29 abril 2011

História, Mulheres e Direitos







Pequena aula de História:

Em meados do século XIX, especificamente no ano 1857, um grupo de operárias que trabalhavam nas grandes fábricas de tecelagem em NY, entraram em uma das importantes greves do período. Como vocês sabem, apesar de trabalhar como os operários (CERCA DE 16 HORAS DIÁRIAS) elas recebiam muito menos e eram submetidas ao que chamamos hoje de "assédio sexual" , sem qualquer tipo de proteção.
Durante essa greve, esse grupo de mulheres foi trancada dentro de uma fábrica, onde acontecia um incêndio. Alguns apontam o número de 130 mulheres mortas, dentro desse incêndio.
Por conta desse fato, foi decretado, poucos anos depois, o "dia internacional da mulher".
Evidentemente, esse dia foi apropriado pelo Mercado, paulatinamente, passou - para ALGUMAS pessoas - a deixar de ser um dia de luta, para ser um dia pra comprar cremes e flores.
Nada contra cremes ou flores, adoro ambos. Mas detesto quando as datas são deturpadas e manipuladas no sentido de dar lucro a meia dúzia de espertalhões.
O Dia das Mulheres é um dia pra se refletir, manifestar e lutar contra a violência doméstica, sexual, preconceitos ainda sentidos no mercado de trabalho, tripla jornada, etc.
Como a foto do post, onde grupos de mulheres se manifestava contra a nojenta ditadura de extrema direita, capitaneada pelos milicos de pouco cérebro que mataram, torturaram e calaram o Brasil.


*****publicado originalmente em 2009.


E como a Lola disse "Tem gente que quer ser súdito, eu rpefiro ser cidadã, obrigada"

Sábado Em cena - ET

Quem tem mais de quarenta anos, vai se lembrar dessa cena.
Eu vi no cinema e fiquei chocada quando vi a propaganda - há algum tempo - dizendo "vinte anos de ET".
Caraca, vinte anos...e eu juro que me achava super adulta...









O labirinto do fauno



É na casa de M. e A. que faço maratonas Hero, como já contei aqui. A próxima será Lost e mal posso esperar.
Nessa semana, entretanto, assistimos a um filme: O Labirinto do Fauno.
Não vou me dispor a fazer uma análise dele, me falta traquejo e leitura sobre isso. Vou falar apenas como alguém que assistiu e se apaixonou pelo filme.
O filme é cuidadoso, sutil, envolvente. Duas narrativas - realidade e ficção - andam lado a lado na construção da história, mesclando-se todo o tempo de forma a fundir sonho e vida real.
O tom de contos de fadas misturado com terror se insere de forma intensa no momento político do filme, a guerra civil espanhola. Esse conflito violento foi retratada em Guernica de Picasso, mas como argumentou o diretor, é pouco discutido e relembrado fora da Espanha.
A violência chocante, a resistência corajosa, o medo constante, a criatividade das fantasias, tudo inebria. Não saberia como descrever esse filme em outras palavras a não ser: chocante e inebriante.
Além disso, assistir ao making of do filme é um prazer raro: ao invés do blablabalba convencional dos atores, assistimos a uma análise profunda e impressionante da história e dos personagens.
Eu adorei me perder nesse labirinto.Qualquer um que tenha sido uma criança que encontrava forma de escapar dos problemas reais dentro de um livro vai adorar se perder ali. Perca-se por lá também.



*****publicado originalmente em 07/03/2007

15 abril 2011

Pedaços

















Fui no Café Filosófico hoje. Nhém. Os curadores não foram particularmente felizes nesta noite, que se revelou superficional, sem uma linha argumentativa clara, com pensamentos difusos e repetidos, que já haviam sido explorados em outras apresentações.
Falou-se da personificação do ideal de juventude para além dela própria ( o que já foi discutido em outros dias), das tribos urbanas ( apesar de uma tentativa de contextualização, a fala ficou bailando em uma linha tênue muito pouco acima do senso comum) e falou-se de drogas, o fato dessas últimas estarem presentes em divesas culturas e o fato de terem ligação ritualistica e farmacológica antes de seu uso degradador.
Nada de novo no front. Entendo que seja complicado falar para um público tão heterogêneo, isso deve dificultar a estrutura. Sai antes das perguntas, em geral, são tolas e óbvias e ninguém merece.


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Tô lendo Sidarta. Hesse estava em uma vibe doida quando escreveu, heim?



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Tô relendo Doutor Fausto e me lembrando porque Tomas Mann foi meu escritor favorito por anos.


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Fui rever M., amiga queridissima da época de escola e amiga queridissima para sempre. Almoço, papo e visita ao apê novo, lindão.


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Participei da atividade da madrugada na escola que trabalho: uma gincana super bacana. Provas culturais, esportivas. O povo dançando loucamente, salsa, gente, salsa. De tirar o chapéu, juro.


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Tenho provas pra corrigir e sabadão será com caneta na mão.


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Meu fiho está fazendo cursinho e está cada dia mais gente boa. Jocasta says.

12 abril 2011

Assim, assado.......( requentando post por conta de um papo matinal)


( Hoje na sala dos professores, falei que volta e meia colocava coisas que tinham rolado com eles e/ou com outras pesoas aqui no blog. Um professor me perguntou se nomeio as pessoas ou como eu as identifico. Bom, eu faço assim, ó;)








Recebi umas amigas pra almoçar ontem. Primeiro estávamos eu, amiga UM , amiga DOIS e um amigo-vizinho. Assim, com um elemento do outro gênero presente, a conversa foi divertida, porém comportada.
História de vida, religião, piadas, comida, casamentos e outros badulaques.
Depois que meu amigo-vizinho foi embora, o papo virou papo-mulherzinha, claro....tem um momento que tem que virar.No meio da conversa, falamos sobre o Marco Aurélio Garcia, tinhamos sido alunas dele, três gerações de unicamp. Concordamos que é um gentleman, cachimbando e falando com a tranquilidade que lhe é peculiar.Falamos sobre como é cheiroso - com certeza, o homem mais perfumado que já vi.
A estrutura de sua aula é diferente dos outros, os demais professores estabelecem uma análise em relação à fonte, um trabalho que pretende formar historiadores efetivamente.
Marco Aurélio, por sua experiência e atuação, tem outro foco. A aula tende a ser mais panorâmica, digamos.Sempre com muita propriedade e profundidade, claro.
Mas amiga UM me saiu com essa.:
- Eu gostava dele, principalmente, porque ele é meio gordo.
Olhamos pra ela. Continuou:
- Eu gosto de gordo.
Continuamos olhando, porque eu nunca tinha visto alguém dizer isso assim, sorridente, peremptória.
- Eu gosto sim, gordo me da uma idéia de ...idéia de abundância....
E a palavra abundância veio junto com um gesto desenhando uma barriga imaginária.Meio grande, claro.
Ela exemplificou:
- ué, vocês estão estranhando? eu tenho uma amiga que gosta de magro, magriiiiiinho.......
- franzino..? perguntei - aquela carinha de homem que não come carne?? Assim é horrível....
- isso...ela diz que adora ver ossos, costelas....franzino, frágil. - ela explicou.
Nessa altura ríamos de tudo, gordinhos, magrinhos, ossudos e comedores de carne.
- eu gosto de bonzinho - emendei - gosto de inteligente, "bom moço", meio sorvetão...sabe tipo o Hugh Grant,aquela coisa meio tímida, meio engraçada? Acho uma delícia.
Todas riam do meu homem ideal.
- eu até gosto daquele estilo super chiquérrimo, meio Al Pacino no Poderoso chefão...mas aquele controle todo, aquela segurança, me deixa nervosa. Sempre acho que vou deixar cair algo no chão - eu disse - Além disso, eu sou facilmente "enganável"...não saco sutilezas, com um cara assim, me ferro muito.Prefiro não ter que ficar "interpretando",sou lerda pra essas comunicações sutis....rs... acho chaaato....
Amiga UM continuava:
- meu problema é que tenho 49 anos e os gordos dessa idade sao feios...
- ué, tem gordinhos de 40...- sugeri.
- mas eu acho horrivel me envolver com homens mais novos.....
Amiga DOIS,que opta entre homens muito mais velhos ou muito mais jovens, veio em seu socorro.
- você está sendo preconceituosa....deixa fluir......
Amiga UM ainda sonhava alto:
- nunca casei com um gordo.( amiga UM casou três vezes)...hummm...gordo de terno preto.....uma loucura!
Rimos de novo.Papo super mulherzinha, né?

02 abril 2011

Café Filosófico com Luis Tatit

Sextarolou o retorno do Café Filosófico aqui em Campinas. Eu fui, claro.
Encontrei Hilda, uma amiga querida, e nos juntamos a uma jovema graduanda do IFCH
( Saca aqueles momentos que você quer dizer..."eu sou você amanhã"...?).Fui abastecida com meu sempre predileto paté de salmão e uma cerveja ( miraculo)enquanto ouvia o Fernando Chí ( *suspiro*) e Luis Tatit,o Incrivel.
As questões eram sobre música e sociedade ( daaaaaaaaaaa...) e Tati não decepcionou: sem saudosismo, elogia a produção musical atual, e para tanto tem um argumento que vai ao encontro de minha reflexão: dado que toda geração critica a posterior e se valgloria de ter produzido/consumido coisa melhor, estariamos em um proecesso de degradação artistica ad infinitum. Isso é irreal, portanto, o argumento se invalida.
Usando um argumento que já vi pos post do ex blogueiro Rafael Galvão,o saudosismo não é saudade de algo, mas de si mesmo. Bingo.Sua interpretação libertária em relação à lingua me agradou,liás, tudo me agradou- a começar pelos bícepes de Fernando Chui *suspiro* - em uma noite onde consegui perceber que a canção não morre, dado que é a relação entre fala e melodia e,segundo ele, a propria fala já tem instrisecamente em si melodia.
Caso você não conheça o espaço, vale a pena conferir.
A gnete se vê às sextas, beijos.









25 março 2011

Os memes ainda existem


Eu gostava de postar Memes, mas eles pareciam ter entrado em desuso. Achei um na CEcy, e me deu vontade de fazer. Bora.

1)Qual o seu livro favorito?


Cem Anos de Solidão ( G.G.Márquez) sempre em primeiro lugar. Na longa lista dos que adoro saltam aos olhos Música Perdida ( Assis Brasil), Ensaio Sobra a Cegueira ( Saramago) e Se Um Viajante em uma Noite de Inverno ( Italo Calvino)

2) Qual o seu autor (a) favorito (a)?

Hum. Depende da fase. Em geral, Eça de Queiroz, Gabriel Garcia Marquez, Thomas Mann, Neil Gaiman.

3) Qual seu personagem favorito?

Juliana (O Primo Basilio), Sandman ( hq homônima). Na infância era Edmund Dantè
( bullying faz isso com um serzinho..rs)


4) Qual adaptação de livro é seu filme favorito?

Geralmente detesto. Qase todas são uma violência com a obra. Gostei da adaptação da HQ Wachtmen.


5) Qual gênero literário é o seu favorito?


Façamos assim: coloquemos em uma montanha para quiemar todas as m*** da auto-ajuda, tudo o que se escreveu sobre pseudo filosofia, a mairo parte dos best sellers e qualquer coisa que tenha saído da mente do Paulo Coelho. Agora vamos queimar esse lixo.

Tudo o que sobra, eu leio.

E você, leitor(a)? Mate minha curiosidade.

22 março 2011

As garotas super poderosas


No começo do blog eu sempre dava um toque sobre quem eu estava lendo no momento, porque os blogs, como os livros e os filmes, tem um "momento ternura plus" pra mim, em outras palavras, tem momentos que leio loucamente um autor ou vejo sistematicamente um diretor. Isso vale para os blogs.

Quem são as feras do momento? Você já deve conhecer, mas caso ainda não tenha ido, voe para lá.


A Lola sempre me faz refletir sobre tudo, aliás, me faz repensar tudo, o que é ótimo.


A Katita me inspira na cozinha: a mulher é uma maga!


E falando em magas....quem ainda não leu a Hazel, não sabe o que está perdendo.


Eu já usei os livros didáticos da Maria Frô, agora, "uso" o sempre plugado blog.



E tem a Rita, né? Como não ler a Rita, gente?


Quem eu torço para que escreva mais é a Karen, que é tão talentosa no teclado, quanto na câmera...e ainda pilota um fogão mágico.


Pra terminar, minha cantora favorita: Tati, a maluca.



Queridos, corram pra essas meninas! A pluralidade feminina é infinita.

Histeria coletiva





Vamos ser francos....algumas imagens não são assustadoras?

17 março 2011

A Mulher Desiludida de Simone de Beauvoir (1/3)























Queridos amigos, tenho passado um tempo considerável off line. Nada de twitter - que adoro - , pouco de facebook - que adoro mais aidna - e praticamente uma não-blogueira no meu próprio blog. Isso vai mudar nos próximos tempos e até lá, espero que vocês ainda tenham paciência de aparecerem aqui.;0)
Nos últimos temps li coisas interessantes: vou comentá-las uma a uma, com a atenção que merecem.
Mas começo pelo fim. O último livro lido foi A Mulher Desiludida, da super Beauvoir. Como são três contos de grande impacto, contos que dariam livros absurdamente incriveis, optei por falar separadamente sobre eles.
O que os une? São histórias de mulheres em diferentes momentos da vida, mas tão claramente próximas que seria difícil não ver a si mesma, ver uma amiga, ver uma pessoa da família ali. Somos todas nos, de certa forma.
A primeira é uma professora universitária que se dá conta de que está envelhecendo. Seu corpo a envergonha, sua vida parece sem sentido, sua obra parece ter perdido o frescor reflexivo, afinal, apesar da suavidade com que os amigos apontam isso, seu último livro deixa a desejar, repete reflexões já feitas e - assim como a autora - envelheceu.
Seu filho não só desiste da carreira acadêmica - afastando-se, portanto, do universo dos pais - como ruma ao encontro de trabalhos vinculados ao governo francês. Ela, comunista convicta, vê o filho como arrivista, traidor, dominado pela jovem e patricinhesca mulher. Ela pira, briga e rompe com o filho. Insiste em dizer que ele não tem ética e acaba por revelar para si mesma que ele se afastava do modelo que ela pretendia criar, do homem que ela desejava que ele fosse.
Em um interessante paralelo, essa mulher encontra a sogra. Esta, por sua vez, vive uma velhice especial, como diz o filho, "nunca se aborrece", lê muito, ouve rádio, não vê tv, vai a reuniões na célula do partido.
Chama carinhosamente a nora de "minha criancinha" e esta reflete que a vê da mesma forma, mesmo tendo a conhecido com 45 ans e hoje ela ser uma mulher idosa: era como se ela sempre o tivesse sido. Como se fosse a mesma velha, ainda que tivesse 45 anos.
O conto acaba ainda sem a reconciliação da protagonista com o filho, acaba com seua relação "envelhecida" com o marido e com sua angústia diante da repetição de sua obra, que recebe críticas ruins. Acaba no meio da crise e não é dado ao leitor ou leitora uma possibilidade de fim.
A primeira mulher desiludida é essa, eu eu a vi em muitas mulheres.

16 março 2011

Xô urucubaca!!!!O que faço pra me livrar de gente cuja fala está é tão venenosa como uma serpente? Já me disseram que o silêncio é a melhor resposta, como não posso dar uma jornalada na fuça, recorro ao silêncio hostil.

09 março 2011

Graças pelo divórcio


Terminei , por esses dias, Uma Vida de Guy de Maupassant. Irônico e sutil, desfia a vida de uma filha de nobres toda romântica, que se casa com um aparentemente irresistível cavalheiro.

Em pouco tempo o fulano se revela um escroto, aliás, um super escroto. E ela, amarrada por um casamento indissolúvel, convive com esse sapo até que ele bate as botas, junto com a amante.O filho também é uma decepção, sem caráter e jogador, dissipa o que sobrou da fortuna materna.

Sim, é deprimente e dei graças a Deus pela possibilidade do divórcio e do recomeço.

Claro que não é simples, fácil ou gostoso passar por uma separação. Mas viver atrelada a um relacionamento assim....é pior.

Terminei também o Caso Morel, de Rubem Fonseca. Mediano, o romance reconta a trajetória de Paulo Morais, ou Morel, pintor que decide viver com quatro mulheres em uma nova estrutura familiar. Elas topam, não são ingênuas, enganadas, topam experimentar esse novo harém - "familia", ele corrigia todo o tempo.

A diferença desse sacana pro outro é que aqui as mulheres não estavam obrigadas nada, estavam com ele por livre e espontãnea vontade. Cada um com suas idiossincrasias.

Quando uma delas , que era chegada em um BDSM hard, aparece morta na praia, Morel é preso.

Mas não conto o fim. Leiam e depois me digam o que acharam.

Mas uma coisa , vocês tem que concordar comigo: o divórcio é uma benção.



****post publicado originalmente em 2007.

Mini contos II




Quem sabe escrever minicontos com maestria, é essa minha amiga, de quem sou fã.

Mas eu me arrisco, porque gosto e porque acho que é uma das formas mais interativas, onde o leitor escreve junto com o autor: preenchendo as lacunas.

Escrevam comigo, pois.







Virando no travesseiro, ela olhou o relógio: 03h31min. De novo. Do outro lado do mundo, ele sufocava de saudade de uma mulher desconhecida.


Com desejo de morte envenenando os olhos, sorriu feliz e foi trabalhar

Olhou para o papel com o número do celular. Jogou no lixo e caminhou mais livre do que nunca.

O fim


Trancou e porta e saiu sem olhar pra trás.
Dentro da casa, ele sorriu perfidamente.














***publicado originalmente em 2008.

08 março 2011

Década de 40




Vovô, vovó, Dindinho ( em pé), Tio Antônio Carlos sentadinho, Mamãe bebê.

03 março 2011

Quo vadis











Em breve estarei de notebook em punho, pronta pra blogar furiosamente. Porque sou uma sem-net, certo? Já faz um tempo que blogo dos lugares possíveis ( casa da minha mãe, lan...) e isso enche. Mas dias melhores virão.
Por hora o que posso dizer é que estou com as turmas mais legais que já tive: Quintas são sempre quintas, afáveis, engraçadinhas, curiosas. As sextas estão empenhadas em fazer peças medievais e se desdobram em ser atores, diretores, roteiristas e figurinistas. As sétimas me deixaram descabelada com as posições conservadoreas e autoritárias que tem, mas estão dispostos a discutir, debater, não tem a supostas verdade absoluta que alguns alunos pretendem vomitar por aí. Não. Eles querem aprender, debater, perguntar. E eu adoro. As oitavas são turmas excepcionais: empenhadas, criativas, uma delícia. Vão fazer um debate sobre doutrinas políticas e acho que vai rolar: porque com eles, tudo rola.
De resto, na minha política de ser feliz todo dia...recebi amigos queridos em casa: foi ótimo, adorei preparar os petiscos ( homus e antepasto de berinjela, direto do Rainhas do Lar) e adorei conversar com aqueles queridos.
Nos últimos dois dias tive um tratamento vip: fui almoçar ontem e hoje na casa de amigas queridas e ..uau. Uma me serve comida orgânica, chá francês e aceita criar um blog ( yes!) a outra me presenteia com torta, sorvete e solicita uma "aula de facebook".
Confessem...vocês não acham que tenho as melhores amigas do mundo?

21 fevereiro 2011

Deus mora nos detalhes

Minha política sempre foi escolher prioridades: fazer a vida ser um prazer e não uma obrigação, uma lista de afazeres repetidos.
Minha teoria agora é das "coisas legais". Faço "coisas legais" pra mim, sempre, todo dia. Pode ser um sorvete, uma soneca em um horário quase proibido pelo capitalismo visceral, pode ser ler com os pés pra cima, assistir novela ou mandar emails para amigos queridos.
A pergunta é: Vivinha, o que você fez de LEGAL pra você mesma hoje?;0)

31 janeiro 2011

Personagens de Angeli soltos pelo mundo































No sábado fui ao Delta Blues com minha queridíssima Michela.
Eu não ia lá há longos quatro anos. Me desculpem os fumantes, mas lugar fechado catingando cigarro é uó. Agora com a lei tucanesca o lugar realmente fica melhor. Porque pra conter o barulhão tem um teto meio rebaixado...isso com todo mundo pitando? Inferno. Deixei de ir.
Pois a versão nova e sem cigarro é melhor. Tá bom ,todo mundo pode começar a me vaiar, vai ouvir blues sem fumaça? , vai tomar toddynho, eu sei, eu sei. Sou da turma do toddynho mess..;0)
O caso é que decidirmos ir. Michela é super rock in roll, a noite sempre é bacana com essa minha amiga, sempre rimos demais. De tudo , de todos, de nós mesmas, claro.
Chegamos antes do show, pra poder conversar, coisa e tall.
Em cinco minutos chega um careca americano e pede pra sentar em nossa mesa. Como a casa tem poucas mesas e já dividi com outras pessoas, nem liguei, claro. Mas o careca puxava papo e passou a noite insistindo em pagar bebidas pra gente.
A garçonete avisava: poem na conta do careca...
Mas não, né? Fala sério. Porque vamos combinar, ele era meio chatinho.
Mas a noite foi boa demais: o som foi Creedence e foi realmente de primeiríssima linha.
Mas claro que com toques de humor - pelo menos no nosso olhar. O vocalista fazi o tipo Tio COntador: bigode, calvicie engolindo a cabeça, barriga. Mas abria a boca e era show de bola. Incrivel.
Não me achem pentelha...mas o baterista era a cara do Larry, gente.
<
Bizarro ver o Larry se acabando na nateria. Bizarro.
Eu sempre observo com distanciamento. Sabe aquelas cenas clássicas onde uma pessoa está em cirurgia e morre um pouco - tá, morre um pouco é doideira, mas vá lá - e fica planando sobre todos e observando? Então. Eu fico olhando todo mundo como se eu estivesse em outro mundo. E acho que todo mundo parece personagem do Angeli.

Não imaginem que me acho superior ou coisa parecida. Vixe,nem conto para vocês como minha autocrítica é cruel...Mas eu acho qas pessoas tão engraçadas. Tão curiosamente engraçadas.
Mas o público lá é bem interessante realmente: velhos roqueiros cabeludos-calvos, jvoens tatuados, jovens não tatuados, motoqueiros de moto clubes e suas esposas, no maior climão familia. Um cara com um visual clássico de professor - professor de quimica! - cantando tooodas as músicas, acompanhado de sua versão aos quinze anos, que também estava hipnotizado pelo show.
Na lista dos chatos, tinha um bêbado que foi colocado pra fora, doidinho pra arrumar confusão, apelidado pela Mi de Joselito. Vocês entendem, tadim, o problema é que ele não sabe brincar.
Só digo pra vocês que foi ótimo.

27 janeiro 2011

O Rolo










Eu me lembrei do Cortiço ontem. Da briga entre a mulata e a portuguesa, do barraco das duas no meio do cortiço, da bagunça.
Ontem eu vi algo assim, mas muito menos literário e muito mais deprimente.
Com o carro no conserto, tive que ir dar aulas na faculdade de ônibus, o que detesto. Já tomei muito ônibus na minha vida, essa chatice...passo.
Sempre trabalhei de manhã, essa experiência com a graduação é interessante, mas é à noite. É um saco dar aulas à noite.

Mas não tive escolha, era isso ou faltar. Então, isso. Na volta, peguei uma carona com outra professora, que me deixou em um ponto de ônibus medonho. Era medonho, gente.
Era em frente de um botequim que cheirava a muitos anos sem faxina, com alguns bêbados rondando. Sério, uma caminhada de bêbados, parecia sindicato dos cachaceiros de Campinas.
E nada da porcaria do ônibus. E mais bêbados. E eu me encolhendo e pensando "manchete..professora fatiada e assada com batatas em um botequim de campinas!!!!". Meda. Porque qualquer um que me conheça, sabe que sou muito medrosa, muito mesmo.
Do nada surge o master bêbado, esses tipos que parecem uma caricatura humana, que olhados, despertam pena e irritação, porque são sempre, sempre, uns inconvenientes. Dito e feito, o master bêbado chegou perto de duas senhoras ( que estavam de braços dados, flores na mão e comentavam do baile que tinham saído, já meio chumbadinhas também)e começou a berrar:
- olha isso..olha isso....veeeeeeeeeeeia....feia...quem quer essa m***????
As duas se encolheram,eu entrei no botequim, pensando:morri, morri.
(Daniel sempre diz que o melhor dessas cenas é minha cara de pânico)
Continuou ofendendo as mulheres, até que um jovem, que chegou em seguida - vindo do mesmo bailão..- parou na frente dele:
- qual o problema aí, seu otário?? Tá ofendendo as senhoras por que??
O valentão se encolheu. Ficou quieto. Do nada,começou a gritar:
- eu piso na cabeça deeeeeeeeela...o sangue vai espichar!!!
Nessa hora eu já estava rezando, abraçada com a bolsa, com cara de choro.
A namorada do jovem que havia defendido as senhoras, pulou na frente do master bêbado: escuta aqui, seu b***, você é homem, mas não é dois!!! cala tua boca, seu bêbado nojento...aqui só tem mulher séria, só porque a gente vai no baile você acha que pode ofender, seu idiota!!!! some daqui, some,seu lixo< /em>.
- Euuu...não...bato em mulheeeer...porque não queeero....eu já matei, já matei...
- Então me mata, seu idiota
!
Dizendo isso, a moça sentou um tabefe nas fuças do bêbado. Mas um senhor tabefe, com mão aberta, que fez barulho mesmo. Aí um grupo de adolescentes saindo de uma escola começou a rir, o pessoal começou a tentar acalmar, até eu entrei na história, acalmando a moça, oferecendo água, essas coisas que quando a gente entra na turma do "deixa disso" faz. Porque eu sou apavorada, muito apavorada, porém,maior que o meu medo de bêbados, é o meu medo de linchamento, e aquele imbecil, uma vez no chão, viraria uma panqueca de sangue.
Ele continuou:
- eu sou primo do xxxx - não entendi o que ele disse - sou graaaande lá no xxxxx - disse o nome de uma favela -eu te mato,heim?
- mata nada, seu bêbado, seu otário, sai daqui senão eu é que te arrebento.
E gritou:
- frouuuxo!!!
O bêbado foi embora, eles tomaram seus ônibus e logo passou o meu.
Subi, ainda com um medo dos diabos, achando a tal da moça uma heroína dos becos. E parecia uma história digna da Madame Gongadeira,afinal.
Socorro.



****post originalmente publicado em abril de 2008.

26 janeiro 2011

1976






Eu me lembro muito, muito vagamente, pois tinha oito anos. Mas me lembro de ouvir a música e achar a novela linda.
Um jovem escultor e sua musa, apaixonados e separados por décadas. Ele com vários casamentos, ela com um longo (Mário Lago?.

Vejam a cena final e me digam se Lauro Cezar Muniz não é o Cara....

Os Pássaros


Daniel devia ter uns quatro anos. Ele estava descobrindo tudo, ir na feira era uma festa. A gente batia cartão nos parques da cidade, fazendo piquenique, brincando, todas aquelas coisas deliciosas que dá pra fazer com um pequeno filhinho.

Nesse dia, a gente estava no centro da cidade, nem sei ao certo fazendo o quê. Mas a gente passou no Largo do Rosário, aquele que já foi alvo de mil reformas diferentes.( Comento isso em um próximo post) que estava, como sempre, cheio de pombas.

Alguns fotógrafos andavam por lá, fotografando as crianças que se matavam de correr atrás dos tais pombos.Comprei um pouco de milho de um deles e , toda felizinha, dei um pouco para o Daniel e joguei no chão....eu achava que eles viriam, pacíficos e organizadinhos, comer perto da gente.

Em poucos minutos, todas aquelas pombas vieram enlouquecidas querendo milho. Todos aqueles milhões de bicos alucinados!!!

Eu me vi dentro de uma cena de Os Pássaros, pateticamente tentando espantar os bicos enfurecidos.

Daniel, feliz da vida, tinha pombos na cabeça, nas mãos, morria de rir, enquanto eu estava toda estabanada, lutando com aquela turba assassina.

Consegui me livrar deles e , morrendo de vergonha, voltei pra casa.



****post originalmente publicado em janeiro de 2007.

25 janeiro 2011

Uma ligação do outro lado do oceano







Foi em 2000. Eu estava sozinha em casa, em um sábado à tarde, dormindo. Não estava em um período lá muito feliz, encarando uma segunda separação. Estava morando em um apartamento com Daniel, dando aulas e tentando ser a Malu Mulher de novo. O telefone tocou, atendi ainda sonolenta. Uma voz feminina com sotaque português perguntou se eu era a Vivien. Eu disse que sim, sem saber com quem falava.
Para minha felicidade, rindo, ela disse:
- Não reconhece mais sua amiga do outro lado do oceano?
- Adriaaaaaanna
...?
Foi demais. A Dri foi minha amiga de escola, juntas estudamos, fofocamos, badernamos, consertamos o mundo em intermináveis conversas no Caicó ou no Ilustrada, cantamos, confidenciamos coisas.
Eu não via a Dri desde que ela havia ido pra Portugal, anos atrás.
Foi uma risada só, quando tentamos colocar todas as novidades dentro daquele papo no telefone.
- Espera, espera....heim?...olha, o Pitty está perguntando se você ainda é jeitosinha como no tempo da escola..
- (risadas) Fala pra ele que estou fazendo regime, tô sempre fazendo regime agora
..
E foi um tal de passa o telefone pra ele, volta o telefone pra ela, aquela baderna de amigos que se querem bem.
A partir dali e graças a internet, continuamos a ter contato. Tivemos ótimos momentos aqui no Brasil, quando ela veio no ano passado.
Agora, para minha surpresa, vejo que Fábio, seu filho mais velho e que hoje mora na Inglaterra, vai se casar ano que vem. E eu o carreguei no colo, literalmente, era um fofo de cabelos angelicais.
Eu sei, sou uma tia coruja. Mas tenho todos os motivos do mundo.
A Dri sempre lembra, como no comentário do post abaixo, que eu e Pitty gostávamos de Legião, diferentemente dela, que nunca nos acompanhava na cantoria de Faroeste Caboclo do bar do Beto, nosso ponto de encontro na frente da escola.
Mas ela já se rendeu ao bom gosto, né, Dri?
Tempo bom, gente boa, lembranças boas.





*****texto publicado anteriormente em agosto de 2008.

20 janeiro 2011

Ligações Perigosas, a peça


Passei quase todas as férias de molho: fiz uma cirurgia e tive que ficar sem dirigir, sem me mover muito, blá, blá. No finalzinho desse período fui pra São Paulo, por sorte, meu irmão Ricardo - que é arquiteto e lindo - também estava de férias e tivemos uma semana muito bacana.
Primeiro porque rodamos muito. Fizemos um mega tour nos mais diversos bairros, passando pelos descolados, atravessando os curva-de-rio e observando os chiquérrimos.
São Paulo é o lugar das diversas tribos, isso ficou mais claro do que nunca. Depedendo do recorte temático que você faz, a cidade muda junto, se torna outra.
Uma das coisas bacanas foi ver a peça Ligações Perigosas, para onde fui toda animadinha, já que adoro o livro e o filme homônimo. O livro é um romance epistolar onde a história pode ser rastreaada através das cartas trocadas entre os personagens. Toda a múltipla gama de códigos de conduta aparecem ali, de forma intrigante.
(Eu bem que adoraria falar sobre o filme, mas depois da Lola, bem dá. Leiam a crítica da Lola, como sempre, é fantástica.)
Ricardo foi comprar os ingressos e voltou feliz, tinha conseguido no gargarejo, na primeira fila mesmo. Disse:
- Vamos sentar tão perto que a Maria Fernanda Cândido vai cuspir na gente.
Pulamos de alegria.
A noite foi ótima. Fomos jantar em um restaurante árabe - uam das cozinhas que mais gosto - papeamos e fomos lá, ser cuspidos pela atriz.
A peça foi muito boa, mas Marat Descartes - isso é nome ou planfleto? - que interpretou o Marquês deixou a desejar. Eu, particularmente, achei canastrão.
Mas a Marquesa da Maria Fernanda Cândido é formidável.
A peça tem poucas possibilidades de errar, já que o texto é incrível.
E o final, me perdoem pelo spoiler - onde ela diz que vai esperar o que o que fim do século trará aos nobres...enquanto uma imagem da guilhotina se projeta na fundo é de uma deliciosa obviedade. Sim, caros, muitas vezes o óbvio é a melhor e mais franca opção.

16 janeiro 2011

A sua anti-cara metade









Apesar de eu ser uma rendida aos filmes mais românticos, mais tolos, mais ingênuos do mundo, não compartilho a concepção de "alma gêmea". Sempre achei essa definição não apenas idiota, mas reducionista e fatalista. Cara, quem acredita nisso ou está angustiado porque perdeu a tal cara-metade ou está procurando em todos os lugares. Um saco.
Mas sempre achei que seria mais lógico haver um interesse por alguém que tivesse similaridades intelectuais, artísticas, políticas...Claro que o interesse pelo outro não é pautado pela lógica, não é tão "vulcano" assim.
Outro dia eu conversava com uma amiga muito próxima e ela me contava que está realmente interessada em alguém com um perfil totalmente diferente do dela. Não só ele não se interessa pelas "geekices" que ela adora, como tem um padrão de comportamento diametralmente oposto a todos os namorados que ela teve.
E ela me confidenciou que adora. Acha tudo uma delícia, acha a risada dele uma delícia e me afirmou que, apesar de conversar normalmente com ele, sua cabeça imagina milhões de outras coisas durante a conversa, a ponto dela rir em momentos inoportunos.
- E ele? - perguntei.
- Sei lá! E a gente consegue perceber se o cara está interessado ou não? Eu já sou devagar...e atualmente os caras são tão estranhos...- afirmou, rindo.
Ela me disse que gostava de tomar a iniciativa, quando isso não era moda. Agora que todas as mulheres fazem isso, ela prefere esperar, prefere ser cortejada.
Enquanto isso acontece, ela sorri e imagina mil histórias enquanto ele fala.

03 janeiro 2011

Histórias de horror para colorir

















Éramos em cinco professores na mesa do Piola. Eu sempre achei o preço de lá um verdadeiro roubo, mas vocês sabem como sou provinciana. Meus fashion amigos iam sempre e decidi ceder, algumas vezes.
Então, após o papo básico cinema-música-política, a conversa caminhou para a infância de cada um.
Claro que qualquer ouvidinho curioso que estivesse buscando bordas do nosso papo, imediatamente sacaria que ali o estilo "infãncia-momento-feliz" não existia.
Eram pequenas histórias de horror, que provocavam gargalhadas. Dentre todas, me lembro desta aqui:
Um dos professores, alto, bonitão e engraçado, desfiava o rosário de sofrimentos de sua infãncia. Nada grave, nunca cortou cana pra sobreviver, apenas foi criado de forma muito rigorosa. Até os 18 anos, não tomou refrigerante. Sua mãe proibia e ele respeitava isso sistematicamente. O caso é que quando achou que era adulto, quando entrou na unicamp, se matou de tomar coca-cola, com ares de pecado eterno. Disse que comprava e tomava, triunfal.
Usou mochila do Cebolinha até o terceiro ano do ensino médio, comia solitariamente uma maçã nos intervalos que pareciam durar séculos.
Mas o pior, o pior mesmo, aconteceu no pré.
Em uma aula, ele sentiu que uma quantidade considerável de gases queria sair de seu traseiro, assim, em plena aula.
Com uma força hercúlea, segurou as pontas, até que a natureza venceu. Infelizmente, junto aos tais gases, seu traseiro expulsou também uma pequena - mas lamentável - quantidade de um outro elemento mais escatológico.
Entrou em pânico. Parado, estático, esperou um momento. Pediu pra sair e foi direto para o banheiro, onde tirou a cuequinha. Com medo de ser descoberto, teve a genial idéia de escondê-la. Saiu, assobiando, olhando pra um lado, pro outro, decidiu ir até a quadra e esconder a prova do crime dentro do cano da trave de futebol.
Voltou pra sala, pensando ter cometido o crime perfeito.
Dias depois, uma servente balança, diante de todas as crianças, uma cuequinha - devidamente limpa - perguntando de quem seria. A criançada se torce de rir, e K., estático, ficou olhando fixamente a cuequinha.
Diante dos nossos risos, disse:
- Era do piu-piu. Eu sempre odiei o piu-piu.



********publicado originalmente em 2008.

02 janeiro 2011

What a wonderful world



Fazer um balanço de 2010 foi prazeroso. Tem um problema pegando, mas ainda não é hora de comentá-lo aqui no blog. Por hora, as coisas boas.
A melhor foi começar a trabalhar em uma escola que adoro. Isso foi o deflagrador para várias outras pequenas e deliciosas coisas, felicidade de pobre, certo? Risos.
Comprei um carro: popular, óbvio. Mas pra mim,uma limosine. Coloquei armários na cozinha - que é pequena, óbvio, ahhahah, mas que ficou absolutamente deslumbrante.
Depois de quatro anos fingindo que aquele pequeno cômodo não existia....fiz um lavabo. Já tinha avisado que eram alegrias de pobre, pessoas, não me xinguem. Lavabo é tudo de bom, ficou lindo, ficou fofo, ficou roxo e ficou florido. A pia, nem te conto, de sobrepor,um luooooxo.
Andei meses de rasteirinha, por conta de uma dorzinha chata nos pés. Passou e voltei aos saltos. Deus existe.
Li bastante, trabalhei bastante, fui ao Café Filosófico, dormi muito, retomei com seriedade alguns tratamentos médicos. Vergonha na cara também faz bem.
Passei o reveillon com Karen e Bia, ,que são, sem sombra de dúvida, algumas das pessoas com quem eu mais gosto de conversar. Foi um presente da blogosfera.
Perdi um tio, que além de tio era padrinho, mas estou tão convicta de que ele está em um estágio/esfera/lugar melhor - porque ele merece isso - que estou em paz.
Tenho pensado muito sobre a valorização das pessoas com quem convivo. Sempre tive a política clara dos "momentinhos", de curtir à exaustão coisas pequenas, porque são os detalhes que dão saber. Sei que isso cai fácil na pieguice, mas não sei como figir dela...rs...saca essa coisa de ficar feliz com cheiro de pão fresco? Achar a lua linda, achar fofos os gatinhos pulando, essas porras todas? Então. Sou assim, quero ser assim, milito em ser assim.
E eu tenho certeza de que 2011 será um ano daqueles, cheio de alegrias, de encontros,de risadas, de livros, muitos livros, de filmes, de chocolate - ops, chocolate não pode, saco...- e de paz.
Pra terminar, coisas que curti em 2010: o Facebook, a Lola, cuja leitura sempre me faz refletir e a Rita, que sempre me comove.
E além de todas essas alegrias, eu tenho uma presidentA.

Ano de ouro.





23 dezembro 2010

17 dezembro 2010

Wagner Mouravilhoso


Voce quer saber por que Wagner Moura e intelectualmente mais interessante do que a maioria dos ourtos atores?

Entao, leia isso.

13 dezembro 2010

Cenas de Woody Allen


Revi uns trechos de Maridos e Esposas ontem.
Vejo e gosto de Wood Allen, ou melhor, gosto de seus filmes, nao tenho a menor simpatia por ele. Depois que ele pegou a enteada entao, nem se fala.
Mia Farrow me da aflicao. Acho que ela parece um amalgama de garoto imberbe com uma freira, ou seja, a representacao do maximo da asexualidade. E isso se repete em todos os filmes que vi com ela - a mesma boca branca fragil, o mesmo cabelinho de freira, a roupa oscilando entre lacos de boneca antiga com pijamas. Bom, se nao eram pijamas, pareciam ser.
Wood Allen fazendo Wood Allen. Mas isso e dado, se quero ver um filme com ele sera assim, aquele magrelo flacido branco escritorio, pouco cabelo, muito nariz e cara de quem nao come carne.
Ja que estou implicando, vamos implicar geral. O que a Juliete Lewis tem na boca? Porque aquela fala mooooole?
E ela aparece fazendo aquele tipinho que Allen adora - a aluninha. Chega a ser caricatural, olhar de baixo pra cima, fala mole, pacote completo. Aquela que nada sabe tgeria que aprender tudo com o tal,o fodao,o hiper tcham. O inseguro master, ne?
A aluna deslumbrada com o professor - a ponto de nao reparar na careca ou na
pelanquina branca - jovem, bonita e inteligente. Em alguns filmes essa entidade aparece, as vezes assim, as vezes burra, mas sempre aluninha.
Quando essa personagem reage e critica, deixa de ter encntos, e ele perde o interesse. Porque o grande lance parece ser a jovem mulher que esta mais para plateia do que para companheira. Aquela que vai babar diante de cada babaquice que ele diz.
Mia diz isso (aspas) Essas bobagens que voce diz podem impressionar suas alunas, mas para mim sao apenas isso, bobagens ( aspas). TOIM!
Ai,ai, o cara faz realmente terapia atraves dos proprios filmes.
Realmente ele deve curtir isso, dado que papou a enteada - alguem lembra da historia? onde Mia flagra fotos eroticas da entao garota tirada pelo Pelancudo? E o Pelancudo casou mesmo com a enteada, puta chute no saco da Mia, fala serio.
Algumas cenas sao realmente antologicas. Quando o Amigo do Pelancudo esta em uma festa, ja separado da mulher, acompanhado de uma Namoradinha. A cena e cruel. A Namoradinha do Amigo do Pelancudo tenta inadvertidamente explicar porque a astrologia seria algo da esfera da ciencia. Os integrantes da festa desdenham a coitada, que esta sentada sob os olhares criticos e ironicos, tentando argumentar, toda enrolada.
Como ela esta sentada e os outros em pe, argtumentando sem se exaltar, parece mais cruel ainda.
Quando ele a tira da festa, ela grita, esperneia, fazendo uma cena que parece manha de crianca mal educada, fazendo o cara parecer o que e - um cara patetico que decidiu namorar uma mulher trinta anos mais jovem. Todos tem que pagar um preco, o dele e a vergonha publica.
Voltemos a Mia.
Seu pergonagem e descrito tomo agressivo-passivo e concordo plenamente. Parece envolta naquele clima esteril de freira, mas acana definindo o que quer e tomando, nem que pra isso, faca chantagem emocional. Sabe aqueles coitadinhos que conseguem tudo? Os ratinhos que roem corda? Entao.
Ah, quase me esqueci....e a Judy Davis? Ganhou minha admiracao quando conseguiu ser uma pentelha master e ainda assim ter Liam Neeson pegando no seu pe nervosamente. Como? Como?
Sei la. Mas ela volta para o marido - O Amigo do Pelancudo - e continua sua vida sensata e sem sexo.
Woody Allen transforma essa personagem na chata que sabe fazer tudo melhor do que todos. Aquela que critica o chef do restaurante, critica o maestro, parece sempre ansiosa, torcendo as maos, pouco riso e muita neura. E ele nao para por ai, constriu a personagem frigida e tensa, nao ha como nao ver isso. Entao fico me perguntando... como esse constroi personagens femininos.
So sobram essas e as Julietes Fala Mole?
Caraca, meda.

11 dezembro 2010

Curtas


*** Fiz uma cirurgia, mas estou legal.

*** Estou de ferias.

*** Meu teclado esta sem acentos.

*** Li dois livros de contos do Neil Gaiman, e nem preciso, obviamente, dizer que Coisas Frageis I e II sao brilhantes. Pra variar, mergulham em um territorio de contos de fadas, terror, loucura e fantasia. Adoooro. DepOis resenho aqui, estou em fase de digestao.

*** Comecei a ler A Rsinha Margot. Quem se lembra do filme pode ter certeza, Patrice Chéreau viajou bastante sobre o romance de Dumas. Existem os casos, as intrigas e tal...mas a forma como isso e descrito nao lembra em nada o surubao que e o filme. Eu realmente gosto do filme, assisti ha anos no Cineclube Paradiso- que fechou ano passado - mas sempre achei que sofria de severos anacronismos. Nao pOsso falar com propriedade sobre o periodo, mas o filme me pareceu uma leitura tortuosa e quase caricatural. Vale a pena lembrar que as pilhas de corpos da Noite de Sao Bartolomeu sao identicas as pinturas sobre esse evento tragico. Pavoroso.


***Tenho assistido hoooooras de The Big Bang Theorie, nao existe melhor serie de humor pra mim. Humor geek autentico, no cerne, no jargao e nas manias.

*** Recebi visitas de amigas queridas que conheco ha dez mil anos, o que pode ser melhor?

*** Enjoei do twitter, desisti do orkut, continuo adorando o facebook.

***Quero ver o filme sobre o Facebook,

*** To zappeando demais e acho que isso esta interferindo na minha concentracao. Vixe.

*** Gosto de blogs de organizacao, craft, etc. Mas algumas vezes elas parecem saidas do Mulheres Perfeitas e eu juro que morro de medo das personagens do filme...robos que vivem o estilao Um Sorriso no Rosto e Um ssado no Forno. Meda, meda. Muiras vezes elas falam claramente que se espelham nas donas de casa da decada de 50.
Respeito intensamente as mulheres que optam por serem donas de casa e se esmeram nisso, nao obstante, quando isso passa a ser o centro da vida e o pico do prazer, apavoro.


*** Mas tambem tenho medo que quem, ao fugir desse estereotipo, acaba se embarangando de proposito, no meohor estilo Bagulho Intelectual To Nem ai. Ninguem vai me convencer que alguem e mais ou menos intelectualizada porque usa sovaco cabeludo e peito caido. Descupae. Sao duas faces da mesma moeda, o Duas Caras do Batman. Iguais do recorte e na ausencia de alteridade.

*** ta bom,eu sei, to chata.

10 dezembro 2010

Feliz Natal, queridos

Queridos leitores-amigos, vi esse video no facebook e adorei. Vejam ate o final, vale a pena. Genial, geek e fofo.

beijos natalinos antecipados.








08 dezembro 2010

Vivinha e Daniel em São Paulo II - o inóspito - post de 2008





















Levei Daniel pra conhecer o Memorial da América Latina. Eu já fui várias vezes,quase sempre levando alunos. Ele gostou. Minha parte predileta é o Pavilhão da Criatividade, em especial, o mapa onde andamos em cima das pequenas esculturas estilizadas. Quando levava crianças de quinta série, elas rolavam em cima. Daniel curtiu, mas preferiu a parte onde está o quadro do Portinari e as colunas do Carybé. Realmente lindas.

Mas que o Niemeyer nunca conheceu um lúpico, ah ,meus amigos, não conheceu. Atravessar aqele sol+concreto é praticamente um suicídio lento. Segundo Daniel, ele também nunca conheceu um cadeirante, porque a passarela é impossível pra eles. Sério mesmo. Nem com uma boa alma segurando, só se o fulando largar a cadeira e deixar o cara se estraçalhar no final.

Lindo,porém,inóspito.Se for pra escolher uma obra dele, prefiro aquele museu de Niterói. Ao menos fica perto da água.

E eu tentanto levar um papinho cabeça com meu filho,arrisquei essa:

- mas o cara tem um estilo marcante,né? dá pra identificar...igual aquele espanhol que eu gosto..

Antes de eu continuar e dizer "o Gaudí", o sacana ri da minha cara:

- ah,claro que sei...o Antonio Bandeiras?

Bom, ele também. Mas o assunto era sério, caracoles.

Mas vamos aos micos: na saída do banheiro da lanchonete havia um pequeno desnível, eu dei uma tropeçadinha, juro, foi apenas uma tropeçadinha....então, por reflexo, apoiei as mãos na parede. Riam, crianças: não era parede, era uma divisória que se estabacou com chão, com todo,todo o barulho possível.

Daniel disse que eu saí com a maior cara de bunda, olhando pra um lado, pro outro, com cara de quem pensa "será que alguém ouviu?"

ô coisa.





***** texto publicado originalmente em janeiro de 2008.

26 novembro 2010

No dia dos professores, saudades do José Luiz

Eu pensei em falar sobre o dia dos professores, pensei em comentar as coisas incríveis que acontecem, o provilégio que é poder participar de momentos tão importantes da vida das pessoas.
Mas não quero falar como professora, quero falar como aluna que fui.
Eu gostaria de falar do José Luiz, ou Zé luiz, pra nós, seus alunos no ensino médio. Zé Luiz me apresentou a música de Chico Buarque, me apresentou ao terrores da didadura em debates em que nós, os alunos, nos inflamávamos, inquietos com tanta coisa com a qual discordávamos. Foi certamente a pessoa mais importante na minha formação intelectual e politica na adolescência. Eu mal podia esperar por suas aulas e quando ele dizia: "alguém tem alguma colocação a fazer"? podia contar com minha mão erguida, palpites, opiniões e muitas, muitas duúvidas. E eu não era a única. Os outros palpitavam, discordávamos entre nós, concordávamos, decidiamos continuar o papo no bar do Beto ( Coisa que ele discordava, aliás, com veemência. Ele argumentava que a localização do tal bar era ilegal, dado que ficava na frente de uma escola. Mas nós, tomados pela tolice ingênua e linda da juventude, achávamos lindo continuar o papo da aula ali, no nosso queridissimo Bar do Beto)
Era fins de 80 e nós queríamos mudar o mundo. As aulas dele faziam as coisas terem um sentido diferente.
Nós nunca o deixávamos sair da sala de aula, sem ir atrás, ainda discutindo, perguntando, questionando. Zé Luiz - incrivelmente parecido com Sidney Poitier - foi meu professor de História e com ele conversei sobre livros, filme e política, muita política. E ele tinha toa a paciência do mundo com minha pressa juvenil e minhas tolices.
Exatamente por isso fico tão feliz quando acontece comigo, quando um aluno me acompanha ao final da aula, ainda com discussões por terminar. Exatamente por isso, sinto uma infelicidade extrema quando escuto um enfadado "sei lá" ou um dar de ombros para a aula, para o tema, para o mundo. Uma atitude me leva ao paraiso, a outra, ao inferno.
Quanto terminei o colegial e passei na Unicamp, voltei pra dar um beijo, milhões de obrigadas e um livro do Manuel Puig. Só depois de formada, já trabalhando, entendi o olhar de felicidade que ele tinha para mim naquele dia.
Hoje, no dia dos professores, vinte anos depois, só posso dizer que sou professora graças a ele e até hoje, digo para meus alunos uma frase que ele sempre repetia:

"Gostaria que vocês nunca perdessem a capacidade de se indignar"

Zé, um grande beijo pra você.




####publicado originalmente em 2008 e republicado agora, com atualizações.

18 novembro 2010

Os chatos











É muito bom ser professora. Eu já contei tanta coisa de alunos...já falei disso, disso e disso. Mas hoje eu queria falar sobre o Lado Negro da Força.Porque nós, professores, também temos o nosso ladinho Dart h Vader, vamos combinar.
Eu gosto dos meus alunos, sempre gostei.Em todos os anos como professora, só não gostei de dois alunos. Mas não foi só não gostar, eu confesso aqui, eu detestava aquelas criaturas.
Uma era uma garota chata. Chata, gente, chata...não era bonita, nem feia, nem burra, nem inteligente: era um zero à esquerda. Era uma tentativa patética de ser indisciplinada, mas era tão chata que nem adeptos pra bagunça conseguia.
Nada contra os indisciplinados: em geral, são engraçados, criativos, me dei bem com grande parte deles. Mas essa coisinha aí eu confesso, eu passava longe, eu doava, eu preferia não ter conhecido.
Mas o pior era o menino. Eu fui sua professora há muitos anos, hoje ele é adulto.
Era uma criança medonha e deve ser um adulto medonho, não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe, sacumé?
Ele era um lindo garoto, no maior padrão angelical: olhos imensos, azuis, cabelinho loiro.Mas eu vou dizer pra vocês....nunca conheci um menino tão cruel com as outras crianças, tão sádico, tão manipulador.Tudo com os grandes olhos ingênuos negando....
Vocês podem estar ai pensando que vou queimar no fogo do inferno por dizer isso, mas eu não tenho culpa de ter dado aula pro Bebê de Rosemary crescido!
O moleque parecia saído de um filme de terror, saca criancinha malévola no estilo A Profecia???
Nunca vi aquilo, tão jovem e tão escrotinho.
Pra se ter uma idéia, os professores chamavam a criatura de "anti cristo". Um dia, na sala dos professores, a professora de português dizia:
- Ah, eu venho dirigindo e rezando, rezando...
( risadas de todos)
- Aí eu me imagindo colocando a mão na cabeça deles e rezando...
( risadas de todos)
Sério, povo, a turma era tenebrosa messs.
- E o "anti cristo", você também abençoa??
- Até que eu eu tento, mas pelo sim e pelo não, não dou as costas pra ele não...


******* queridos, leiam os textos que deixei linkados aqui, são três textos que gosto muito e que traduzem bem a vida dentro de sala de aula. Beijos.**********

15 novembro 2010

A Lolita de Nabokov


Sempre que eu ouvia a expressão Ninfeta, imaginava que se referia a garotas adolescentes bonitas e sensuais. Qual não foi a minha surpresa ao ler Nabukov.
O protagonista, cônscio de sua pedofilia, descreve a ninfeta como meninas entre nove e doze anos (!), que mesclariam, para os olhos turvos do personagem, sensualidade e ingenuidade. Não que olhar para meninas de quinze anos não seja repulsivo vindo de um homem barbado, mas olhar para uma criança de nove consegue ser mais asqueroso ainda.
O livro é fantástico.( Eu sempre prefiro obras onde o leitor pode se embrenhar no imaginário das personagens, para além dos que colocam o foco na ação. Em outras palavras, me interessa mais como as personagens percebem a ação, como elas decodificam a ação, do que a ação em si.
Por isso gosto tanto de Virginia, Berlim, do Biajoni.)
No caso de Lolita, a trama efetivamente é chocante. O personagem, H.H. se perde em delírios pedófilos até que consegue encontrar sua presa ideal: a filha da dona da casa onde ele se hospeda.
Não vou abarrotar esse texto de spoilers, porque vocês devem efetivamente ler a fonte, os clássicos não são clássicos por acaso, enfim.
De forma que prefiro chamar a atenção do eventual leitor desta Casa para alguns pontos: a trivialidade da menina, uma adolescente absolutamente comum, que é sequestrada da sua infantilidade e presa a um universo porco de um adulto repulsivo. Ele mesmo percebe o quanto a destrói, seja com seu ciúmes doentio, seja com sua rotina de prostituição, onde os objetos de consumo juvenis são moeda de troca para sexo.
Uma das coisas que achei curiosamente cruel foi a forma como H.H. compreende as mulheres: não há meias palvras, ele sente repulsa por elas. São descritas de forma vulgar, pouco atraente, grosseira e tola. A própria Lolita, garante ele seria interessante por no máximo três anos, pois perderia a "nifescência" e se tornaria - horror dos horrores - uma jovem universitária.
Existe todo um universo curioso dentro de mentes doentias, Nabukov é consciente disso e explora toda a sordidez desse homem que teme mulheres. Por isso, pela maleabilidade estonteante com ele manuseia as palavras e pela pérfida forma como o personagem vê as pessoas, é necessário ler Nabukov.

09 novembro 2010

Roda Viva versão "Como É Essa Coisa?"









Alguém por favor por de explicar exatamente o que aconteceu com o Roda Viva? Primeiro: é sério que o Heródoto Barbeiro dançou porque perguntou sobre os pedágios para o José Pedágio Serra? Sério?
Ah, caraca.
Bom, pra quem quatro blocos, sendo que o último serve para o "balanço" dos participantes. Em outras palavras, todo mundo diz que foi bom, ótimo, muito rico e que gostaria de fazer mais perguntas para o entrevistado, que dá uma jogada de confete de volta.
Sabe jogador dando entrevista? Falando sempre a mesma coisa? "Vamos dar tudo de si (sic), fazer um bom jogo, um grande futebol, o time está unido e seguir a instrução do professor e blábláblká". Gente, é igual. Mesmo papo repetitivo, inútil e abosolutamente previsível.
Augusto Nunes, que era meu ídolo na adolescência e juventude, por quem eu suspirava pelo charme e pela inteligência, está um fiasco. Não tanto pela aparência, os anos o atingiram em cheio, mas ainda dá um caldo. Mas perguntas superficiais, má condução de resposta, impaciência e outros problemas me fazem olhar pra ele com profunda decepção.
Marilia Grabriela é uma chata, mas isso não tem conserto. O pior de tudo é que ela e Paulo Moreira Leite gesticulam tanto que me lembram a entrevista - no mesmo programa - de José Celso Martinez Corrêa, que estava tão histriônico que as pessoas começaram a escrever perguntado se ele estava drogado. Um pé.
O que mais me incomoda mesmo são as perguntas vagas, mal elaboradas, que se repetem com aquela profusão de gestos e terminam com "como é essa coisa? " ou " como é isso?", o fim da picada, o fim dos tempos, o apocalipse das entrevistas.
No Roda Viva de ontem estava Contardo Calligaris - pausa para o suspiro apaixonado - que foi absolutamente brilhante e charmoso como sempre. Parecendo ficar surpreso com o nivel das perguntas. Quando indagado por Augusto Nunes se "ele conseguia se analizar ou precisava de alguém para isso", respondeu com um certo sorriso matreiro que "não se analizava, porque ninguém se analiza, é preciso do Outro para isso".
Sem desenvolver a resposta, foi quase lacônico, como quem diz: meu filho, pesquise antes de falar batatada...
De resto, a entrevista por boa por conta dele. Mona Dorf, jornalista convidada, foi sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada. O resto..."ah, como é esa coisa?"
Faça-me o favor.

04 novembro 2010

Porque os homens que não gostam de hq me irritam


Conversando com um fulano, recém apresentado pra mim, no Franz :
- O que é isso nessa sacolinha, história em quadrinhos?
- Sim.
- Você gosta?
- Adoro.
- Ah....é.....esse Marvel escreve bem mesmo, heim?
-...................


(2007- Colégio de freira)
Saindo da sala dos professores. O professor me pára:
- Vivien, você já viu o vocalista do Ira?
- Ahã...sei. O que é que tem?
- Lembrei de você, ele está parecendo aquele ET do Matrix....você vai saber, você gosta dessas coisas....
- ( ET...? Do Matrix..?) ( cara de dúvida)
- É...aquele assim...( faz um gesto de garra com a mão )
- Ah...o Wolverine...( sorriso amarelo )

Gauchismos








Faz algum tempo, o Bia me emprestou alguns livros bacanas, entre eles, o Música Perdida, escrito por Assis Brasil. Na época, muito impressionada com o livro, escrevi uma resenha e a publiquei aqui.
Agora, vendo que a Copa de Literatura vai acontecer, vi que o autor estaria envolvido e achei seu email. Joguei a vergonha no saco e escrevi para ele - mesmo com aquele receio de ser pentelha - e mandei a resenha.
Para minha grata surpresa, ele me respondeu rapidamente e de forma absolutamente gentil. O que reforça minha tese que a arrogância pertence aos mal amados e medíocres, pois quem tem uma carreira sólida e respeitabilidade, não precisa desses artifícios.
Para felicidade do meu ego querido, o professor Assis Brasil elogiou a resenha e pediu (!!!) para linká-la em seu site. Quasei pulei, né, crianças. Afinal, o que uma blogueira comum como eu estaria fazendo por lá? Adorei mesmo, pra mim é uma honra poder dar meus pitacos dentro da obra de um autor tão especial.
Após alguns emails, tomado de "gauchice", Assis Brasil escreveu:

"Buenas (desculpa; é que acordei muito gaúcho, hoje).
Tua bela resenha já está no meu site, inclusivamente com um link para o teu blog.
Mais uma vez, miles de gracias,
e um quebra-costela bem cinchado do
Assis Brasil
PS.: minha gauchice passa; amanhã estou normal..."


Depois de rir com a expressões peculiares desses sulistas, perguntei se poderia publicar isso no meu blog. E ele, ainda no arroubo da gauchice, respondeu:


"Buenas e me espalho! Nos gordos dou de plancha e nos magros
dou de talho!
Mas é claro, guria, podes botar o meu chasque no teu blog.
Vai ficar mais lindo que beijo de prima, e eu mais faceiro
que guri penteado.
Um quebra-costela bem cinchado do
Coronel Assis Brasil [todo gaúcho-homem é coronel --
ainda estou sob o ataque de gauchidade. Depois do meio-dia,
quando eu já tiver engraxado o bigode com um costilhar de
ovelha, já serei brasileiro de novo]"


O site do professor(ou coronel?) Assis Brasil é esse aqui, e pra quem não leu, minha resenha é essa.

*** publicado originalmente em abril em 2008.

01 novembro 2010

O meu país tem uma mulher presidente























"E cada pai e mãe olhe agora nos olhos de suas filhas e diga: a mulher pode".

( Dilme Roussef)



E fica a dica pára quem quer ler sobre preconceito e machismo nessa campanha histórica: aqui e aqui.