05 fevereiro 2011
02 fevereiro 2011
Bom humor é tudo nessa vida
Reynaldo, perfeito, lindo e engraçado.
*suspiro*
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31 janeiro 2011
Personagens de Angeli soltos pelo mundo


No sábado fui ao Delta Blues com minha queridíssima Michela.
Eu não ia lá há longos quatro anos. Me desculpem os fumantes, mas lugar fechado catingando cigarro é uó. Agora com a lei tucanesca o lugar realmente fica melhor. Porque pra conter o barulhão tem um teto meio rebaixado...isso com todo mundo pitando? Inferno. Deixei de ir.
Pois a versão nova e sem cigarro é melhor. Tá bom ,todo mundo pode começar a me vaiar, vai ouvir blues sem fumaça? , vai tomar toddynho, eu sei, eu sei. Sou da turma do toddynho mess..;0)
O caso é que decidirmos ir. Michela é super rock in roll, a noite sempre é bacana com essa minha amiga, sempre rimos demais. De tudo , de todos, de nós mesmas, claro.
Chegamos antes do show, pra poder conversar, coisa e tall.
Em cinco minutos chega um careca americano e pede pra sentar em nossa mesa. Como a casa tem poucas mesas e já dividi com outras pessoas, nem liguei, claro. Mas o careca puxava papo e passou a noite insistindo em pagar bebidas pra gente.
A garçonete avisava: poem na conta do careca...
Mas não, né? Fala sério. Porque vamos combinar, ele era meio chatinho.
Mas a noite foi boa demais: o som foi Creedence e foi realmente de primeiríssima linha.
Mas claro que com toques de humor - pelo menos no nosso olhar. O vocalista fazi o tipo Tio COntador: bigode, calvicie engolindo a cabeça, barriga. Mas abria a boca e era show de bola. Incrivel.
Não me achem pentelha...mas o baterista era a cara do Larry, gente.
<Bizarro ver o Larry se acabando na nateria. Bizarro.
Eu sempre observo com distanciamento. Sabe aquelas cenas clássicas onde uma pessoa está em cirurgia e morre um pouco - tá, morre um pouco é doideira, mas vá lá - e fica planando sobre todos e observando? Então. Eu fico olhando todo mundo como se eu estivesse em outro mundo. E acho que todo mundo parece personagem do Angeli.

Não imaginem que me acho superior ou coisa parecida. Vixe,nem conto para vocês como minha autocrítica é cruel...Mas eu acho qas pessoas tão engraçadas. Tão curiosamente engraçadas.
Mas o público lá é bem interessante realmente: velhos roqueiros cabeludos-calvos, jvoens tatuados, jovens não tatuados, motoqueiros de moto clubes e suas esposas, no maior climão familia. Um cara com um visual clássico de professor - professor de quimica! - cantando tooodas as músicas, acompanhado de sua versão aos quinze anos, que também estava hipnotizado pelo show.
Na lista dos chatos, tinha um bêbado que foi colocado pra fora, doidinho pra arrumar confusão, apelidado pela Mi de Joselito. Vocês entendem, tadim, o problema é que ele não sabe brincar.
Só digo pra vocês que foi ótimo.
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27 janeiro 2011
O Rolo

Eu me lembrei do Cortiço ontem. Da briga entre a mulata e a portuguesa, do barraco das duas no meio do cortiço, da bagunça.
Ontem eu vi algo assim, mas muito menos literário e muito mais deprimente.
Com o carro no conserto, tive que ir dar aulas na faculdade de ônibus, o que detesto. Já tomei muito ônibus na minha vida, essa chatice...passo.
Sempre trabalhei de manhã, essa experiência com a graduação é interessante, mas é à noite. É um saco dar aulas à noite.
Mas não tive escolha, era isso ou faltar. Então, isso. Na volta, peguei uma carona com outra professora, que me deixou em um ponto de ônibus medonho. Era medonho, gente.
Era em frente de um botequim que cheirava a muitos anos sem faxina, com alguns bêbados rondando. Sério, uma caminhada de bêbados, parecia sindicato dos cachaceiros de Campinas.
E nada da porcaria do ônibus. E mais bêbados. E eu me encolhendo e pensando "manchete..professora fatiada e assada com batatas em um botequim de campinas!!!!". Meda. Porque qualquer um que me conheça, sabe que sou muito medrosa, muito mesmo.
Do nada surge o master bêbado, esses tipos que parecem uma caricatura humana, que olhados, despertam pena e irritação, porque são sempre, sempre, uns inconvenientes. Dito e feito, o master bêbado chegou perto de duas senhoras ( que estavam de braços dados, flores na mão e comentavam do baile que tinham saído, já meio chumbadinhas também)e começou a berrar:
- olha isso..olha isso....veeeeeeeeeeeia....feia...quem quer essa m***????
As duas se encolheram,eu entrei no botequim, pensando:morri, morri.
(Daniel sempre diz que o melhor dessas cenas é minha cara de pânico)
Continuou ofendendo as mulheres, até que um jovem, que chegou em seguida - vindo do mesmo bailão..- parou na frente dele:
- qual o problema aí, seu otário?? Tá ofendendo as senhoras por que??
O valentão se encolheu. Ficou quieto. Do nada,começou a gritar:
- eu piso na cabeça deeeeeeeeela...o sangue vai espichar!!!
Nessa hora eu já estava rezando, abraçada com a bolsa, com cara de choro.
A namorada do jovem que havia defendido as senhoras, pulou na frente do master bêbado: escuta aqui, seu b***, você é homem, mas não é dois!!! cala tua boca, seu bêbado nojento...aqui só tem mulher séria, só porque a gente vai no baile você acha que pode ofender, seu idiota!!!! some daqui, some,seu lixo< /em>.
- Euuu...não...bato em mulheeeer...porque não queeero....eu já matei, já matei...
- Então me mata, seu idiota!
Dizendo isso, a moça sentou um tabefe nas fuças do bêbado. Mas um senhor tabefe, com mão aberta, que fez barulho mesmo. Aí um grupo de adolescentes saindo de uma escola começou a rir, o pessoal começou a tentar acalmar, até eu entrei na história, acalmando a moça, oferecendo água, essas coisas que quando a gente entra na turma do "deixa disso" faz. Porque eu sou apavorada, muito apavorada, porém,maior que o meu medo de bêbados, é o meu medo de linchamento, e aquele imbecil, uma vez no chão, viraria uma panqueca de sangue.
Ele continuou:
- eu sou primo do xxxx - não entendi o que ele disse - sou graaaande lá no xxxxx - disse o nome de uma favela -eu te mato,heim?
- mata nada, seu bêbado, seu otário, sai daqui senão eu é que te arrebento.
E gritou:
- frouuuxo!!!
O bêbado foi embora, eles tomaram seus ônibus e logo passou o meu.
Subi, ainda com um medo dos diabos, achando a tal da moça uma heroína dos becos. E parecia uma história digna da Madame Gongadeira,afinal.
Socorro.
****post originalmente publicado em abril de 2008.
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26 janeiro 2011
1976
Eu me lembro muito, muito vagamente, pois tinha oito anos. Mas me lembro de ouvir a música e achar a novela linda.
Um jovem escultor e sua musa, apaixonados e separados por décadas. Ele com vários casamentos, ela com um longo (Mário Lago?.
Vejam a cena final e me digam se Lauro Cezar Muniz não é o Cara....
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Os Pássaros

Daniel devia ter uns quatro anos. Ele estava descobrindo tudo, ir na feira era uma festa. A gente batia cartão nos parques da cidade, fazendo piquenique, brincando, todas aquelas coisas deliciosas que dá pra fazer com um pequeno filhinho.
Nesse dia, a gente estava no centro da cidade, nem sei ao certo fazendo o quê. Mas a gente passou no Largo do Rosário, aquele que já foi alvo de mil reformas diferentes.( Comento isso em um próximo post) que estava, como sempre, cheio de pombas.
Alguns fotógrafos andavam por lá, fotografando as crianças que se matavam de correr atrás dos tais pombos.Comprei um pouco de milho de um deles e , toda felizinha, dei um pouco para o Daniel e joguei no chão....eu achava que eles viriam, pacíficos e organizadinhos, comer perto da gente.
Em poucos minutos, todas aquelas pombas vieram enlouquecidas querendo milho. Todos aqueles milhões de bicos alucinados!!!
Eu me vi dentro de uma cena de Os Pássaros, pateticamente tentando espantar os bicos enfurecidos.
Daniel, feliz da vida, tinha pombos na cabeça, nas mãos, morria de rir, enquanto eu estava toda estabanada, lutando com aquela turba assassina.
Consegui me livrar deles e , morrendo de vergonha, voltei pra casa.
****post originalmente publicado em janeiro de 2007.
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Daniel
25 janeiro 2011
Uma ligação do outro lado do oceano

Foi em 2000. Eu estava sozinha em casa, em um sábado à tarde, dormindo. Não estava em um período lá muito feliz, encarando uma segunda separação. Estava morando em um apartamento com Daniel, dando aulas e tentando ser a Malu Mulher de novo. O telefone tocou, atendi ainda sonolenta. Uma voz feminina com sotaque português perguntou se eu era a Vivien. Eu disse que sim, sem saber com quem falava.
Para minha felicidade, rindo, ela disse:
- Não reconhece mais sua amiga do outro lado do oceano?
- Adriaaaaaanna...?
Foi demais. A Dri foi minha amiga de escola, juntas estudamos, fofocamos, badernamos, consertamos o mundo em intermináveis conversas no Caicó ou no Ilustrada, cantamos, confidenciamos coisas.
Eu não via a Dri desde que ela havia ido pra Portugal, anos atrás.
Foi uma risada só, quando tentamos colocar todas as novidades dentro daquele papo no telefone.
- Espera, espera....heim?...olha, o Pitty está perguntando se você ainda é jeitosinha como no tempo da escola..
- (risadas) Fala pra ele que estou fazendo regime, tô sempre fazendo regime agora..
E foi um tal de passa o telefone pra ele, volta o telefone pra ela, aquela baderna de amigos que se querem bem.
A partir dali e graças a internet, continuamos a ter contato. Tivemos ótimos momentos aqui no Brasil, quando ela veio no ano passado.
Agora, para minha surpresa, vejo que Fábio, seu filho mais velho e que hoje mora na Inglaterra, vai se casar ano que vem. E eu o carreguei no colo, literalmente, era um fofo de cabelos angelicais.
Eu sei, sou uma tia coruja. Mas tenho todos os motivos do mundo.
A Dri sempre lembra, como no comentário do post abaixo, que eu e Pitty gostávamos de Legião, diferentemente dela, que nunca nos acompanhava na cantoria de Faroeste Caboclo do bar do Beto, nosso ponto de encontro na frente da escola.
Mas ela já se rendeu ao bom gosto, né, Dri?
Tempo bom, gente boa, lembranças boas.
*****texto publicado anteriormente em agosto de 2008.
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20 janeiro 2011
Ligações Perigosas, a peça

Passei quase todas as férias de molho: fiz uma cirurgia e tive que ficar sem dirigir, sem me mover muito, blá, blá. No finalzinho desse período fui pra São Paulo, por sorte, meu irmão Ricardo - que é arquiteto e lindo - também estava de férias e tivemos uma semana muito bacana.
Primeiro porque rodamos muito. Fizemos um mega tour nos mais diversos bairros, passando pelos descolados, atravessando os curva-de-rio e observando os chiquérrimos.
São Paulo é o lugar das diversas tribos, isso ficou mais claro do que nunca. Depedendo do recorte temático que você faz, a cidade muda junto, se torna outra.
Uma das coisas bacanas foi ver a peça Ligações Perigosas, para onde fui toda animadinha, já que adoro o livro e o filme homônimo. O livro é um romance epistolar onde a história pode ser rastreaada através das cartas trocadas entre os personagens. Toda a múltipla gama de códigos de conduta aparecem ali, de forma intrigante.
(Eu bem que adoraria falar sobre o filme, mas depois da Lola, bem dá. Leiam a crítica da Lola, como sempre, é fantástica.)
Ricardo foi comprar os ingressos e voltou feliz, tinha conseguido no gargarejo, na primeira fila mesmo. Disse:
- Vamos sentar tão perto que a Maria Fernanda Cândido vai cuspir na gente.
Pulamos de alegria.
A noite foi ótima. Fomos jantar em um restaurante árabe - uam das cozinhas que mais gosto - papeamos e fomos lá, ser cuspidos pela atriz.
A peça foi muito boa, mas Marat Descartes - isso é nome ou planfleto? - que interpretou o Marquês deixou a desejar. Eu, particularmente, achei canastrão.
Mas a Marquesa da Maria Fernanda Cândido é formidável.
A peça tem poucas possibilidades de errar, já que o texto é incrível.
E o final, me perdoem pelo spoiler - onde ela diz que vai esperar o que o que fim do século trará aos nobres...enquanto uma imagem da guilhotina se projeta na fundo é de uma deliciosa obviedade. Sim, caros, muitas vezes o óbvio é a melhor e mais franca opção.
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16 janeiro 2011
A sua anti-cara metade

Apesar de eu ser uma rendida aos filmes mais românticos, mais tolos, mais ingênuos do mundo, não compartilho a concepção de "alma gêmea". Sempre achei essa definição não apenas idiota, mas reducionista e fatalista. Cara, quem acredita nisso ou está angustiado porque perdeu a tal cara-metade ou está procurando em todos os lugares. Um saco.
Mas sempre achei que seria mais lógico haver um interesse por alguém que tivesse similaridades intelectuais, artísticas, políticas...Claro que o interesse pelo outro não é pautado pela lógica, não é tão "vulcano" assim.
Outro dia eu conversava com uma amiga muito próxima e ela me contava que está realmente interessada em alguém com um perfil totalmente diferente do dela. Não só ele não se interessa pelas "geekices" que ela adora, como tem um padrão de comportamento diametralmente oposto a todos os namorados que ela teve.
E ela me confidenciou que adora. Acha tudo uma delícia, acha a risada dele uma delícia e me afirmou que, apesar de conversar normalmente com ele, sua cabeça imagina milhões de outras coisas durante a conversa, a ponto dela rir em momentos inoportunos.
- E ele? - perguntei.
- Sei lá! E a gente consegue perceber se o cara está interessado ou não? Eu já sou devagar...e atualmente os caras são tão estranhos...- afirmou, rindo.
Ela me disse que gostava de tomar a iniciativa, quando isso não era moda. Agora que todas as mulheres fazem isso, ela prefere esperar, prefere ser cortejada.
Enquanto isso acontece, ela sorri e imagina mil histórias enquanto ele fala.
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03 janeiro 2011
Histórias de horror para colorir

Éramos em cinco professores na mesa do Piola. Eu sempre achei o preço de lá um verdadeiro roubo, mas vocês sabem como sou provinciana. Meus fashion amigos iam sempre e decidi ceder, algumas vezes.
Então, após o papo básico cinema-música-política, a conversa caminhou para a infância de cada um.
Claro que qualquer ouvidinho curioso que estivesse buscando bordas do nosso papo, imediatamente sacaria que ali o estilo "infãncia-momento-feliz" não existia.
Eram pequenas histórias de horror, que provocavam gargalhadas. Dentre todas, me lembro desta aqui:
Um dos professores, alto, bonitão e engraçado, desfiava o rosário de sofrimentos de sua infãncia. Nada grave, nunca cortou cana pra sobreviver, apenas foi criado de forma muito rigorosa. Até os 18 anos, não tomou refrigerante. Sua mãe proibia e ele respeitava isso sistematicamente. O caso é que quando achou que era adulto, quando entrou na unicamp, se matou de tomar coca-cola, com ares de pecado eterno. Disse que comprava e tomava, triunfal.
Usou mochila do Cebolinha até o terceiro ano do ensino médio, comia solitariamente uma maçã nos intervalos que pareciam durar séculos.
Mas o pior, o pior mesmo, aconteceu no pré.
Em uma aula, ele sentiu que uma quantidade considerável de gases queria sair de seu traseiro, assim, em plena aula.
Com uma força hercúlea, segurou as pontas, até que a natureza venceu. Infelizmente, junto aos tais gases, seu traseiro expulsou também uma pequena - mas lamentável - quantidade de um outro elemento mais escatológico.
Entrou em pânico. Parado, estático, esperou um momento. Pediu pra sair e foi direto para o banheiro, onde tirou a cuequinha. Com medo de ser descoberto, teve a genial idéia de escondê-la. Saiu, assobiando, olhando pra um lado, pro outro, decidiu ir até a quadra e esconder a prova do crime dentro do cano da trave de futebol.
Voltou pra sala, pensando ter cometido o crime perfeito.
Dias depois, uma servente balança, diante de todas as crianças, uma cuequinha - devidamente limpa - perguntando de quem seria. A criançada se torce de rir, e K., estático, ficou olhando fixamente a cuequinha.
Diante dos nossos risos, disse:
- Era do piu-piu. Eu sempre odiei o piu-piu.
********publicado originalmente em 2008.
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02 janeiro 2011
What a wonderful world

Fazer um balanço de 2010 foi prazeroso. Tem um problema pegando, mas ainda não é hora de comentá-lo aqui no blog. Por hora, as coisas boas.
A melhor foi começar a trabalhar em uma escola que adoro. Isso foi o deflagrador para várias outras pequenas e deliciosas coisas, felicidade de pobre, certo? Risos.
Comprei um carro: popular, óbvio. Mas pra mim,uma limosine. Coloquei armários na cozinha - que é pequena, óbvio, ahhahah, mas que ficou absolutamente deslumbrante.
Depois de quatro anos fingindo que aquele pequeno cômodo não existia....fiz um lavabo. Já tinha avisado que eram alegrias de pobre, pessoas, não me xinguem. Lavabo é tudo de bom, ficou lindo, ficou fofo, ficou roxo e ficou florido. A pia, nem te conto, de sobrepor,um luooooxo.
Andei meses de rasteirinha, por conta de uma dorzinha chata nos pés. Passou e voltei aos saltos. Deus existe.
Li bastante, trabalhei bastante, fui ao Café Filosófico, dormi muito, retomei com seriedade alguns tratamentos médicos. Vergonha na cara também faz bem.
Passei o reveillon com Karen e Bia, ,que são, sem sombra de dúvida, algumas das pessoas com quem eu mais gosto de conversar. Foi um presente da blogosfera.
Perdi um tio, que além de tio era padrinho, mas estou tão convicta de que ele está em um estágio/esfera/lugar melhor - porque ele merece isso - que estou em paz.
Tenho pensado muito sobre a valorização das pessoas com quem convivo. Sempre tive a política clara dos "momentinhos", de curtir à exaustão coisas pequenas, porque são os detalhes que dão saber. Sei que isso cai fácil na pieguice, mas não sei como figir dela...rs...saca essa coisa de ficar feliz com cheiro de pão fresco? Achar a lua linda, achar fofos os gatinhos pulando, essas porras todas? Então. Sou assim, quero ser assim, milito em ser assim.
E eu tenho certeza de que 2011 será um ano daqueles, cheio de alegrias, de encontros,de risadas, de livros, muitos livros, de filmes, de chocolate - ops, chocolate não pode, saco...- e de paz.
Pra terminar, coisas que curti em 2010: o Facebook, a Lola, cuja leitura sempre me faz refletir e a Rita, que sempre me comove.
E além de todas essas alegrias, eu tenho uma presidentA.

Ano de ouro.
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Dilma
23 dezembro 2010
17 dezembro 2010
Wagner Mouravilhoso

Voce quer saber por que Wagner Moura e intelectualmente mais interessante do que a maioria dos ourtos atores?
Entao, leia isso.
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13 dezembro 2010
Cenas de Woody Allen

Revi uns trechos de Maridos e Esposas ontem.
Vejo e gosto de Wood Allen, ou melhor, gosto de seus filmes, nao tenho a menor simpatia por ele. Depois que ele pegou a enteada entao, nem se fala.
Mia Farrow me da aflicao. Acho que ela parece um amalgama de garoto imberbe com uma freira, ou seja, a representacao do maximo da asexualidade. E isso se repete em todos os filmes que vi com ela - a mesma boca branca fragil, o mesmo cabelinho de freira, a roupa oscilando entre lacos de boneca antiga com pijamas. Bom, se nao eram pijamas, pareciam ser.
Wood Allen fazendo Wood Allen. Mas isso e dado, se quero ver um filme com ele sera assim, aquele magrelo flacido branco escritorio, pouco cabelo, muito nariz e cara de quem nao come carne.
Ja que estou implicando, vamos implicar geral. O que a Juliete Lewis tem na boca? Porque aquela fala mooooole?
E ela aparece fazendo aquele tipinho que Allen adora - a aluninha. Chega a ser caricatural, olhar de baixo pra cima, fala mole, pacote completo. Aquela que nada sabe tgeria que aprender tudo com o tal,o fodao,o hiper tcham. O inseguro master, ne?
A aluna deslumbrada com o professor - a ponto de nao reparar na careca ou na
pelanquina branca - jovem, bonita e inteligente. Em alguns filmes essa entidade aparece, as vezes assim, as vezes burra, mas sempre aluninha.
Quando essa personagem reage e critica, deixa de ter encntos, e ele perde o interesse. Porque o grande lance parece ser a jovem mulher que esta mais para plateia do que para companheira. Aquela que vai babar diante de cada babaquice que ele diz.
Mia diz isso (aspas) Essas bobagens que voce diz podem impressionar suas alunas, mas para mim sao apenas isso, bobagens ( aspas). TOIM!
Ai,ai, o cara faz realmente terapia atraves dos proprios filmes.
Realmente ele deve curtir isso, dado que papou a enteada - alguem lembra da historia? onde Mia flagra fotos eroticas da entao garota tirada pelo Pelancudo? E o Pelancudo casou mesmo com a enteada, puta chute no saco da Mia, fala serio.
Algumas cenas sao realmente antologicas. Quando o Amigo do Pelancudo esta em uma festa, ja separado da mulher, acompanhado de uma Namoradinha. A cena e cruel. A Namoradinha do Amigo do Pelancudo tenta inadvertidamente explicar porque a astrologia seria algo da esfera da ciencia. Os integrantes da festa desdenham a coitada, que esta sentada sob os olhares criticos e ironicos, tentando argumentar, toda enrolada.
Como ela esta sentada e os outros em pe, argtumentando sem se exaltar, parece mais cruel ainda.
Quando ele a tira da festa, ela grita, esperneia, fazendo uma cena que parece manha de crianca mal educada, fazendo o cara parecer o que e - um cara patetico que decidiu namorar uma mulher trinta anos mais jovem. Todos tem que pagar um preco, o dele e a vergonha publica.
Voltemos a Mia.
Seu pergonagem e descrito tomo agressivo-passivo e concordo plenamente. Parece envolta naquele clima esteril de freira, mas acana definindo o que quer e tomando, nem que pra isso, faca chantagem emocional. Sabe aqueles coitadinhos que conseguem tudo? Os ratinhos que roem corda? Entao.
Ah, quase me esqueci....e a Judy Davis? Ganhou minha admiracao quando conseguiu ser uma pentelha master e ainda assim ter Liam Neeson pegando no seu pe nervosamente. Como? Como?
Sei la. Mas ela volta para o marido - O Amigo do Pelancudo - e continua sua vida sensata e sem sexo.
Woody Allen transforma essa personagem na chata que sabe fazer tudo melhor do que todos. Aquela que critica o chef do restaurante, critica o maestro, parece sempre ansiosa, torcendo as maos, pouco riso e muita neura. E ele nao para por ai, constriu a personagem frigida e tensa, nao ha como nao ver isso. Entao fico me perguntando... como esse constroi personagens femininos.
So sobram essas e as Julietes Fala Mole?
Caraca, meda.
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11 dezembro 2010
Curtas

*** Fiz uma cirurgia, mas estou legal.
*** Estou de ferias.
*** Meu teclado esta sem acentos.
*** Li dois livros de contos do Neil Gaiman, e nem preciso, obviamente, dizer que Coisas Frageis I e II sao brilhantes. Pra variar, mergulham em um territorio de contos de fadas, terror, loucura e fantasia. Adoooro. DepOis resenho aqui, estou em fase de digestao.
*** Comecei a ler A Rsinha Margot. Quem se lembra do filme pode ter certeza, Patrice Chéreau viajou bastante sobre o romance de Dumas. Existem os casos, as intrigas e tal...mas a forma como isso e descrito nao lembra em nada o surubao que e o filme. Eu realmente gosto do filme, assisti ha anos no Cineclube Paradiso- que fechou ano passado - mas sempre achei que sofria de severos anacronismos. Nao pOsso falar com propriedade sobre o periodo, mas o filme me pareceu uma leitura tortuosa e quase caricatural. Vale a pena lembrar que as pilhas de corpos da Noite de Sao Bartolomeu sao identicas as pinturas sobre esse evento tragico. Pavoroso.
***Tenho assistido hoooooras de The Big Bang Theorie, nao existe melhor serie de humor pra mim. Humor geek autentico, no cerne, no jargao e nas manias.
*** Recebi visitas de amigas queridas que conheco ha dez mil anos, o que pode ser melhor?
*** Enjoei do twitter, desisti do orkut, continuo adorando o facebook.
***Quero ver o filme sobre o Facebook,
*** To zappeando demais e acho que isso esta interferindo na minha concentracao. Vixe.
*** Gosto de blogs de organizacao, craft, etc. Mas algumas vezes elas parecem saidas do Mulheres Perfeitas e eu juro que morro de medo das personagens do filme...robos que vivem o estilao Um Sorriso no Rosto e Um ssado no Forno. Meda, meda. Muiras vezes elas falam claramente que se espelham nas donas de casa da decada de 50.
Respeito intensamente as mulheres que optam por serem donas de casa e se esmeram nisso, nao obstante, quando isso passa a ser o centro da vida e o pico do prazer, apavoro.
*** Mas tambem tenho medo que quem, ao fugir desse estereotipo, acaba se embarangando de proposito, no meohor estilo Bagulho Intelectual To Nem ai. Ninguem vai me convencer que alguem e mais ou menos intelectualizada porque usa sovaco cabeludo e peito caido. Descupae. Sao duas faces da mesma moeda, o Duas Caras do Batman. Iguais do recorte e na ausencia de alteridade.
*** ta bom,eu sei, to chata.
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10 dezembro 2010
Feliz Natal, queridos
Queridos leitores-amigos, vi esse video no facebook e adorei. Vejam ate o final, vale a pena. Genial, geek e fofo.
beijos natalinos antecipados.
beijos natalinos antecipados.
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08 dezembro 2010
Vivinha e Daniel em São Paulo II - o inóspito - post de 2008

Levei Daniel pra conhecer o Memorial da América Latina. Eu já fui várias vezes,quase sempre levando alunos. Ele gostou. Minha parte predileta é o Pavilhão da Criatividade, em especial, o mapa onde andamos em cima das pequenas esculturas estilizadas. Quando levava crianças de quinta série, elas rolavam em cima. Daniel curtiu, mas preferiu a parte onde está o quadro do Portinari e as colunas do Carybé. Realmente lindas.
Mas que o Niemeyer nunca conheceu um lúpico, ah ,meus amigos, não conheceu. Atravessar aqele sol+concreto é praticamente um suicídio lento. Segundo Daniel, ele também nunca conheceu um cadeirante, porque a passarela é impossível pra eles. Sério mesmo. Nem com uma boa alma segurando, só se o fulando largar a cadeira e deixar o cara se estraçalhar no final.
Lindo,porém,inóspito.Se for pra escolher uma obra dele, prefiro aquele museu de Niterói. Ao menos fica perto da água.
E eu tentanto levar um papinho cabeça com meu filho,arrisquei essa:
- mas o cara tem um estilo marcante,né? dá pra identificar...igual aquele espanhol que eu gosto..
Antes de eu continuar e dizer "o Gaudí", o sacana ri da minha cara:
- ah,claro que sei...o Antonio Bandeiras?
Bom, ele também. Mas o assunto era sério, caracoles.
Mas vamos aos micos: na saída do banheiro da lanchonete havia um pequeno desnível, eu dei uma tropeçadinha, juro, foi apenas uma tropeçadinha....então, por reflexo, apoiei as mãos na parede. Riam, crianças: não era parede, era uma divisória que se estabacou com chão, com todo,todo o barulho possível.
Daniel disse que eu saí com a maior cara de bunda, olhando pra um lado, pro outro, com cara de quem pensa "será que alguém ouviu?"
ô coisa.
***** texto publicado originalmente em janeiro de 2008.
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26 novembro 2010
No dia dos professores, saudades do José Luiz
Eu pensei em falar sobre o dia dos professores, pensei em comentar as coisas incríveis que acontecem, o provilégio que é poder participar de momentos tão importantes da vida das pessoas.
Mas não quero falar como professora, quero falar como aluna que fui.
Eu gostaria de falar do José Luiz, ou Zé luiz, pra nós, seus alunos no ensino médio. Zé Luiz me apresentou a música de Chico Buarque, me apresentou ao terrores da didadura em debates em que nós, os alunos, nos inflamávamos, inquietos com tanta coisa com a qual discordávamos. Foi certamente a pessoa mais importante na minha formação intelectual e politica na adolescência. Eu mal podia esperar por suas aulas e quando ele dizia: "alguém tem alguma colocação a fazer"? podia contar com minha mão erguida, palpites, opiniões e muitas, muitas duúvidas. E eu não era a única. Os outros palpitavam, discordávamos entre nós, concordávamos, decidiamos continuar o papo no bar do Beto ( Coisa que ele discordava, aliás, com veemência. Ele argumentava que a localização do tal bar era ilegal, dado que ficava na frente de uma escola. Mas nós, tomados pela tolice ingênua e linda da juventude, achávamos lindo continuar o papo da aula ali, no nosso queridissimo Bar do Beto)
Era fins de 80 e nós queríamos mudar o mundo. As aulas dele faziam as coisas terem um sentido diferente.
Nós nunca o deixávamos sair da sala de aula, sem ir atrás, ainda discutindo, perguntando, questionando. Zé Luiz - incrivelmente parecido com Sidney Poitier - foi meu professor de História e com ele conversei sobre livros, filme e política, muita política. E ele tinha toa a paciência do mundo com minha pressa juvenil e minhas tolices.
Exatamente por isso fico tão feliz quando acontece comigo, quando um aluno me acompanha ao final da aula, ainda com discussões por terminar. Exatamente por isso, sinto uma infelicidade extrema quando escuto um enfadado "sei lá" ou um dar de ombros para a aula, para o tema, para o mundo. Uma atitude me leva ao paraiso, a outra, ao inferno.
Quanto terminei o colegial e passei na Unicamp, voltei pra dar um beijo, milhões de obrigadas e um livro do Manuel Puig. Só depois de formada, já trabalhando, entendi o olhar de felicidade que ele tinha para mim naquele dia.
Hoje, no dia dos professores, vinte anos depois, só posso dizer que sou professora graças a ele e até hoje, digo para meus alunos uma frase que ele sempre repetia:
"Gostaria que vocês nunca perdessem a capacidade de se indignar"
Zé, um grande beijo pra você.
####publicado originalmente em 2008 e republicado agora, com atualizações.
Mas não quero falar como professora, quero falar como aluna que fui.
Eu gostaria de falar do José Luiz, ou Zé luiz, pra nós, seus alunos no ensino médio. Zé Luiz me apresentou a música de Chico Buarque, me apresentou ao terrores da didadura em debates em que nós, os alunos, nos inflamávamos, inquietos com tanta coisa com a qual discordávamos. Foi certamente a pessoa mais importante na minha formação intelectual e politica na adolescência. Eu mal podia esperar por suas aulas e quando ele dizia: "alguém tem alguma colocação a fazer"? podia contar com minha mão erguida, palpites, opiniões e muitas, muitas duúvidas. E eu não era a única. Os outros palpitavam, discordávamos entre nós, concordávamos, decidiamos continuar o papo no bar do Beto ( Coisa que ele discordava, aliás, com veemência. Ele argumentava que a localização do tal bar era ilegal, dado que ficava na frente de uma escola. Mas nós, tomados pela tolice ingênua e linda da juventude, achávamos lindo continuar o papo da aula ali, no nosso queridissimo Bar do Beto)
Era fins de 80 e nós queríamos mudar o mundo. As aulas dele faziam as coisas terem um sentido diferente.
Nós nunca o deixávamos sair da sala de aula, sem ir atrás, ainda discutindo, perguntando, questionando. Zé Luiz - incrivelmente parecido com Sidney Poitier - foi meu professor de História e com ele conversei sobre livros, filme e política, muita política. E ele tinha toa a paciência do mundo com minha pressa juvenil e minhas tolices.
Exatamente por isso fico tão feliz quando acontece comigo, quando um aluno me acompanha ao final da aula, ainda com discussões por terminar. Exatamente por isso, sinto uma infelicidade extrema quando escuto um enfadado "sei lá" ou um dar de ombros para a aula, para o tema, para o mundo. Uma atitude me leva ao paraiso, a outra, ao inferno.
Quanto terminei o colegial e passei na Unicamp, voltei pra dar um beijo, milhões de obrigadas e um livro do Manuel Puig. Só depois de formada, já trabalhando, entendi o olhar de felicidade que ele tinha para mim naquele dia.
Hoje, no dia dos professores, vinte anos depois, só posso dizer que sou professora graças a ele e até hoje, digo para meus alunos uma frase que ele sempre repetia:
"Gostaria que vocês nunca perdessem a capacidade de se indignar"
Zé, um grande beijo pra você.
####publicado originalmente em 2008 e republicado agora, com atualizações.
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18 novembro 2010
Os chatos

É muito bom ser professora. Eu já contei tanta coisa de alunos...já falei disso, disso e disso. Mas hoje eu queria falar sobre o Lado Negro da Força.Porque nós, professores, também temos o nosso ladinho Dart h Vader, vamos combinar.
Eu gosto dos meus alunos, sempre gostei.Em todos os anos como professora, só não gostei de dois alunos. Mas não foi só não gostar, eu confesso aqui, eu detestava aquelas criaturas.
Uma era uma garota chata. Chata, gente, chata...não era bonita, nem feia, nem burra, nem inteligente: era um zero à esquerda. Era uma tentativa patética de ser indisciplinada, mas era tão chata que nem adeptos pra bagunça conseguia.
Nada contra os indisciplinados: em geral, são engraçados, criativos, me dei bem com grande parte deles. Mas essa coisinha aí eu confesso, eu passava longe, eu doava, eu preferia não ter conhecido.
Mas o pior era o menino. Eu fui sua professora há muitos anos, hoje ele é adulto.
Era uma criança medonha e deve ser um adulto medonho, não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe, sacumé?
Ele era um lindo garoto, no maior padrão angelical: olhos imensos, azuis, cabelinho loiro.Mas eu vou dizer pra vocês....nunca conheci um menino tão cruel com as outras crianças, tão sádico, tão manipulador.Tudo com os grandes olhos ingênuos negando....
Vocês podem estar ai pensando que vou queimar no fogo do inferno por dizer isso, mas eu não tenho culpa de ter dado aula pro Bebê de Rosemary crescido!
O moleque parecia saído de um filme de terror, saca criancinha malévola no estilo A Profecia???
Nunca vi aquilo, tão jovem e tão escrotinho.
Pra se ter uma idéia, os professores chamavam a criatura de "anti cristo". Um dia, na sala dos professores, a professora de português dizia:
- Ah, eu venho dirigindo e rezando, rezando...
( risadas de todos)
- Aí eu me imagindo colocando a mão na cabeça deles e rezando...
( risadas de todos)
Sério, povo, a turma era tenebrosa messs.
- E o "anti cristo", você também abençoa??
- Até que eu eu tento, mas pelo sim e pelo não, não dou as costas pra ele não...
******* queridos, leiam os textos que deixei linkados aqui, são três textos que gosto muito e que traduzem bem a vida dentro de sala de aula. Beijos.**********
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15 novembro 2010
A Lolita de Nabokov

Sempre que eu ouvia a expressão Ninfeta, imaginava que se referia a garotas adolescentes bonitas e sensuais. Qual não foi a minha surpresa ao ler Nabukov.
O protagonista, cônscio de sua pedofilia, descreve a ninfeta como meninas entre nove e doze anos (!), que mesclariam, para os olhos turvos do personagem, sensualidade e ingenuidade. Não que olhar para meninas de quinze anos não seja repulsivo vindo de um homem barbado, mas olhar para uma criança de nove consegue ser mais asqueroso ainda.
O livro é fantástico.( Eu sempre prefiro obras onde o leitor pode se embrenhar no imaginário das personagens, para além dos que colocam o foco na ação. Em outras palavras, me interessa mais como as personagens percebem a ação, como elas decodificam a ação, do que a ação em si.
Por isso gosto tanto de Virginia, Berlim, do Biajoni.)
No caso de Lolita, a trama efetivamente é chocante. O personagem, H.H. se perde em delírios pedófilos até que consegue encontrar sua presa ideal: a filha da dona da casa onde ele se hospeda.
Não vou abarrotar esse texto de spoilers, porque vocês devem efetivamente ler a fonte, os clássicos não são clássicos por acaso, enfim.
De forma que prefiro chamar a atenção do eventual leitor desta Casa para alguns pontos: a trivialidade da menina, uma adolescente absolutamente comum, que é sequestrada da sua infantilidade e presa a um universo porco de um adulto repulsivo. Ele mesmo percebe o quanto a destrói, seja com seu ciúmes doentio, seja com sua rotina de prostituição, onde os objetos de consumo juvenis são moeda de troca para sexo.
Uma das coisas que achei curiosamente cruel foi a forma como H.H. compreende as mulheres: não há meias palvras, ele sente repulsa por elas. São descritas de forma vulgar, pouco atraente, grosseira e tola. A própria Lolita, garante ele seria interessante por no máximo três anos, pois perderia a "nifescência" e se tornaria - horror dos horrores - uma jovem universitária.
Existe todo um universo curioso dentro de mentes doentias, Nabukov é consciente disso e explora toda a sordidez desse homem que teme mulheres. Por isso, pela maleabilidade estonteante com ele manuseia as palavras e pela pérfida forma como o personagem vê as pessoas, é necessário ler Nabukov.
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09 novembro 2010
Roda Viva versão "Como É Essa Coisa?"

Alguém por favor por de explicar exatamente o que aconteceu com o Roda Viva? Primeiro: é sério que o Heródoto Barbeiro dançou porque perguntou sobre os pedágios para o José Pedágio Serra? Sério?
Ah, caraca.
Bom, pra quem quatro blocos, sendo que o último serve para o "balanço" dos participantes. Em outras palavras, todo mundo diz que foi bom, ótimo, muito rico e que gostaria de fazer mais perguntas para o entrevistado, que dá uma jogada de confete de volta.
Sabe jogador dando entrevista? Falando sempre a mesma coisa? "Vamos dar tudo de si (sic), fazer um bom jogo, um grande futebol, o time está unido e seguir a instrução do professor e blábláblká". Gente, é igual. Mesmo papo repetitivo, inútil e abosolutamente previsível.
Augusto Nunes, que era meu ídolo na adolescência e juventude, por quem eu suspirava pelo charme e pela inteligência, está um fiasco. Não tanto pela aparência, os anos o atingiram em cheio, mas ainda dá um caldo. Mas perguntas superficiais, má condução de resposta, impaciência e outros problemas me fazem olhar pra ele com profunda decepção.
Marilia Grabriela é uma chata, mas isso não tem conserto. O pior de tudo é que ela e Paulo Moreira Leite gesticulam tanto que me lembram a entrevista - no mesmo programa - de José Celso Martinez Corrêa, que estava tão histriônico que as pessoas começaram a escrever perguntado se ele estava drogado. Um pé.
O que mais me incomoda mesmo são as perguntas vagas, mal elaboradas, que se repetem com aquela profusão de gestos e terminam com "como é essa coisa? " ou " como é isso?", o fim da picada, o fim dos tempos, o apocalipse das entrevistas.
No Roda Viva de ontem estava Contardo Calligaris - pausa para o suspiro apaixonado - que foi absolutamente brilhante e charmoso como sempre. Parecendo ficar surpreso com o nivel das perguntas. Quando indagado por Augusto Nunes se "ele conseguia se analizar ou precisava de alguém para isso", respondeu com um certo sorriso matreiro que "não se analizava, porque ninguém se analiza, é preciso do Outro para isso".
Sem desenvolver a resposta, foi quase lacônico, como quem diz: meu filho, pesquise antes de falar batatada...
De resto, a entrevista por boa por conta dele. Mona Dorf, jornalista convidada, foi sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada. O resto..."ah, como é esa coisa?"
Faça-me o favor.
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04 novembro 2010
Porque os homens que não gostam de hq me irritam

Conversando com um fulano, recém apresentado pra mim, no Franz :
- O que é isso nessa sacolinha, história em quadrinhos?
- Sim.
- Você gosta?
- Adoro.
- Ah....é.....esse Marvel escreve bem mesmo, heim?
-...................
(2007- Colégio de freira)
Saindo da sala dos professores. O professor me pára:
- Vivien, você já viu o vocalista do Ira?
- Ahã...sei. O que é que tem?
- Lembrei de você, ele está parecendo aquele ET do Matrix....você vai saber, você gosta dessas coisas....
- ( ET...? Do Matrix..?) ( cara de dúvida)
- É...aquele assim...( faz um gesto de garra com a mão )
- Ah...o Wolverine...( sorriso amarelo )
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Gauchismos

Faz algum tempo, o Bia me emprestou alguns livros bacanas, entre eles, o Música Perdida, escrito por Assis Brasil. Na época, muito impressionada com o livro, escrevi uma resenha e a publiquei aqui.
Agora, vendo que a Copa de Literatura vai acontecer, vi que o autor estaria envolvido e achei seu email. Joguei a vergonha no saco e escrevi para ele - mesmo com aquele receio de ser pentelha - e mandei a resenha.
Para minha grata surpresa, ele me respondeu rapidamente e de forma absolutamente gentil. O que reforça minha tese que a arrogância pertence aos mal amados e medíocres, pois quem tem uma carreira sólida e respeitabilidade, não precisa desses artifícios.
Para felicidade do meu ego querido, o professor Assis Brasil elogiou a resenha e pediu (!!!) para linká-la em seu site. Quasei pulei, né, crianças. Afinal, o que uma blogueira comum como eu estaria fazendo por lá? Adorei mesmo, pra mim é uma honra poder dar meus pitacos dentro da obra de um autor tão especial.
Após alguns emails, tomado de "gauchice", Assis Brasil escreveu:
"Buenas (desculpa; é que acordei muito gaúcho, hoje).
Tua bela resenha já está no meu site, inclusivamente com um link para o teu blog.
Mais uma vez, miles de gracias,
e um quebra-costela bem cinchado do
Assis Brasil
PS.: minha gauchice passa; amanhã estou normal..."
Depois de rir com a expressões peculiares desses sulistas, perguntei se poderia publicar isso no meu blog. E ele, ainda no arroubo da gauchice, respondeu:
"Buenas e me espalho! Nos gordos dou de plancha e nos magros
dou de talho!
Mas é claro, guria, podes botar o meu chasque no teu blog.
Vai ficar mais lindo que beijo de prima, e eu mais faceiro
que guri penteado.
Um quebra-costela bem cinchado do
Coronel Assis Brasil [todo gaúcho-homem é coronel --
ainda estou sob o ataque de gauchidade. Depois do meio-dia,
quando eu já tiver engraxado o bigode com um costilhar de
ovelha, já serei brasileiro de novo]"
O site do professor(ou coronel?) Assis Brasil é esse aqui, e pra quem não leu, minha resenha é essa.
*** publicado originalmente em abril em 2008.
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01 novembro 2010
O meu país tem uma mulher presidente

"E cada pai e mãe olhe agora nos olhos de suas filhas e diga: a mulher pode".
( Dilme Roussef)
E fica a dica pára quem quer ler sobre preconceito e machismo nessa campanha histórica: aqui e aqui.
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28 outubro 2010
Baseado em fatos reais

Professora chega em casa, deita no sofá, mãos na cabeça, fazendo a dramática:
-Meu trabalho não serve pra nada, nada. Não consigo inspirar aqueles meninos, são tão conservadores, alguns tão alienados que me dá uma angústia hoirrível. Não sirvo pra nada ali..Parece que o negócio é consumir, usar etiquetas idiotas, ouvir músicas idiotas, ninguém quer ler, caraca, em pleno ano eleitoral..e ..bláblábláblábláblá...caraca, sou professora, não sou domadora de leões...chego no maior pique, cheia de ideias e blábláblá....sério, não adianta. Eu não faço a menor diferença na vida daquelas crianças.
Filho da Professora, acostumado às nuances da profissão da mãe, consola:
- Claro que seu trabalho faz diferença. Nem todo mundo vai ser alienado, vocêvai ver, logo eles já estarão lendo jornal, comentando as notícias, vendo o mundo. Desencana, mãe.
- .............( meneando a cabeça e querendo pular de um abismo)
@@@@@@@@@@@@ Dias depois @@@@@@@@@@@@
Professora chega em casa, toda animadinha, joga a bolsa, senta no sofá, pega a cadelinha no colo, conta:
- Você nem acredita, precisa ver que bacana a moçada da sétima série discutindo política, discordando, dando opiniões, tudo com a maior qualidade! Adoro quando discordam de mim, adoro discutir com gente inteligente, argumentos interessantes, não piadinhas imbecis de gente burra, mas argumentos mesmo, estruturados..adoooro isso.....odeio aluno com cara de morri-ontem-sentei-aqui-cadê-o~coveiro...
Filho da Professora:
- Viu, não falei? É isso. Tinha certeza de que logo alguma coisa legal ia acontecer.
- Ah, e outro dia eles terminaram uma prova...um abriu um livro, depois outro, e outro. Quase tive uma síncope, disse pra eles que isso era o sonho de qualquer professor...METADE da classe lendo concentradíssima! Até fotografei...haha
E blábláblá...uma aluna vai cantar "Meu guri" e a outra diz que adora Chico, Cazuza, Caetano...não é o máximo?
@@@@@@@@ à noite @@@@@@@@
- Te contei sobre a eleição da quinta série,né?
- Contou, mãe, deve ter sido bem bacana mesmo. Eles devem ter gostado. Eu queria ter visto
- Foi DEMAIS....Cada equipe escolheu um deus grego e fez campanha...maior barato a campanha.E o debate? Você tinha que ver que demaaaaaiiiss...deu até segundo turno, olha que bonitinho...rs...depois eu te conto como foi, mas olha, acho que deu pra ficar claro o que é democracia, participação política.
(Pensando) Sabe? Alguns daqueles meninos um dia podem mesmo se candidatar. Já pensou?
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19 outubro 2010
13 outubro 2010
Tropa de Elite II - A jornada do capitão Nascimento

Fui assistir Tropa de Elite II com Daniel nesse feriado. Adorei.
No começo,o discurso de extrema direita do capitão - ou melhor, coronel - Nascimento, interpretado de forma genial pelo insuperável Wagner Moura, me arrepiou. Caraca. Pensei: mas que porcaria, vou ter que ouvir mesmo isso? Vou ter que ver meus alunos desenhando a caveira como belos inocentes úteis? Vou ouvir todos os reaças dessa cidade elogiarem essa fala?
Wagner Moura é um cara que existe, sua maneira de criar o personagem é dotada de uma intensidade rara e assustadora. Seu carisma natural é transferido para o persongaem, o que também é um problema.
Mas creio que esse inicio seja fundamental para o desenrolar do filme, pois ao perceber que seu inimigo é outro, Nascimento vai caminhando em convergência ao seu duplo/oposto/perfeito: o personagem Fraga, defensor dos direitos humanos, deputado e ...segundo marido da ex do capitão. Assim,os dois opostos vão se alinhando ao descobrirem inimigos em comum.
Fraga é apresentado ao público em uma aula - que eu gostei,aliás - e ganha território ao negociar com presos rebelados. Ele aé chamado para negociar com os presos e segue rapidamente, em um helicóptero. Para desgosto do BOPE, Fraga se nega a entrar com colete, dando legitimidade e força ao personagem, que dialoga firmemente com os revoltosos.
Para não furar o filme com spolier, me limito a dizer que há uma incrivel transformação no personagem central, que atinge seu ápice no final.( Não conto, oras, assistam.) Além disso, a certeira e caricatural crítica ao politicos presos ao poder da Mídia, à corrupção policial e às milicias trazem angústia ao espectador: como conviver com essa lama toda? É algo pra se pensar. E pra se discutir.
Outro ponto interessante é a apresentação da midia ralé, do jornalismo marrom de último nível, algo que se vê com frequencia nas tvs e que, infelizmente, tem público garantido. Ao ouvir as risadas da plateia diante de um ator que apresentava um desses programas de sensacionalismo barato, me perguntava se riam dele ou com ele.E quer saber? Acho que era com ele mesmo. Triste isso.
Algo que me perturba muito é a associação que parte da molecada faz entre o Bope, a ausência de corrupção e a tortura. Os policiais desse batalhão, aparentemente contrários às maracutaias tão comuns dentro das outras corpirações, não titubeiam em usar qualquer tipo de tortura e/ou assassinatos. Assim, para um espectador desavisado, vai tudo no mesmo pacote, e a porrada e os assassinatos seriam legítimos.
Vale a pena ficar atento para o discurso do protagonista no final. Vale a pena atentar para isso.
Qualquer outro que assista e que tenha o menos senso crítico vai compreender.Longe de fazer a apologia das estratégias do Bope, o filme à lá Senhor da Guerra, aponta outras esferas e infinitas possibilidades de violência e exploração.
O Alex Castro diz que falar que algo é um "soco no estômago" não é elogio. Mas esse filme é isso: um forte, incômodo e doloroso soco no estômago.
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11 outubro 2010
Elvis e a invenção da adolescência

Sexta é um dia bom pra conversar, deveria até ser o dia nacional do papo.
Algumas vezes vou até o Café Filosófico da cpfl, o que quase sempre rende bom papos.
Nessa sexta fui ver uma palestra em especial: Elvis e a invenção da aolescência, com Márcia Tiburi e Fernando Chuí.
Na verdade, era rock e a a adolescência, mas meu incconsciente leu ELVIS, ELVIS, ELVIS. Claro. *suspiro*
A apresentação foi boa, teve uma ondulação, uma variação entre momentos de repetição de um conceito, momentos "papinho de botequim ponto com" e alguns períodos de um raciocinio realmente interessante.
Eu quis discordar, concordar, perguntar: ms qualquer opção dessas deveria ser feita com microfone e câmera no rosto e meu super inflado ego ainda não tem segurança para tal empresa.
Fernando Chui intercalava o papo com interpretações das músicas, o que deu cor e ludicidade para a apresentação. Márcia é indubitavelmente articulada, mesmo que isso envolva um raciocinio nem sempre tão elaborado.
No caso, a ideia era de que a criação do conceito de adolescência está vinculado ao aumento da perspectiva de vida ( sim, eu sei que é óbvio, mas entendo os palestrantes, tem que se partir de um ponto pára desenvolver a reflexão).
De resto, apesar de perceberem o potencial revolucionário - em todos os aspectos - do período da juventude, apontam a absorção disso dentro de uma lógica capitalista, onde antes de serem sujeito de qualquer coisa, esses jovens são um mercado consumidor promissor.
A apresentação foi basicamente isso, tendo uns lampejos de Adorno e alguns exemplos musicais. Foi bom, gostei de ter ido.
Infelizmente, como fui sozinha, fiquei na mesa com duas outras pessoas, uma dessas era um piloto que pediu para fazer uma pergunta e fez um discurso. Se você assistir isso pela Cultura, a mulher do lado do chatinho, com cara de vergonha e morrendo de vontade de socar aquela boa nervosa e tola, sou eu.
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08 outubro 2010
Sexta musical - Tatiana Rocha
Queridos, essa baiana-campineira é uma das melhores cantoras que já tive a oportunidade de ver. Além disso, uma escritora boa demais da conta.;0)
Essa música, em especial, é uma das que mais gosto. Acho que consegue traduzir de forma genial o universo feminino.
Essa música, em especial, é uma das que mais gosto. Acho que consegue traduzir de forma genial o universo feminino.
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07 outubro 2010
via @escrevalola
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05 outubro 2010
'"Tropa de Elite, osso duro de roer" - post sobre o primeiro filme

A primeira pessoa que vi falando do Tropa de Elite, foi a Andréa .Eu nem sabia o que era BOPE.De lá pra cá, fugi dos textos que falavam do filme, para tentar assistir com menos bagagem,com mais abertura para minha propria análise.De cara havia a questao, ser ou não fascista , não dava pra não pensar nisso.Porque apesar de não ler as análises, alguns dos temas das discussões sobre o filme sempre acaham chegando, só dá pra fugir totalmente, indo pra Marte. ( Ou preenchendo diários de classe, claro).
Não achei fascista, não achei que faz a apologia ao Bope. Mas abre o flanco para essa interpretação, afinal, mostra o ponto de vista do Nascimento e isso, muitas vezes, acaba desenvolvendo uma cumplicidade entre espectador e filme.
Então, para um expectador mais afeito a porrada e que tem simpatia por "justiceiros", parece ser uma apologia.
Por mais que seja óbvio - e é obvio - é importante falar sobre a questão plástica do filme e no seu tempo: o ritmo dele é instigante demais,ele é visualmente interessante e os atores são um show à parte. Se eu disser mais uma vez que adoro Magner Moura, vou acabar ficando ridícula.Mas eu não temo o ridículo quando ele é bem intencionado e assim, repito: o cara é simplesmente um dos melhores atores que já vi.
Gosto de filme com narrador, gosto dessa coisa que acaba sendo uma forma de modelar meu olhar, direcionar. Nesse caso, o narrador era um personagem que eu sentiria aversão logo de cara. E senti mesmo.
Pra mim não adianta mostrar o lado "papai em crise", "marido com apartamentinho ferrado" para eu simpatizar: a História prova que homens terriveis no trato social podiam ser adoráveis em casa. O filme "A Queda - as últimas horas de Hitler", apresenta o fuhrer sendo carinhoso com o cachorro, entre um surto e outro, por exemplo.
Ao msotrar o cotidiano, o personagem deixa de ser apenas o Outro e o vilão por exelência,como ficou reduzido o Baiano ( em apenas uma cena ele é visto com a mulher e filho),passa ser um cara comum. E os caras comuns não são monstros, são?
Ah, gente, são.
E a HIstória prova.Mas para algumas pessoas, pode parecer que não.Esse é um dos pontos que abrem o flanco para a interpretação "pró bope", creio.
Impossível não ver como a autoridade, ou melhor, como o grande prazer no abuso da autoridade e da violência estão impressos no Capitão Nascimento.
Em busca de valores éticos louváveis - como a repulsa a corrupção e a convivência pacifica entre policiais e traficantes - Capitao Nascimento se advoga o direito de "trazer a doze".Assim, ainda que sob um objetivo correto, Nascimento cede/entra/mergulha na lei da selva.
Se alguém me disser que os traficantes fazem o mesmo, vou ficar irritada.Porque se a lei for usar as memas estratégias e regras da marginalidade, voltamos a barbárie. Aliás, é exatamente isso que vivemos, o que é deprimente.
Me apavoro em pensar que vivo em um mundo onde um ou outro "capitao nascimento" decide quem vive e quem morre. Policial e padre, pra mim, só à distância.
E muita distância.
Obviamente sei que o cotidiano deles é estressante e coisa e tal, não creio que seja possível não surtar eventualmente ,ou tomar bola, como o Nascimento.Mas isso não significa que direi que apoio. Tenho repulsa por justiceiros e afins, tanto quanto qualquer outro tipo de violência.
No conto "A Coleira do Cão", Rubem Fonseca demontra, de forma absolutamente genial, como um policial acaba se envolvendo, se deixando seduzir pela possibilidade de usar qualquer método, de estar além da lei e mais do que isso, de efetivamente se sentir envolvido pelo poder da violência: de ser pego pela "coleira do cão".
Nesse conto,filmado pela Globo com o excelente Murilo Benício, um delegado honesto tenta trabalhar dentro de uma esfera de lagalidade, até perceber que todos na delegacia - menos ele, como descobriu - estavam atravancados com uma rede de corrupção e abuso de poder.
Até que ele mesmo se sente seduzido, tomado, pela chamada coleira do cão, onde o poder, associado a uma fálica arma o transforma.
Inevitável pensar no prazer que proporciona aqueles policiais a chegada, o terror, o tal tapa na cara. Um amigo de infância, hoje policial no Rio , diz pra quem quiser ouvir que "dar tapa na cara é bom pra caramba".
O persongaem Neto, notadamente perturbado,com a cena hiper "Taxi driver" ,que seria o escolhido ( doido por doido...)para substituir o líder do BOPE é morto. Sua morte é vingada pelos companheiros. Sim, vingada, ou seja, um conceito fora da legalidade, onde o policial se torna também juiz e carrasco.
A responsabilidade dada ao coletivo, sintetizada na crítica ao uso do baseado dos universitários é e não é interessante. Em um primeiro momento, com minha patológica aversão ao Estado, penso que o coletivo pode e deve exercer seu poder: usar drogas cria a marginalidade? Em parte, sim.
Mas a questão principal é: usar drogas, pura e simplesmente, cria a marginalsidade?
Não.
Eu sei que vcs vão dizer que estou usando um grande clichê, mas por incrível que pareça, para alguns espectadores do filme , ainda há que se apontar: as condições sócio econômicas criam a marginalidade, em alguns casos, fica impossível fugir dela.
O fato de haver usuários de drogas não tornou eu ou você que está lendo, traficantes. Mas se nossas condições fossem outras, poderia ter tornado.
Eu confesso que me incomodei um pouco com a visão tortuosa que foi transmitida acerca dos universitários. Concordo em parte, mas como toda generalização é burra, creio que apresentar absolutamente todos os estudantes como "garotos-danoninho-esquerda-festiva" é exagero.E aquela aula que reduziu Foucault a papo de botequim com secundaristas foi o fim da picada. Ali era só pegar um professor para dar assessoria, porque um bom professor torna palatável textos densos. E se evitaria aquela cena - insólita - da aula.
Arnaldo Jabor inexplicavelmente acredita que tem a capacidader de traduzir o inconsciente coletivo, desta forma, diz que não foi o olhar sádico que teve peso sobre o público, mas a forma que o público se sentiu "vingado".Acho pertinente sua interpretação, mas acho tolo acreditar que uma chave explicativa dá conta da leitura do público.Aliás, ele disse isso baseado em quê? Achologia é terrível.
Fiquei pensando sobre as estratégias de treinamento do BOPE, em grande parte, parecidas com o treinamento espartano e também próximo ao que se vê expresso na pesquisa "Tortura Nunca Mais". Nesse caso, o policial tortura os amigos, passa por tortura. Depois disso, arrebentar com qualquer um fica fácil, principalmente se for o Outro, o inimigo, o diabo, ou sei lá como eles traduzem isso.
No momento da tortura, o cara confessa, mente, bota a mãe no meio, diz que assinou o livro do capeta com o sangue de bebês. Qualquer um que tenha lido Guinzburg ou outro historiador que pesquisou o Santo Ofício percebe isso.
Assim, acho que algum personagem que relativizasse um pouco esse olhar maniqueísta de Nascimento, que questionasse suas ações poderia contrabalaaçar um pouco a narrativa.Ainda que sob a ótica do BOPE, acho que tenderia a possibilitar uma interpretação mais aberta e múltipla.
Então, ainda que eu não acredite que o diretor tenha elaborado um filme para tecer loas a esses métodos policiais, me deparo com William Wach soltando essa piadinha-pérola, ao falar sobre corrupção da polícia.
"é..o capitão Nascimento não gostaria nada disso..."
Pois é, o capitão América também não.
*****post originalmente publicado em 2007.
Pretendo ver o Tropa de Elite II, então, vamos esquentando os tamborins.
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04 outubro 2010
Quem tem voz?
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03 outubro 2010
Sexta Musical - The Smiths
"Você pode tirar uma garota dos anos 80, mas não pode tirar os anos 80 de uma garota"
(Nigella)
***publicado originalmente em janeiro.
(Nigella)
***publicado originalmente em janeiro.
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02 outubro 2010
Eleições 2010 -Dilma Presidente- para o Brasil seguir mudando
27 setembro 2010
20 setembro 2010
Dicionário de Gogoiês

Pra quem conviveu com minha avó Gogóia, era fácil entender. São termos antigos, uns reais, outros inventados por ela mesma.
Babilônia: mulher desarrumada, com roupa estranha. Pode ser substituido por "mal ajambrada". ex: " Olha aquela babilônia ali, ah,que coisa...!"
Guarda Vestidos :guarda roupa, ainda que seja de homem.Ex :"pega ali,no guarda vestidos dos meninos.".
Os "meninos":os sete filhos bigodudos.
As "meninas":as cunhadas velhinhas.
prestimosa : moça prendada e com iniciativa.
ajutório: Ajuda, auxílio nas coisas da casa. "Vivinha, você não vai dar um ajutório pra sua mãe?"
escrúpulo :nojo . Ex " Fulana não come isso, você sabe, ela é muito escrupulosa".
consetir : permitir, deixar.ex: "Papai jamais consentiria isso."
Tágio : apelido do irmão favorito, Carlos.
incomodada : menstruada.
escurruluimcumtrim : acabou. Não, não me peçam pra explicar, não faço a menor ideia.
macaco-do-rabo-comprido: aquele que pede de volta um presente que recebeu, baseado em uma historinha que ela contava. ex;" Devolve isso pra ela, seu macaco-do-rabo-comprido!"
$$$$ Ri muito.Alguém me "explicou" o significado correto para a palavra escrúpulo....rsr....bom,pessoa não-leitora, se ela usasse dentro do código correto...não teria porque estar nessa lista,certo?
ah,adivinha! Babilônia também significa outra coisa...rá!
19 setembro 2010
A Bienal que não houve ou O dia salvo por Kracjberg

Vamos começar aqui já deixando tudo bem claro: não sou historiadora da arte e me compreendo como alguém com um olhar no máximo curioso diante da arte, nunca com um olhar de conhecedor.
Mas como acredito que Marilena Chauí foi certeira ao questionar a fala do "discurso competente", me advogo o direito de dar meus pitacos, apenas enquanto indivíduo.
Porque, em útlima instância, se a arte só puder ser apreciada/criticada/discutida por conhecedores....ela perdeu parte da sua essência transformadora.
Dito isso, vamos às críticas.
Que porcaria de Bienal foi essa? Algúem me explica? E se alguém vier com o papo de discutir o vazio, juro que surto.
De todas as que fui - e sempre vou, porque adoro me emabananar em obras que não entendo e nem finjo que o faço, adoro ficar confusa, impressionada, divertida, assustada, diante das exposições - de todas as que fui essa, com certeza, foi a mais frustrante. Porque todas me provocaram algo e essa...bom, essa me provocou tédio.
Em mim e na meio dúzia de gatos pingados que rodavam em torno daquela exposição que parecia feira de ciências de colégio tosco.
A Bravo! comentou algumas obras, inclusive o escorregador ( parece que o artista estava dentro de um cinema, um técnico saiu irritado e o público começou a gritar "volta,Valério!", e em minutos todos gritavam a mesma coisa, o que leva a pensar sobre o comportamento de manada, essas paradinhas.Bacana, gostei.)
Mas sei lá...200 mil pro "Valério"? Isso dentro de um contexto que dizia que a Bienal estava com a grana reduzida?
Nem me alongo, porque vou me repetir, então, resumo da ópera:
Vazia, chata pra caramba, inodora, insípida.
E acho , realmente, que deixar um andar inteiro vazio é uma grande sacanagem, tanto com os artistas, quanto com o público: aí vira uma questão pragmática e política, é simplesmente retirar das pessoas o direito de interagir com produções artísticas.
Isso porque ainda li por ai que a Bienal não teria mais tanta importância, porque outras mostras assim acontecem na Europa e suprem esse papel
Eu li isso e me senti em Marte. Não preciso bem comentar, preciso?
É uma observação de um elitismo tão perverso que eu fiquei pasma ao ler.
Mas para salvar o dia havia uma exposição muito bacana na Oca, comemorando os 60 anos do MAM. Essa exposição está fantástica, com ênfase para o setor do Kracjberg, cuja obra eu já era fã...e diante do contraste da chatice anterior, só me deixou mais impressionada. A foto aqui do post é uma pequena amostra do trabalho dele, um polonês radicado no Brasil, totalmente envolvido com a questão ecológica.
A exposição toda está muito bacana, vale a pena ir.
O MAM também está interessante, com uma parte repleta de obras que são instrumentos musicais nonsense dos quais uma música igualmente doida pode ser tirada.
Foi um dia bacana, apesar do tédio da Bienal.
No dia seguinte, fomos na Cultura da Paulista, porque que havia lido duas resenhas muito interessantes sobre o Filho Eterno, uma do Alex Castro e outra do Antonio Marcos Pereira, e eu que nunca dei a menor pelota pra crítica, me acostumei a ver na Copa de Literatura um ótimo lugar para ter referências de livros bacanas.
E cá entre nós, um livro que fez o Alex Castro chorar em público? Ah, quase me rasguei de curiosidade, tinha que ler aquilo.
E O Filho Eterno, que li no mesmo dia e reli no dia seguinte, é uma mostra disso. Vou resenhar pra vocês, meus queridinhos, claro que vou. Mas dou a dica: comprem e leiam, porque é realmente um grande livro.
Mas a Sherazade aqui só conta no outro post.;0)
****publicado originalmente em 2008.
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15 setembro 2010
Tem aluno que....

Faz uns mil anos que sou professora. Já tive aluno de tuuuudo quanto foi jeito: inteligente, engraçado, chato, preguiçoso, plugado, playboy, mano, emo ( juro que alguns eram bem legais), bem humorado, esforçado, cego, com Down, gênio, bipolar, adotivo, filho biológico, hetero, gay, com dificuldade, rico, bobo, generoso, agressivo, gentil, criativo, falante, calado, tímido, expansivo.
Outro dia um carro buzinava histericamente, dentro dele, um homem adulto ( adulto, povo, vejam isso) berrava: Vivien, Vivieeeeen, tiiiiaaaa!!!
Converso com alguns pelo orkut, vejo suas vidas, filhos, profissões. Morro de orgulho deles, me lembro de trabalhos, de micos, de saídas de estudos - que me deixavam de cabelo em pé e coração na mão.
Rimos juntos de coisas banais do passado. Dou uma de mãe e conto no twitter que a jovem jornalista que ali posta ia pra aula com uma boneca no colo, ela quas me mata, a gente se esborracha de rir.
Outros esqueci, outros faço questão de esquecr, porque, vamos lá, né? sou professora, não a Madre Tereza de Calcutá!
Mas acho que tenho um provilégio ímpar: eu consigo estar com eles em um momento nevrágico de sua vida, momento que eles só vão sacar o nível de importância décadas depois. Mas eu sei hoje e acho incrível.
É um provilégio ver essas jovens mentes se desenvolvendo.
Hoje foi um dos dias que isso ficou mais claro: passei parte da tarde escolhendo canções de protesto e outras ligadas à contracultura para um grupo de alunos muito especiais apresentar na Mostra Cultural da escola.
Vou ser muito, muito coruja se eu disser que eles escrevem bem, cantam bem, tocam bem, desenham bem...e PENSAM melhor ainda? Ah, vou ser, mas paciência. É uma moçadinha de ouro, povo.
E a apresentação? Vai ter trechos de Brecht, vai ter pinturas, vai ter uns lances cênicos e eu me pergunto se seria possível qu eu me realizasse tanto assim em outra profissão. Duvido. Como eu disse, é um privilégio.
13 setembro 2010
Lado de lá
Fui com minha mãe assistir Nosso Lar. Sim, queridos, eu sou uma dentro das altas estatísticas dos filmes espíritas, e sim, sou protestante. E viva a tropicália religiosa, minha gente!
Eu gostei, acho que o cinema brasileiro tem que abrir o leque mesmo, enveredar por diversas tendências e encher o cinema de brasileiro...assistindo brasileiro.
É bacana, fiquei torcendo para que aquilo exista mesmo.
O caso é que minha mãe e eu já combinamos: ela faz uma reforma nas casas e dá um upgrade no visual de lá e eu ensino o povo a fazer tabule.
Não vivo sem tabule, cidadãos, e parece que do lado de lá é sopa todo dia. Ah, não. Achei o lugar legal, mas sopa todo dia? Ai, gente, vou reclamar com a gerência.
Eu gostei, acho que o cinema brasileiro tem que abrir o leque mesmo, enveredar por diversas tendências e encher o cinema de brasileiro...assistindo brasileiro.
É bacana, fiquei torcendo para que aquilo exista mesmo.
O caso é que minha mãe e eu já combinamos: ela faz uma reforma nas casas e dá um upgrade no visual de lá e eu ensino o povo a fazer tabule.
Não vivo sem tabule, cidadãos, e parece que do lado de lá é sopa todo dia. Ah, não. Achei o lugar legal, mas sopa todo dia? Ai, gente, vou reclamar com a gerência.
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