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02 março 2010

Sobre a confiança


Meu irmão caçula esteve esses dias em Campinas. Está trabalhando em São Paulo e estou sentindo sua falta. Ele é quatro anos mais jovem do que eu, o suficiente pra eu achar, quando era criança, que era meio que meu filhinho.

Carregava no colo, usava de cobaia na minha escolinha - ele entrou alfabetizado na escola, vejam quanto eu aluguei o fulano....- sacaneava um pouco, contava historinha.

Meu irmão cresceu e ficamos muito amigos. Só ele me faz rir , quando tenho crises de fúria: é só ele fazer uma cara palhaça e dizer:

- oooonça, calma....

Aí eu começo a rir e a raiva já foi pro pé.

Ele tem um humor que adoro e nos comunicamos por mínimos sinais, dá pra ter uma conversa inteira assim, minha amiga Tati comentou isso outro dia. E dá mesmo.

Quando aprendi a dirigir - tarde, com 27, 28 anos - só conseguia guiar se ele estivesse no carro. Sério. Se ele não estivesse eu não conseguia, veja só.

Um dia ele estava cheio de mochilas, ia voltar pra cidade onde cursava arquitetura e não tinha ninguém em casa pra levar até a rodoviária.

- Bom, Vivinha, você vai ter que ir me levar. Depois você volta legal, você já sabe dirigir bem...

- Ricardo, não dá...sem você eu não consigo....( me descabelando) você é minha peninha do Dumbo!!!

- ( gargalhando) A peninha não servia pra nada, ele voava sozinho, lembra??? daaaa.........

Fui, levei e voltei, com o coração disparado, dirigindo a barcona que meu pai tinha na época( só fui ter meu carro com 29). Mas foi incrível.




***post originalmente publicado em abril de 2007.

11 fevereiro 2010

Um pouco de mitologia pra falar de um dia idiota OU O contraste


As histórias mitológicas são mesmo antológicas.
Hoje pensei na Pedra de Sísifo: uma pedra que ele era obrigado a carregar montanha acima, que, inevitavelmente caia de novo. Para que ele voltasse, carregasse ...ela caísse....ele voltasse, carregasse. Em uma repetição insuportável.
Pensei também em Dâmocles, que , ao dizer para o rei que esse tinha poderes incríveis e , portanto, tinha a melhor vida do mundo, foi convidado a sentar no trono em uma festa. Sobre o trono, escondida, estava uma espada segura apenas por um fio da crina de um cavalo.
Governar era estar todo o tempo com uma espada sobre a cabeça.
Passei o dia carregando a Pedra de Sísifo com a Espada de Dâmocles sobre a cabeça.
Sim, foi mesmo um dia de bosta.


******


Esse post foi publicado em 2006, de lá pra cá, as coisas pioraram, pioraram, pioraram....até que finalmente, começaram a melhorar.
Hoje me sinto completamente longe de Sísifo e de Dâmocles, moro em uma casa que adoro, trabalho em lugar delicioso, meus alunos são interessantes, meu filho é incrível.
A vida pode ser bem bacana.;0)

03 outubro 2009

Sobre água, rosas e caldeirões


Então, fiz o tal shiatsu. Só conhecia massagem tradicional, que adoro. Shiatsu foi a primeira vez.
O encantador nessa terapia é que o corpo físico está amalgamado com todas as questões emocionais, tal e qual na acupuntura, que também gosto muito.
Segundo a massagista, ao analisar os pontos que doem e os que não doem, dentro de mim há uma mocinha, uma criança que foi magoada. Olha isso.
Parece que minha fatia adulta até que está legal, o problema é com a Vivinha juvenil.
Isso está me interessando de sobremaneira. Essa viagem interna não foi proposital, aconteceu. Junto com outras mudanças - boas - veio uma vontade de caprichar no auto-cuidado, na auto massagem, nos banhos prolongados de banheira, em caprichar para uma noite de sono melhor.
Essa atração por água é velha, já comentei aqui no blog.
Mas a atração por flores, é totalmente nova. Não que eu não gostasse de ganhar flors, por exemplo. Sempre gostei, apesar de ter ganhado poucas vezes. Mas nunca comprei tantas flores pra minha casa, nunca senti essa necessidade quase visceral de tê-las por perto. Em especial, rosas, ando fissurada por rosas.
Se eu já gostava de cozinhar, isso se tornou mais do que u ritual, se tornou uma necessidade deliciosa, um momento meu, uma forma de expressão e conforto.
Estou fascinada por histórias de "bruxas", no sentido de compreender formas de expressão da feminilidade. O blog da vez, dentro desse movimento, é o Casa Claridade.
Vou contando pra vocês o processo de mudança.

29 setembro 2009

Colcha de retalhos







Continuo fazendo uma super faxina nas minhas coisas. Essa limpeza geral está sendo um processo muito louco. Abrir pastas e encontrar cartas antigas, provas de vestibular(!), papéis inúteis misturados com fotos memoráveis é um exercício interessante. Se trata de liberar a vida de coisas passadas, que já não importam e de guardar aquilo que sempre vai importar.
Recebi um email de uma amiga que falava sobre isso, sobre liberar espaço para que as mudanças e as coisas boas possam entrar na vida. Então, que entrem.
Essa limpeza ainda vai ter várias fases. Quero organizar meus livros, que estão misturados, na maior balbúrdia. Quero olhar e saber onde está cada papelzinho, cada caderno, cada prato e cada copo.
Não vou chegar a etiquetar, "panelas", "liquidificador", como fazia o segundo marido de Dona Flor, o doido. Mas estou quase lá.
A sensação é muito boa, é de controle sobre a vida.
Acho engraçado como coisas tão prosaicas como arrumar armários possam ter um efeito tão grande na mente da gente. Acho fantástico.

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Continuo também andando todos os dias com a Renildes. Gente, minha cadela é a Lassie.
Ela sabe o horário que andamos e me cobra isso. Posso zanzar pela escada o dia todo, na hora da saidinha dela, se subo...ela se rebola toda. Ontem latiu, em chamando, como não fui, voltou, quase com as patinhas na cintura, latindo:
"então, vamos ou não vamos?".
Fomos, claro. E tomamos chuva.


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Ando conversando com um amigo de comecinho de adolescência. Uma coisa maravilhosa e rever um namoradinho de mil anos, não há cerimônia, como se continuássemos jovens tolos. Welcome aos enta, Vivien.


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Estou relendo Garcia Márquez e eu definitivamente sei que meu amor é eterno.


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Na quinta feira vou fazer shiatsu, ver uma amiga querida à tarde e outra amiga queria à noite. Meu projeto agora é ser feliz todo dia.

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Apesar do Daniel me deserdar por isso, continuo assistindo a novela do Manoel Carlos do Leblon. Pão e circo para o povo, minha gente.

11 maio 2009

Ser ou não ser? (Sempre a mesma questão....)













Eu estava lendo o blog da Rosely Sayão agora há pouco. Vejam que interessante - e angustiante - a observação que ela faz:

"Em tempos de ideais individualistas, vivemos uma contradição: priorizamos nossa autonomia, mas queremos compartilhar nossa vida com um outro.Valorizamos o relacionamento conjugal porque, ao se tornar a base das relações íntimas entre pessoas da mesma geração, pode ser um antídoto para a solidão típica do nosso tempo. Podemos dizer que o casamento ganha importância cada vez maior na vida dos adultos.O número de separações é grande, mas o de recasamentos também. O problema é que não sabemos muito bem como conduzir essa relação tão peculiar."


Pois é, momentos de alteração de categorias, mudanças de paradigmas, tendem a dar um certo tombo em todo mundo. E aí, pintam as mais variadas questões: tenho amigos dentro de casamentos convencionais que adoram, tenho amigos dentro de casamentos tradicionais que se sentem presos e sufocados, gente que só namora e não pensa em casar, gente que nunca namora,gays festeiros, gays caseiros, mulheres que trabalham e querem ficar em casa, mulheres que ficam em casa e querem trabalhar, mulheres que trabalham e gostam, gente que sofre porque não tem filhos, gente que nunca vai ter filhos por opção, tem de tudo.
De qualquer forma, a dificuldade dos relacionamentos é algo inegável. Quem - como eu e algumas amigas - conseguiu comprar e sustentar uma casa sozinha ou com filho, acha difícil conseguir dividir isso com outra pessoa.
O mais estranho é que mesmo alguns casais que tem muito em comum - como eu tinha com meu primeiro marido - podem ser devorados pelo tédio. Devo confessar que esse divórcio foi causado, em grande parte, por imaturidade de ambos, mas a vida é assim.
Ela não é cor de rosa com desenhos, como querem algumas pessoas. (Alguém realmente tem saco pra esse tipinho de gente?) Pode até ser, mas não é pra grande parte das pessoas.
Meu segundo casamento foi um "juntamento", diferentemente do primeiro, não oficializamos nada. O que tornou mais fácil a separação, ou pelo menos, menos burocrática. Mas, ainda que eu ache meu segundo marido bonito e inteligente - e eu acho - percebo como chegar em casa e encontrar paz é uma dádiva divina. Sem ter que conviver com mudanças de humor inexplicáveis e outras chatices. Paz mesmo. Delícia.
(Deculpa, N., mas você sabe que era terrível!) O engraçado é que durante todos os anos que fomos namorados, ele não era tão instável. Ou era, mas eu podia me resguardar disso, dentro da minha própria casa.
Eu adoro minha casa e minha vida, com todas as coisas que conquistei sozinha, por minhas próprias pernas, sem pegar carona no sucesso de outros. Sou eu-comigo.
A forma de lidar com o cotidiano, com as contas, com as regras, a maneira de colocar um vaso ou a cortina, as manias, tudo isso fica cada vez mais difícil de ser compartilhado. Pode vir a ser uma boa experiência, mas ainda assim, árdua.
Não que o casamento seja ruim por definição. Não. Difícil, entendiante muitas vezes, mas não ruim. Mas ainda que tenha qualidades - e certamente as tem - fico me perguntando se ainda nessas próximas décadas saberemos como preservar a individualidade que valorizamos, com um relacionamento afetivo saudável.
Mas eu acho que é possível. Conheço poucos cuja felicidade me convence realmente, que parece algo sólido e não pra inglês ver. Porque em tempos de internet, vocês sabem, o povo faz uma graça que só por Deus....(risos)...tendo que provar sei lá o quê, pra sei lá quem, todo o tempo, sem descanso. ( Haja tempo disponível, vamos combinar..)
Mas , enfim, eu ainda creio em felicidade à dois, acredito sim, não costumo ver muita ...mas.. adoraria que um geek bonitão me ensinasse a brincar de casinha.
Aposto que seria divertido, duvido que seria perfeito, creio que seria humano.
Porque é assim que rola, não é?

16 novembro 2008

O olhar






















Já falei com vocês como o passado pode adulterar o olhar sobre uma pessoa, sobre uma história.O passado muda mesmo, por isso, "resgatar" o passado não é trabalho de historiador: o caso é rever, reinterpretar, essas paradas todas, sabendo que seu ponto de vista, seu instrumental, sua metodologia, sua teoria...tudo vai influenciar no seu olhar. Não dá pra imaginar a possibilidade de se atingir a "verdade", mesmo porque, esse conceito eu não uso, acho que quase nenhum historiador usa mais, pelo menos não de forma irredutível.
Mas eu fiquei pensando no Olhar, na forma de ver, na forma de sentir o mundo.
Eu tenho essa gravura, de Klee, na minha sada. Na sala da casa mais linda do mundo, dentro da casa mais linda do mundo.
Fica ao lado de outra gravura, do Miró, saborosa, colorida, solar. Perto dela esse Klee fica ainda mais triste. E foi por isso que coloquei os dois juntos, pra todo mundo ver como é ser geminiana, como é ser esse duplo constante.
Muitas vezes coloco pinturas aqui imaginando que a relação dela com o texto é mais do que uma mera ilustração de uma idéia, é um diálogo com a ídéia, um casamento.
E hoje, tem esse olhar de Klee pra vocês todos.
Beijos e boa segunda feira.
Hum, que delícia....

25 abril 2008

O fim de uma era






Ontem passei no Cambuí e vi que o Caicó não existe mais.O Caicó era o último bar de uma outra era,um período onde os jovens da cidade iam pro "setor",um lugar onde os bares se agrupavam e "todo mundo" ia.Porque em um determinado momento da vida,seus amigos são "todo mundo",são um mundo.
Naquele pedaço,meu bar predileto era o Ilustrada.Era lá que,há vinte anos,eu ia ver a Tati e a Carô cantarem seu delicioso repertório.Era pra lá que eu ia sem combinar,porque sabia que ia encontrar meus amigos.Mas isso era em outro século.Literalmente.O Ilustrada era uma casa antiga,com muita mpb,visitada por qualquer pessoa bacana que viesse na cidade.Virou um estacionamento.Por uma questão de princípios,nunca parei ali.Seria uma heresia.
O Olhar 43 era um outro bar que eu gostava,o Natural eu detestava,só ia quando R.vinha pra Campinas...ele fazia questão de ir naquele criadouro de porra-loucas e eu o acompanhava.Esse bar também fechou.
O Caicó mudou de estilo,ficou sem cara,sem identidade,seu fim foi morrer mesmo.
Mas eu fiquei triste.Tinha visto a reportagem do Bruno falando sobre o outro bar,mas por algum motivo,apesar de ler que era no lugar do Caicó,ainda não tinha sentido a ficha cair.Achei que ele sempre estaria ali,eu acho.
Para muita gente,pode ser apenas um bar que fechou.Pra mim e pra outros...é o fim de uma era.Foi lá que fui papear com Tar e outros amigos professores,contando pra eles como era o bar há anos.Foi lá que minha amiga jogou uma idiota escada abaixo.Foi lá que comecei a namorar meu ex-marido.Era pra lá que eu,Dri,R. e nossos amigos,íamos nas sextas feiras,filosofar sobre a vida,planejar um futuro que parecia tão longínquo.Impossível pensar no Caicó sem pensar nas pessoas importantes pra mim,sejam eles amigos,namorados - mesmo os que deram mancada,mesmo aqueles que nem entraram efetivamente na minha vida.Mas me lembra principalmente aqueles com quem tive longos e intensos relacionamentos.Todos os namorados realmente importantes,foram comigo no Caicó.Se nunca pisou ali comigo,foi um ninguém na minha história.
Ver que não sobrou nenhum bar do setor - apenas o clássico city bar,que eu não vou - ver que todos os lugares onde coisa bacanas aconteceram,me deixou estranha.
Já disse para os amigos que fazer 40 anos está pirando minha cabeça.Realmente gostei de fazer trinta,mas quarenta,hum,sei não.Aquela coisa clássica de fazer um balanço na vida pode ser algo bem estranho a essa altura do campeonato.
Me despedir do setor,me despedir de espaços nessa cidade,fazem parte de um ritual de passagem difícil,como são todos os rituais de passagem.
Não se iludam,não sou saudosista.Sério.Mas acabar com parte da minha história foi demais pra mim.

21 abril 2008

Coisas novas













Meus amigos sabem que esse ano que passou não foi moleza.Confuso,cheio de problemas.2008,apesar de ter começado mal,foi salvo a tempo pelo Bia e Karen,que ao me resgatarem na minha casa,salvaram minha entrada nesse novo ano.E as coisas estão melhorando.
Coisas boas tem acontecido e estou animada,muito animada.
No meio dessas coisas,essa dissertação encantada,que ficou esquecida em um canto,volta a ter sentido e volta a ser feita.
Ufa.

10 abril 2008

A água









Quando eu lavo o quintal,sempre me lembro daquele delicioso romance de Marguerite Duras,O Amante.
Me lembro de como ela descreve sua casa sendo lavada,a alegria não cotidiana que se instalava na mãe,nos empregados,nela,no irmão menor.O minuto em que a água lavava os problemas,de forma ritualística,mágica.
Esse livro foi objeto de uma das (raras) boas adaptações,uma das versões que não me fizeram sair xingando do cinema .Além de ter um toque delicioso: o texto de Marguerite Duras sendo lido para o espectador,que participa de seus pensamentos mais íntimos.Adoro narradores em filmes,me sinto cúmplice deles.
Sempre me lembro disso e lavo feliz o quintal,jogando os problemas fora,lavando todos eles.
Gostaria de fazer isso mais vezes,mas em um planeta sem água,seria irresponsabilidade.
É delicioso,refrescante,divertido.Eu gosto.
Agora,para fazer isso,fico ouvindo um áudio-livro que comprei,o Caçador de Pipas.Tenho o horrível hábito de lavar louça,arrumar a casa,e os demais serviços caseiros, com a tv ligada.Parece que é impossível viver sem barulho.Horrível,eu sei.Me acostumar e explorar o silêncio é um desafio,que ainda não estou pronta para assumir.
Comprei esse áudio-livro e foi uma grande aquisição: fico limpando,lavando,cozinhando e ouvindo a história,como eu gostava de fazer quando era criança.
O Caçador de Pipas se revelou uma bela e triste história,ainda não terminei,uma cena chocante me fez parar de ouvir,até me restabelecer.
Confesso meu preconceito contra os mais vendidos,nunca os compro.Mas dessa vez comprei,pois já que a Clélia indicou,achei que seria uma boa compra.
Sobre o livro,falo no próximo post.

29 fevereiro 2008

Junho chegando























Em junho,farei 40 anos.Não sei ao certo como será.Adorei fazer 30,achei bacana,achei uma idade de conquistas na vida,essas coisas todas.
Mas acho que fazer 40 implica em fazer um balanço da vida:tenho isso e aquilo,fiz aquilo e isto...mas o outro também pesa,o lado do "ainda não fiz," ou "ainda não tenho" ou coisas do gênero.
Não,não vou selecionar 40 músicas...como fiz ano passado.Achar 39 músicas foi bacana,mas vou pensar em outra coisa.
Por hora,só digo e repito,eu sou a Malu Mulher.

29 novembro 2007

Cadê o fio de Ariadne?









Tem momentos na vida, engolidos pela burocracia e por gente mal intencionada, em que parece que me perdi num romance de Kakfa.

20 novembro 2007

"tempo , tempo, tempo , tempo...."










Sábado passado tinha tudo pra ser um dia muito bacana.Eu fui jantar na casa da Karen e do Biajoni, ou seja, garantia de comidinhas maravilhosas, papo ótimo e boas risadas. Um dos meus programas favoritos, com certeza.
E tudo foi bem, com todos os ingredientes acima. Ganhei até a bonequinha do texto abaixo....
Fui embora mais ou menos meia-noite, só que a cinderela aqui não deixou o sapatinho de cristal pra trás, deixou o carro. Isso mesmo, parei em uma blitz e,apesar de tentar passar uma conversa mole dos guardas, meu carro foi rccolhido.
Sério, é muito estranho ver o seu carrinho subindo no guincho, dá um aperto no coração.
Por sorte ainda estava perto da casa deles, voltei a pé, pra pedir abrigo.
Cheguei com cara de bunda.
- Gente, tinha uma batida...tô sem carro...
- batida? você bateu o carro???
- não, batida policial, tô com dos documentoes vencidos.
- que boooooossssta...!!!´
A maior parte dos outros convidados tinha ido embora, mas ainda deu tempo de conversar um pouco com o Paulinho, que pertence a minha tribo: passou na primeira fase do mestrado na Educação e não foi fazer a prova, porque esqueceu, me disse isso comendo uma inexplicãvel mistureba de homus, coalhada seca e maionese.
Ao terminar, ainda disse:
- Ih, comi no potinho da Lia....tem um ursinho desenhado no fundo...
Pois é, meus amigos, nós , os desligados, ainda vamos dominar o mundo.
Dormi por lá, na manhã seguinte eles me deixaram em casa, passando antes no carro recolhido, porque a banana aqui tinha deixado a chave de casa.
Aliás, só me dei conta disso porque a Karen me lembrou de procurar na bolsa.
ô vida.
Bom, depois dessa lambada e de outras, no topo da lista de começo de ano tem que constar: "preciso me organizar esse ano".
Organizar meu tempo.
"Tempo, tempo, tempo...vou fazer um pedido."

29 agosto 2007

Anjo da guarda


Muita gente chega aqui no meu blog procurando "anjo da guarda" na internet.
Então, vamos falar de anjo.

20 agosto 2007

Vida na cadeia









Há algum tempo vi Carandiru, baseado no livro do dr. Dráuzio Varella.
Passei o filme para a primeira turma que tive de Engenharia: como eu trabalhava uma disciplina de Ciências Humanas, achei que seria pertinente dentro das discussões que estávamos tendo e achei que vinha ao encontro dos papos sobre os ataques do PCC aqui pelo estado de São Paulo.
O resultado foi curioso e , se bem estudado, daria uma boa tese: os alunos eram, em grande parte, oriundos da classe trabalhadora e cursavam, com muita dificuldade financeira, uma faculdade particular.
Esse era o ponto que os fazia olhar com repúdio para a realidade que o filme mostrava.queNão se conformavam, observavam o filme pautados em uma leitura maniqueísta dividia bem e mal em lugares estanques e bem separados.Diferentemente do que eu pensei a princípio, eles não só não se identificavam, como forçavam uma separação total entre essas realidades.O que na verdade, socialmente, é irreal.Alguns dos homens que estavam no Carandiru poderiam ter sido meus alunos. Alguns de meus alunos poderia estar no Carandiru. Uma distância tênue os separava.
Mas entendo o ponto de vista dos estudantes: eles se agarravam a todas as suas chances, ou mesmo criavam chances de trabalho e estudo...e não se conformavam com o destino que os outros haviam "escolhido".
Não sei se minha aula mudou algo nesse olhar, gosto de pensar que sim, pelo menos pra uma parte deles.Mas confesso que não tenho certeza disso.
Essa semana li o livro que deu origem ao roteiro: se eu já gostava do filme, agora gosto mais ainda, pela maravilhosa adaptação.
Nem vou discutir as questões sociais que levam grande parcela da população a lotar as cadeias nacionais: qualquer um sabe disso.
O que me impressionou foi a tradução que Dráuzio Varella fez do cotiano da prisão e das regras de conduta, rígidas, tácitas, claras dentro da coletividade.
Quer gostemos ou não, o PCC foi organizado e deu provas de uma união que poucas organizações tem....e essa é uma questão pra se pensar.
Minha admiração por Varella é enorme: trabalhando em condições precárias , junto a uma população que ofereceria medo pra grande parte da população. Eu teria medo.
Apesar disso, ele fez um trabalho memorável e ainda conseguiu dividir isso com pessoas como eu e você, o que levou esse trabalho a outro âmbito.
Quem lê meu blog já deve ter notado que tenho uma grande simpatia por movimentos anarquistas, pela atuação da coletividade.Ainda que de uma maneira torta, o Carandiru foi uma forma de pensar sobre isso: sobre as regras de conduta da coletividade.
Quando um ou outro defende o massacre que houve ali, só consigo pensar que não gostaria de viver em um país em que um policial decide quem vive e quem morre, nem em um lugar onde se entra metralhando pessoas desarmadas. Como eles disseram no livro "eles eram bandidos, não eram burros, não iam enfrentar metralhadora com pedra.
E pra quem crê na pena de morte, penso como Caco Barcellos, no seu incrível ROTA 66 :"Se pena de morte desse certo, São Paulo seria um paraíso".

27 junho 2007

Vixe, eu sou a Malu Mulher!


Eu era garota e via essa socióloga, mãe e divorciada, descabelada, cheia de chiquérrimos problemas. Não, não tem a menor lógica, mas eu achava aqueles problemas tão chiques...vejam vocês.Sério mesmo, achava tão peculiar, tão feminista, tão tudo.
Outro dia, conversando com uma amiga, tive essa sacada fatal: " eu queria ser a Malu Mulher e agora sou."Cara, só tem um nó nessa questão...agora não quero mais.
Tenho que pensar em outros personagem pra enfiar super ego adentro e fazer isso virar realidade.
Vocês tem alguma boa sugestão?

Mudanças (39 músicas - 33)




Mudanças nem sempre vem da forma como a gente quer, nem no momento que a gente quer.
Há alguns anos, quando me separei de R., me mudei para um apartamento onde passava muito tempo pensando nisso e ouvindo essa música.
Na época parecia a melhor tradução do que tinha acontecido com a gente.
E pensava quando as mudanças não são nossas escolhas, mas parece que a gente é escolhido pela mudança.
Mas mudanças podem sempre ser boas. Pelo menos, quero pensar assim.

15 junho 2007

Todas as dietas do mundo


Não sei se fiz todas as dietas do mundo, mas que tentei, tentei. Já falei sobre isso antes, já fui mais gorda, já fui mais magra, já fiz mais dietas, já deixei prá lá.




Provavelmente a primeira dieta deve ter sido com uns 14 anos, mais ou menos. Era uma daquelas com cardápio reduzido, horroroso, etc e tal.




Funcionou e "desfuncionou" rapidamente. Tentei a da lua: 24 horas tomando líquidos na mudança da lua. E estou falando sério. Muita limonada pra "matar" a fome, muito caldo magro de qualquer coisa. Eu ficava meio zureta, mas não comia nada. Na época, fazia um monte de ginástica e sauna, me pesava em todas as balanças que encontrasse e nunca achava que estava indo bem. Sempre queria emagrecer mais.




Fiz a da sopa: uma sopa nojenta que poderia ser tomada durante toda a semana - na quarta feira a era melhor ficar em jejum do que comer aquela meleca - junto com um cardápio totalmente desequilibrado. Emagrece que é uma beleza. Só tem um porém: com duas colheres de arroz da semana seguinte, você retorna ao peso anterior ou ganha mais alguns.




O mais louco disso tudo é que nos jejuns prolongados muita gente acaba sentindo o prazer mórbido da fome. Pode parecer loucura, mas depois de um tempo, isso é plausível. As anoréxicas que o digam. Perigoso isso, horrivelmente perigoso.Mas absolutamente real. A fome deixa de ser ruim pra ser bnoa - não me peçam pra explicar, porque loucura a gente não explica.




A última dieta louca que fiz foi a de Atkins, cortar os carboidratos e mandar ver na proteína. Emagreci um monte, engordei tudo de novo. Óbvio.




Agora eu não faço mais nenhuma dieta retardada , nem dieta correta , coisa que eu deveria fazer. Mas já passei por essas, inclusive com "aval"médico. Eu sabia qual médico era mais criterioso, qual era mais sem noção e dava bola na primeira consulta ("toma essa fórmulinha e vamos resolver isso"), afinal de contas, médicos irresponsáveis que dão inibidores de apetite pra menores de idade são uma realidade. Eu sei porque tomei.




Só fui em uma nutricionista uma vez e - mesmo depois de contar sobre minha rotina corrida da época, da impossibilidade de cozinhar todos os dias e da necessidade de comer fora de casa - ela me passou uma rotina com estilo dona de casa perfeita, com cardápio rigoroso e pré-definido. Em outras palavras, totalmente fora de minha realidade.



Todos esses anos me ensinaram que a única estratégia para emagrecer é a reeducação alimentar: emagreci 17 quilos desta forma.



Mas o estranho é saber e realmente não fazer isso corretamente, ou seja, ganhei uns desses quilos de volta. Presente de grego.



Mas acho que o pulo do gato é controlar a ansiedade. Acho que eu precisava ir pra um grupo no melhor estilo AA, sacumé?



"-Meu nome é Vivien e eu estou há três dias sem me jogar de cabeça no chocolate!"



- oi, viiviennnn...!"



Enquanto isso não acontece, eu começo outra dieta.
( post dedicado a Carol)

25 maio 2007

39 músicas (27)

Já estive em fase tão workaholic que tive que me afastar por uns dias, por ordem médica. Na volta, uma amiga me disse pra ouvir essa música aqui, uma, duas, mil vezes.
Eu sempre me lembro dela quando ouço e , creio, o conselho me valeu muito.
Não sou muito de dosar as coisas, sem disso, mas nos últimos anos tenho tentado fazer isso. E , principalmente, curtir as várias facetas do cotidiano.

20 maio 2007

39 músicas ( 21/22)


Segundo Daniel, a maioria das músicas que ouço tem "mar, amor, oxalá e maria". Mas acho que essa implicância dele é bem pontual: minha fase "toquinho & vinicius".

Já disse algumas vezes aqui que sou um "pouco" compulsiva: se leio um autor e gosto, quero ler tudo do cara, se ouço algo e gosto, quero ouvir tudo e muitas vezes.

Por isso o Valter me sacaneou outro dia: eu estava logada em plena madrugada, escrevendo os posts que ia publicar durante a semana, escreveeeendo, escreveeeendo. Uma delícia. É assim que nós, os compulsivos somos.Somos estranhos, mas "de perto ninguém é normal", eu sei.

Essa música aqui eu adoro. Ela está junto com Berimbau, que também é ótima.

Mas essa música, irônica, sempre tem a fala que creio totalmente: o homem que diz sou, não é.

Essa outra é pra desopilar total, o vídeo é bacana, uma pequena explicação do sempre charmoso Toquinho, um segundinho de vídeo antigo e a música em si: Toquinho, o violão e eu, estamos mandando tudo pra.....

13 maio 2007

39 músicas (19)


Essa aqui é demais. Não sei ao certo quando a ouvi pela primeira vez. Acho que eu ainda era criança. Sei que os últimos tempos foram realmente de "inferno astral", mas o aniversário está chegando e isso tem que melhorar.