Lista de Schindler, me pautei na força dramática de Spielberg - vamos combinar, o cara tem dom de mexer nas nossas emoções mais baratas, ele usa uma luz x, uma músca y e todo mundo pira, é um dom - optei por usar esse filme porque acredito que a Segunda Guerra deva ser observada , em especial, pelo viés da destruição em massa, baseada em teorias supostamente cientificas e imortalizadas nos discursos enlouquecidos do Fuhrer.
Ao trabalhar com cinema em sala de aula, tento instrumentalizar a moçada para que eles apurem seu olhar, para que tentem exercitar esse tipo de análise em outros momentos.
Mais tarde eu posso sugerir filmes mais complexos, aliás, creio que eles mesmos os descubram. Por hora, me jogo no cinemão.
Mas algo me motiva mais: apresentar a individualidade daquelas pessoas, no intuito de deslocar o olhar do aluno e fazê-lo executar sua alteridade em um nivel mais intenso.
E acho que isso rolou. Uma oitava terminou o filme fungando o nariz, clima tenso, triste. A outra oitava aplaudiu o filme e se debulhou em lágrimas torrenciais. Um menino, antes de terminar o filme, pediu aos prantos, para sair da sala. No meio da choradeira, duas meninas se abraçavam, chorando e dizendo "coitados, coitados..".
Em um mundo onde a violência está cotidianamente banalizada, ver adolescentes tocados com o sofrimento do Outro é algo que me deixa comovida.
Não digo que amo essa moçada?

03 março 2011

Quo vadis











Em breve estarei de notebook em punho, pronta pra blogar furiosamente. Porque sou uma sem-net, certo? Já faz um tempo que blogo dos lugares possíveis ( casa da minha mãe, lan...) e isso enche. Mas dias melhores virão.
Por hora o que posso dizer é que estou com as turmas mais legais que já tive: Quintas são sempre quintas, afáveis, engraçadinhas, curiosas. As sextas estão empenhadas em fazer peças medievais e se desdobram em ser atores, diretores, roteiristas e figurinistas. As sétimas me deixaram descabelada com as posições conservadoreas e autoritárias que tem, mas estão dispostos a discutir, debater, não tem a supostas verdade absoluta que alguns alunos pretendem vomitar por aí. Não. Eles querem aprender, debater, perguntar. E eu adoro. As oitavas são turmas excepcionais: empenhadas, criativas, uma delícia. Vão fazer um debate sobre doutrinas políticas e acho que vai rolar: porque com eles, tudo rola.
De resto, na minha política de ser feliz todo dia...recebi amigos queridos em casa: foi ótimo, adorei preparar os petiscos ( homus e antepasto de berinjela, direto do Rainhas do Lar) e adorei conversar com aqueles queridos.
Nos últimos dois dias tive um tratamento vip: fui almoçar ontem e hoje na casa de amigas queridas e ..uau. Uma me serve comida orgânica, chá francês e aceita criar um blog ( yes!) a outra me presenteia com torta, sorvete e solicita uma "aula de facebook".
Confessem...vocês não acham que tenho as melhores amigas do mundo?

18 novembro 2010

Os chatos











É muito bom ser professora. Eu já contei tanta coisa de alunos...já falei disso, disso e disso. Mas hoje eu queria falar sobre o Lado Negro da Força.Porque nós, professores, também temos o nosso ladinho Dart h Vader, vamos combinar.
Eu gosto dos meus alunos, sempre gostei.Em todos os anos como professora, só não gostei de dois alunos. Mas não foi só não gostar, eu confesso aqui, eu detestava aquelas criaturas.
Uma era uma garota chata. Chata, gente, chata...não era bonita, nem feia, nem burra, nem inteligente: era um zero à esquerda. Era uma tentativa patética de ser indisciplinada, mas era tão chata que nem adeptos pra bagunça conseguia.
Nada contra os indisciplinados: em geral, são engraçados, criativos, me dei bem com grande parte deles. Mas essa coisinha aí eu confesso, eu passava longe, eu doava, eu preferia não ter conhecido.
Mas o pior era o menino. Eu fui sua professora há muitos anos, hoje ele é adulto.
Era uma criança medonha e deve ser um adulto medonho, não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe, sacumé?
Ele era um lindo garoto, no maior padrão angelical: olhos imensos, azuis, cabelinho loiro.Mas eu vou dizer pra vocês....nunca conheci um menino tão cruel com as outras crianças, tão sádico, tão manipulador.Tudo com os grandes olhos ingênuos negando....
Vocês podem estar ai pensando que vou queimar no fogo do inferno por dizer isso, mas eu não tenho culpa de ter dado aula pro Bebê de Rosemary crescido!
O moleque parecia saído de um filme de terror, saca criancinha malévola no estilo A Profecia???
Nunca vi aquilo, tão jovem e tão escrotinho.
Pra se ter uma idéia, os professores chamavam a criatura de "anti cristo". Um dia, na sala dos professores, a professora de português dizia:
- Ah, eu venho dirigindo e rezando, rezando...
( risadas de todos)
- Aí eu me imagindo colocando a mão na cabeça deles e rezando...
( risadas de todos)
Sério, povo, a turma era tenebrosa messs.
- E o "anti cristo", você também abençoa??
- Até que eu eu tento, mas pelo sim e pelo não, não dou as costas pra ele não...


******* queridos, leiam os textos que deixei linkados aqui, são três textos que gosto muito e que traduzem bem a vida dentro de sala de aula. Beijos.**********

28 outubro 2010

Baseado em fatos reais


























Professora chega em casa, deita no sofá, mãos na cabeça, fazendo a dramática:

-Meu trabalho não serve pra nada, nada. Não consigo inspirar aqueles meninos, são tão conservadores, alguns tão alienados que me dá uma angústia hoirrível. Não sirvo pra nada ali..Parece que o negócio é consumir, usar etiquetas idiotas, ouvir músicas idiotas, ninguém quer ler, caraca, em pleno ano eleitoral..e ..bláblábláblábláblá...caraca, sou professora, não sou domadora de leões...chego no maior pique, cheia de ideias e blábláblá....sério, não adianta. Eu não faço a menor diferença na vida daquelas crianças.

Filho da Professora, acostumado às nuances da profissão da mãe, consola:

- Claro que seu trabalho faz diferença. Nem todo mundo vai ser alienado, vocêvai ver, logo eles já estarão lendo jornal, comentando as notícias, vendo o mundo. Desencana, mãe.

- .............( meneando a cabeça e querendo pular de um abismo)


@@@@@@@@@@@@ Dias depois @@@@@@@@@@@@

Professora chega em casa, toda animadinha, joga a bolsa, senta no sofá, pega a cadelinha no colo, conta:

- Você nem acredita, precisa ver que bacana a moçada da sétima série discutindo política, discordando, dando opiniões, tudo com a maior qualidade! Adoro quando discordam de mim, adoro discutir com gente inteligente, argumentos interessantes, não piadinhas imbecis de gente burra, mas argumentos mesmo, estruturados..adoooro isso.....odeio aluno com cara de morri-ontem-sentei-aqui-cadê-o~coveiro...

Filho da Professora:

- Viu, não falei? É isso. Tinha certeza de que logo alguma coisa legal ia acontecer.

- Ah, e outro dia eles terminaram uma prova...um abriu um livro, depois outro, e outro. Quase tive uma síncope, disse pra eles que isso era o sonho de qualquer professor...METADE da classe lendo concentradíssima! Até fotografei...haha
E blábláblá...uma aluna vai cantar "Meu guri" e a outra diz que adora Chico, Cazuza, Caetano...não é o máximo?



@@@@@@@@ à noite @@@@@@@@


- Te contei sobre a eleição da quinta série,né?

- Contou, mãe, deve ter sido bem bacana mesmo. Eles devem ter gostado. Eu queria ter visto

- Foi DEMAIS....Cada equipe escolheu um deus grego e fez campanha...maior barato a campanha.E o debate? Você tinha que ver que demaaaaaiiiss...deu até segundo turno, olha que bonitinho...rs...depois eu te conto como foi, mas olha, acho que deu pra ficar claro o que é democracia, participação política.
(Pensando) Sabe? Alguns daqueles meninos um dia podem mesmo se candidatar. Já pensou?

15 setembro 2010

Tem aluno que....


Faz uns mil anos que sou professora. Já tive aluno de tuuuudo quanto foi jeito: inteligente, engraçado, chato, preguiçoso, plugado, playboy, mano, emo ( juro que alguns eram bem legais), bem humorado, esforçado, cego, com Down, gênio, bipolar, adotivo, filho biológico, hetero, gay, com dificuldade, rico, bobo, generoso, agressivo, gentil, criativo, falante, calado, tímido, expansivo.
Outro dia um carro buzinava histericamente, dentro dele, um homem adulto ( adulto, povo, vejam isso) berrava: Vivien, Vivieeeeen, tiiiiaaaa!!!
Converso com alguns pelo orkut, vejo suas vidas, filhos, profissões. Morro de orgulho deles, me lembro de trabalhos, de micos, de saídas de estudos - que me deixavam de cabelo em pé e coração na mão.
Rimos juntos de coisas banais do passado. Dou uma de mãe e conto no twitter que a jovem jornalista que ali posta ia pra aula com uma boneca no colo, ela quas me mata, a gente se esborracha de rir.
Outros esqueci, outros faço questão de esquecr, porque, vamos lá, né? sou professora, não a Madre Tereza de Calcutá!
Mas acho que tenho um provilégio ímpar: eu consigo estar com eles em um momento nevrágico de sua vida, momento que eles só vão sacar o nível de importância décadas depois. Mas eu sei hoje e acho incrível.
É um provilégio ver essas jovens mentes se desenvolvendo.
Hoje foi um dos dias que isso ficou mais claro: passei parte da tarde escolhendo canções de protesto e outras ligadas à contracultura para um grupo de alunos muito especiais apresentar na Mostra Cultural da escola.
Vou ser muito, muito coruja se eu disser que eles escrevem bem, cantam bem, tocam bem, desenham bem...e PENSAM melhor ainda? Ah, vou ser, mas paciência. É uma moçadinha de ouro, povo.
E a apresentação? Vai ter trechos de Brecht, vai ter pinturas, vai ter uns lances cênicos e eu me pergunto se seria possível qu eu me realizasse tanto assim em outra profissão. Duvido. Como eu disse, é um privilégio.

26 junho 2010

Quase de férias


Queridos, nem vou reclamar porque trabalho demais, porque isso é sempre, sempre uma benção. E tenho sorte, vamos combinar, meus alunos são uns fofos.
O grande lance dos últimos tempos foi a mudança de uma oitava que era fria ( fria? gélida!) e está uma gracinha, mas uma gracinha de tal forma que vou toda serelepe dar aulas pra eles...e antes, eu parecia um gato tomando banho, na porta da sala.
Hoje trabalhei em um cursinho para Enem, algo que faço pra deixar meus sábados mais divertidos ( hahahahah, rola, rola...).
Brincadeiras à parte, o trabalho é bacana.
O complicado foi voltar de Pira cantando ao volante e me perder: exatamente por que eu me perco em estradas? Não sei, mas eu surgi em Vinhedo, não me perguntem como.
Vim para a casa da minha mãe, vou sair com meu irmão querido que mora em São Paulo. Tô aqui esperando a pessoa se embelezar. Aproveito pra ver MasPoxaVida, ler blogs e escrever essas bobagens.
Daniel foi em um show: o segundo da sua vida. E eu digo pra vocês: é difícil ser mãe de adolescente, viu? Difícil mesmo. Um stress. Mesmo um cara legal como meu filho, é uma idade complicada.
Amanhã a programação vai ser: fazer um almocinho para o garotão que vai acordar tarde, terminar de corrigir umas provas, lançar umas notas e preparar as atividades da última semana.
Por hora, pensei em finalizar a oitava com dois trechos do youtube( tenho usado muito youtube em aula) com trechos de Olhos Azuis e aquele videozinho da boneca branca/boneca negra.
Pensei nisso porque quero incluir a discussão de racismo e pensei muito sobre o que uma aluna querida disse: que eles estavam melhorando porque eu havia elogiado e eles queriam corresponder aos elogios.
Como fica alguém crescendo não apenas com pouco /nenhum elogio, mas criticas sistemáticas?
Se eu conseguir fazer a discussão render, fico feliz.
Aí coloco pilha para os debates que quero fazer no semestre que vem. Comecei a fazer as avaliações da aula: sempre fiz isso semestralmente, para localizar o que está bacana e o que precisa mudar. Estou adorando o resultado.
Eu não digo pra vocês? Meus alunos são uns fofos.

18 maio 2010

Ludoteca


















Esse projeto está sendo gostoso de montar: uma ludoteca para a escola é sempre uma boa pedida. Atualmente, as sextas estão montando seus jogos, cujo tema é um diálogo entre a idade média e idade contemporânea.
Acho que a tendência é tentar adaptar coisas que gostamos para o universo da aprendizagem, e poucas coisas, na minha opinião, são tão divertidas quanto um bom jogo de tabuleiro. A próxima vez será das quintas: jogos sobre incas, maias e astecas.
Deixo aqui alguns flagras dos meus anjinhos.

11 maio 2010

Alunos hoje e sempre


(Aluninho na frente da sala, explicando alguns temas estudados na semana, quinta série)


- Então...o Sambaqui era um amontoado de conchas, carapaças, sabe? Servia de cemitério, aquele negócio de olhar - mirante...- e eles também usavam pra demarcar territórios.
Ah, o nome? é do tupi...mas virou "sambaqui" mesmo porque tem esse negócio de samba, né?

Rindo, eu parei e corrigi, mas aposto que vai aparecer algo assim na prova...

+++++

( Aluninha na frente da sala, mesma situação, outra turma)

- Niéde Guidon foi uma arqueóloga...
- "Foi" não, Fulana, "é"..ela está viva.
- É professora? ué, ela tem nome de gente morta.


+++++

Depois de mostrar Maus para os alunos de oitava série, uma dupla - incrível - pede pra elaborar uma HQ sobre Nazismo. Claro que adorei a ideia. O aluno vai roteirizar e a aluna vai desenhar. Ambos talentosos e muito inteligentes.
Dias depois, me mostram. Sento, com os olhos turvos, a HQ na mão e o coração até doendo: ESTÁ LINDA. LINDA, gente. Quando eles forem famosos, vou contar que foram meus alunos.


+++++


Na sétima, uma aluna desenhista usa cabelo azul. Bom, azul, rosa e um pedaço roxo. Outro dia perguntei: "cadê sua sombrancelha?"
- não gosto dela, tirei tudo e pintei outra.




+++++

Na sala dos professores, entra uma professora chateada:
- Poxa, o Dunga não convocou o Ganso!
Eu olho para R., um professor que, como eu, é analfabeto em futebol. Ele olha pra mim e pergunta baixinho:

- Esse Ganso é aquele Pato?



Professores de todo o mundo, uni-vos...rs

09 abril 2010

vote em.....


Como estou contando as aventuras das quintas séries, vale a pena lembrar disso aqui: durante muitos anos, eu utilizei uma estratégia lúdica pra discutir questões relacionadas ao processo democrático.

Como as crianças tinham que discutir conceitos como cidadania, democracia e poder, percebendo as diferenças entre essas concepções quando de sua criação e hoje, fazíamos o seguinte: cada grupo escolhia um personagem mitológico grego e se preparava pra sua eleição.Formavam uma equipe que iria fazer sua campanha.

Começavam com uma reunião pra dividir tarefas, passavam pra pesquisa sobre o seu personagem e dos outros, faziam material de propaganda, discursos, jingles. E se preparavam pra o momento que mais gostavam, a hora do debate.

A idéia era utilizar a pesquisa para "questionar" a competência do outro candidato. Assim, eles tinham a seguinte estrutura: pergunta - resposta - réplica - tréplica. Dois cronometravam e todos debatiam.

- Como você pode defender o seu candidato....? Zeus era infiel!

- Não dá pra confundir vida privada com vida pública!!!

- Mas se ele trai a mulher...pode trair os eleitores....balbalbalbal


@@@@@@


- Seu candidato estimula o alcoolismo!

- Dionísio não prega o alcoolismo , isso fazia parte da cultura deles e...bnlabalbalbal


@@@@@@



- Sua canditada, Athena, é incoerente. Ela é a deusa da sabedoria e da guerra..!

- você está sendo anacrônico, eles pensavam diferente da gente e....


( cada vez que eles falavam "anacrônico" eu tinha um treco)



@@@@@@


- Sua candidata é fútil, só pensa em beleza exterior..

- ISSO não é verdade, Afrodite se casou com Hefestos, o deus mais feio de todos!

- casou porque foi obrigaaaaaaada e blablabla...



Isso durava algumas aulas, eles discutiam um pouco antes de dar a resposta, suados e felizes, alguns fantasiados, outros com crachá do seu candidato.


Em geral, respeitavam as regras: não poderiam dar brindes ou colocar cartazes fora da delimitação.Palavrões também eram proibidos, mas às vezes a própria "denúncia" era um problema...( "professora, ele falou foda, falou fooooooda, foooooooodddaaaaa...!!!!")

Algumas mães entravam na jogava, ajudando com o material que eles traziam, aparecia , por vezes, um Poseidon com barba , coroa e tridente, por exemplo.

A experiência foi muito interessante pra mim e, pelo que notei, pros meninos também. Como acompanhei várias turmas crescendo, conversamos sobre essa atividade anos depois. Até hoje recebo mensagens por email e no orkut.
Meu projeto é que eles vivenciassem o processo democrático, experimentando-0 , envolvendo-se nele. Gostava de perceber que assim eles também desenvolviam a argumentação, o trabalho em equipe, a ética. Recebi denúncias de "compra de votos" que deram em "cpi" extremamente rigorosas. Quero pensar que contribui, ainda que de forma simples, pra formação da cidadania desses meninos.

E eu me diverti muito, muito mesmo.




@@@ publicado originalmente em 2007.

25 março 2010

Alunos, alunos e alunos ( com atualizações)


Frases que ouvi essa semana;

"Prô, você tem blog, twitter...você é moderninha.."

(Moderninha, aguenta essa.;0)

Enquanto começamos a preparar o projeto Livrinho de Pré-história, na quinta série:

"Minha cabeça está tão cheia de ideias que eu acho que vai explodir!" (Gabriel)

Claro que eu fico hiper feliz com isso, morro de rir, acho o máximo. Mas como nem tudo são flores nesse mundão de meu Deus, um outro menino, na mesma sala, no mesmo projeto, decreta;

"Eu odeio esse livro, vou odiar fazer, vou odiar o tempo todo."


O que me anima é aluno empolgado. Nada mais desanimador do que aluno com cara de nada, preguiça de respirar e ombros caídos. Ai, meus sais, não aguento.
Adoro quando a sexta inteira levanta a mão, perguntando milhares, milhões de coisas que parecem brotar naquelas cabecinhas geniais.
Os clássicos.."e se?"

" E se o cara é suserano de um e vassalo de outro, mas os dois estão em guerra...quem ele ajuda?"

" E se o mensageiro não chegar a tempo?"

E as clássicas perguntas romãnticas:

" E se o senhor Feudal se apaixonasse por uma serva?"

O bacana é tentar mostrar uma outra forma de olhar e sentir o mundo, diferente da nossa, com outras cores e valores.
Mas é divertido, por que o "e se" é quase sem fim.

As oitavas fizeram seu primeiro debate, uma das turmas foi muito bem, considerando-se ser a primeira atividade e não ter tido pesquisa, apenas preparação simples.
Mas ainda penso que preciso de RedBull para conquistá-los.


A sétima entende rápido, lê bem e escreve melhor ainda. Em uma atividade simples, um mini seminário, grupos pensam em fazer power point, grupos pensam em se apresentar como uma pequena peça.
E me procuram, de laptop na mão, para ler os mini roteiros bem bolados sobre Absolutismo.


****

Publiquei esse post hoje à tarde, na escola. De lá, fui com outros professores em uma gostosa Temakeria da cidade. Um dos donos, um jovem muito bonito, olha e diz:
- Você não é a Vivien?

Gente, foi meu aluno. Lembro dele garoto, foi demais reencontrá-lo. Fiquei sabendo que outros da época do Farroupilha - escola que adorei trabalhar - aparecem por lá.
As lembranças vem aos borbotões: aulas, trabalhos, provas, barracos, bagunças, broncas, risadas. Cara, ser professora há 16 anos é algo muito engraçado. E muito bom.

E é por isso que eu acho que estou onde eu realmente deveria estar.

18 março 2010

alunos e avós I


Essa história tem uns dez anos. Eu trabalhava em uma escola deliciosa, com sala ambiente, turma pequena e interessante, onde experimentei e aprendi muito.
Uma das atividades que eu fazia e gostava muito era ajudar as crianças a escrever a biografia dos avós, trabalhos que saiam comoventes, lindos.
Uma das vezes, pedi a uma aluna que convidasse sua avó pra conversar com a turma. Elas toparam: preparei a moçadinha - uma turma maluca de quinta série, e já falei como as turmas de quinta série são...- pra receber nossa convidada.
Ela era uma senhora já bem idosa, bonita, simpática, cabelinho branco e colar de pérolas, "Composta" - diria minha avó.
Ela era ucraniana, falou sobre sua infância, as brincadeiras, família, tudo o que eles perguntavam.
A curiosidade deles era infindável, foi delicioso. Ela era o centro das atenções, da forma mais respeitosa que vocês puderem imaginar.
Contou que ainda muito jovem, fez um treinamento como paraquedista e foi para o exército, trabalhar como uma espécie de enfermeira, durante a segunda grande guerra. Contou sobre toda as mudanças trazidas pela guerra.
Explicou que foi se despedir dos pais, que choravam muito, e disse que em alguns meses eles se veriam novamente, não precisavam se preocupar.Ela fez uma pequena, emocionada e significativa pausa e acrescentou:
- Eu nunca mais vi meus pais.
A turma estava em um silêncio total. Jamais vou me esquecer da carinha deles, quando ouviram essa frase. Contou sobre sua vinda para o Brasil, sobre a pobreza que passou, sobre a barreira da língua. Disse o quanto se esforçaram para que todos os - oito - filhos estudassem, falou com orgulho sobre isso, sobre filhos e netos brasileiros.Saiu da sala com beijos das crianças e tão feliz quanto eles. E ficou na minha história pra sempre.***publicado originalmente em abril de 2007.

06 março 2010

Minha veterana


Quando entrei na Unicamp, minha vida mudou totalmente. Era um mundo novo, com debates, leituras e situações completamente diferentes pra mim.
Logo nos primeiros cinco segundos, fiquei amiga de Mara, que se tornou minha eterna veterana, como a chamo até hoje.
É realmente curioso como algumas amizades surgem rápida e espontaneamente e como isso cria um elo forte e duradouro.
Lá naquela época vivemos coisas incríveis...aulas, festas, papos intermináveis, tudo o que rola na vida acadêmica. Depois de formadas, a gente se perdeu um pouco de vista, foram alguns anos sem se ver ou conversar.
Em um mundo pré internet, isso acontecia.
Mas depois de um tempo, graças a um amigo em comum, a gente se reencontrou e continou a papear e rir como se nenhum minuto tivesse se passado.
Periodicamente, a gente se encontra em um restaurante japa gostoso aqui de Campinas: o papo não pára, é sempre uma delícia.
Foi isso o que aconteceu ontem e foi bom pra caramba. Além do mesmo curso ( História na Unicamp) agora rola outra coisa em comum: trabalhar na mesma rede de escolas, o que propicia uma boa troca de figurinhas.
A vida corre que é uma coisa, ontem eu tinha vinte, hoje tenho quarenta...e um.
(As duas garotas da graduação casaram, tiveram filhos, se formaram, trabalham, etc e tal. Mas quando se encontram, tem vinte anos de novo.)
Milton estava certo, amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não, mesmo esquecendo a canção.;0)


25 fevereiro 2010

Mundos e mundos




Depois de três anos dando aulas em faculdades da cidade, voltei a trabalhar com a moçada de quinta a oitava. E é realmente um outro mundo.
As turmas de quinta são sempre interessantes: fase de transição e mudanças, onde tem que conviver com vários professores e milhares de novidades. Topam tudo, vão na frente da sala de aula, pulam, reclamam que o colega pegou o caderno, a caneta, o boné. Levantam a mão e querem responder às questões, ainda que sua resposta seja idêntica a do colega. Falam todos ao mesmo tempo e é hercúlea a tarefa de ensiná-los a organizar as falas, sem atropelos.
As meninas tem trinta milhões de canetinhas coloridas; meninas e meninos fazem grupos à parte; fazem perguntas fofas.
As sextas já são pré-adolescentes; meninas e meninos trabalham juntos, paqueram, discutem. As meninas comandam as equipes, brigam com os garotos, se tiram nota baixa. Cobram dedicação. Topam a maior parte das atividades, são animadas, estão sempre pilhadas.
As sétimas são um encanto: jovens o suficiente pra se animar, maduros o suficiente pra elaborar melhor as discussões. Poucas coisas são tão gratificantes quando ensinar História pra essa moçada.
Divertidos, trabalham bem e produzem de forma interessante.
As oitavas passaram pelo "portal do mal", são definitivamente adolescentes, então acham a vida um tédio, os pais um tédio, os professores um tédio e não veem a hora de bater o sinal pra se jogar no msn.
Dentro esse universo paralelo adolescente - povoado de bandas, filmes e vampiros - existem jovens bastante curiosos, inteligentes e interessantes. ( Dentro daqueles corações adolescentes ainda há vida..rs)
Estou bastante animada, mil projetos bacanas, material novo, estrutura nova, tudo é um estímjulo.
Semana que vem vou explorar uma Lousa Digital, coisa que ainda não fiz e morro de curiosidade. Nesse final de semana faço um curso com os autores do material usado, coisa que sempre facilita o trabalho.
Nessa semana, uma aluna conversando com um ou outro professor sobre música, conseguiu sacar o gosto de cada um: baixou e gravou cds personalizados pra cada um de nós.
Me diga uma coisa: não é de uma delicadeza ímpar?





Alunos


Juro que ouvi:

Fulano (12 anos)

- professora, com todo respeito, sua blusa é sexy....

( a frase já seria engraçada...mas o "com todo respeito" é pra derreter qualquer um)


Mês passado, uma aluna jovem e bonita apresentando trabalho no curso de engenharia e o Sicrano ( 33 anos) de olhos compridos à lá lobo mau pra cima da menina:

( eu, repressora total) - Sicrano, sossega aí , você é casado e tem três filhos que eu sei...

( Sicrano, rindo) - poxa, professora, boi amarrado também pasta......

( Se ele mandasse um "cavalo velho gosta de capim novo" eu juro que levava uma tamancada no meio da idéia)


Uma aluninha de 13 anos vem me procurar:

- professooooora......
- fala...
- sabe o fulano?
- ahã.
- você sabe que a gente fica, né?
- sei, você contou.
- então...
- ......
- quando a gente fica é super legal, mas quando a gente se vê aqui na escola, ele nem fala comigo. Na hora do intervalo, ontem, eu falei oi e ele nem olhou! nem olhou!!
Uma hora manda um monte de email, uma hora a gente fica...e uma hora ele nem fala comigo.....isso é normal???

( O que eu poderia dizer? que talvez ele não crescesse nunca? Que isso poderia acontecer com ela até os 30, vixe, não......então, eu menti)


Há anos eu trabalhava em uma escola, como professora de História, no ensino fundamental. A escola tinha salas ambiente, turmas pequenas, muito bacana. Um dia, no meio da minha aula, um aluninho que eu adorava, todo descoladinho, cabeludo, aparece com um buquê lindíssimo pra uma aluna. Claro que eu deixei entregar e claro que minha aula acabou ali.
As meninas todas ficaram histéricas, em volta da presenteada, como umas abelhas barulhentas e alegres. A dona das rosas, estava roxa, rindo.
Eu estava curtindo tudo aquilo, fui dar um beijo no cavalheiro mirim:
- o professor Tal disse pra eu dar as flores na SUA aula...disse que você ia adorar. Você adorou, né, Vivien??


( Adorei .Tomara que ele tenha continuado assim.;0)



***post originalmente publicado em novembro de 2006.

11 setembro 2009

"Mudaram as estações, tudo mudou.."


Trabalhei a maior parte do tempo como professora de História pra pré-adolescentes e adolescentes. Quem é professor, sabe o que digo, ninguém sabe exatamente o que é conseguir atenção, até falar sobre a Revolução francesa pra molecada de 13 anos.
Realmente, conseguir a atenção de quarenta adolescentes é uma tarefa hercúlea. Estou falando em atenção, atenção mesmo, não silêncio sob chibata.
Trabalhei em diversas escolas particulares da região de Campinas, tive a sorte de trabalhar com diretoras extremamente criativas, que apoiavam inteiramente os projetos que desenvolvi.
Coordenação já é outra História. Em alguns lugares trabalhei com coordenadoras incríveis, que me ensinaram muito, em outros, com burocratas sonsas, das quais tenho alergia. Porque vamos combinar, nada pior do que gente sonsa, pé de pato, mangalô.
Acabei indo trabalhar exclusivamente em faculdades da região. Como toda escolha, ganhei e perdi. Ganhei novos desafios. Engana-se quem pensa que se exige mais do ensino superior. Minha experiência em escolas de ponta me mostraram como a maior parte delas tem um nível que algumas faculdades não atingem, por vários motivos.
No começo, adorei a diminuição do stress - trabalhar com adultos é outra coisa - mas senti falta da energia das crianças, da animação.
Se antes eu conhecia todos os meus alunos, nome, sobrenome, gostos específicos...eu os via três vezes por semana, por anos. Entretanto, no momento da relação universitária me vi diante de salas cheias, das quais me lembro de poucos nomes, pois é humanamente impossível lembrar de todos os alunos de uma sala de 70.
Em cada um dos níveis, há aspectos interessantes e aspectos horríveis.
O lado gostoso é sentir que fiz parte da vida deles, que influenciei de alguma forma.
Uma ex aluna queridíssima, Naíma, hoje aluna de jornalismo na Usp, brincou comigo no post abaixo, lembrando-se do livro que eu dei no seu aniversário de 15 anos.
Agora há pouco, antes de chegar na casa da minha mãe, encontrei um ex aluninho. E não adianta, eu sou uma tia mesmo, ele é adulto e eu o vejo como garotinho, como quando contava histórias na aula.
Quanto ao tempo que fiquei com os adultos, passei por várias turmas bacanas - e umas tão chatas que nem vale a pena comentar...- mas as minhas prediletas, foram, sem dúvida, uma turma de Computação ( onde trabalhei com uma matéria de introdução a sociologia) e uma turma de calouras da pedagogia ( onde trabalhei com uma disciplina sobre novas tecnologias).
Turmas interessantes, inteligentes, antenadas e, principalmente, com uma fome de conhecimento, com um desejo de pensar, que não se vê todo dia. Morro de saudades deles.
As escolhas são assim, recheadas de perdas e ganhos. Agora estou fazendo outras escolhas, mas o que vou ganhar e perder, ainda não sei.
Mas quando eu descobrir, conto.;0)

28 abril 2009

Ludus









Ontem terminei uma Oficina muito estimulante para mim: sobre Cultura Popular.
Ficamos juntos por cinco encontros, em noites de segunda feira, no Cenapec, onde trabalhamos diversas abordagens sobre a cultura polissêmica existente no Brasil.
O enfoque foi pedagógio e a preocupação era discutir a aplicabilidade desses elementos dentro de sala de aula, fugindo de um discurso maniqueísta, que encara os brinquedos contemporâneos sempre de forma negativa. Vou discutir esse ponto mais detidamente em outro momento, porque sou uma entusiasta dos jogos e brinquedos atuais.
Assim, discutindo Contos de fada, lendas, brinquedos, brincadeiras, remédios, festas e tantos temas, levamos esses dias.
Ontem, para finalizar, fizemos um café diferente, com bolos e doces tradicionais, chás e doce de leitte. Bom demais.
Sorteei quatro brinquedos que havia comprado na feira hippie, como contei em posts anteriores: um carrinho de tração de madeira, um pato colorido que era empurrado com um cabo, uma torre de hanói e um pião. Os brinquedos foram usados ali e espero que sirvam para colorir as aulas desses queridos professores.
Hoje, apra minha alegria, no post onde comento sobre os brinquedos, uma das alunas comentou:

"educadora said...
Oi Vivien,
Tudo bem? Sou aquela sua aluna que ganhou o pião no sorteio, amei sua idéia!!!
Bom eu ainda não consegui fazer ele rodar, mas ....meu pai adorou o brinquedo, ele tem 63 anos e me disse que brincou muito com este brinquedo na adolescência, precisa ver como ele se empolgou!!!!
A oficina foi maravilhosa,
Bju
Néia"


Um dos pontos que trabalhamos foi exatamente esse: recuperar algumas memórias e fazer disso uma ponte para entrelaçar relações, descobrindo o universo do Outro, que muitas vezes está tão perto.

Foi um prazer trabalhar com eles, professores, artistas plásticos, artistas de teatro, músicos...um público inesquecível.

12 março 2009

O Rio Nilo na sala de aula


Quando eu trabalhava com ensino fundamental, tive experiências inesquecíveis. Algumas já contei aqui, outras eu gosto de lembrar.

Uma vez, junto com uma 5a série animada - e me parece que todas as 5as séries são animadas até as orelhas...- tive uma idéia aparentemente bacana: pra finalizar um trabalho que eles estavam desenvolvendo sobre Egito Antigo, faríamos um grande painel na sala.

Peguei o material na sala de artes: papel pedra, papel sei-lá-o-que que parece água, canetinhas, brilhinhos, toda uma parafernália maluca.

Era menino desenhando na mesa, no chão, pendurado no ventilador, uma farra.

Só que eu não tenho essa perspectiva do conjunto, essa noção estética, essa coisa da criação plástica, sou horrível nisso. Horrível pra valer, eu não faço a mínima idéia de como alguém pode ser cenógrafo ou arquiteto, me parece um tipo de conhecimento alquímico que nunca terei. Acho lindo. Absolutamente lindo.

Começamos a fazer um enorme rio Nilo, o papel que parecia água acabou e uma das meninas emendou um papel crepom. Esse também acabou e um garotinho colocou outro papel crepom, de outra cor. Foi uma emendação sofrível, entortada pra "parecer" um rio, tosca.

Eles desenharam pirâmides, sarcófagos e barcos. Cada um de um tamanho.

Quando tudo estava colado. Cruzamos os braços e apreciamos, com cara de intelectual em galeria de arte. Finalmente, alguém falou;

- professora...tá feio pra caramba....

Caímos na risada. Estava feio, estava horrível, desproporcional, medonho. Olha, rimos muito.

Eles decidiram não tirar, a sala ficou com aquilo pendurado. Até que foi trocado por nossa próxima idéia brilhante.



**** post publicado em 2007, republicado em atenção às minhas turmas de Pedagogia, repletas de animação, idéias e milhões de perguntas.
Beijo pra vcs!

13 fevereiro 2008

A jornalista











Hoje recebi uma notícia que me deixou muito feliz: uma ex aluna (quando trabalhei em uma grande escola católica da cidade) me disse pelo orkut que havia passado na Eca,na Usp.Essa figurinha vai ser jornalista e já antecipo para vocês,vai ser de primeira linha.
Inteligentíssima,articulada,culta e bonita,causava pânico entre os garotos.
Em uma atividade em que alguns alunos e alunas eram "candidatos" a presidência,ela sempre os acertava com um gancho de esquerda nas perguntas.Eles passavam por campanha e tinha a fase das entrevistas.
Em um desses dias,ela fez perguntas tão instigantes e profundas que dois alunos da platéia trocaram olhares e murmuraram:"uia", com ar assustado.Eu ri demais.
Ela passou alguns meses na Espanha e quando a professora - ela afirmava que os professores eram bastante agressivos - disse que o texto estava ruim e ela não deveria "confundir espanhol com brasileiro",ela respondeu calmamente:"não confundo professora,não falo brasileiro,falo português".
Sua outra irmã era uma das que me auxiliava quando eu precisava de um bom narrador para os RPGS.Algumas vezes ela ia no outro horário,para ajudar as turmas que tinham dificuldade em elaborar e conduzir uma aventura de RPG.
Nesse caso,eu a convidava,junto com os outros narradores,para tomar café na sala dos professores.Ela dizia que adorava,dizia que "se achava importante".
Adorei ser professora das duas.
Ao receber as notícias de Naíma,fiquei muito feliz.Me sinto realizada quando vejo meus ex-moleques entrando em universidades,trabalhando,vivendo a fase adulta.
Me sinto feliz em ter participado de uma parte dessa história.

23 janeiro 2008

Eu e eles











Hoje,em função de uma conversa sobre blogs e outras coisas,pensei muito em meus ex-alunos,da época que trabalhei com pré-adolescentes.
Lembre dessa história e dessa.
Ontem ouvi de uma prima - queridíssima - que ela lê por minha causa,por meu incentivo.Tem coisa melhor pra uma professora ouvir?

07 novembro 2007

Professores organizados e suas chatices diárias









Os professores podem se dividir em dois grandes grupos: os que preenchem diário de classe e os que não preenchem.
Claro que vocês já devem imaginar em qual grupo estou.
Já tentei virar a casaca, passar pro grupo dos organizados, mas essa decisão dura tanto tempo quanto minhas dietas. Ah, eles são uns chatos.
Os professores -que-fazem-diário desprezam dos professores -que- não -fazem -diário.Eles mantém tudo na maios absoluta ordem, orgulhosos de sua retidão, risonhos com ela, exigindo com histeria algo denominado "letra bonita" (?) dos alunos, não admitindo canetas col0ridas (!) no caderno, ainda que estejam trabalhando com garotos que precisam de cores e signos pra se diferenciar do grupo.surtando quando observam um rabisco na prova.
Em uma parca definição conceitual, confundem rigor com mediocridade caprichosa.
Eles nunca erram, falam aos cochichos na sala dos professores e sempre tem um sorridinho mau diante de uma nota baixa.Especialmente de alunos que tem o caderno bagunçado (tsc..tsc..)
Sua aula também é organizada. Muito organizada. Cuspe e giz, giz e cuspe. Qualquer outra coisa os deixa nervosos. Os professores-que-fazem-diário odeiam professores que usam outros textos, criticam as idas áo pátio, porque aula é na sala de aula, obviamente.Não gostam dos jogos, mas vez ou outra fazem alguns,tolos, sem sentido,rudimentares e acreditam realmente que a aula melhorou, a despeito dos bocejos dos garotos.
O professor-que-faz-diário nunca lê, quando o faz, escolhe tão mal que seria preferível ter ficado com sua tv. Não conhece HQ porque considera coisa de criança.
Na sala dos professores, torce o nariz quando ouve falar em blogs: diz que não tem tempo pra essas coisas.
Ele nunca fala com prazer de um aluno, nunca conta algo instigante de sua aula.Sempre reclama, revira os olhos quando a sineta toca, pronto pra ir para seu martírio pessoal: seus alunos.
A escola idela para o profesor-que-faz-diário não tem aluno.
Principalmente alunos que estão descobrindo sua sexualidade:"bando de assanhadas" ou meninos que não acatam tudo como pronto e definitivo , os terríveis "questionadores".
Esse último adjetivo é dito entredentes, na hora do café, com bílis no olhar.
- Essa molecada não quer saber de nada...estudar ...ler....eles não tem hábito de leitura!
Perguntado sobre o que anda lendo, diz que não tem tempo pra isso.
Sei lá, vai ver que usa seu tempo pra preencher diários.Bem direitinho.