11 janeiro 2014
Querido Diário
Tenho que ir pelo menos duas vezes pra São Paulo obrigatoriamente: pra pegar meus remédios na Farmácia de Alto Custo - onde retiro remédios que fariam um rombo no meu orçamento gratuitamente - e para fazer meu tratamento - combo de exames e consulta pós transplante.
E tento fazer umas coisas nesse interim, como ir ao cinema, fazer umas compras, tomar café com amigos.
Às vezes faço só o que preciso e me dou apenas um tempinho em um café super fofo, perto do hospital. E só.
Em dezembro peguei um metrô tão lotado que só entrei porque um cara puxou minha mão e me arrastou pra dentro, em um passo de tango. Minha bolsa ficou meio presa na porta e foi salva por um grupo que a empurrou pra dentro, onde eu estava emparedada.
Mas isso acaba acontecendo quando tenho que chegar super cedo, para os exames. Dia de pegar remédios é mais fácil, chego em horários mais tranquilos, tal.
Ontem fui novamente acompanhada de minha amiga Andréia, que já tinha ido outras vezes comigo. Mas dessa vez não permiti que ela ficasse sentada comigo, esperando. Porque o lugar atende muita gente e demora mesmo, não tem jeito. Combinamos então de nos encontrarmos em um brechó super estiloso, que merece um post exclusivo, o Capricho à Toa. Como o lugar é super agradável e tem um Café bem legal, ela faria outras coisas e a nos reuniríamos mais tarde.
Eu fiquei lá, esperando ser atendida e lendo um livro escrito exatamente por essa amiga: essas férias estão interessantes, estou com três livros de três amigos pra ler, o que acho um luoooxo.
Fiquei lá e bati papo com outros transplantados. Todos entraram com processo e se aposentaram após o transplante. Olharam pra mim com uma cara engraçada quando eu disse que não ia me aposentar por conta desse processo, primeiro porque estava bem e depois porque gostava do meu trabalho.
Ao ouvirem que eu era professora, suspiraram - as pessoas sempre suspiram de um jeito engraçado quando eu digo que sou professora - e começaram a falar em falsete, "explicando" pra mim como minha profissão era cansativa e que as "crianças de hoje em dia"...
Então. Em qualquer tempo ou lugar, se ouço a frase fatídica "as crianças de hoje em dia..." sei que vou ouvir baboseira, sei que vou ouvir clichês marcados por um saudosismo irreal, sei que vai ser chato.
Hora de abrir o livro e me livrar do papo. E foi o que fiz.
Um tempo depois, fiquei rascunhando posts que devo colocar aqui, em outro momento. Estou lá, felizinha com minha caneta, quando o tal cara me interrompe:
- Desculpa te falar, mas você trabalha muito. Olha, está ai trabalhando agora.
- Não estou trabalhando. Gosto de ler. Gosto de escrever.
Como se eu não tivesse dito absolutamente nada, o tal chato continuou falando sobre trabalhar e mais uns blábláblás que me chocaram porque ele dizia algo como " Até que trabalhar é bom, pra matar o tempo." Achei a frase deprimente, mas voltei para o livro com um meio sorriso de "tchau, pelamor, cale-se". Enfim,
Fui me encontrar com Andréia, comemos algo gostoso no Café, babamos em umas bolsas lindas e compramos umas coisas. Decidimos voltar e fizemos um trajeto diferente, sugerido por ela, onde eu peguei a linha amarela, que nunca pego e acho linda, tranquilas e sem virar sardinha. Agora mudarei definitivamente esse trajeto.
Contei sobre o chato e chegamos a mesma conclusão: deve ser realmente triste achar que se tem que matar o tempo, achar que ler é uma forma de trabalho forçado. Deve ser triste.
O fato é que além de poder ler, poder conversar diretamente com o autor e poder perguntar muito e toda hora, há que o tal autor é seu amigo, é muito bom. Esses meus amigos que me aguardem.
04 janeiro 2014
Fernanda Abreu, sangue bom
E o caso é que amigos me chamaram pra ir no show da Fernanda Abreu e eu, seguindo minhas determinações de ano novo...aceitei correndo.
Primeiro chegamos no Taquaral, um parque gostoso de Campinas, achando super, super fofas as gotinhas que caiam em cima da gente, refrescando nossas vidas. Mas as gotinhas fofas se transformaram rapidamente em uma chuva forte. Quente, até agradável, mas forte, deixando a gente feito pintos molhados.
Em um segundo apareceram fulanos vendendo capas de chuva, Andréia, like a lady, estava de chapéu e escapou ilesa da chuva, encolhida sob um guarda chuva. Eu, Henrique e Alicia continuamos de forma nonsense, conversando embaixo da chuva.
Alicia achou melhor ir para debaixo das árvores. Fiquei com medo, alguma tia no meu passado havia dito que atrai raios, mas Andreia afirmou se tratar apenas de "fofoca", e vamos que vamos pra debaixo das árvores.
Nesse papo debaixo da água, Henrique contava que tinha nadado em alto mar,
- Não iria nunca, nunca. Alto mar. Tá maluco, que perigo.
- Vivien, é nadar paralelo em relação a praia...não é indo pra África,
Depois de rir, ainda tive que ouvir Alicia tentando me convencer que nadar em mar aberto é muito, mas é muito seguro.
- É , Vivien, dá pra nadar tranquilo. Nem tem tubarão. Mas só dá pra nadar sem beber, ah, é....porque se beber, ah, aí morre.
Sem beber e sem nadar em mar aberto, fiquei me sentindo bem segura.
De papo em papo a chuva passou e o show valeu cada minuto. Fernanda Abreu linda, super cênica no palco, dançando, cantando com aquela ginga de quem tem os dois pés na black music,
Cantei, dancei, adorei a abertura com Jorge da Capadócia, a escolha das músicas, tudo.
Claro que ela deve ter achado meio chatinhos alguns momentos, ao chamar um povo pra dançar com ela, subiram crianças e umas pessoas sem noção e sem molejo nenhum, que fizeram o funk parecer Trem da Alegria. Mas, enfim.
Primeiro chegamos no Taquaral, um parque gostoso de Campinas, achando super, super fofas as gotinhas que caiam em cima da gente, refrescando nossas vidas. Mas as gotinhas fofas se transformaram rapidamente em uma chuva forte. Quente, até agradável, mas forte, deixando a gente feito pintos molhados.
Em um segundo apareceram fulanos vendendo capas de chuva, Andréia, like a lady, estava de chapéu e escapou ilesa da chuva, encolhida sob um guarda chuva. Eu, Henrique e Alicia continuamos de forma nonsense, conversando embaixo da chuva.
Alicia achou melhor ir para debaixo das árvores. Fiquei com medo, alguma tia no meu passado havia dito que atrai raios, mas Andreia afirmou se tratar apenas de "fofoca", e vamos que vamos pra debaixo das árvores.
Nesse papo debaixo da água, Henrique contava que tinha nadado em alto mar,
- Não iria nunca, nunca. Alto mar. Tá maluco, que perigo.
- Vivien, é nadar paralelo em relação a praia...não é indo pra África,
Depois de rir, ainda tive que ouvir Alicia tentando me convencer que nadar em mar aberto é muito, mas é muito seguro.
- É , Vivien, dá pra nadar tranquilo. Nem tem tubarão. Mas só dá pra nadar sem beber, ah, é....porque se beber, ah, aí morre.
Sem beber e sem nadar em mar aberto, fiquei me sentindo bem segura.
De papo em papo a chuva passou e o show valeu cada minuto. Fernanda Abreu linda, super cênica no palco, dançando, cantando com aquela ginga de quem tem os dois pés na black music,
Cantei, dancei, adorei a abertura com Jorge da Capadócia, a escolha das músicas, tudo.
Claro que ela deve ter achado meio chatinhos alguns momentos, ao chamar um povo pra dançar com ela, subiram crianças e umas pessoas sem noção e sem molejo nenhum, que fizeram o funk parecer Trem da Alegria. Mas, enfim.
03 janeiro 2014
Mocinhos e bandidos
Não sei se vocês vão concordar, mas o fato é que amamos odiar os vilões de novela. Falo com vocês, amigos noveleiros, vocês conhecem o meu coração.
Mas eu realmente não acho que o mistério seja muito difícil de desvendar. Por "algum motivo obscuro", como diz uma amiga, os roteiristas acham por bem caprichar até as nuvens nos textos dos vilões. E os fazem com maestria. Elaboram vilões irônicos, engraçados, charmosos.
Criam escadas malévolas para Nazaré, enganam mocinhas virgens com aquele personagem do Antônio Fagundes, fazem as cenas mais loucamente deliciosas do mundo com a fantástica Carminha.
Mas o que me incomoda, o que é a ervilha no meu colchão é o fato de manterem uma estranha tradição de não emplacarem seus heróis.
Encapam os "bonzinhos" em uma eterna fala manda, olhar ao longe e texto sem um tico que seja de humor. Eu sei que existem vários protagonistas bacanas, mas vamos e venhamos...quando eles começam a emplacar, começam a fazer "maldades" ou algo do gênero. Eu vou abrir o sindicato dos "Noveleiros que querem Protagonistas Fortes e Engraçados". Nosso lema será : "Bonzinho sim, sem ironia jamais!"
Amiguinhos, a gente gosta de humor, a gente gosta de rir, a gente não quer só comida, a gente quer comida e felicidade.
Mas eu realmente não acho que o mistério seja muito difícil de desvendar. Por "algum motivo obscuro", como diz uma amiga, os roteiristas acham por bem caprichar até as nuvens nos textos dos vilões. E os fazem com maestria. Elaboram vilões irônicos, engraçados, charmosos.
Criam escadas malévolas para Nazaré, enganam mocinhas virgens com aquele personagem do Antônio Fagundes, fazem as cenas mais loucamente deliciosas do mundo com a fantástica Carminha.
Mas o que me incomoda, o que é a ervilha no meu colchão é o fato de manterem uma estranha tradição de não emplacarem seus heróis.
Encapam os "bonzinhos" em uma eterna fala manda, olhar ao longe e texto sem um tico que seja de humor. Eu sei que existem vários protagonistas bacanas, mas vamos e venhamos...quando eles começam a emplacar, começam a fazer "maldades" ou algo do gênero. Eu vou abrir o sindicato dos "Noveleiros que querem Protagonistas Fortes e Engraçados". Nosso lema será : "Bonzinho sim, sem ironia jamais!"
21 dezembro 2013
O peso dos filmes piegas
Vocês vão me dizer que o filme é piegas de dar dó e estarão certos. Quem já cambaleou até os quarenta e tantos anos provavelmente encarou "O Pássaro Azul" em uma daqueles dias de sessão da tarde, quando estava de volta da escola e sua mãe estava gritando para você tirar o uniforme a-g-o-r-a.
E se você disse aquele "peraííí´" irritante que todos dissemos ( e fomos fadados a ouvir mais tarde), e continuou vegetando diante a tv, você se deparou com a historinha das crianças que saem em uma jornada surreal pelo passado, futuro e outras paragens, procurando a tal felicidade, o tal pássaro.
E se você consegiu enrolar sua mãe o suficiente para terminar o filme, sem tirar o uniforme da escola e ainda assaltar a geladeira, você se lembra que o tal pássaro estava na casa deles . E sempre esteve.
Nos momentos em que estou desanimada e com a terrível sensação de que em alguns momentos da minha vida eu consigo vislumbrar objetivos - tal qual uma menina com o rosto colado em uma vitrine de confeitaria - mas não consigo atingi-lo, quando estou com essa sensação...busco um socorro interior no tal filminho de sessão da tarde.
Porque acho que o tal passarinho está aqui, está debaixo do tapete, enrolado na minha cachorra, sobre um prato na cozinha, me um degrau da escada. Está aqui.
Quando mais fortemente eu me convencer disso, de que a felicidade está aqui, mais resistente aos tropeços ficarei.
E se você disse aquele "peraííí´" irritante que todos dissemos ( e fomos fadados a ouvir mais tarde), e continuou vegetando diante a tv, você se deparou com a historinha das crianças que saem em uma jornada surreal pelo passado, futuro e outras paragens, procurando a tal felicidade, o tal pássaro.
E se você consegiu enrolar sua mãe o suficiente para terminar o filme, sem tirar o uniforme da escola e ainda assaltar a geladeira, você se lembra que o tal pássaro estava na casa deles . E sempre esteve.
Nos momentos em que estou desanimada e com a terrível sensação de que em alguns momentos da minha vida eu consigo vislumbrar objetivos - tal qual uma menina com o rosto colado em uma vitrine de confeitaria - mas não consigo atingi-lo, quando estou com essa sensação...busco um socorro interior no tal filminho de sessão da tarde.
Porque acho que o tal passarinho está aqui, está debaixo do tapete, enrolado na minha cachorra, sobre um prato na cozinha, me um degrau da escada. Está aqui.
Quando mais fortemente eu me convencer disso, de que a felicidade está aqui, mais resistente aos tropeços ficarei.
19 dezembro 2013
As decisões que moram nas madrugadas
Estava aqui fazendo as contas que sempre me acometem nos finais de ano. Os erros, acertos, as insistências que eu deveria ter deixado pra lá, os "deixa pra lá " em que eu deveria ter insistido mais. Fico aqui com minhas contas e refletindo sobre o que não dá mais pra fazer, o que dá pra fazer, o que depende de mim, o que depende de outras pessoas.
Escrever nesse blog depende de mim e já foi uma das coisas que mais gostei de fazer. Algo que me acompanhava em termos criativos e terapêuticos, tornando certos momentos mais fáceis e me aproximando de pessoas que valiam a pena.
Porque...se há um ganho real com essa blogosfera, esse ganho foi o fato de eu ter trazido para minha vida pessoas incríveis que sairam das letras para me fazerem companhia em uma conversa, umas risadas e aquelas sacadas incríveis que a gente só tem quando dialoga.
Ensaiei voltar a escrever. Agora eu me comprometo. Não que isso realmeeente faça uma grande diferença para esse universo de trilhões de blogs sobre trilhões de assuntos.
Mas faz diferença pra mim.
Lista de 2014.
1) Voltar a escrever no blog
2) Fazer reeducação alimentar e atividade física ( já embolo em uma decisão só pra dar um jeito nesses quilos que estão aqui à revelia do meu desejo)
3) Estudar inglês seriamente
4) Viajar ( pra longe, pra perto, v-i-a-j-a-r)
5) Fazer uma reeducação financeira e aprender a poupar. ( Estou rindo de mim, gargalhando de mim, mas...antes tarde do que nunca).
6) Continuar essa lista até ela ter muito, muitos itens.;0)
Escrever nesse blog depende de mim e já foi uma das coisas que mais gostei de fazer. Algo que me acompanhava em termos criativos e terapêuticos, tornando certos momentos mais fáceis e me aproximando de pessoas que valiam a pena.
Porque...se há um ganho real com essa blogosfera, esse ganho foi o fato de eu ter trazido para minha vida pessoas incríveis que sairam das letras para me fazerem companhia em uma conversa, umas risadas e aquelas sacadas incríveis que a gente só tem quando dialoga.
Ensaiei voltar a escrever. Agora eu me comprometo. Não que isso realmeeente faça uma grande diferença para esse universo de trilhões de blogs sobre trilhões de assuntos.
Mas faz diferença pra mim.
Lista de 2014.
1) Voltar a escrever no blog
2) Fazer reeducação alimentar e atividade física ( já embolo em uma decisão só pra dar um jeito nesses quilos que estão aqui à revelia do meu desejo)
3) Estudar inglês seriamente
4) Viajar ( pra longe, pra perto, v-i-a-j-a-r)
5) Fazer uma reeducação financeira e aprender a poupar. ( Estou rindo de mim, gargalhando de mim, mas...antes tarde do que nunca).
6) Continuar essa lista até ela ter muito, muitos itens.;0)
06 julho 2012
Nossa loucura de todos os dias.
Vi esse croqui do Louboutin no site Garotas Estúpidas e imediatamente lembrei da mania ensandecida de pés pequenos que assolou a China durante muitas décadas.
Apesar de reconhecer que o salto alto é uma tortura insana, confesso que cedo ao senso comum e acho bonito. E uso. E gosto. E até aprendi que o tal solado vermelho é leeeaaando.
Mas apesar disso tudo não posso deixar de pensar em quem foi o dono ou dona dessa ideia doida de colocar a gente com essa coisa no pé.
Mas ao olhar esse desennho e ver o pé deformado, torto, estranho, só pude me lembrar disso:
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05 julho 2012
A água da Rita me lembrou as minhas águas
A Rita, minha querida Rita, em um post delicado e encantador, falou sobre a chuva . Sobre ela e a chuva, a menina Rita e a chuva.
E eu vi, quase imediatamente, a mim mesma na janela, na primeira vez que olhei a chuva. Olhei tipo olho no olho.
Era uma daquelas chuvas grossas que caem com pingos gordos e fazem um pequeno cataclisma no chão, na água. O barulho forte e a marca dos pingos. O barulho forte e a marca dos pingos.
E eu fiquei ali na janela. O barulho forte e a marca dos pingos. O barulho forte e a marca dos pingos.
Era em uma época tão distante que eu ainda chupava chupeta. Objeto queridinho que só deixei aos cinco anos, mais ou menos. ( Pedi pra alguém jogar fora e me lembro dela voando. Chorei no meio do voo e pedi outra e não foi daquela vez que me despedi da danada)
Mas o bom da chuva, o bom mesmo, viria anos depois.
Quando eu descobri as delícias do banho de chuva. Em especial vindo da escola, molhando o uniforme e destuindo os cadernos. Melhor do que pegar a chuva era correr com as amigas e pular nas poças de água com aquela alegria febril que somos capazes de sentir aos dez anos.
A chuva vai sendo recodificada, assim como tudo. Hoje é o barulhinho que me ajuda a dormir ou aquilo que me faz temer dirigir. Mas não tomo banho de chuva, nem olho a marca dos pintos gordos.
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O passado mora ao lado
Será que existe uma determinada idade em que a gente simplesmente deixa de se importar? Será que em algum momento a gente se perde daquele jovem que se incomodava e ousava?
Talvez.
Mas em algum canto esse jovem mora, talvez mais contido, menos crédulo e mais cético. Mas em algum lugar ele está.
04 julho 2012
Confesso que sonhei
Eu costumava ter sonhos que eram verdadeiras odisseias. Praticamente tinham capítulos.
Já sonhei em desenho: com direito a dragão maravilhoso que se transformava no meu amor de então. Ui.
Sonhei com narrador. E posso jurar que alguns tinham legenda.
Mas o mais legal, o mais legal mesmo, era ter o chamado Sonho Lúcido. Essa coisa é mais ou menos o seguinte: em determinado momento, você tem a clara noção de que aquilo não é real, é sonho.
Algumas vezes isso aconteceu em meio a pesadelos, algumas vezes em ótimos sonhos. Nunca foi à la Freddey Krueger e nunca consegui fazer coisas bacanas como voar ou ter poderes conscientemente.
Ainda assim, sabendo ser sonho, é possível fazer praticamente tudo sem medo.
Não é genial?
18 junho 2012
Cada um com o seu Crepúsculo
Esse é o meu.

http://youtu.be/io0GBjw30fw ( Não dá pra incorpoorar no texto...mas vale a pena ir no youtube)

http://youtu.be/io0GBjw30fw ( Não dá pra incorpoorar no texto...mas vale a pena ir no youtube)
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04 junho 2012
O charme dos desavisados
Tem gente que vai te seduzir sempre, sempre, sempre, amém. Alguns caras nascem assim, crescem assim, vivem assim. Amém.
31 maio 2012
Blogar ou não blogar, eis a questão..
Tem alguém ai?
Depois do transplante eu pouco ou nada postei. Algumas vezes não tinha tempo, em outro momento não tinha vontade. Muitas vezes não tinha ambos.
O interessante desse ano quase sabático foi que descobri outros mundos. Porque a blogosfera de hoje é tão diferente do..cof..cof..."meu tempo", tão diferente!
Quando comecei a ler blogs, em 2003, existiam poucos - e ótimos - blogueiros escrevendo. Escrevendo meio que sobre tudo, palpitando, discordando, pensando. Muita gente boa parou de blogar, gente que faz falta e deixa a blogosfera muito mais pobre.
Eu li barracos públicos, longas pelejas entre egos, textos memoráveis, discussões que mudaram meu modo de ver o mundo. Mesmo.
Nos últimos anos vi uma "categorização" dos blogs que foram se tornando paulatinamente cada vez mais específicos, cada vez mais retro alimentados por um público que consome as mesmas coisas, fala sobre as mesmas coisas e, por vezes, pensa as mesmas coisas.
Se os leitores ganham com o específico - e ganham, claro - pois cada vez mais existe mais profundidade sobre o que se fala, dado que o blogueiro mergulha em um universo, por outro lado houve uma perda. Perdeu-se o diálogo do diferente. Perdeu-se a miscigenação cultural, digamos.
No ano passado mergulhei nos blogs de organização. Confesso que sentia um tiquinho de vergonha de gostar deles, porque no meio das fabulosas dicas de organização vinham coisas abomináveis. Não me constranjo em fala dessa forma porque as autoras não leem esse blog.
Isso foi algo que aprendi e achei curioso. Dependendo da tribo, voce pode ir, pode ler e pode comentar uma, duas, quatrocentas vezes. As blogueiras não retornam, nnao te leem. Fora excessões muito bacanas, esse grupo de pessoas só comenta em blogs cujos temas sejam paralelos aos seus. #meda
O pessoal que passou por aqui não age dessa forma. Conheci blogueiras fantásticas que fazem qualquer decorador babar. Acreditem, a criatividade desse povo é algo absolutamente inovador, delicioso de ver e aprender. Minha mania atual snao blogs de moda. ( Não, não é uma pegadinha do Mallandro)
Não diria que os leio, porque não há muito o que ler, mas passeio por eles e acho gostoso.
Descobri que existe um pessoal que conseguiu aquilo que há muito se discute na blogosfera: conseguiram monetizar - e bota monetizer nisso - o blog. Isso eu conto depois e digo minha opinião. O fato é que um ponto negativo, no meu ponto de vista, s destaca. Ao ficar muito "profissional", perde a vibe de ser..BLOG. Particularmente acho que alguns estão muito #estilorevista pra mim, eu prefiro algo cotidiano, natural, gente.Isso é o que diferencia o blog de outras paltformas de comunicação, a possibilidade de dar visibilidade aos momentos triviais, apresentando formas geniais de ser ...trivial. Se for pra ver revista, compro revista.
Mais tarde falo sobre todos esses blogs e dou dicas; tem gente fantástica falando de organizaçnao, de craft, de decoração, de moda. Gente criativa.
Conto tudo pra voces. ( cade o circunflexo desse teclado? por que nnao consigo organizar os parágrafos? sei lá, vou me familiarizando, tenho paciencia comigo)
Depois do transplante eu pouco ou nada postei. Algumas vezes não tinha tempo, em outro momento não tinha vontade. Muitas vezes não tinha ambos.
O interessante desse ano quase sabático foi que descobri outros mundos. Porque a blogosfera de hoje é tão diferente do..cof..cof..."meu tempo", tão diferente!
Quando comecei a ler blogs, em 2003, existiam poucos - e ótimos - blogueiros escrevendo. Escrevendo meio que sobre tudo, palpitando, discordando, pensando. Muita gente boa parou de blogar, gente que faz falta e deixa a blogosfera muito mais pobre.
Eu li barracos públicos, longas pelejas entre egos, textos memoráveis, discussões que mudaram meu modo de ver o mundo. Mesmo.
Nos últimos anos vi uma "categorização" dos blogs que foram se tornando paulatinamente cada vez mais específicos, cada vez mais retro alimentados por um público que consome as mesmas coisas, fala sobre as mesmas coisas e, por vezes, pensa as mesmas coisas.
Se os leitores ganham com o específico - e ganham, claro - pois cada vez mais existe mais profundidade sobre o que se fala, dado que o blogueiro mergulha em um universo, por outro lado houve uma perda. Perdeu-se o diálogo do diferente. Perdeu-se a miscigenação cultural, digamos.
No ano passado mergulhei nos blogs de organização. Confesso que sentia um tiquinho de vergonha de gostar deles, porque no meio das fabulosas dicas de organização vinham coisas abomináveis. Não me constranjo em fala dessa forma porque as autoras não leem esse blog.
Isso foi algo que aprendi e achei curioso. Dependendo da tribo, voce pode ir, pode ler e pode comentar uma, duas, quatrocentas vezes. As blogueiras não retornam, nnao te leem. Fora excessões muito bacanas, esse grupo de pessoas só comenta em blogs cujos temas sejam paralelos aos seus. #meda
O pessoal que passou por aqui não age dessa forma. Conheci blogueiras fantásticas que fazem qualquer decorador babar. Acreditem, a criatividade desse povo é algo absolutamente inovador, delicioso de ver e aprender. Minha mania atual snao blogs de moda. ( Não, não é uma pegadinha do Mallandro)
Não diria que os leio, porque não há muito o que ler, mas passeio por eles e acho gostoso.
Descobri que existe um pessoal que conseguiu aquilo que há muito se discute na blogosfera: conseguiram monetizar - e bota monetizer nisso - o blog. Isso eu conto depois e digo minha opinião. O fato é que um ponto negativo, no meu ponto de vista, s destaca. Ao ficar muito "profissional", perde a vibe de ser..BLOG. Particularmente acho que alguns estão muito #estilorevista pra mim, eu prefiro algo cotidiano, natural, gente.Isso é o que diferencia o blog de outras paltformas de comunicação, a possibilidade de dar visibilidade aos momentos triviais, apresentando formas geniais de ser ...trivial. Se for pra ver revista, compro revista.
Mais tarde falo sobre todos esses blogs e dou dicas; tem gente fantástica falando de organizaçnao, de craft, de decoração, de moda. Gente criativa.
Conto tudo pra voces. ( cade o circunflexo desse teclado? por que nnao consigo organizar os parágrafos? sei lá, vou me familiarizando, tenho paciencia comigo)
30 maio 2012
A entrada de serviço
Já estou pra escrever sobre "Domésticas, o filme" há algum tempo.
Particularmente, gosto do diretor Fernando Meirelles, que nesse caso, também apitou no roteiro. O que conheço do trabalho dele, gosto.
A ficha técnica me faz pensar em um grupo de classe média intelecutalizada, tentando ( nesse caso, conseguindo) olhar o mundo com outros olhos que não o do eixo Vila Madalena-Leblon. Saca os sobrenomes: Cecília Homem de Mello,Andréa Barata Ribeiro,André Abujamra...sem desmerecer o trabalho, sempre penso nisso um pouco como "estamos aqui na conversando na casa do papai e tivemos uma idéia bacana pra um filme".
Ok, ainda assim, dá pra sair um filme interessante. E olha, saiu mesmo.
A trilha sonora é demais: hiper brega, dá a cor necessária para o filme, que transita entre o humor ( às vezes, negro) e o drama de forma genial.
O filme retrata o cotidiano de diversas domésticas - cinco em especial - dando ênfase para a fala das mesmas, que funcionam praticamente como "depoimentos".
Essa opção narrativa por si só, já vale o filme: pois dá voz a essas mulheres anônimas e não ouvidas, desloca o olhar para outro ponto, mostrando o mundo sobre a ótica dessa mulheres invisíveis.
Quem quer que tenha feito a pesquisa necessária para isso, caprichou, porque a estrutura das frases e a idiossincrasia das histórias está perfeita.
"Eu gosto assim..de feijão, arroz, sabe assim, bem farinha?"
Não sei quanto a vocês, mas alguns anos em Caxias me fazem ver que essa frase esquisita é completamente real, usada de forma cotidiana por várias pessoas.
E o olhar de Graziella Moretto no final? Quando diz que "ninguém escolhe ser doméstica, é uma sina", é absolutamente doloroso, é um daqueles momentos que marcam o filme de forma indiscutível.
Todas as histórias se entrecruzam, mostrando um universo desconhecido para a classe média e que me lembrou muito uma pesquisa feita na USP.
Um jovem da graduação - nas Ciências Sociais, creio - se vestiu de faxineiro e transitou pelo campus durante semanas.
Conforme ele relatou em seu projeto, foi ignorado pela maioria dos colegas e por todos os professores. Simplesmente, não viram que era ele. O que acarretou, ainda que ele tivesse consciência de que uma pesquisa e por tempo determinado, ainda assim, acarretou uma incrível angústia e abalo da auto-estima.
Ele havia se tornado invisível.
****publicado originalmente em 2009.
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18 novembro 2011
Blog hibernando
Queridos amigos, o meu querido blog está dormindo. Eu não desisti dele, mas ando dividida entre outros afazeres e, por enquanto, os textos por aqui não vão aparecer.
Nem poderei visitar os blogs amigos que adoro. Por enquanto não dá, no máximo passeio pelo face. E olhe lá.
Cometi orkuticídio, não entro no twitter. Adoro, mas não rola por hora.
Tenham paciência comigo, eu volto.
I love you.
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vida louca vida.
15 outubro 2011
Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz
Como toda sexta feira fiz os exames cedo no Hospital do Rim, depois voltei ao ambulatório pós transplante pra consulta. Voltei à tarde pois minha consulta foi às cinco. Eu sempre marco esse horário porque dá tempo de voltar para o apartamento do meu irmão e descansar. No meu caso isso significa me jogar naquela cama maravilhosa dele, com aquele travesseiro incrível e dormir, já que geralmente fico a noite toda vendo filmes. Tempos de loucura, vocês sabem.
Antes da consulta, por vezes converso com outro transplantado: perguntamos quanto tempo temos de cirurgia, quanto está nossa creatinina, se fizemos diálise, esses papos estranhos.
Nessa sexta, conversando com uma moça e um outro paciente, lembrei:
- Ah, você transplantou um dia depois de mim....lembro de você, a gente já se viu de camisola de hospital por ai...
- (rindo) ah, é....eu lembrei: aquele dia da ecografia, né?
- isso,...blá..blá...blá...
Fiquei sabendo que ele teve doador cadáver ( essa expressão dá aflição no começo, mas depois a gente acostuma) e que o "rim irmão" ( ou seja, o outro rim do doador falecido) foi para um médico. Tanto a moça quanto ele danaram a falar do tal médico, rindo muito. Parece que o médico era cirurgião e deu o maior barraco na sala preparatória e na própria sala de cirurgia, gritou, praguejou, fez o diabo.
Pelo que entendi, todo mundo ficou conhecendo o tal cirugião-que-virou-paciente, por conta dos escândalos. Surtos mil, gente, afinal, mudar de lugar não é simples. Passar de "quem corta" pra "quem é cortado" deve ser uma tarefa enlouquecedora.
Porque ele conhece rotineiramente o que acontece com os pacientes na sala de cirurgia, ele sabe como são tratados quando estão desacordados e deve ter suas reservas. Eu não sei, e nesse caso, a ignorância é uma benção, só sei que colocaram um outro órgão em mim e ele funciona bem, ponto.
O rapaz contou que a filha do médico ia chamá-lo todo dia, porque o tal médico-e-o-monstro queria vê-lo.
Esses casos, de pessoas que se afeiçoam aos que receberam o "rim irmão", são rotineiras. Eu vi que as pessoas estabelecem uma ligação intensa. Eu disse sempre gente, é tudo muito doido.
Falamos da nossas diferentes maneiras de lidar com a questão do novo órgão e , como sempre, surgiu a questão da fé. Sempre que converso com alguém, duas coisas pintam, falamos sobre transplantados longevos e falamos de fé. Nunca encontrei ninguém que não fosse imensamente grato por essa chance, no caso dos transplantados que estavam em diálise, gratos pela liberdade.
Vejam meu caso: nunca fiz diálise, graças a Deus, coisa que tinha pavor, não fiquei na fila, ganhei um rim de um irmão que amo muito e tô aqui, lindaloiraejaponesa, feliz da vida.
Ah, sem esquecer do melhor da prosa: nós três tivemos companheiros de quarto malucos. Tropeçamos com pessoas que adoravam contar desgraça. A moça contou que ficou com uma velhinha que dizia pra ela que ainda ia doer muiiiito, que ela nem ia aguentar e que sei lá quem tinha morrido. A gente gargalhava com ela imitando a velha sacana e contando como fazia pra dar uma egípcia na doida.
Mas isso é fato: tem uma turba doida lá dentro que adora contar desgraças, com minúcias. Agora, eu francamente não entendo como alguém pode querer entrar nessa vibe de desgraça. Porque estando ali no hospital, de camisola, costurado, com dor, a gente só quer saber e pensar em coisas boas. A gente só quer curtir a fé.
E não é que tem pessoas que estão em outra via? Olhando o mundo e vendo tudo negativo.
Ah, sai pra lá, #melargamesolta, por favor.
Gente, gente, estou dizendo pra vocês, de perto ninguém é normal, Caetano foi um mestre ao sacar isso.
Antes da consulta, por vezes converso com outro transplantado: perguntamos quanto tempo temos de cirurgia, quanto está nossa creatinina, se fizemos diálise, esses papos estranhos.
Nessa sexta, conversando com uma moça e um outro paciente, lembrei:
- Ah, você transplantou um dia depois de mim....lembro de você, a gente já se viu de camisola de hospital por ai...
- (rindo) ah, é....eu lembrei: aquele dia da ecografia, né?
- isso,...blá..blá...blá...
Fiquei sabendo que ele teve doador cadáver ( essa expressão dá aflição no começo, mas depois a gente acostuma) e que o "rim irmão" ( ou seja, o outro rim do doador falecido) foi para um médico. Tanto a moça quanto ele danaram a falar do tal médico, rindo muito. Parece que o médico era cirurgião e deu o maior barraco na sala preparatória e na própria sala de cirurgia, gritou, praguejou, fez o diabo.
Pelo que entendi, todo mundo ficou conhecendo o tal cirugião-que-virou-paciente, por conta dos escândalos. Surtos mil, gente, afinal, mudar de lugar não é simples. Passar de "quem corta" pra "quem é cortado" deve ser uma tarefa enlouquecedora.
Porque ele conhece rotineiramente o que acontece com os pacientes na sala de cirurgia, ele sabe como são tratados quando estão desacordados e deve ter suas reservas. Eu não sei, e nesse caso, a ignorância é uma benção, só sei que colocaram um outro órgão em mim e ele funciona bem, ponto.
O rapaz contou que a filha do médico ia chamá-lo todo dia, porque o tal médico-e-o-monstro queria vê-lo.
Esses casos, de pessoas que se afeiçoam aos que receberam o "rim irmão", são rotineiras. Eu vi que as pessoas estabelecem uma ligação intensa. Eu disse sempre gente, é tudo muito doido.
Falamos da nossas diferentes maneiras de lidar com a questão do novo órgão e , como sempre, surgiu a questão da fé. Sempre que converso com alguém, duas coisas pintam, falamos sobre transplantados longevos e falamos de fé. Nunca encontrei ninguém que não fosse imensamente grato por essa chance, no caso dos transplantados que estavam em diálise, gratos pela liberdade.
Vejam meu caso: nunca fiz diálise, graças a Deus, coisa que tinha pavor, não fiquei na fila, ganhei um rim de um irmão que amo muito e tô aqui, lindaloiraejaponesa, feliz da vida.
Ah, sem esquecer do melhor da prosa: nós três tivemos companheiros de quarto malucos. Tropeçamos com pessoas que adoravam contar desgraça. A moça contou que ficou com uma velhinha que dizia pra ela que ainda ia doer muiiiito, que ela nem ia aguentar e que sei lá quem tinha morrido. A gente gargalhava com ela imitando a velha sacana e contando como fazia pra dar uma egípcia na doida.
Mas isso é fato: tem uma turba doida lá dentro que adora contar desgraças, com minúcias. Agora, eu francamente não entendo como alguém pode querer entrar nessa vibe de desgraça. Porque estando ali no hospital, de camisola, costurado, com dor, a gente só quer saber e pensar em coisas boas. A gente só quer curtir a fé.
E não é que tem pessoas que estão em outra via? Olhando o mundo e vendo tudo negativo.
Ah, sai pra lá, #melargamesolta, por favor.
Gente, gente, estou dizendo pra vocês, de perto ninguém é normal, Caetano foi um mestre ao sacar isso.
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Eu e o Professor
No meu primeiro ano na Unicamp, nada foi como eu esperava. História não era o que eu achava...me sentia um ET quase todo o tempo, pois minha trajetória era tão diferente dos outros que não conseguia me sentir fazendo parte do grupo.
Eu vinha de escola pública, eu sempre tinha trabalhado e me via fazendo parte de um grupo que nunca tinha pago uma conta na vida, adolescentes no total sentido da palavra.
Uma hora ou outra eu cruzada alguém que também se sentia um et e a gente estranhava tudo naqueles rosados garotos burgueses.
Não que eu nao gostasse deles, até gostava, só não me identificava com praticamente ninguém. Aos poucos me ambientei e formei um grupo se seria coeso até o fim da graduação e se despedaçaria em trinta mil pedaços após a formatura, sobrando apenas aqueles que realmente tinham elaborado um laço de amizade muito profundo. Pra minha alegria, são meus amigos até hoje.
Estive a ponto de desistir, tinha passado em jornalismo também, mudaria de curso e pronto.
Mas foi ai que li o livro do Professor.
Foi o seu primeiro livro, considerado por ele até um tanto quanto ingênuo. Talvez ele tenha razão, se compararmos com os três posteriores( que, claro, li também)
Mas o livro era ótimo, inegavelmente.
O tal primeiro livro teve um impacto inesquecível nos meus vinte anos.
Me lembro de pensar que,se aquilo era fazer História, então aquilo eu queria aprender a fazer. Eu gostei de tudo: do objeto de pesquisa, da análise absolutamente peculiar das fontes, da maleabilidade única para lidar com a palavra.
Inegavelmente um grande historiador e um grande escritor.
Consegui uma bolsa trabalho, logo deveria prestar algum serviço pra unicamp. Tinha parado de trabalhar e não podia me dar ao luxo de viver de dinheiro de pai, nem combinava comigo.
Procurei Professor para auxilia-lo em sua pesquisa.Para surpresa de todos, ele aceitou. Era famosa sua recusa em aceitar bolsistas, pois efetivamente gostava da pesquisa e creio que não se via com um assistente pra fazê-la.
Talvez tenha aceitado ao ver meu jeito de deslumbrada que só as meninas de vinte anos podem fazer.( Claro, aos trinta isso se torna ridículo....rs)
Mas ao contar isso, me lembro de como fui toda sorridente pedir para ser sua bolsista, falei com ele em um lugar que nem existe mais, tomado pelas mudanças que houve no IFCH.
Ele me aceitou, mas não posso dizer que eu o tenha auxiliado.
Ele me orientou na minha primeira garimpada no Arquivo Edgard Leuenroth, comentou comigo minhas descobertas, riu de mim muitas vezes, corrigiu umas tantas, ensinou umas outras.As reuniões em que eu mostrava minhas primeiras descobertas, em que eu comentava as fontes que tinha trabalhado, foram, pra mim, inesquecíveis.
Eu me sentava na ponta da cadeira, falando demais pra esconder o embaraço, enquanto ele observava sorrindo e falando pontualmente.
Descobri todo um universo de jornais, revistas, boletins, micro filmes, História que ia se fazendo na minha vista.
Não desisti da História.
Fiz todos os cursos que pude com Professor, e voltei a fazê-lo 15 anos depois, como ouvinte, só pra matar a saudades.
Pra minha - grata - surpresa, ele se lembrava de mim. Mais contida do que aos vinte anos, ainda sorri internamente quando em uma aula ele disse." eu estava pensando no que a Vivien falou na outra aula"
Ele estava pensando no que eu tinha falado. Pensei "yesssssssssss...!!!"e tive vontade de dançar como o caranguejo da propaganda de cerveja,mas nao movi um músculo, claro. Não ter vinte anos tem suas obrigações....
No final da aula, uma menina bonitinha sorriu pra mim: "ele é o máximo, nao é?"
Sorri de volta. É ..ele é o máximo
****texto publicado originalmente em 2006.
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11 outubro 2011
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.................
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05 outubro 2011
O gato que dorme comigo

Eu sei muito bem o que vocês pensaram ao ler esse título à lá imprensa marrom. Eu sei, vocês queriam saber cá das minhas intimidades, heim? Confessem, confessem.
Mas o gato que dorme comigo é um felino mesmo. Um gatão preto e manhoso chamado de Malcom X, por quem minha cachorrinha, a Renildes, morre de amores desde sempre.
Ele me ama. Me espera chegar, vai ao meu encontro e rola no chão, com miadinhos. Dorme da minha cama e nos finais de semana, onde durmo até mais tarde, ele permanece ali, só levantando quando eu decido fazer isso.
Malcom sofreu um sério acidente esse ano, foi atropelado, quebrou a perna, a mandíbula, estava uma poça de sangue quando eu o peguei no colo e levei, chorando como uma louca, até uma clínica.
Operado, tomou soro e ia capenguinha para o canto, querendo um carinho, quando eu ia visitá-lo. Quando o trouxe para casa, ficou com o colar elisabetano - aquele que parece um abajour - sem poder mastigar ou andar, comendo papinha.
Ficou tão triste, sujinho, porque não podia fazer sua rotina de limpeza diária. Ronronou todo reconfortado, quando eu o limpei, se recuperou bem e, se gostava de mim antes, agora me ama.
Fica o tempo que é possível no colo, e eu adoro, como sempre adorei os muitos gatos que tive na vida: Moneda quando ainda morava no Rio, Gueixa quando me mudei pra Campinas, Intrusa e Sookie, respectivamente avó e mãe do Malcom X. Adorei todos.
Talvez porque, como me disse um de meus escritores favoritos, Eustáquio Gomes, " se tenho gato no nome, hei de ter algo de gato na alma".
Miau.
***post publicado originalmente em setembro de 2008.
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gatos
A Arte e o discurso sobre a arte

Não sou historiadora da arte. Meu discurso portanto não é de especialista. Mas como me permite Marilena Chauí, opino à revelia do "discurso competente".
Assim, dou meus pitacos como alguém que vai, vê, gosta ou não de algo. E gosta ou não da Bienal.
A última foi um fiasco, já comentei aqui, se não fosse a exposiçãodo Krajberg na Oca, teria sido tempo perdido. Bienal do vazio é o meu...bom, vocês conhecem a expressão.
Nesse feriado fui na Bienal, foi meio complicado pois estou com umas dores chatérrimas no pé e andei aquilo tudo mancando como uma velhinha, mas fui.
Gostei de algumas obras, desgostei de algumas outras. Até ai, beleza. Arte é pra isso mesmo, vamos correr da unanimidade, certo?
Mas algo me incomoda: o fato do discurso sobre a Arte ser maior do que a própria obra. Como a artista que percorre partes do mundo descobrindo intervenções humanas na natureza e a natureza reagindo a isso - uma barragem feita por soldados que é coberta por mato - e diante disso se destilam teses.
Sempre houve essa questão de se perceber a profundidade de um objeto ressignificado pelo olhar do artista ( Duchamp já provava isso) e eu nunca faria um texto falando sobre a importância da técnica, pois eu realmente acredito que ela esteja a serviço da criação e não o contrário.
Ainda assim, quando o discurso sobre a obra não funciona como uma forma de redimensionar a compreensão, mas de tornar possível alguma forma de comspreensão, na minha interpretação, essa obra é falha.
Se ela não me desperta nada, nem mesmo irritação, mas apenas tédio diante de linguagens que se repetem à exaustão - como a utilização de áudiovisual em salas que ficam quase todo o tempo às moscas - eu acho que existe algo muito equivocado por aí.
***post publicado originalmente em novembro de 2010.
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dias melhores virão,
São Paulo
28 setembro 2011
O dia que virei Monet
É...não, não virei Monet. Talvez a única coisa em comum sejam as mãos sujas de tinta. Ainda não entendo o protocolo das tintas e meu pai morreu de rir comigo, porque fui usar tinta esmalte e fui lavar a mão depois. Eu não sabia, juro, gente, mas dá uma m*** danada, gruda na mão,um horror.
Usei o troço lá, aguarass ou coisa que o valha, mas ainda tenho borrões pelas mãos.
Mas o fato é que tentei fazer. Ah, gente, isso de mexer com tinta é como amor canino, eu penso: como não descobri isso antes???
Bom DEMAIS.
Eu peguei o resto de turquesa que sobrou - mandei pintar a moldura de um espelho de penteadeira antiga - e resolvi tentar pintar uns vasinhos que estavam sobrando aqui, na casa da minha mãe.
Lixei - achei difícil - e passei uma demão de tinta com pincel. Ficou horrível, mas foi bom pra mim, meu bem. Tentei uma segunda , mas deixei pra olhar direito amanhã, com açúcar e com afeto.
Pintei uma outra de lilás - um resto da tinta de parede do meu quarto - também ficou nhém, mas amanhã é um novo dia, certo?
Sou uma mulher de fé, crianças, vai ficar lindo.
Pelo menos, foi divertido. E dá um frenesi, me lembrei do Oswaldo Montenegro, em pleno momentos surtis, pintando o apartamento todo: chão, piso,objetos. Ok, ficou feio pra burro, mas deve ter sido divertido....
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