02 maio 2010

Sábado no Tonico's : Banda Back on the road







Eu nem estava pensando em sair, já que tinha passado o dia todo em um churrasco: foi aniversário de um tio e outros tios queridos vieram do Rio.
O fato é que eu havia combinado com Daniel de voltar pra casa, eu já disse, meu filho está apaixonado..hahahah...enfim!
Sem planejar muito, fui com uma amiga no Tonico's e lá vi um show delicioso. A banda era Back on the road e o lance era tocar clássicos do rock ( 60/70). Eu adorei.
O povo se empolgou, cantou junto, dançou. Minha animação não chegou a tanto, mas eu recomendo com veemência. Se estiver perto da banda, corra e assista.
E vai ouvir coisas assim:

01 maio 2010

Café Filosófico - Sérgio Rizzo











Nessa sexta voltei ao Café Filosófico: a bola da vez era Sérgio Rizzo, que falou sobre a representação da família no cinema.
Deve ter sido duro pra ele, que entende tanto de cinema, fazer um recorte para uma apresentação em uma hora: era tema pra um ano de aulas, certamente.
Alternando a fala com pequenos trechos de filmes, Sérgio Rizzo falou sobre como a indústria cinematográfica criou estratégias de controle e auto-censura e como isso foi paulatinamente sendo quebrado.
Apresentou também um contraponto aos filmes norte-americanos, falando sobre o neo-realismo francês e vertentes do cinema italiano e argentino.
Foi a primeira vez que levei Daniel e ele adorou. Curtiu o lugar, a apresentação e até as comidinhas que beliscamos antes da palestra.
Ficou combinado que seria nosso programa de sexta. Acho que consigo um espaço com ele porque não entro em concorrência nem com a namorada, nem com amigos.
( Porque não sou biruta, queridos)
Então fica assim: toda sexta, no café.

27 abril 2010

Trabalho de preso



















"Trabalho de preso" era como denominávamos aquele trabalho desgraçado, repetitivo, chato pra burro, que nos dava um salarioziiinho, bem zinho, chumbrega, que era depositado em nossas parcas contas no final dos 80.

Nessa época eu trabalhava em um lugar que não parava - já contei uma de nossas façanhas aqui, quando o rodízio dos turnos nos permitia viver umas horas sem o acoite de Dona Onça, a "otoridade" do setor - havia sempre alguém trabalhando.

Como toda "otoridade' burocrática, D. Onça era chata, mesquinha e autoritária.

Só quem trabalhou em lugares caóticos sabe que o caos gera um tipo muito idiossincrático de humor, afinal, sem isso não há chances de sobrevivência.

Uma das piadas idiotas que nos faziam rir era chamar o café de veneno. E era um veneno: era horroroso e tenho certeza que nossas insistentes e irritantes conversas sobre como o-café-era-horrível, faziam com que a fulana da limpeza caprichasse em torná-lo ainda pior. Pequenas vinganças, sacumé.

Havia um dos digitadores - porque essa era nossa chatérrima função - que era uma figura: engraçado, emendava uma piada na outra, um deboche no outro e fazia todo mundo se acabar de rir. Menos d.Onça, óbvio. Tadim da d. Onça.

Me lembro dele chamando todo mundo, estalando os dedos:

- gente, corre....hoje o veneno tá demais.....

Para manter a temperatura adequada aos computadores, a fulana deixava a sala gelada. Esse cara, um negão gordo e alto, colocava o capuz da blusa e amarrava, se transformando em um versão extra gg da fofolete. E agourava a maluca:

- se Deus for justo ela tomba...

O território ali era de risadas, pois só isso fazia com que as horas passadas ali pudessem ser "suportáveis". É a criação no caos.

Em um final de ano, quando tiramos o amigo secreto, trocamos bilhetinhos por um tempo. Os bilhetinhos, endereçados aos amigos ( "para vivien de seu amigo secreto", "para joão de seu amigo secreto"balablabl) eram colocados em uma caixinha e trocados algumas vezes ao dia.

Acontece que o 'amigo secreto" que havia me tirado deixava textos tão engraçados, tão interessantes que o pessoal pedia pra ler alto todo dia. Parava tudo, todo mundo queria ler o texto que eu recebia.

No início, percebiam que eu ria sozinha lendo os tais bilhetes, porque eram ótimos. Curiosos, os outros funcionários começaram a pedir pra ler também e com todo bom "boca a boca" , fizeram uma bela propaganda dos textos que eu recebia.Em pouco tempo eu tinha que ler em voz alta pra todos, que rolavam de rir com meu escritor particular.

Eu dividia os textos, mas os chocolates que ele colocava eram só pra mim, porque com chocolate não se brinca.

O grande lance era descobrir quem era esse meu "amigo secreto escritor".

Fofocaiadas à parte, só soubemos quem era no dia da festa de fim de ano, onde ganhei um livro incrível do Thomas Mann e ele as glórias dos fãs.

Deve ter sido o primeiro sucesso literário dele.

Será que virou blogueiro?












*******publicado originalmente em abril de 2009.

25 abril 2010

Café Filosófico




Um dos lugares que gosto de ir em Campinas é no centro cultural da cpfl. Pra quem ainda não foi, fica a dica: uma programação que cobre a semana toda, com palestras, filmes, peças teatrais.
Eu gosto, em especial, da programação de sexta, do tal Café Filosófico. ( Se você não é da região, pode acompanhar a programação pela web ou ver a reapresentação pela Cultura, aos domingos, vale a pena)
O lugar é agradável: antes do Café abrir, você pode fazer hora em um lounge gostoso, com dezenas de revistas sobre Cultura e História, brasileiras e estrangeiras, um luxo.
Depois que o acesso é liberado, é só entrar e esperar. Mas isso dentro de um bar/restaurante gostoso, onde você pode petiscar alguma coisa ou jantar mesmo. Eu sugiro o creme de palmito ( perfeito) ou uma porçãozinha saborosa com beringela, tomate seco e sardella.
Dá pra conversar, beber, comer. Às sete começa a apresentação. É inegável o bom gosto, eles convidam professores interessantíssimos no naipe de Olgária Matos e Renato Janine Ribeiro - ambos são, inclusive, curadores de séries.
Nessa sexta, fui ver Yves de La Taille. Ele chegou com seu visual de homem-do-saco e falou lindamente.




















Sua fala foi sobre a questão da relação moral que existe na educação. Ele inicia sua fala dizendo que Camus, ao preencher uma ficha, ainda criança, escreve que sua mãe é doméstica e se envergonha. Rapidamente, se envergonha de sua vergonha, tendo em vista que sua relação e respeito pela mãe deveria ser maior do que seu problema em ter ou não dinheiro.
A partir daí, começa sua fala, perguntando quantas crianças teria a segunda vergonha citada, atualmente.
Compara duas relações metafóricas com a vida: o peregrino e o turista. Carregando propositalmente nas tintas, apresenta alguém que se insere em culturas, que valoriza o processo de caminhada e outro que exige rapidez e deseja ser servido.
"O peregrino deseja experiências na sua trajetória, o turista quer berimbaus".
Insistindo na relação consumista, superficial e "clientelista" ( na falta de uma expressão adequada) do sujeito com a vida e a sociedade, fala sobre o tédio, suicídio e a fragilidade nas relações.
Ao argumentar que a sociedade atual se preserva da dor ou da ameaça de dor, que necessita de ações, diversões e prazer constantes - eu não conseguia parar de penar em Admirável Mundo Novo - afirma:" Romeu e Julieta seriam impensáveis hoje"
Eu gostei. Não vou me alongar aqui, volto a falar sobre isso depois, mas gostei da abordagem e concordo em grande parte.
Como já disse aqui, discordo da errônea nostalgia por um passado idílico familiar, mas ele não faz isso. Um ou outro que levantou e perguntou fez, mas ele não.
Eu tive vontade de perguntar, mas me intimidei diante da câmera e fiquei quieta com minha coca-cola. Talvez outro dia, talvez outro dia.
















Comprei o livro e ele tem uma estrutura simples, simples: uma conversa entre ele o o Cortella. É uma leitura mais arejada, mais palatável, não me parece ter o rigor e a profundidade de uma obra acadêmica, mas me pareceu bastante interessante. Parece cumprir seu propósito. Mas isso eu conto quando resenhar.
Sexta estarei lá de novo, pra ver Sérgio Rizzo falando sobre a representação da família no cinema.
Bora?

20 abril 2010

Distorções






Tem muita coisa divertida nesse mundo, mas uma das mais engraçadas é a super valorização do ego. Olha só, não nego que todos tempos um ladinho - mais ou menos escondido - que seja um tanto quanto ególatra, não nego mesmo.
Mas tudo tem limite nessa vida.
Auto-elogio setenta vezes por dia? Hum...desculpaê, mas é coisa de bicho inseguro, que chora no chuveiro.
Eu sei que é triste, mas eu acho hilário.

18 abril 2010

sááááááábado de sol!

































Sexta feira meu filho foi em um show, na verdade, no seu primeiro show. Ele tem 17 e eu, até agora, não havia deixado ir. Antes que pensem que sou A repressora, já digo que não sou, ele se locomove sozinho, não é do gênero mamãe-leva desde os 13.
Faz compras pra mim, divide responsabilidades ( bem, isso quando ele não me enrola) e tal. Mas sair à noite pra mim é complicado: tenho medo de uma gama tão variada de coisas que nem começo a dizer.
O fato é que uma hora ele teria que ir. Foi com a namorada e um grupo de amigos.
Combinei dele me ligar antes de entrar, quando saísse e etc.
Você ligou pra mim? Ele também não.
E quem disse que eu dormi? Gente, a aflição de não saber se está tudo ok, de não ver o filho debaixo da sua asa, protegido de tudo e de todos, é muiiiito feroz.
Nada de sono, a noite passou e eu ali, olhão aberto.
Seis horas da manhã, definitivamente em pé, fui trabalhar.
O dia todo, aulas expositivas em um cursinho para enem: pauleira, aula, aula, aula. Café, água, mais água, aula, aula, mais café, um pouco mais de café, água, água.
O bacana é que os alunos estão interessados, tudo flui, é um prazer trabalhar com eles.
Fim de tarde e fim de aulas, encontro meu filho, e ele com a cara mais santa do mundo, diz:
- Desculpa, esqueci de te ligar.
Resultado? Não fui na peça que iria. Não fui no show que eu já tinha até o ingresso, porque adoro Tais Reganeli. Dava pra fazer alguma coisa além de vegetar na frente da tv?
Não dava. Filhos, ah, filhos.

10 abril 2010

@EncForadoEixo



A coisa já começou certa pelo título: uma proposta que tira o foco dos grandes centros e passa a oferecer discussões em outras paragens.
Eu vi o #encForadoEixo divulgado no twitter, vi que ia ser aqui em Campinas e fui.
Cheguei totalmente estranha no ninho, imediatamente percebi que a maioria transitava por áreas ligadas à publicidade e não é esse meu foco de interesse. ( A não ser quando é pra ler os textos perspicazes e críticos da Denise, Lola e Baxt). Enfim.
Confesso que pensei como Angeli faria a festa, traduzinho caricaturalmente os tipos presentes...porque todos somos tipos, vamos combinar. ( Nada pessoal, queridos, quando vou a encontros de historiadores, penso a mesma coisa.)
O encontro teve um caráter informal que me agradou e que vai ao encontro da própria internet, que ao aproximar pessoas que forma substancial, quebrou certos paradigmas de conduta.
O início foi antológico: um professor da PUCC, Wagner Mello, abriu as apresentações.
Começou demonstrando total falta de familiaridade com as novas propostas midiáticas e educação, pois, ao se sentir incomodado com o banner eletrônico que reproduzia uma página de twitter, FICOU EM PÉ NA FRENTE, eu juro sobre o pc, ele fez isso. Ficou lá, em pé, para que as pessoas prestassem atenção somente nele.
Olha, alguém que não compreendeu que nativos digitais conseguem assobiar e chupar cana ao mesmo tempo, não pode falar de novas mídias e educação.
Ele divagou sem transparência conceitual: citou alguns autores de forma superficial que ficaram ali, sem que houvesse, efetivamente, uma condução de seu raciocínio.
E citou Aristóteles em inglês. Gente, foi uma tentativa bobinha de dar um ar acadêmico à apresentação. Quer citar no original? Cita em grego, então...rs
De resto, a apresentação mostrou tentativas ainda rudimentares de se implantar elementos relacionados à novas mídias dentro da faculdade campineira.
E não pensem que vou puxar sardinha para minha universidade não, porque não vou. Já ouvi cada batatada na Unicamp sobre internet e afins que nem sei como sobrevivi.
Acredito que a Educação como um todo continua encerrada em um olhar extremamente preconceituoso em relação à rede e suas - gingantescas - possibilidades. Para além disso, há que se perceber um receio patológico em minha classe em relação à mudança de paradigmas ( Eu sempre juro que não vou repetir clichês, mas é mais forte do que eu, me domina.)
Ao final da apresentação, depois de ter sido convidado a falar sobre cases de sucesso por um integrante do auditório e NÃO fazendo isso a contento - por razões óbvias - o palestrante foi indagado por @cerasoli da seguinte forma:
- Professor, esquecemos de perguntar: qual é sua arroba?
O professor, diante do mediador atônito, solta uma sonora gargalhada e diz:
- Isso depois eu respondo.
Pessoas, pessoas, ou ele não entendeu a pergunta, ou não tem twitter. Seja um caso ou outro, o que ele estava fazendo ali?
Para deixar o público feliz, entretanto, tivemos a presença de @luizcarioca, redator e blogueiro, que acertou a mão o tempo todo. Ou quase.
Citou os autores na mosca e colocou um vídeo que eu procurava já tempos, pois só havia assistido em um curso, Michel Serres, relativizando as "perdas" da tecnologia.
G-e-n-i-a-l.
O redator narrou experiência profissional, contou situações, deixou claro que opta por experimentar algo para realmente compreender seu processo, como fez com seu Blog: criou um para entender sua dinâmica.
Eu disse pra ele que achava que tinha mandando um grande unfollow, mas nem me lembrava o motivo, mas ele já havia avisado a plateia que sua fala nem sempre é suave, mas pode pegar na veia mesmo. Por isso, volta e meia, recebe uns unfollows nervosos. Melhor assim, nada pior do que povo que faz média.
É importante salientar que @luizcarioca tem um domínio fácil do público e que, certamente, todo mundo ficaria muito mais tempo ouvindo-o falar sobre sua forma de enxergar a rede.
Claro que ao se definir como anarquista eu imaginei Kropotkin rolando em cólicas: publicidade/consumo e anarquia só podem estar na mesma frase se for para um negar o outro, né, crianças?
Após um coffe que propiciou um papo com as pessoas, a palestra final foi do @interney: essa passeou por outras paragens.
Edney Souza, o @interney, se absteve de citar autores: fez uma apresentação correta, enxuta, pragmática. Optou por não discutir essas questões em nível acadêmico e mandou bala fazendo uma apresentação que era um relato do trabalho feito pelas agências publicitárias que utilizam novas mídias, especificamente, a @pólvora.
Para meus espanto total, pouquíssimas pessoas tinham visto o vídeo do greenpeace, censurado pela Nestlé, fato que o inspirou a dar um cutucão bem dado. Afinal, povo, a plateia ali não era formada por profissionais que se interessam por novas mídias e blablablá? Putz, mexe a bunda, cidadão.
Também me surpreendeu a pouca quantidade de perguntas para ele: visto que é uma das pessoas pioneiras nessa área, não havia nada que eles quisessem saber?
Estranho.
Mas creio que a plateia tenha gostado, pois a apresentação teve um forte cunho profissional: o cara sabia o que estava falando. Não estava baseando em hipóteses ou suposições, estava falando sobre algo do seu cotidiano.
Eu gostei do Encontro, certamente irei nos outros: só não prometo elogiar tudo ou ser "neutra", porque ninguém faz História e sai acreditando em "neutralidade". Mas prometo ser justa, ou procurar ser.

09 abril 2010

O medo da teletela









Acho uma delícia revisitar os autores. Imagino o quanto do próprio leitor impregna a obra, a tal ponto de fazer a releitura, uma operação divertida e surpreendente.
Sempre me lembro que quando me divorciei, li A Peste - eu sei, eu sei, Camus foi escolha equivocada para o momento - e fiquei barbaramente impressionada com o livro. A idéia de estar acuado, limitado, impossibilitado de se deslocar, o medo presente, foram extremamente impactantes para mim.
Anos mais tarde, ainda que tenha gostado da mesma forma, não senti a asfixia da primeira leitura, pois minha localização, enquanto leitora, era outra.
Lembro perfeitamente do impacto que senti quando li 1984 pela primeira vez. Era adolescente e de lá pra cá, reli umas tantas vezes. Fiz isso por esses dias.
A ácida crítica de Orwell tem o poder de ser atual, ainda que a esquerda tenha se remodelado. Creio que todas as críticas gigantescas que ele faz, cabem em qualquer estrutura totalitarista, pois o controle é sempre sua base, mas é indiscutivelmente - infelizmente - que os socos atingem ao que muita gente - como eu, por exemplo - sonhou durante muito tempo.
Imagino que a esquerda só poderá ter uma nova face, que responda às necessidades comptemporâneas, se tiver a coragem de enfrentar discutir elementos como esse.
Discutir a ficção macabra que teve base em uma realidade não menos macabra, como foi o punho solene de Stálin.
Por mais que a direita me enoje - e me enoja totalmente - não posso mais deixar de ver o mundo sem as reformulações, sem a perestroika, sem a glasnot e sem...viva!..o Grande Irmão.
De certa forma, isso me deixa angustiada, me deixa com a síndrome de geração coca-cola, pois ao criticar e ter ojeriza ao capitalismo, não encontro esperança no que pensava ser o socialismo.
De mais a mais, conheço pessoas tão controladas, tão vigiadas, que vivem uma vida sem o mínimo de privacidade, em um arremedo assustador da ficção de Orwell.
O que prova, sem dúvida, que os controladores se mordem de medo de perder seus controlados....e isso seria tão, tão interessante.


***publicado originalmente em 2008.

vote em.....


Como estou contando as aventuras das quintas séries, vale a pena lembrar disso aqui: durante muitos anos, eu utilizei uma estratégia lúdica pra discutir questões relacionadas ao processo democrático.

Como as crianças tinham que discutir conceitos como cidadania, democracia e poder, percebendo as diferenças entre essas concepções quando de sua criação e hoje, fazíamos o seguinte: cada grupo escolhia um personagem mitológico grego e se preparava pra sua eleição.Formavam uma equipe que iria fazer sua campanha.

Começavam com uma reunião pra dividir tarefas, passavam pra pesquisa sobre o seu personagem e dos outros, faziam material de propaganda, discursos, jingles. E se preparavam pra o momento que mais gostavam, a hora do debate.

A idéia era utilizar a pesquisa para "questionar" a competência do outro candidato. Assim, eles tinham a seguinte estrutura: pergunta - resposta - réplica - tréplica. Dois cronometravam e todos debatiam.

- Como você pode defender o seu candidato....? Zeus era infiel!

- Não dá pra confundir vida privada com vida pública!!!

- Mas se ele trai a mulher...pode trair os eleitores....balbalbalbal


@@@@@@


- Seu candidato estimula o alcoolismo!

- Dionísio não prega o alcoolismo , isso fazia parte da cultura deles e...bnlabalbalbal


@@@@@@



- Sua canditada, Athena, é incoerente. Ela é a deusa da sabedoria e da guerra..!

- você está sendo anacrônico, eles pensavam diferente da gente e....


( cada vez que eles falavam "anacrônico" eu tinha um treco)



@@@@@@


- Sua candidata é fútil, só pensa em beleza exterior..

- ISSO não é verdade, Afrodite se casou com Hefestos, o deus mais feio de todos!

- casou porque foi obrigaaaaaaada e blablabla...



Isso durava algumas aulas, eles discutiam um pouco antes de dar a resposta, suados e felizes, alguns fantasiados, outros com crachá do seu candidato.


Em geral, respeitavam as regras: não poderiam dar brindes ou colocar cartazes fora da delimitação.Palavrões também eram proibidos, mas às vezes a própria "denúncia" era um problema...( "professora, ele falou foda, falou fooooooda, foooooooodddaaaaa...!!!!")

Algumas mães entravam na jogava, ajudando com o material que eles traziam, aparecia , por vezes, um Poseidon com barba , coroa e tridente, por exemplo.

A experiência foi muito interessante pra mim e, pelo que notei, pros meninos também. Como acompanhei várias turmas crescendo, conversamos sobre essa atividade anos depois. Até hoje recebo mensagens por email e no orkut.
Meu projeto é que eles vivenciassem o processo democrático, experimentando-0 , envolvendo-se nele. Gostava de perceber que assim eles também desenvolviam a argumentação, o trabalho em equipe, a ética. Recebi denúncias de "compra de votos" que deram em "cpi" extremamente rigorosas. Quero pensar que contribui, ainda que de forma simples, pra formação da cidadania desses meninos.

E eu me diverti muito, muito mesmo.




@@@ publicado originalmente em 2007.

01 abril 2010

Novela : lado A e lado B



Eu vejo novela e gosto: só colocam porcaria no ar porque querem, afinal, existem autores de talendo e atores fantásticos.
O caso é que seriar uma história não faz dela, necessariamente, uma má história. Mas como já contei aqui, conversando com um amigo que hoje é roteirista da Globo, ouvi algo mais ou menos assim; "Temos que escrever porcaria, porque nivelamos por baixo, competimos com porcaria...". Triste, heim?
Mas o fato é que assisto. E sempre achei que comunicação de massa TEM que ser discutido, dada o seu poder, a sua inserção social.
Vamulá.
No caso da atual novela das oito, Viver a Vida, tenho alguns pitacos a dar:

* Atuação magistral de Aline Moraes e Lilian Cabral, que conseguem se superar a cada trabalho.

* Mateus Solano arrasando na pele dos gêmeos. Além de um ator de primeira, um fofo, uma coisa.

* Fotografia deliciosa, já vale a novela.

* Bárbara Paz arrasando como anoréxica bebum: além de uma atuação brilhante, um tema complexo e importante que massacra jovens brasileiras.

* Todas as informações sobre acessibilidade dadas na novela, sem papo com cara de sermão barato, estão imbuídas na história de forma inteligente.


Mas eu quero é falar do lado B:

* Sei que infidelidade é comum, rola e tal. Mas nessa novela, TOOODOS são infiéis sistematicamente. Em uma festa, o namorado flerta com uma louca qualquer, nas fuças na namoradinha jovem. Em outra, o marido dá cantada em uma desconhecida, enquanto a mulher enche a cara. A mesma mulher que, entediada de sua vida vazia, tem um grande dilema : trair ou não trair. Fato que é motivo de piadas da amiga.
A amiga da personagem principal, observando a primeira crise do casamento desta, diz:

- Relacionamento é como cristal, partiu, não tem jeito. Joga fora e compra outro.

Juro em cima do pc que ouvi essa pérola.
Vamos comprar, gente, é promoção. Ainda que a infidelidade exista, que as crises existam e que casamentos acabem, essas interpretações levianas são um saco.
Fica tudo sendo a mesma coisa: artigo que pode ser comprado.
Aí é a prima que avança no quase-caso da outra prima, a prima que dá corda pro marido da casada corna( aqueeeela que divide a vida entre academia e ...academia).



* o personagem do José Mayer merece um tópico só pra ele: é o protótipo do tio sukita em sua pior versão. O autor teve a infelicidade de criar cenas em que ele agride Dora - uma personagem dúbia e estranha - e a despeito disso, é recebido por ela em um arremedo de amor-ódio que não cola.
Quando ela diz que vai trabalhar na casa, ele retruca, com vozinha rouca ( péssimo):
- Vai trabalhar aqui...tem que fazer o serviço todo.
Quase vomitei, povo.
O autor acha meeeeesmo isso erótico? Onde? Em novela mexicana ou peça de circo do interior?


* Trabalho infantil me assusta, já comentei aqui, já coloquei a Beth Davis aterrorizando o público em O que Terá acontecido a Baby Jane? Porque efetivamente acho um risco expor crianças ao universo do trabalho, ao universo da ficção e todas as suas neuras.
Aquela menininha é uma fofa, mas eu penso nos astros mirins norte americanos, todos surtados e tenho pena da garota.


Esses são alguns dos pontos que me chamam a atenção na novela. Pena, né? Com tanta gente talentosa, eles ainda escolhem o Manoel Carlos do Leblon e suas velhas histórias repetidas.

28 março 2010

"Mais do que a "alegria da posse", promete a alegria da inscrição na sociedade." Clóvis de Barros Filho (ECA)







Para quem se lembra dessa peça, ela foi veiculada por um tempo e posteriormente proibida pelo CONAR. Uma ONG elaborou uma outra, onde crianças de rua eram mostradas em diversas situações, sob o "mantra" : "eu não tenho, você tem...", como uma forma de responder à essa lunática propaganda eutenhovocênãoteeeeeem.

O documentário abaixo é fantástico, se tiver tempo, assista. Refletir sobre a criação de um pequeno exército consumista é necessário, pois manusear o desejo infantil e transformá-lo em um mecanismo de lucro desenfreado é algo assustador.










25 março 2010

Alunos, alunos e alunos ( com atualizações)


Frases que ouvi essa semana;

"Prô, você tem blog, twitter...você é moderninha.."

(Moderninha, aguenta essa.;0)

Enquanto começamos a preparar o projeto Livrinho de Pré-história, na quinta série:

"Minha cabeça está tão cheia de ideias que eu acho que vai explodir!" (Gabriel)

Claro que eu fico hiper feliz com isso, morro de rir, acho o máximo. Mas como nem tudo são flores nesse mundão de meu Deus, um outro menino, na mesma sala, no mesmo projeto, decreta;

"Eu odeio esse livro, vou odiar fazer, vou odiar o tempo todo."


O que me anima é aluno empolgado. Nada mais desanimador do que aluno com cara de nada, preguiça de respirar e ombros caídos. Ai, meus sais, não aguento.
Adoro quando a sexta inteira levanta a mão, perguntando milhares, milhões de coisas que parecem brotar naquelas cabecinhas geniais.
Os clássicos.."e se?"

" E se o cara é suserano de um e vassalo de outro, mas os dois estão em guerra...quem ele ajuda?"

" E se o mensageiro não chegar a tempo?"

E as clássicas perguntas romãnticas:

" E se o senhor Feudal se apaixonasse por uma serva?"

O bacana é tentar mostrar uma outra forma de olhar e sentir o mundo, diferente da nossa, com outras cores e valores.
Mas é divertido, por que o "e se" é quase sem fim.

As oitavas fizeram seu primeiro debate, uma das turmas foi muito bem, considerando-se ser a primeira atividade e não ter tido pesquisa, apenas preparação simples.
Mas ainda penso que preciso de RedBull para conquistá-los.


A sétima entende rápido, lê bem e escreve melhor ainda. Em uma atividade simples, um mini seminário, grupos pensam em fazer power point, grupos pensam em se apresentar como uma pequena peça.
E me procuram, de laptop na mão, para ler os mini roteiros bem bolados sobre Absolutismo.


****

Publiquei esse post hoje à tarde, na escola. De lá, fui com outros professores em uma gostosa Temakeria da cidade. Um dos donos, um jovem muito bonito, olha e diz:
- Você não é a Vivien?

Gente, foi meu aluno. Lembro dele garoto, foi demais reencontrá-lo. Fiquei sabendo que outros da época do Farroupilha - escola que adorei trabalhar - aparecem por lá.
As lembranças vem aos borbotões: aulas, trabalhos, provas, barracos, bagunças, broncas, risadas. Cara, ser professora há 16 anos é algo muito engraçado. E muito bom.

E é por isso que eu acho que estou onde eu realmente deveria estar.

21 março 2010

Eu gosto de domingo

















Implico com quem não gosta de domingo. Acho clichê murmurar..."hum, quando escuto a musiquinha do Fantástico...". Ah, cara, com tv a cabo, livros, internet e O MUNDO TODO, só assiste Fantástico quem quer.
Ainda tropeço com quem diz que não tem "tempo para ler". Gente, nem vou me dar ao trabalho de argumentar, certo?
De mais a mais, sempre fui uma ardorosa defensora da segunda feira: dia internacional do começo das dietas, dos novos projetos, dia de rasgar foto de ex, dia de procurar novos rumos. Segunda é um grande dia, gente, é sim.
Quarta já é complicado: emperrada no meio da semana, indecisa, algo assim, meio PSDB.
Segunda não, segunda se coloca.
Hoje fiquei um tempão - na verdade, enquanto escrevo, estou ouvindo - um canal no youtube que descobri graças à Época: o MasPoxaVida, engraçadíssimo.
Existe uma dúvida quando à veracidade do autor: o fulano é um real geek ou um ator fazendo esse personagem?
Pouco importa para mim, já que o texto é incrivelmente engraçado e suas piadas realmente fazem parte do universo geek. Eu sugiro que você assista, sempre é bom encontrar novas formas de humor.
De resto, planejo passar no shopping com Daniel. Vou reformar seu quarto e há muita coisa pra escolher, como cama, estantes, etc.
Mas domingo de professor nunca é só lazer, nunquinha da silva; uma boa pilha de textos da moçada da quinta série me espera para corrigir e devolver para a reescrita.
Nosso projeto é escrever um livrinho - totalmente manuscrito, ilustrado, coisa e tal - sobre pré-História. Depois scaneio alguns e mostro aqui.
Bom domingão a todos.

18 março 2010

alunos e avós I


Essa história tem uns dez anos. Eu trabalhava em uma escola deliciosa, com sala ambiente, turma pequena e interessante, onde experimentei e aprendi muito.
Uma das atividades que eu fazia e gostava muito era ajudar as crianças a escrever a biografia dos avós, trabalhos que saiam comoventes, lindos.
Uma das vezes, pedi a uma aluna que convidasse sua avó pra conversar com a turma. Elas toparam: preparei a moçadinha - uma turma maluca de quinta série, e já falei como as turmas de quinta série são...- pra receber nossa convidada.
Ela era uma senhora já bem idosa, bonita, simpática, cabelinho branco e colar de pérolas, "Composta" - diria minha avó.
Ela era ucraniana, falou sobre sua infância, as brincadeiras, família, tudo o que eles perguntavam.
A curiosidade deles era infindável, foi delicioso. Ela era o centro das atenções, da forma mais respeitosa que vocês puderem imaginar.
Contou que ainda muito jovem, fez um treinamento como paraquedista e foi para o exército, trabalhar como uma espécie de enfermeira, durante a segunda grande guerra. Contou sobre toda as mudanças trazidas pela guerra.
Explicou que foi se despedir dos pais, que choravam muito, e disse que em alguns meses eles se veriam novamente, não precisavam se preocupar.Ela fez uma pequena, emocionada e significativa pausa e acrescentou:
- Eu nunca mais vi meus pais.
A turma estava em um silêncio total. Jamais vou me esquecer da carinha deles, quando ouviram essa frase. Contou sobre sua vinda para o Brasil, sobre a pobreza que passou, sobre a barreira da língua. Disse o quanto se esforçaram para que todos os - oito - filhos estudassem, falou com orgulho sobre isso, sobre filhos e netos brasileiros.Saiu da sala com beijos das crianças e tão feliz quanto eles. E ficou na minha história pra sempre.***publicado originalmente em abril de 2007.

16 março 2010

Releituras e novas leituras


Faz algumas semanas li Amoz Oz pela primeira vez. Não sabia e nem sei nada sobre ele, comprei o livro por acaso, em uma dessas promoções da Fnac. ADOREI.
O livro se chama A Caixa Preta e é essa "caixa preta" que abrimos aos poucos , através da narrativa dele. O texto todo é elaborado através de cartas e telegramas de diferentes personagens, onde é possível construir e desconstruir a imagem que fazemos de cada um deles e da própria história.Delicioso, inquietante.
Comecei a ler Scott Fitzgerald por esses tempos: não sei se gostei ou não. Não detestei, dá pra ler. Olha que coisa deprimente de se dizer de um autor!! "dá pra ler"...é mais ou menos quando uma mulher conhece um homem e diz "ah, ele é educado". Bom, se ele é "educado", não sobrou um só elogio pra fazer, um caos.Mas assim que terminar o livro, comento melhor.
Reli A Dama das Camélias - não riam! ando assim, com romantismos infantis...rs - ele tem sim sua beleza, claro. Apesar de repetir o esquema "mulher fatal se apaixona e se torna imbecil". E o detalhe dela usar camélias brancas vinte e cinco dias por mês e vermelhas durante cinco....eca....rs.....que nojo! "não venha na minha casa hoje, camélia vermelha".
Reli A Idade da Razão, do Sartre. Lembro que tinha me impactado tanto!
Li com prazer porque a escrita é saborosa, desce goela abaixo como um vinho gostoso.
Mas pelamordedeus...que personagens são aqueles?
A Marcelle é uma neurótica semi-agorafóbica, chata, inútil.
O Daniel é o típico misógino - manipulador. A Lola é uma coitada cheiradora e caçadora de franguinhos bobos. O Bóris É o franguinho bobo. A Ivitch deve ter sido a personagem mais idiota que eu já vi: devia cantar REBELDE! Guria frígida que não suporta que a toquem...
Em uma das cenas bobocas, em um bar, ela se corta, mostra o sangue pra outra mulher, em uma dessas cenas "pra chocar".ZZZZ.......
"Eu sou má, viu? olha que rebelde que sou.....uiuiuiui!!!", batendo o pezinho.Jesus.
Mas o pior mesmo é o Mathieu: um professor que se relaciona quase o tempo todo com esses dois últimos citados, dois jovens alunos. No frigir dos ovos: um inseguro que precisa do olhar ingênuo de um aluno pra se auto afirmar, assim, cita dois ou três autores, uma ou outra frase de efeito e posa de intelectual. Me poupe.
Em um determinado momento, Bóris diz que o viu falar de Kant, bebendo vários uisques, sem se embebedar.
1) o cara falou de Kant = um chato.
2) o cara falou de Kant babando no uisque = pelamordedeus
3) o cara falou de Kant babando no uisque pra um aluno = patético.
Eu ainda vou reler os outros da trilogia, não será um esforço porque eu realmente gosto do trato que Sartre dá a palavra. Só ri muito desses personagens.
Vale a pena lembrar, que quando eu li, mais ou menos na idade da Ivitch, achei tudo maravilhoso. Oh, céus.



***texto publicado orginalmennte em 2006.

10 março 2010

Grupo de Teatro, vinte anos depois







Acho que vocês já notaram que estou preocupada em manter laços afetivos que são importantes pra mim. Porque a vida atropela a gente, sempre digo isso aqui e é verdade: a vida atropela e a gente perde as pessoas por aí.
Por isso quero ter um esforço sistemático de incluir na minha vida, no meu cotidiano, pessoas que foram e são cruciais pra mim.
Uma coisa já notei: se a amizade foi feita na infância ou na juventude, ela tem uma força ímpar. Os anos passam e os ataques de bobeira continuam...para nossa glória.
Domingo fui almoçar na Tatinha, minha amiga dos tempos de teatro amador.
Encontei Josie, sua irmã e Junior, amigos queridos também da época das oficinas stalislawisquianas e afins..rs
Josie estava com os filhos, eu levei Daniel, Tatinha estava com primas e o - sempre simpático - marido em casa. A gente comeu muiiiiito - a dieta foi pro espaço - e riu horrores. Mas foi risada de socar a mesa, de perder o fôlego...lembrando das festas , dos bafões dos amigos, de uma amiga querida mas muiiiiiito, muiiiiito folgada, das festas maravilhosas que a gente fazia com um som vagabundo, espaço curto e grana ausente. Tempinho bom demais da conta.
Junior tem o dom de contar histórias...todas elas ficam engraçadas na sua narrativa.
Mesmo detalhes - ele dizia que Tatinha recebia um espírito carioca nas peças e falava arrastado "eu sou uma mulherrrrr" - são únicos e hilários, com sua interpretação.
As meninas - claro que vou chamar minhas amigas assim, dá licença...- são pessoas que gosto demais. Agora vocês podem contar com uma coisa, sempre vou me encontrar com elas e vou contar tooodos as antigas históricas bafônicas aqui.
Me aguardem.


06 março 2010

Minha veterana


Quando entrei na Unicamp, minha vida mudou totalmente. Era um mundo novo, com debates, leituras e situações completamente diferentes pra mim.
Logo nos primeiros cinco segundos, fiquei amiga de Mara, que se tornou minha eterna veterana, como a chamo até hoje.
É realmente curioso como algumas amizades surgem rápida e espontaneamente e como isso cria um elo forte e duradouro.
Lá naquela época vivemos coisas incríveis...aulas, festas, papos intermináveis, tudo o que rola na vida acadêmica. Depois de formadas, a gente se perdeu um pouco de vista, foram alguns anos sem se ver ou conversar.
Em um mundo pré internet, isso acontecia.
Mas depois de um tempo, graças a um amigo em comum, a gente se reencontrou e continou a papear e rir como se nenhum minuto tivesse se passado.
Periodicamente, a gente se encontra em um restaurante japa gostoso aqui de Campinas: o papo não pára, é sempre uma delícia.
Foi isso o que aconteceu ontem e foi bom pra caramba. Além do mesmo curso ( História na Unicamp) agora rola outra coisa em comum: trabalhar na mesma rede de escolas, o que propicia uma boa troca de figurinhas.
A vida corre que é uma coisa, ontem eu tinha vinte, hoje tenho quarenta...e um.
(As duas garotas da graduação casaram, tiveram filhos, se formaram, trabalham, etc e tal. Mas quando se encontram, tem vinte anos de novo.)
Milton estava certo, amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não, mesmo esquecendo a canção.;0)


05 março 2010

A apresentação II











Já que nos post abaixo estou contando sobre uma apresentação, vai mais uma historinha.
Um dos encontros que mais gosto de participar é o promovido pela Ludus Culturalis. Além de ser um momento de mostrar o meu trabalho e conhecer os outros, ficou sendo, pra mim, o período do ano em que mais troco figurinhas com gente que gosta de rpg, hq, e outras coisas de geeks.Uma delícia.
É tão divertido revê-los. Com certeza, as conversas mais divertidas que tive foi jantando com esses amigos. Alguns filmes eu jamais consegui ver com meus próprios olhos, depois de terem sido destruidos brilhantemente por eles.
(Algumas histórias eu ainda preciso blogar...)
No ano passado minha apresentação foi em um auditório enorme, mas enorme de verdade. Eu fiquei super bem, até cinco minutos antes de começar.
Comecei a ver aquele povo entrar, o coração disparou e o ar foi embora, todo ele, sem dó nem piedade. Pânico total.
Continuei conversando com os amigos com quem estava, sentindo o sangue sumir do rosto e pensando " Agora eu despenco aqui no chão...".
Subi e fui pra mesa: eu sempre peço pra falar antes, como o pânico sempre vem e preciso de uns segundos pra domina-lo, se eu tiver que esperar, tenho medo de não conseguir. Ok, me apronto para começar.
Mas meu colega de mesa chama uma psicóloga.
E eu não entendendo necas. Ela sobe, pega o microfone, fala um pouco, em pé, sobre ludicidade, exagerando nos gestos e me deixando com vergonha por ela. E eu ainda não entendendo.
Ela continua, diz que todos vão relaxar e devem acompanha-la.
Ai começa a bater palmas, dar uns pulos, fazer umas coisas lá na frente.
Na minha frente: e eu, com cara de naaaada, sorrindo amarelo, sussurro pra ele : " Não temos que fazer isso, né?"
"não " - ele respondeu baixinho - " Também morro de vergonha..."
Depois de ver a platéia bater na própria bunda e dar uns gritinhos estranhos, eu já estava mais calma. Com vontade de rir, mas estava calma.
Minhas imagens no data show ficaram absolutamente gigantes e lindas, um belo trabalho feito por um amigo.
Deixei de discutir um monte de temas, mas acho que deu pra dividir um pouco da experiência que tive com as crianças, deu pra mostrar um pouco de como eu acredito que deva ser a educação, de como eu tento caminhar.



****post originalmente publicado em março de 2007.

04 março 2010

A apresentação



Eu trabalho com RPG & Educação há alguns anos, esse é o tema de minha pesquisa. Já tive a oportunidade de apresentar partes desse trabalho aqui em Campinas, em São Paulo, Curitiba e no Rio. Na última vez que fui apresentar no Rio, dividi a mesa com um professor da Usp, vejam como sou chiquérrima. Ganho pouco mais me divirto, certo?
Faz um tempo, participei de um encontro sobre Freinet aqui na Unicamp. Como eu conhecia as organizadoras, elas tiveram a gentileza de me colocar pra dividir a mesa com esse meu Amigo, de quem já falei aqui.
Tínhamos muita conversa pra colocar em dia e um queria ver o rumo do trabalho do outro, foi ótimo.
De manhã, assistimos essa ou aquela palestra, encontramos pessoas e papeamos, o de sempre em congressos assim.
Fomos almoçar e voltamos apressados pra sala: arrumamos tudo, tínhamos levado material de aluno, painéis, blablablá.
Aí sentamos e esperamos.
Esperamos.Esperamos....e-s-p-e-r-a-m-o-s.......
A primeira a surtar, evidentemente, fui eu:
- Fulano, não vem ninguém...ninguém...!
- Mas eu vi a lista de inscrições, estava lotada....
- ..........
-.............
- Eu sabia que isso ia acontecer, ai me horrível , tô me sentindo toda rejeitada...(risos nervosos)
- Vamos escrever na lousa? assim..."vão se ferrar seus desgraçados.."...(risos)
- (risos)
- Vivi, vamos ver o nome de todo mundo....aí vamos perseguir, se eles forem apresentar alguma coisa, a gente enfia um monte de nome na lista...só pra eles ficarem com cara de bunda!!!
- Igual a nossa agora??? Que droga, ninguém...( desolada)

Uma moça coloca a cabeça dentro da sala:
- Oi, tá muito cedo ainda, né??
- ?????????
-???????
( moça) falta muito pra começar? é que eu gosto de chegar antes....

Olhamos para o relógio, estávamos prontos UMA hora antes. Sofremos pra diabo, por pura precipitação. Ataque de vivien crônico.
Aos poucos a sala encheu, contamos a história pra relaxar e funcionou.
E foi bom demais.


***post originalmente publicado em 2007.

02 março 2010

Sobre a confiança


Meu irmão caçula esteve esses dias em Campinas. Está trabalhando em São Paulo e estou sentindo sua falta. Ele é quatro anos mais jovem do que eu, o suficiente pra eu achar, quando era criança, que era meio que meu filhinho.

Carregava no colo, usava de cobaia na minha escolinha - ele entrou alfabetizado na escola, vejam quanto eu aluguei o fulano....- sacaneava um pouco, contava historinha.

Meu irmão cresceu e ficamos muito amigos. Só ele me faz rir , quando tenho crises de fúria: é só ele fazer uma cara palhaça e dizer:

- oooonça, calma....

Aí eu começo a rir e a raiva já foi pro pé.

Ele tem um humor que adoro e nos comunicamos por mínimos sinais, dá pra ter uma conversa inteira assim, minha amiga Tati comentou isso outro dia. E dá mesmo.

Quando aprendi a dirigir - tarde, com 27, 28 anos - só conseguia guiar se ele estivesse no carro. Sério. Se ele não estivesse eu não conseguia, veja só.

Um dia ele estava cheio de mochilas, ia voltar pra cidade onde cursava arquitetura e não tinha ninguém em casa pra levar até a rodoviária.

- Bom, Vivinha, você vai ter que ir me levar. Depois você volta legal, você já sabe dirigir bem...

- Ricardo, não dá...sem você eu não consigo....( me descabelando) você é minha peninha do Dumbo!!!

- ( gargalhando) A peninha não servia pra nada, ele voava sozinho, lembra??? daaaa.........

Fui, levei e voltei, com o coração disparado, dirigindo a barcona que meu pai tinha na época( só fui ter meu carro com 29). Mas foi incrível.




***post originalmente publicado em abril de 2007.

01 março 2010

Bizarre love triangle


Faz alguns meses, fui em uma dessas festas anos 80. Foi uma festa na casa de uma amiga muito querida, com quem comecei a jogar RPG.
Foi divertida, dançante demais. Eu gosto em especial dessas festas porque na década de 80 especificamente, quando eu era adolescente, não ia a nenhum lugar pra dançar. Todos esses lugares, aqui em Campinas, eram abarrotados de mauricinhos tenebrosos e patricinhas absurdas. Se hoje, que sou muito mais tolerante, isso ainda me irrita, na época, era absolutamente intragável.
Nesse tipo de festa, cada música que toca me joga em uma situação específica: uma saída bacana, uma viagem maluca, um namorado, uma paixaozinha básica.
Na festa da R., em um determinado momento, ela serviu um bolinho chamado Madeleine.
Explico: quando eles fizeram uma disciplina com o Marco Aurélio Garcia - ele de novo nesse blog...- leram um livro de Proust em que o personagem comia as tais madeleines e evocava lembranças agradáveis, de uma nostalgia gostosa. Eu não li, tô vendendo o peixe pelo preço que comprei.
Quando R. e o marido estiveram pela última vez na França - uia que chique - compraram os tais bolinhos em um supermercado e os trouxeram.
Assim, a festa parou, R. explicou e distribuiu os tais bolinhos.
Todo mundo, ritualisticamente, comeu e suspirou, esperando as lembranças docemente nostálgicas. Quando começou a tocar Bizarre love triangle, eu tive que sorrir, a tal música me remete automaticamente pra 1989, quando eu tive a maior paixão da minha vida. Que me tirou o chão. Achei um "sinal". ( Tudo eu acho que é um sinal....rs)
Em um post bem bacana, Rafael argumentou que quem tem saudades dos anos 80 não tem saudades da época, mas de si mesmo. Acho que acertou completamente.
Eu tenho saudades de mim.


****post originalmente publicado em outubro de 2006.