
Eu estava lendo o blog da
Rosely Sayão agora há pouco. Vejam que interessante - e angustiante - a observação que ela faz:
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Em tempos de ideais individualistas, vivemos uma contradição: priorizamos nossa autonomia, mas queremos compartilhar nossa vida com um outro.Valorizamos o relacionamento conjugal porque, ao se tornar a base das relações íntimas entre pessoas da mesma geração, pode ser um antídoto para a solidão típica do nosso tempo. Podemos dizer que o casamento ganha importância cada vez maior na vida dos adultos.O número de separações é grande, mas o de recasamentos também. O problema é que não sabemos muito bem como conduzir essa relação tão peculiar."Pois é, momentos de alteração de categorias, mudanças de paradigmas, tendem a dar um certo tombo em todo mundo. E aí, pintam as mais variadas questões: tenho amigos dentro de casamentos convencionais que adoram, tenho amigos dentro de casamentos tradicionais que se sentem presos e sufocados, gente que só namora e não pensa em casar, gente que nunca namora,gays festeiros, gays caseiros, mulheres que trabalham e querem ficar em casa, mulheres que ficam em casa e querem trabalhar, mulheres que trabalham e gostam, gente que sofre porque não tem filhos, gente que nunca vai ter filhos por opção, tem de tudo.
De qualquer forma, a dificuldade dos relacionamentos é algo inegável. Quem - como eu e algumas amigas - conseguiu comprar e sustentar uma casa sozinha ou com filho, acha difícil conseguir dividir isso com outra pessoa.
O mais estranho é que mesmo alguns casais que tem muito em comum - como eu tinha com meu primeiro marido - podem ser devorados pelo tédio. Devo confessar que esse divórcio foi causado, em grande parte, por imaturidade de ambos, mas a vida é assim.
Ela não é cor de rosa com desenhos, como querem algumas pessoas. (Alguém realmente tem saco pra esse tipinho de gente?) Pode até ser, mas não é pra grande parte das pessoas.
Meu segundo casamento foi um "juntamento", diferentemente do primeiro, não oficializamos nada. O que tornou mais fácil a separação, ou pelo menos, menos burocrática. Mas, ainda que eu ache meu segundo marido bonito e inteligente - e eu acho - percebo como chegar em casa e encontrar paz é uma dádiva divina. Sem ter que conviver com mudanças de humor inexplicáveis e outras chatices. Paz mesmo. Delícia.
(Deculpa, N., mas você sabe que era terrível!) O engraçado é que durante todos os anos que fomos namorados, ele não era tão instável. Ou era, mas eu podia me resguardar disso, dentro da minha própria casa.
Eu adoro minha casa e minha vida, com todas as coisas que conquistei sozinha, por minhas próprias pernas, sem pegar carona no sucesso de outros. Sou eu-comigo.
A forma de lidar com o cotidiano, com as contas, com as regras, a maneira de colocar um vaso ou a cortina, as manias, tudo isso fica cada vez mais difícil de ser compartilhado. Pode vir a ser uma boa experiência, mas ainda assim, árdua.
Não que o casamento seja ruim por definição. Não. Difícil, entendiante muitas vezes, mas não ruim. Mas ainda que tenha qualidades - e certamente as tem - fico me perguntando se ainda nessas próximas décadas saberemos como preservar a individualidade que valorizamos, com um relacionamento afetivo saudável.
Mas eu acho que é possível. Conheço poucos cuja felicidade me convence realmente, que parece algo sólido e não pra inglês ver. Porque em tempos de internet, vocês sabem, o povo faz uma graça que só por Deus....(risos)...tendo que provar sei lá o quê, pra sei lá quem, todo o tempo, sem descanso. ( Haja tempo disponível, vamos combinar..)
Mas , enfim, eu ainda creio em felicidade à dois, acredito sim, não costumo ver muita ...mas.. adoraria que um geek bonitão me ensinasse a brincar de casinha.
Aposto que seria divertido, duvido que seria perfeito, creio que seria humano.
Porque é assim que rola, não é?