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12 agosto 2011

Momento Nostalgia

Era 1988, certo?
Cara, como a vida muda....pra melhor.;0)




27 janeiro 2011

O Rolo










Eu me lembrei do Cortiço ontem. Da briga entre a mulata e a portuguesa, do barraco das duas no meio do cortiço, da bagunça.
Ontem eu vi algo assim, mas muito menos literário e muito mais deprimente.
Com o carro no conserto, tive que ir dar aulas na faculdade de ônibus, o que detesto. Já tomei muito ônibus na minha vida, essa chatice...passo.
Sempre trabalhei de manhã, essa experiência com a graduação é interessante, mas é à noite. É um saco dar aulas à noite.

Mas não tive escolha, era isso ou faltar. Então, isso. Na volta, peguei uma carona com outra professora, que me deixou em um ponto de ônibus medonho. Era medonho, gente.
Era em frente de um botequim que cheirava a muitos anos sem faxina, com alguns bêbados rondando. Sério, uma caminhada de bêbados, parecia sindicato dos cachaceiros de Campinas.
E nada da porcaria do ônibus. E mais bêbados. E eu me encolhendo e pensando "manchete..professora fatiada e assada com batatas em um botequim de campinas!!!!". Meda. Porque qualquer um que me conheça, sabe que sou muito medrosa, muito mesmo.
Do nada surge o master bêbado, esses tipos que parecem uma caricatura humana, que olhados, despertam pena e irritação, porque são sempre, sempre, uns inconvenientes. Dito e feito, o master bêbado chegou perto de duas senhoras ( que estavam de braços dados, flores na mão e comentavam do baile que tinham saído, já meio chumbadinhas também)e começou a berrar:
- olha isso..olha isso....veeeeeeeeeeeia....feia...quem quer essa m***????
As duas se encolheram,eu entrei no botequim, pensando:morri, morri.
(Daniel sempre diz que o melhor dessas cenas é minha cara de pânico)
Continuou ofendendo as mulheres, até que um jovem, que chegou em seguida - vindo do mesmo bailão..- parou na frente dele:
- qual o problema aí, seu otário?? Tá ofendendo as senhoras por que??
O valentão se encolheu. Ficou quieto. Do nada,começou a gritar:
- eu piso na cabeça deeeeeeeeela...o sangue vai espichar!!!
Nessa hora eu já estava rezando, abraçada com a bolsa, com cara de choro.
A namorada do jovem que havia defendido as senhoras, pulou na frente do master bêbado: escuta aqui, seu b***, você é homem, mas não é dois!!! cala tua boca, seu bêbado nojento...aqui só tem mulher séria, só porque a gente vai no baile você acha que pode ofender, seu idiota!!!! some daqui, some,seu lixo< /em>.
- Euuu...não...bato em mulheeeer...porque não queeero....eu já matei, já matei...
- Então me mata, seu idiota
!
Dizendo isso, a moça sentou um tabefe nas fuças do bêbado. Mas um senhor tabefe, com mão aberta, que fez barulho mesmo. Aí um grupo de adolescentes saindo de uma escola começou a rir, o pessoal começou a tentar acalmar, até eu entrei na história, acalmando a moça, oferecendo água, essas coisas que quando a gente entra na turma do "deixa disso" faz. Porque eu sou apavorada, muito apavorada, porém,maior que o meu medo de bêbados, é o meu medo de linchamento, e aquele imbecil, uma vez no chão, viraria uma panqueca de sangue.
Ele continuou:
- eu sou primo do xxxx - não entendi o que ele disse - sou graaaande lá no xxxxx - disse o nome de uma favela -eu te mato,heim?
- mata nada, seu bêbado, seu otário, sai daqui senão eu é que te arrebento.
E gritou:
- frouuuxo!!!
O bêbado foi embora, eles tomaram seus ônibus e logo passou o meu.
Subi, ainda com um medo dos diabos, achando a tal da moça uma heroína dos becos. E parecia uma história digna da Madame Gongadeira,afinal.
Socorro.



****post originalmente publicado em abril de 2008.

19 junho 2010

Bicho de sete cabeças

Eu e minhas ideias de jerico. Dia do jogo do Brasil, show gratuito do Zeca Baleiro: pensei...vou, né? Estou enfiada no trabalho há dias, sem sair, sem nada...mereço uma dose de Zeca.
Ok.
O Brasil jogou, até entrei no clima. Gritei, levei uma cabeçada do cachorro da minha prima, debati a beleza de alguns jogadores, vi um monte de coreanitcho formando uma muralhinha da China, quase chorei ao ver o coreano chorar no hino dele ( o apelido dele durante o jogo foi "Chorão", claro), ri do "cala boca, Galvão", comi besteiras e tomei coca-cola.
Acabou o jogo, fui para o D. Pedro. Cheeeeio, muiiiito cheio. Consegui um lugar longe pra sentar, um batalhão ficou na minha frente, faltava UMA HORA pra começar, desencanei, fui andar.
Hora do show, voltei, o povo parou nas escadas. Burra, entrei na multidão, quando vi, estava ilhada, ilhadinha da silva: não dava pra ir embora, as escadas estavam tomadas. Fui passando pela multidão e foi me dando um treco, uma falta de ar, já estava a ponto de dar um piti.
Consegui chegar ao outro lado, ou seja, fiquei atrás do palco. Não disse? jerico.
Só dava pra ouvir o show. Precisava de açúcar, açúcar...me joguei em um milk shake. Melhorou, mas não muito, Zeca dói, às vezes. Olha só o vídeo que capturei o youtube.
O caso é que em dado momento, lá para o finalzinho do show, sai do lugar ingrato que estava e fiz como outras pessoas: subi em uma cadeira.
Mas vi Zeca de lado, só de lado. A coisa boa foi que fiquei em um ângulo onde via o rosto do público, do povo do gargarejo. Muiiiito maneiro: todo mundo sorrindo, um astral fora do comum. Mágico, completamente mágico.






20 abril 2010

Distorções






Tem muita coisa divertida nesse mundo, mas uma das mais engraçadas é a super valorização do ego. Olha só, não nego que todos tempos um ladinho - mais ou menos escondido - que seja um tanto quanto ególatra, não nego mesmo.
Mas tudo tem limite nessa vida.
Auto-elogio setenta vezes por dia? Hum...desculpaê, mas é coisa de bicho inseguro, que chora no chuveiro.
Eu sei que é triste, mas eu acho hilário.

09 abril 2010

O medo da teletela









Acho uma delícia revisitar os autores. Imagino o quanto do próprio leitor impregna a obra, a tal ponto de fazer a releitura, uma operação divertida e surpreendente.
Sempre me lembro que quando me divorciei, li A Peste - eu sei, eu sei, Camus foi escolha equivocada para o momento - e fiquei barbaramente impressionada com o livro. A idéia de estar acuado, limitado, impossibilitado de se deslocar, o medo presente, foram extremamente impactantes para mim.
Anos mais tarde, ainda que tenha gostado da mesma forma, não senti a asfixia da primeira leitura, pois minha localização, enquanto leitora, era outra.
Lembro perfeitamente do impacto que senti quando li 1984 pela primeira vez. Era adolescente e de lá pra cá, reli umas tantas vezes. Fiz isso por esses dias.
A ácida crítica de Orwell tem o poder de ser atual, ainda que a esquerda tenha se remodelado. Creio que todas as críticas gigantescas que ele faz, cabem em qualquer estrutura totalitarista, pois o controle é sempre sua base, mas é indiscutivelmente - infelizmente - que os socos atingem ao que muita gente - como eu, por exemplo - sonhou durante muito tempo.
Imagino que a esquerda só poderá ter uma nova face, que responda às necessidades comptemporâneas, se tiver a coragem de enfrentar discutir elementos como esse.
Discutir a ficção macabra que teve base em uma realidade não menos macabra, como foi o punho solene de Stálin.
Por mais que a direita me enoje - e me enoja totalmente - não posso mais deixar de ver o mundo sem as reformulações, sem a perestroika, sem a glasnot e sem...viva!..o Grande Irmão.
De certa forma, isso me deixa angustiada, me deixa com a síndrome de geração coca-cola, pois ao criticar e ter ojeriza ao capitalismo, não encontro esperança no que pensava ser o socialismo.
De mais a mais, conheço pessoas tão controladas, tão vigiadas, que vivem uma vida sem o mínimo de privacidade, em um arremedo assustador da ficção de Orwell.
O que prova, sem dúvida, que os controladores se mordem de medo de perder seus controlados....e isso seria tão, tão interessante.


***publicado originalmente em 2008.

02 março 2010

Sobre a confiança


Meu irmão caçula esteve esses dias em Campinas. Está trabalhando em São Paulo e estou sentindo sua falta. Ele é quatro anos mais jovem do que eu, o suficiente pra eu achar, quando era criança, que era meio que meu filhinho.

Carregava no colo, usava de cobaia na minha escolinha - ele entrou alfabetizado na escola, vejam quanto eu aluguei o fulano....- sacaneava um pouco, contava historinha.

Meu irmão cresceu e ficamos muito amigos. Só ele me faz rir , quando tenho crises de fúria: é só ele fazer uma cara palhaça e dizer:

- oooonça, calma....

Aí eu começo a rir e a raiva já foi pro pé.

Ele tem um humor que adoro e nos comunicamos por mínimos sinais, dá pra ter uma conversa inteira assim, minha amiga Tati comentou isso outro dia. E dá mesmo.

Quando aprendi a dirigir - tarde, com 27, 28 anos - só conseguia guiar se ele estivesse no carro. Sério. Se ele não estivesse eu não conseguia, veja só.

Um dia ele estava cheio de mochilas, ia voltar pra cidade onde cursava arquitetura e não tinha ninguém em casa pra levar até a rodoviária.

- Bom, Vivinha, você vai ter que ir me levar. Depois você volta legal, você já sabe dirigir bem...

- Ricardo, não dá...sem você eu não consigo....( me descabelando) você é minha peninha do Dumbo!!!

- ( gargalhando) A peninha não servia pra nada, ele voava sozinho, lembra??? daaaa.........

Fui, levei e voltei, com o coração disparado, dirigindo a barcona que meu pai tinha na época( só fui ter meu carro com 29). Mas foi incrível.




***post originalmente publicado em abril de 2007.

11 fevereiro 2010

Um pouco de mitologia pra falar de um dia idiota OU O contraste


As histórias mitológicas são mesmo antológicas.
Hoje pensei na Pedra de Sísifo: uma pedra que ele era obrigado a carregar montanha acima, que, inevitavelmente caia de novo. Para que ele voltasse, carregasse ...ela caísse....ele voltasse, carregasse. Em uma repetição insuportável.
Pensei também em Dâmocles, que , ao dizer para o rei que esse tinha poderes incríveis e , portanto, tinha a melhor vida do mundo, foi convidado a sentar no trono em uma festa. Sobre o trono, escondida, estava uma espada segura apenas por um fio da crina de um cavalo.
Governar era estar todo o tempo com uma espada sobre a cabeça.
Passei o dia carregando a Pedra de Sísifo com a Espada de Dâmocles sobre a cabeça.
Sim, foi mesmo um dia de bosta.


******


Esse post foi publicado em 2006, de lá pra cá, as coisas pioraram, pioraram, pioraram....até que finalmente, começaram a melhorar.
Hoje me sinto completamente longe de Sísifo e de Dâmocles, moro em uma casa que adoro, trabalho em lugar delicioso, meus alunos são interessantes, meu filho é incrível.
A vida pode ser bem bacana.;0)

08 agosto 2009

A Rainha do Frango Assado






Algumas vezes na vida calha da cabeça desocupada da gente se encher com filosofias baratas de botequim. Assim, quando essas coisas acontecem, quem tem blog tem a oportunidade de dividir essas elocubrações bestas com os leitores.
Estava eu aqui, pensando com meus botões: por que será algumas pessoas mentem?
Mas não falo daquela mentira educada, quando você elogia um prato que odiou ou não diz exatamente o que pensa sobre as novas sandálias de uma amiga. Não. Também não é aquela lorota que por vezes a gente conta, pra tirar um amigo ou amiga de uma enrascada que ele/ela mesmo se meteu:
- Na sexta feira? ah..claro, fulando estava aqui..ah, demorou pra chegar?...ah, mas estava comigo, desencana.
Com um remorsinho, você mente e salva a pessoa de seu legítimo castigo.
Falo de outras lorotas. Aquelas assim, contadas a sangue frio, tolas, fantasiosas, engraçadíssimas de ouvir, dada a sua mínima probabilidade. Uma miríade de mentiras que são contadas e recontadas, cada vez mais coloridas, onde os detalhes se confundem e você pensa: caraca, mudou de novo a história?
Eu me arrisco a imaginar que alguns bons anos de divã podem vir a resolver isso, porque evidentemente se trata de um nível de insegurança muito arraigado, que se utiliza da fantasia para escapar de uma realidade mediocre, solitária e cheia de chutes na bunda.
Penso que se apoiar na bengala da vida fake é um estratagema penoso, só posso crer que a auto imagem do mentiroso patológico deva ser realmente comprometida. Infelizmente, para o mentiroso, suas historietas não vão alterar a vida que passou, passa e continua sendo pouca e rala.
Enquanto isso, a gente se diverte com as histórias da carochinha.

30 abril 2009

Saudade?










Minha mais recente mania é ficar séculos ouvindo músicas que finalizaram episódios de Cold Case - seriado policial-para-historiadores..rs - que adoro.
Essa daqui é uma que simplesmente não consigo mais para de ouvir.
Depois escrevo mais, agora vou ouvir novamente.;0)




Your Song (tradução)
Elton John


Sua Canção

É um tanto engraçado este sentimento interior
Eu não sou do tipo de pessoa que consegue esconder facilmente
Não tenho muito dinheiro, mas garoto, se eu tivesse
Compraria uma grande casa onde nós dois poderíamos viver

Se eu fosse um escultor, mas poxa, não sou
Ou um homem que faz poções em um show ambulante
Eu sei que não é muito, porém é o melhor que eu posso fazer
Meu presente é minha canção e esta é para você

E você poderá contar para todo o mundo que esta é sua canção
Talvez ela seja bastante simples, mas agora que está terminada
Eu espero que você não se importe (bis)
Que eu tenha colocado em palavras
Como a vida é maravilhosa enquanto você está no mundo

Me sentei no telhado e retirei o musgo
Bem... alguns dos versos me colocaram em uma encruzilhada
Mas o sol estava adorável enquanto eu escrevia esta canção
É para pessoas como você, que a mantém viva

Então perdoe-me se eu esquecer, mas estas coisas eu faço
Perceba que esqueci, se são verdes ou são azuis
De qualquer maneira, bom... o que eu realmente quero dizer
É que seus olhos são os mais doces que já vi.





*** Em tempo:

gente, é só eu publicar uma música ou pseudo-falar de paixões antigas pra um monte de espíritos surgirem do passado, pensando que eu falo deles.
Se eu tivesse tanto cara querendo me cantar, como tenho ex com ego super aquecido...estava feita nessa vida.
( E isso vale pra VOCÊ também, querido ex e atual leitor diário...rs)
ô, coisa...rs

30 março 2009

Sobre a natureza dos gatos


Pois é, Renildes está apaixonada. Está maluca pelo Malcom X, meu lindo gato preto. Mas Renildes não entendeu ainda que esse romance impossível já nasceu fadado ao fracasso, desde a primeira ronronada desse gato sacana.
Porque ele é gato e essa é a natureza dos gatos. Ele simplesmente não compreende a euforia estabanada dela, que ao vê-lo na sala, corre, torpeça, cai, de língua de fora, risonha.
Eles até que brincam bastante, até mais do que eu supus ser ele capaz, mas sempre menos do que ela quer. Ela mordisca a orelha dele, ele dá patadinhas suaves nela. Um tempão.
Até que ele enjooa, aí, não tem choro , nem vela. Não adianta ela apelar , segurando-o com a pata.
Ele pula pela janela baixinha tão rápido que só resta a Renildes fazer aquela cara de pidona e bater com a patinha no vidro, uma ,duas, muitas, muitas vezes.
Ele deita no jardim e lambe a pata. A gente aconselha:
- se manca, Renildes..... se manca...
-Renildes, vem pra cá, nem adianta que agora ele não vai entrar.
Mas ela continua na janela, batendo com a patinha.
Depois de um tempo, ela deixa a janela e vai brincar com o paliativo que encontrou: um sucedâneo de Malcom X, uma velha meia preta do Daniel, que ela morde, abraça, brinca.
- Não é o Malcom, bobona....rs.....te deram o pirulito e tiraram, né, menina?
Ela olha pra mim, olha pra janela e morde a tal meia. Coitada da Renildes...não entendeu que essa é a natureza dos gatos.
E Malcom X continua no jardim, lambendo as patas, sem dar a mínima.
Gatos.....



**** post publicado anteriormente em fins de 2006.

04 junho 2008

Vivinha em São Paulo III ou O ônibus


Quem me conhece, sabe que eu faço promessas internas.Por exemplo, quando tinha onze anos jurei que nunca namoraria um homem que lavasse carro no domingo, assistisse futebol e tivesse barriga de cerveja.
Bem que eu preciso de uma dietinha, mas os homens que passaram por minha vida não precisam. Nem lavam carro. Muito menos assistem futebol com barrigão de fora.
Uma das juras é que eu evitaria até o último segundo a possibilidade de tomar ônibus. Mas nesse caso, diferentemente do hipotético barrigudo, eu estava cansada de conhecer.Tomei muito ônibus: vazio, cheio, limpo, sujo, hora vazia, hora do rush.Chega, sem essa de ônibus.
Mas aqui eu andei, quando fui pra casa da Lu Farias, onde conheci aquela família linda e atenciosa, onde passei uma tarde muito bacana, papeando, tomando café e vendo que existem outros fãs de Babylon 5 no mundo.Essa possibilidade de conhecer melhor os amigos blogueiros é algo que me deixa feliz.
No ponto de ônibus,rumando para a casa da Lu, uma menina pequena me olhava:
- Que cor "é" seus olhos?
- castanhos - respondi.
- tira o óculos "preu" ver?
Não é o máximo como criança simplesmente consegue se comunicar com todos?
Por mais que eu deteste tomar ôninus - e eu já disse que detesto - é bacana perceber como dá pra se conhecer mais das pessoas, pra trocar coisas, pra ver outras vidas que não a minha apenas.
Minutos depois sentou uma velha. Constrangida, me pediu um real. Dei três, ela riu sua risada sem dentes, disse que ia dar "até pra comprar leite".
Eu já estava com vontade de chorar ali, velhos me comovem, velhos solitários me cortam o coração.
Essa velhinha mora sozinha, as filhas moram no interior do Paraná, disse que morava em São Paulo há anos, ainda ficava aqui porque era mais fácil para se tratar, para pegar remédios no posto de saúde, essas coisas.
Tirou os remédios da sacola, me explicou pra que serviam, na ânsia de papear com alguém.Um toque escatológico aliviou tudo, ela dizia:
- esse aqui é pra eu urinar bem, por causa do rim, sabe? ah, mas eu urino...urino que é uma beleza.
Eu ri da história de xixi da velhinha e continuamos conversando. Ela contando, eu escutando e pensando em um clichê que me pareceu doloroso: em uma cidade tão imensa, quantas pessoas seriam solitárias como aquela velha que andava sozinha, morava sozinha e conversava com uma estranha, após pedir um real.
A solidão dela me cravou nos ossos, doeu, assustou.
Ao entrar na casa da Lu, momentos depois, recebi uma golfada de felicidade: uma família amorosa, alegre, unida. Fiquei pensando na nossa sorte e fiquei pensando na velhinha.


**** texto publicado originalmente em julho de 2007.

25 abril 2008

O fim de uma era






Ontem passei no Cambuí e vi que o Caicó não existe mais.O Caicó era o último bar de uma outra era,um período onde os jovens da cidade iam pro "setor",um lugar onde os bares se agrupavam e "todo mundo" ia.Porque em um determinado momento da vida,seus amigos são "todo mundo",são um mundo.
Naquele pedaço,meu bar predileto era o Ilustrada.Era lá que,há vinte anos,eu ia ver a Tati e a Carô cantarem seu delicioso repertório.Era pra lá que eu ia sem combinar,porque sabia que ia encontrar meus amigos.Mas isso era em outro século.Literalmente.O Ilustrada era uma casa antiga,com muita mpb,visitada por qualquer pessoa bacana que viesse na cidade.Virou um estacionamento.Por uma questão de princípios,nunca parei ali.Seria uma heresia.
O Olhar 43 era um outro bar que eu gostava,o Natural eu detestava,só ia quando R.vinha pra Campinas...ele fazia questão de ir naquele criadouro de porra-loucas e eu o acompanhava.Esse bar também fechou.
O Caicó mudou de estilo,ficou sem cara,sem identidade,seu fim foi morrer mesmo.
Mas eu fiquei triste.Tinha visto a reportagem do Bruno falando sobre o outro bar,mas por algum motivo,apesar de ler que era no lugar do Caicó,ainda não tinha sentido a ficha cair.Achei que ele sempre estaria ali,eu acho.
Para muita gente,pode ser apenas um bar que fechou.Pra mim e pra outros...é o fim de uma era.Foi lá que fui papear com Tar e outros amigos professores,contando pra eles como era o bar há anos.Foi lá que minha amiga jogou uma idiota escada abaixo.Foi lá que comecei a namorar meu ex-marido.Era pra lá que eu,Dri,R. e nossos amigos,íamos nas sextas feiras,filosofar sobre a vida,planejar um futuro que parecia tão longínquo.Impossível pensar no Caicó sem pensar nas pessoas importantes pra mim,sejam eles amigos,namorados - mesmo os que deram mancada,mesmo aqueles que nem entraram efetivamente na minha vida.Mas me lembra principalmente aqueles com quem tive longos e intensos relacionamentos.Todos os namorados realmente importantes,foram comigo no Caicó.Se nunca pisou ali comigo,foi um ninguém na minha história.
Ver que não sobrou nenhum bar do setor - apenas o clássico city bar,que eu não vou - ver que todos os lugares onde coisa bacanas aconteceram,me deixou estranha.
Já disse para os amigos que fazer 40 anos está pirando minha cabeça.Realmente gostei de fazer trinta,mas quarenta,hum,sei não.Aquela coisa clássica de fazer um balanço na vida pode ser algo bem estranho a essa altura do campeonato.
Me despedir do setor,me despedir de espaços nessa cidade,fazem parte de um ritual de passagem difícil,como são todos os rituais de passagem.
Não se iludam,não sou saudosista.Sério.Mas acabar com parte da minha história foi demais pra mim.

21 abril 2008

Coisas novas













Meus amigos sabem que esse ano que passou não foi moleza.Confuso,cheio de problemas.2008,apesar de ter começado mal,foi salvo a tempo pelo Bia e Karen,que ao me resgatarem na minha casa,salvaram minha entrada nesse novo ano.E as coisas estão melhorando.
Coisas boas tem acontecido e estou animada,muito animada.
No meio dessas coisas,essa dissertação encantada,que ficou esquecida em um canto,volta a ter sentido e volta a ser feita.
Ufa.

29 fevereiro 2008

Junho chegando























Em junho,farei 40 anos.Não sei ao certo como será.Adorei fazer 30,achei bacana,achei uma idade de conquistas na vida,essas coisas todas.
Mas acho que fazer 40 implica em fazer um balanço da vida:tenho isso e aquilo,fiz aquilo e isto...mas o outro também pesa,o lado do "ainda não fiz," ou "ainda não tenho" ou coisas do gênero.
Não,não vou selecionar 40 músicas...como fiz ano passado.Achar 39 músicas foi bacana,mas vou pensar em outra coisa.
Por hora,só digo e repito,eu sou a Malu Mulher.

02 janeiro 2008

feliz ano novo












Qualquer pessoa que me conheça há algum tempo,sabe que adoro o Ano Novo.É o meu dia predileto do ano,é algo que espero com ansiedade e que curtia a cada minuto.
Eu sempre adorei,sempre me senti tão feliz,tão cheia de esperança,de força,de planos.
Gostava de passar essa festa com família da minha mãe no Rio.Nos último três anos eles optaram por passar em uma casa de praia perto de Búzios. Legal,né?
Pelo menos pra eles.Obviamente não fui mais.Digamos que ficar dentro de uma casa - com todos no sol,na praia - ficar impedida de fazer quase tudo por apenas uma noite de festa não chega a ser meu ideal de felicidade.
O engraçado é que quando minha mãe disse que não dava pra eu ir por causa do sol - sou lúpica,aquela merda toda - todo mundo ignorou as horas torrando no carro,a impossibilidade de ir a praia com todos e ainda ouvi piadinhas porque
" a festa era durante a noite,ora,hahahah".Incrível como conheço pessoas engraçadas.
Não fiz nada no ano passado,após uma demissão,tive pouca força pra curtir o meu dia favorito.Mas eu tentei fazer isso esse ano.
Tentei - e acho até que consegui - aprender muito com as dificuldades (de saúde,fincanceiras,profissionais e emocionais) que passei esse ano.Acho mesmo que aprendi.Por isso,por ter achado que de alguma forma eu havia aprendido uma porra qualquer,esperei que esse ano fosse começar bem.Arrumei a casa,cozinhei com cuidado,essas coisas.
Não vou chatear vocês com detalhes chatos,só quero dizer que passei o ano novo,toda arrumada,como uma idiota,sentada na praça do meu condomínio,vendo os fogos.
Sozinha,mas sozinha mesmo.Sentindo inveja das pessoas que se abraçavam, tiravam fotos.A única coisa que consegui fazer foi chorar e pensar que eu sinceramente não consigo ter forças pra me animar,é completamente patético que eu mesma tenha que fazer isso comigo mesma.
É completamente deprimente que,após um ano tão difícil, onde consegui até perder até a bosta do carro,EU tenha que me consolar.
Por isso eu vou dar um tempinho aqui.Porque além de tudo,estou sem vontade de escrever no blog,que foi uma das únicas coisas que realmente fiz com prazer nessa bosta de 2007.
Mas eu volto.
Beijo.

29 novembro 2007

Cadê o fio de Ariadne?









Tem momentos na vida, engolidos pela burocracia e por gente mal intencionada, em que parece que me perdi num romance de Kakfa.

07 novembro 2007

Professores organizados e suas chatices diárias









Os professores podem se dividir em dois grandes grupos: os que preenchem diário de classe e os que não preenchem.
Claro que vocês já devem imaginar em qual grupo estou.
Já tentei virar a casaca, passar pro grupo dos organizados, mas essa decisão dura tanto tempo quanto minhas dietas. Ah, eles são uns chatos.
Os professores -que-fazem-diário desprezam dos professores -que- não -fazem -diário.Eles mantém tudo na maios absoluta ordem, orgulhosos de sua retidão, risonhos com ela, exigindo com histeria algo denominado "letra bonita" (?) dos alunos, não admitindo canetas col0ridas (!) no caderno, ainda que estejam trabalhando com garotos que precisam de cores e signos pra se diferenciar do grupo.surtando quando observam um rabisco na prova.
Em uma parca definição conceitual, confundem rigor com mediocridade caprichosa.
Eles nunca erram, falam aos cochichos na sala dos professores e sempre tem um sorridinho mau diante de uma nota baixa.Especialmente de alunos que tem o caderno bagunçado (tsc..tsc..)
Sua aula também é organizada. Muito organizada. Cuspe e giz, giz e cuspe. Qualquer outra coisa os deixa nervosos. Os professores-que-fazem-diário odeiam professores que usam outros textos, criticam as idas áo pátio, porque aula é na sala de aula, obviamente.Não gostam dos jogos, mas vez ou outra fazem alguns,tolos, sem sentido,rudimentares e acreditam realmente que a aula melhorou, a despeito dos bocejos dos garotos.
O professor-que-faz-diário nunca lê, quando o faz, escolhe tão mal que seria preferível ter ficado com sua tv. Não conhece HQ porque considera coisa de criança.
Na sala dos professores, torce o nariz quando ouve falar em blogs: diz que não tem tempo pra essas coisas.
Ele nunca fala com prazer de um aluno, nunca conta algo instigante de sua aula.Sempre reclama, revira os olhos quando a sineta toca, pronto pra ir para seu martírio pessoal: seus alunos.
A escola idela para o profesor-que-faz-diário não tem aluno.
Principalmente alunos que estão descobrindo sua sexualidade:"bando de assanhadas" ou meninos que não acatam tudo como pronto e definitivo , os terríveis "questionadores".
Esse último adjetivo é dito entredentes, na hora do café, com bílis no olhar.
- Essa molecada não quer saber de nada...estudar ...ler....eles não tem hábito de leitura!
Perguntado sobre o que anda lendo, diz que não tem tempo pra isso.
Sei lá, vai ver que usa seu tempo pra preencher diários.Bem direitinho.

01 novembro 2007

Post marcado


















Ah, homens,homens...


Carly Simon - You're So Vain
you walked into the party

like you were walking onto a yacht

your hat strategically dipped below one eye

your scarf it was apricot

you had one eye in the mirror

as you watched yourself go by



and all the girls dreamed that they'd be your partner

they'd be your partner and



you're so vain

you probably think this song is about you
you're so vain

I bet you think this song is about you

don't you, don't you, don't you



well you had me several years ago

when I was still quite naive

well you said that we made such a pretty pair

and that you would never leave

but you gave away the things you loved

and one of them was me



I had some dreams they were clouds in my coffee

clouds in my coffee and



you're so vain

you probably think this song is about you

you're so vain

I bet you think this song is about you

don't you, don't you, don't you




I had some dreams they were clouds in my coffee

clouds in my coffee and...



you're so vain

you probably think this song is about you

you're so vain

I bet you think this song is about you

don't you, don't you, don't you



well I hear you went up to Saratoga

and your horse naturally won

then you flew your Lear jet up to Nova Scotia

to see the total eclipse of the sun

well you're where you should be all the time

and when you're not

you're with some underworld spy or the wife of a close friend

wife of a close friend



you're so vain

you probably think this song is about you

you're so vain

I bet you think this song is about you

don't you, don't you, don't you

11 setembro 2007

Música para o amor que não houve


















Deve ter acontecido com vocês. Pelo menos espero que me entendam..Porque é algo tão incômodo que fica difícil explicar, porque como se explica se apaixonar sozinho?
Quero dizer, entra alguém na sua vida, vive algumas coisas com você e sai ileso, como se não tivesse sido nada. Praticamente nada, acho.
Mas o fato é esse: no ano passado, me apaixonei sozinha. Ele entrou e saiu da minha vida e eu fiquei aqui, sem saber ao certo o que fazer com todo aquele sentimento gigantesco que ele simplesmente deixou pra lá.
Eu sei, eu sei...."se doer, eu sei que sara".
O que posso dizer pra quem ler é que ainda que essa pouca vida juntos - muito pouco, um quase nada - me marcou a ferro. Lembro com detalhes de cada pequeno sorriso, cada programa bobo, lembro.Porque ao menos tenho isso, tenho esssa história que não houve, tenho essa história que foi só um lampejo.
Me apaixonar de novo?
Nem pagando, nem por nada. Dói e não vale a pena.
E só digo que ele é tão lindo e tão doce que me aperta o peito só de pensar.

08 junho 2007

O garoto do piercing



Ontem fui ao cinema com alguns amigos: escolhemos Premonição, porque eu queria um blockbuster meio terror. Nem vou comentar o filme demoradamente, porque nem precisa. Mas eu particularmente gosto da idéia de prever futuro, sonhos, acordar em diversas realidades, mexer no tempo, coisas do gênero. Sempre tive uma quedinha por esses roteiros estilinho "além da imaginação".

Vimos o filme, trememos com o triller de um outro sobre siamesas separadas - esse vou assistir e dar vexame do cinema, pode escrever - e saimos pra comer alguma coisa.Aí foi que eu o vi. Ele....o garoto de piercing. Não era um piercing, era um coletivo de parafusos, pregos, sei lá mais o quê, pelo rosto todo. Tatuado, bem, tatuado não....tooodo riscado, o rosto brutalmente tatuado e usando uma saia longa.

Olha, era o ó do borogodó.

Eu tentava não olhar, mas meu instinto caxiense me mandava chegar nele de mãos na cintura:

- ô , moleque, vai carpi um quintal que essa palhaçada passa, meu filho...

Claro que não falei isso, só pensei.

Mas pensei, cá com meus botões, que algumas estratégias de protesto(??) são exclusivamente oriundas das classes mais abastadas. Vamos e venhamos, um proleta tem que trabalhar, tem que se manter, isso fica difícil com a cara parecendo um sofá velho reformado.

E não adianta, nunca vou levar a sério filhinhos de papai rebeldes.