28 agosto 2011

A primeira revista de decoração a gente nunca esquece





Eu sei. Você já está de saco cheio de ver e rever esse slogan do comercial de soutien repetido em vários lugares, mas foi o que me veio na cabeça, tenham paciência comigo.
Eu devo ter comprado uma, duas revistas no máximo, em 43 anos de vida.
Aí, um dia, comecei a ver os blogs decór. E comecei a gostar.E comecei a gostar MUITO.
Em junho, próximo ao transplante, percebi que o tema me deixava relaxada e desencanava de toda a tensão do momento. ( rim novo, cirurgia, anestesia, internação, blá)
E cai de boca nos blogs. Daí passar para as revistas e curtir ambos concomitantemente foi um pulo.
Comprei vááááárias. Estou com uma pilha. Compro sistematicamente e me divirto horrores.
E a primeirinha é a minha favorita: Minha Casa. Porque sua proposta vai ao encontro dos meus desejos e minhas necessidades, ou seja, propostas factíveis, que apostam em preços bons e no Faça Você Mesmo.
As reportagens são dinâmicas, o passo-a-passo é claro, os ambientes fofos, as dicas quentes, como não gostar?
Isso tudo faz dela uma publicação antenada com as tendências do momento, plugada na demanda das pessoas que querem ter uma casa cute e não querem pagar os olhos e parte da orelha pra isso.
Se eu fosse você, eu comprava.


( Pra quem tem mais de trinta e alguns anos, me perdoe novamente, tasquei uma versão de outra propaganda de lingerie antiga...ha´!)

26 agosto 2011

Mulheres de seis anos?


















Há pouco tempo li algo que me deixou pasma. Estão sendo produzidos e comercializados pequenos soutiens com bojo (!!!) para serem usados por meninas de seis anos.
Vi uma maluca na tv, nem sei em qual programa da gbt, falando sobre os tecidos "lúdicos" que elas colocam nesses produtos.
Eu sempre olhei com surpresa ( e uma dose de horror) para as pessoas que parecem querem transformar em mulheres, meninas cada vez mais jovens. Aliás, essa hiper exposição a uma imagem sexual antecipada vem antecipando até mesmo a menstruação dessas garotas, que se pintam, usam saltos ( e prejudicam a coluna), pintam os cabelos e fazem festas de aniversário em salões de beleza.
De forma alguma estou criticando a vaidade. Entretanto, há um grande abismo entre ser vaidosa e ser uma criança-monstro, nos moldes daqueles concursos horrorosos tão queridos pelos sulistas norte-americanos: miss mirim.
Existe algo mais assustador do que aquelas meninas maquiadas como travestis, sorriso amarelo colado no rosto, postura artificial e mães histéricas? Provavelmente, não.
Há que se preocupar com o que se coloca na mente dessas meninas, que tipo de imagem feminina estereotipada se configura, que tipo de valores se estruturam.
Mas para ver isso com um olhar critico, curioso e idiossincrático, assista Pequena Miss Sunshine, perfeito e absolutamente immperdível.






25 agosto 2011

Keep Calm and Carry On











Um das manias em voga nos blogs decór é usar esse cartaz. Descobri, graças a várias blogueiras que explicaram isso em seus textos, que esse cartaz fazia parte de um conjunto de mensagens motivacionais criadas pelo governo inglês no período da Segunda Guerra.
Apesar de várias outras terem sido divulgadas na época, essa ficou retida, pois seria apresentada como campanha no caso da Inglaterra ser invadida pelos nazistas.
Como sabemos que isso nunca ocorreu, o cartaz nunca foi divulgado, e hoje, passadas tantas décadas, está em domínio público.
O caso é que essa gracinha está bombando nas decorações e - adivinhe! - já encomendei o meu, assim como esse, com base vermelha.
Você pode saborear esse detalhe em diversos estilos de decoração.

















Uma coisa que me atraiu muito foram as divertidas versões para esse cartaz, objetos que estão tão frequentes nos ambientes quantos os originais.
















(imagens Coisinhas Outras)



























































































Caso você queira ver outras imagens, corra no delicioso Atraiu o Meu Olhar e veja. Aproveite e passeie pelo blog, você vai gostar.















24 agosto 2011

Um espelho, spray errado e muitos retoques










Eu acho que já disse aqui, mas minha mãe é uma mulher de múltiplos talentos: é pedagoga, trabalhou em direção de escola até se aposentar, fez design de interiores e sempre inventou coisas, reformas, coisa e tal.
Quando eu era adolescente ela garimpou peças de mobiliário antigo, repaginou pintando de verde, mandou fazer cortinas, almofadas, colocou quadrinhos retrô com fotos minhas e fez um quarto dos sonhos.
Pena que na época, não havia o hábito de tirar tantas fotos, ainda mais do interior das casas.
Bom, depois de navegar indefinidamente pelos decór blogs e ficar toda metida a novidadeira, resgatei o espelho da velha penteadeira - que hoje está na sala de tv da minha mãe, de outra cor, como aparador - e decidi colocar no banheiro da minha casa.
E 'bora pintar.
Como sou uma caloura do DIY, inscrevi meu pai no dia "ajude a Vivinha a ser feliz" e coloquei nosso faz-tudo para trabalhar. Ele lixou e passou uma camada de pintura. Comprei um spray da Colorgin e achamos que estava estranho. Eu não pude descer no quintal, por conta da escada, portanto, vi com meus óculos ruins e de longe. Pareceu ruim...mas não vi que estava....(cara de ódio) metálico.
Assim, comprei outra lata desta tinta horrorosa. Hoje vi de perto e quase surtei:estava metálico, brilhante, bregarosíssimo.
Sai com meu pai em busca de outra tinta, depois de consultar a Fernanda Reali, que deu boas dicas.
Descobri uma coisa: em lojas de tinta eles falam outra língua. Ninguém entende quando você fala "sem brilho" e parece que uma cor trivial com o verde é algo tão exótico quanto roxo ( quando pedi roxo, praticamente me chamaram de doida. Juro que não entendi, vejo todo dia por ai,fala sério)
O caso foi mandar fazer uma mistura que - espero - chegue perto do que busco, um verde azulado lindo de morrer.
Torçam por mim, a tarde será decisiva.


Em tempo: caracoles, fazer bijoux é extremamente terapêutico! Fiz cinco colares, dois mexedores de suco, um chaveiro daqueles mega e dois "colares" de garrafa, para umas garrafas que ficarão no banheiro, com óleos perfumados.

23 agosto 2011

Novidades : meu ingresso no mundo das arteiras



(imagem capturada na internet)

Hoje fiz um mini curso sobre montagem de bijoux, coisa que queria há tempos. Comprei umas coisas: peças, alicates, caixinhas e badulaques. Umas peças de murano que são de babar. E toca a fazer colar, fazer mexedor de suco, lalalá.
Eu achei tudo lindo, maravilhoso, estou orgulhosa dos meus megaultrasuper dotes.
Claro que estou exagerando, mas é assim que vejo, pois contrasta com minha habitual falta de jeito pra qualquer coisa.
Por incrível que pareça, fiz e ficou legal. Depois posto fotos, claro, porque com a mudança do blog se faz necessário ter imagens.
Por hora, deixo essas. Em breve, as minhas.
Delícia de hobby.



( imagens capturadas na internet)




22 agosto 2011

Irmãos - O Xingu dos Villas Boas











Minha mãe e Ricardo - meu irmão e doador - queriam ir ao cinema.Como eu ainda não posso ficar em salas fechadas com milhões de bactérias, fui com Daniel ao shopping, mas optei por ficar no Sesc Pompeia.
O Sesc é aquele programa não-tem-erro, fatalmente você verá uma boa exposição, tomará um café e ficará feliz.
Nesse dia sentamos perto de um grupo que jogava - mal - RPG, tomamos nosso café maravilhoso e ficamos sentadinhos, descansando meu rim novo.
A exposição está linda: vá ver, vá correndo. Ela foi feita depois que os idealizadores do filme homônimo perceberam que tinham muito mais material do que seria possível apresentar no projeto inicial. Resultado?
Trechos de gravação,narrativas de kaka werá e Daniel Mundukuru - que adoro e cujos textos sempre usei em aula - objetos, entrevistas, peças indigenas. Tudo disposto de maneira criativa, interativa, com pegada de instalação.
Não falei pra você correr? Corra. ;0)




(Faça um força e veja o vídeo até o final - peguei no youtube, não gravei - pois as melhores partes estão no final.)

19 agosto 2011

Não leiam nunca





Queridos, vejam o que horas em sala de espera faz com uma criatura: li uma biografia da Madonna.Estou com preguiça de anotar o nome do livro e certamente nunca mais me lembraria do (péssimo) autor.
É um lixo.
Por que eu li? Ah, eu trouxe Thomas Mann para o hospital: eu sei,sou retardada.
Procurando uma leitura mais leve, achei essa pluma esquecida na casa do meu irmão e fui ler. Putz.
Madonna é, sem sombra de dúvida, um ícone, uma marca, uma mulher de fim de século: merece não uma, mas muitas biografias. Esse cara pegou esse material, misturou no liquidificador, bateu com os filmes mais babacas que vc já assistiu, com textos de estilão Sidney Sheldon e suas bad girls fatais e criou algo que parece a matéria prima de um roteiro de baixo orçamento e brega.
O livro é repleto de cenas em que Madonna é descrita como selvagem, como dominatrix por excelência, lotado de frases clichês, parecidas com aqueles filmes idiotas que ela fez na década de 80.
Vamos combinar, se a mulher é aquele ser mutante, como vemos abaixo, como orientar sua narrativa para que a opinião de todos seja convergente de uma maneira tão pobre?

Madonna usa - segundo o gênio que escreveu esse lixo - frases de efeito, estratégias baratas e batidas de sedução e sai com o suposto glamour de uma diva de fotonovela.
Ai,meus sais. E eu adoro essa mulher: acho inteligente, ousada, intrigante. Odiava na década de 80, passei a curtir mais tarde, com outra leitura.
Se você é como eu,fuja desses autores baratos.
Vocês veem o que horas em hospitais faz com uma pessoa? ai,ai.







16 agosto 2011

Tchau JJ



Quem passa por aqui sabe de fiz um transplante renal no final de junho. Sabe também que tive uma complicação que me causou fortíssimas dores: um vazamento na bexiga, que foi corrigido com uma nova cirurgia onde os médicos colocaram um cateter ligando a bexiga ao rim novo, um cateter chamado "duplo jota" que ficou comigo ate hoje.





Hoje cedo fui para o Hospital do Rim e retirei o tal duplo jota. Foi tranquilo, fui consciente para o centro cirúrgico e, como das outras vezes, só me lembro de ouvir a anestesista dizendo que eu ia me sentir tonta. Não me lembro de mais nada.
A diferença é que as outras vezes foram cirurgias mesmo e a anestesia foi tergeral, demorei horas pra voltar, fiquei internada, coisa e tal.
Desta vez, acordei na mesa de cirurgia, perguntei se ia demorar pra começar e eles me disseram que já havia acabado. Ufa.
Esperei pouco tempo na sala de recuperação e já estava liberada para voltar pra casa. E aqui estou.

15 agosto 2011

Coisas de mãe, coisas de filho







Navegando pela blogosfera em mais uma das minhas madrugadas insones, me deparei com essa imagem deliciosa. Ela está no Copy & Paste um blog criativo e mega agradável, que você deve visitar.
O caso é que adorei a proposta cuidadosa, fofa, idealizada, de servir comidinha para a molecada e me lembrei de uma historieta.
Quando Daniel era criança eu sempre enfeitava o pratinho dele. Quando dava banana, cortava em rodelinhas e fazia um coração , uma estrela, algo assim, colocava mel sobre a fruta e me sentia THE mamãe prendada.
Um dia, ele disse:
- Mãe, você repete muitos esses desenhos da banana..
- E o que você gostaria?
- Ah, sei lá...uma cidadinha (sic)...um ninja....
- ..........


Eu não sei o que vocês acham, mas fazer ninjas de banana é demais pra essa pobre mortal. Mas eu achei lindo e quase sufoquei a criaturinha com beijos.

12 agosto 2011

Momento Nostalgia

Era 1988, certo?
Cara, como a vida muda....pra melhor.;0)




Onde moram as mudanças?


Contei aqui há algum tempo que quando Daniel nasceu, fui tomada por uma onda irresistível que me dizia que eu podia "construir coisas". Acho que na época pensei que o fato de "preparar uma pessoa" - parafraseando Caetano - me fazia alguém especial, talvez até com poderes. Sei lá, como se eu tivesse um vínculo maior com Deus, me tornasse uma sacerdotisa, uma Viviane do Lago contemporanea.
Naquela época, achei que poderia aprender a costurar. Comprei toda a parafenália e me matriculei em um curso, feliz da vida.
Não costurei nada. Era muito, muito desengonçada e esquecida: enquanto as outras faziam saias e calças, eu me descabelava pra terminar regatas horríveis.
Em minha defesa....o lugar era chato, o papo era chato e eu - pra variar - me sentia uma estranha no ninho.
Naquela época, guardei o material, voltei para o meu mundo e jurei não tentar enveredar pelo universo do faça-você-mesma.
Anos depois, sei lá o porquê, descobri o ponto cruz. Apesar de ter um avesso feiiiinho, consegui fazer muita coisa. Como boa compulsiva que sou bordava por horas, tv ligada, madrugada solta, desenhos que iam tomando forma.
Foi legal, fi divertido, mas enjoei.
Há algum tempo venho me interessando por blogs de decoração e craft, tenho vários bem bacanas linkados aqui, inclusive.
Mas o caso é que agora realmente descobri como isso pode ser incrivelmente divertido: anotei mil mudanças que vou fazer na minha casa - assim que eu puder voltar pra lá - e tudo fica muito fácil com um irmão arquiteto, mãe designer e pai faz-tudo. Minha cabeça está fervilhando de ideias, de cores, de reformas, de gravuras que vou colocar aqui e ali.
Não conto nada por hora, porque esse tipo de post precisa de boas e clássicas fotos do antes & depois, certo?

Por hora, indico dois blogs em que fiquei várias horas, por conta da cratividade, da proposta "vamos-fazer-coisas-fofas-gastando-pouco" e pela personalidade com que são produzidos.


Dito isso, visitem:

Casa Montada


Pedacinho do céu






11 agosto 2011

Quando o semestre vai começar?


Adoro sair de férias, dormir, viajar, blá, blá. Mas adoro voltar para o meu cotidiano. Porque eu adoro meu cotidiano. Como eu comentava com uma amiga, apesar de detestar acordar cedo, depois que estou desperta é só alegria.
Vou dirigindo por uma estrada mega deserta - desvio da Anhanguera e pego uma marginal na frente de um condomínio e de mato, só mato, uma maravilha - e vou vendo o dia clarear, um dia mais rosa, outro mais azul, outro indecifrável. Me deslumbro com isso, quero notar tudo todo o tempo, porque já fui muito desligada e não quero deixar de notar esses pequenos milagres rotineiros.
Chego na escola e adoro meu trabalho. Vocês percebem a maravilha que é isso? Grande parte das pessoas que conheço passa a vida reclamando do trabalho e nunca pude compreender como as pessoas conseguem sobreviver em empregos que não curtem e que ocupam parte considerável de suas vidas. Se lá, vai ver que reclamar também dá prazer.
Por hora, não volto ao trabalho. Ainda estou em São Paulo, ainda não posso dirigir, carregar peso, ficar em ambiente com muitas pessoas e ainda vou ao hospital duas vezes por semana.
A boa notícia é que não sinto dor e o rim novo está funcionando direitinho: agora é cuidar dele.;0)
Acho que em breve estarei na sala de aula de novo, com minha multidão de jovens mentes que twittam durante as aulas (ninjas do mal!!), falam, riem e são encantadores. Gente, que saudades daquela molecada...espero que minha substituta esteja cuidado bem deles e confesso que tenho uma pontinha de ciúmes ao pensar que alguém que não conheço está com as MIIIINHAS turmas. Ai, ai.



Essa semana recebi a visita da minha querida amiga Anna Maron, a primeira blogueira que conheci pessoalmente, quando eu ainda nem tinha blog e curtia demais o dela.
Eu a conheci quando participei da ExpoInterativa cm uma palestra e uma oficina de RPG, tema da minha dissertação de mestrado. A gente saiu pra papear e conheci outros blogueiros que lia na época, foi divertido, foi agradável, foi divertido, como não seria? Papear com pessoas agradáveis em uma noite quente no Rio é sempre receita de bom programa.
Desde então, Anna está no meu rol de amigos queridos e foi uma delícia recebê-la aqui pra papear. Ainda ganhei um girassol, flor que adooooro pela beleza vibrante e pelo astral.
Agora, gente, vou me jogar nos blogs de craft e decoração, minha nova compulsão.
#beijosfui.

07 agosto 2011

Novo semestre





Devo voltar na quinta feira para Campinas. Ainda não poderei voltar pra casa, moro em um sobrado e enfrentar escada ainda está na lista de proibidos. Fico um pouco na casa da minha mãe. Já estou bem melhor, não sinto mais aquela dor contínua e terrível que me deixava exausta.
Ainda não posso dirigir, carregar peso, fazer esforço, ficar em lugar com muita gente e mais uma série de "nãos". MAS..."Dias melhores virão", certo?


Logo vou estar trabalhando, dirigindo, vendo todo mundo!;0)


Estou com vários planos para esse semestre, incluindo hobbies bacanas, empolgantes. Logo conto pra vocês.

29 julho 2011

Histórias de pessoas




















Esses dias em que passo muitas horas entre consultas e exames, são dias em que leio livros e revistas, faço palavras cruzadas, vejo tv sem som, morro de tédio e converso com as pessoas que, como eu, contam carneirinhos durante o dia, pra ver se o tempo de espera se torna menos chato.
Encontrei várias pessoas:


Uma mulher de uns sessenta anos me conta:

" Ele estava na diálise quando me ligaram, disseram que iam segurar o rim até as duas da madrugada, se a gente não chegasse, passavam pra outro. Fiz as malas e reservei o vôo pela internet, pras oito, dava com folga. Chegamos e não havia vaga! Briguei, expliquei, me transferiram pra outra cia...com voo às onze. Atrasou. Eu rezei, quase morri. Chegamos aqui quase uma da manhã...viemos de táxi, gastei 200 reais! Mas deu tempo - sorri - ele está ótimo, a gente vem a cada três meses, faz exame, consulta, volta para o Rio no mesmo dia. A gente mora em Duque de Caxias, conhece?"


Hoje conversei com uma garota de 19 anos:


"Transplantei com nove, deu tudo certo até hoje, mas hoje acordei enjoada, vomitei, ai vim pra cá. Eu saio e tudo, só não bebo,né? Já acostumei, não pode, não pode. Me enrolei um pouco na escola por causa do tratamento, mas estou fazendo supletivo. Quero fazer moda."



A senhora de olhar cansado da semana passada:


"Meu filho tem 39 anos, o rim novo ele perdeu faz um ano. A diabetes deixou ele cego, ele é aquele ali, olha, de sonda. E não consegue se aposentar, dizem que ele está bem pra trabalhar. A gente vive com minha aposentadoria."




A senhora de hoje:


" Transplantei há 14 anos, mas entrei em depressão e parei de tomar os remédios. Perdi o rim novo, vou me internar pra passar cateter e fazer diálise. (suspira) Mas eu não quero não, pra mim já tá bom, já vi meu filho crescer, não quero mais nada."




A moça com o celular:


"Sou transplantada há nove, trabalho normalmente e tô até grávida - sorri - mudei os remédios porque queria um neném, tô ótima."



O casal da semana passada:


"Eu também transplantei, faz dois anos. Ela faz dois meses, tá ótima, né, Bem? Eu estranhei um pouco não comer doces, comia muito, mas acostumei. Foi diabetes pra ela e pra mim."



A jovem mamãe de hoje:


"Ele tem quatro anos, transplantou com dois. Rim cadáver, criança também. Ele vai na creche, normal. Fica meio bravo com os enfermeiros - ri - mas obedece."

27 julho 2011

Diário de bordo : filmes assistidos.

Filmes assistidos, fase I:



W. o filme de Olive Stone mostra Bush em dois momentos, enquanto presidente, lidando com a questão do controle sobre o petróleo na região do Oriente Médio, assumidas claramente nas reuniões pré invasão do Iraque e todas as trapalhadas de sua equipe, e em todo o processo de sucessivos fracassos e fanatismo religioso que precede isso.
Um idiota em todos os níveis. Desprezado por papai Bush e em terna crise de aceitação. Vale assistir.

Lua de Papel: setentão ainda em forma, o filme é encantador ao mostrar Ryan O'neal fazendo um par impagável com sua filha Tatum, então uma garotinha de uns oito ou nove anos.
A menina e ele se locomovem pelos EUA dando golpes simples e/ou mais elaborados, praticamente já criminosamente dei um spoiler total no filme, portanto, nada mais falarei.
Veja.



É proibido Fumar ( da lista do Bia)
Delicioso. O roteiro é demais, Glória Pires é uma mulher de classe média paulistana que vive na casa da família, ao contrário das irmãs, que optaram por viver suas próprias vidas.
Baby, apelido da personagem, vive de aulas de violão para uma fauna interessante de alunos, até se interessar por seu vizinho, Max ( Paulo Miklos) e começar a ter um relacionamento doido com ele. O que chama a atenção é o fato da diretora trabalhar com cenas que facilmente cairiam em interpretações fáceis, de humor barato, típicas de comédias românticas e NÃO cair nisso.
O papo furadíssimo dos dois me lembrava muito conversas que já ouvi. Hilário.
O medo patológico da personagem em enfrentar os problemas ( assumir que está sendo traída e romper com max) ou se libertar do passado ( ela luta todo o filme pelo sofá de uma tia morta, quando o consegue, fica triste, está forrado e ela o deseja exaaaaaaatamente como era, de veludo vermelho. Seu cotidiano está soldado no passado)
Ainda o fato das inúmeras mentiras que são conhecidas e ignoradas pelo casal, apresentam uma relação pirada, quase doentia e muito, muito real.


Aos poucos, entre um papo hospitalar e outro...rs...falo dos filmes, ok?
beijos, queridinhos.






25 julho 2011

Nova cirurgia, nova internação ou Quero Minha Vida de Volta

Eu estava rascunhando umas pequenas resenhas sobre filmes que assisti, mas ploft: em enfiaram em outra internação. Quando esse blog vai falar de outra coisa? Não sei, gente. Na hora que eu recuperar minha vida, me cotidiano que adoro.
Vocês se lembram que eu reclamava de uma dor muito intensa? Então, em uma das muitas idas ao hospital para exames, fiz uma punção ( coisa básica, uma agulhadona na barriga para retirar líquido e examinar, claro que eu estava mega caaaaalma. Mas justiça seja feia, não doeu)e decidiram me internar para nova cirurgia, pois eu estava com uma fístula urinária.
Como eu já sabia dos procedimentos, diferentemente da primeira vez, fui chorando par a sala de cirurgia, fiquei mais tempo acordada, vi os aparelhos, vi a preparação, essas coisas todas. Depois apaguei.
Acordei com uma dor macabra, gritei e me descabelei quando tentaram me mudar, a dor era atroz, mas parecia que eu deveria pedir desculpas por isso. Durante a internação, fiquei três dias sem conseguir me mover. Os médicos são competentes, claros, entretanto, sentir dor é tratado praticamente como uma falha de caráter.
Como eu já comentei, a equipe é muito competente: você tosse e aparece uma fisioterapeuta pra fazer exercícios e manobras, você pode pedir coisas específicas para a nutricionista, os médicos passam várias vezes ao dia, os enfermeiros ajudam no que for necessário, MAS...toda e qualquer complicação emocional é vista como frescura.
Eu estava no quarto com uma mulher em um quadro muito, muito sério, com rejeição, prede rim transplantado e lúpus em altíssima atividade. Via coisas terríveis e ouvia coisas terríveis todos os dias. E não houve nenhum profissional da saúde mental por lá.
Quando eu disse para a enfermeira que ela parecia estar deprimida, a fulana respondeu

" ah, tem que falar pra ela não fica deprimida, né? não pode."


Ahã, então, tá.

10 julho 2011

Didi, o meu heroi

Já chamei meu irmão de vários apelidos durante a vida. Ricardo é o meu caçula, que carreguei no colo, ensinei a ler e sempre tive uma ligação incrível. Daniel nasceu no mesmo dia que Ricardo, que é seu padrinho, ou melhor, seu "Didi", como eu o chamo agora.
Quando eu fui no nefrologista e soube que o rim estava praticamente em falência, não pude contar para meus pais. Eles estavam indo para Buenos Aires e não adiantaria nada estragar a viagem. Passei uns dois dias no sofá, em uma deprê total.
Liguei para meu irmão e ele foi para minha casa imediatamente: passamos o final de semana fazendo humor negro e rindo.
Ele se comprometeu em contar para minha familia, sempre foi o suporte. Meus sangue é O+, um tipo bobo que pode doar para todos, mas so recebe de outro O+.
Feitos os testes, fiou decidido que ele me doaria seu rim. Gente, ele me deu um orgão, um pedaço dele mesmo, sme o qual eu entraria em diálse, ficaria na fila e , bom, vocês sabem.
Então minhas amigas disseram que choraram quando souberam que a gente estava de mãos dadas nas macas, um pouco antes da cirurgia. Se isso não é prova de amor, não digo nada.











09 julho 2011

Rim novo, vida nova


Minha internação foi no dia 27: chegamos em comitiva no hospital e eu e Ricardo estávamos calmos.
O pastor da minha igreja enviou um seminarista para fazer uma oração e isso fez toda a diferença.
A despeito disso, o protocolo do transplante indica diazepan à noite e antes da cirurgia. Ficamos de mãos dadas na sala pré cirúrgica, até que ele foi levado. Eu fui logo em seguida.
Me deslocaram da maca para a mesa e escutei:"Você vai se sentir tonta. Agora você vai sentir um sono mais pesado" Ploft. Nâo ouvi mais nada.
Acordei horas depois, na sala de recupseração. Co sonda, soro, uma máquina que media pressão e outra que media a oxigenação. Fiquei horas em um limbo de semiconsciência por conta da anestesia, acordava e dormia seguidamente. Não era permitido comer u beber nada.
Enfim, esse dia passou. Fiquei oito dias hospitalizada e acho que emocionalmente posso dizer que fiquei meses. As horas não passavam, senti MUITA dor e tomei tanto imunossupresor na veia que tive calor e frio, tremores, calafrios. Mas o pior de tudo eu não saberia traduzir, era uma agonia, uma angústia ão intensa que pensei que fosse surtar.z
Furada como um queijo, agoniada, implorei aos médicos que deixassem minha mãe me acompanhar, porque , gente, quando o bicho pega, não há rivotril que supere carinho de mãe.
Minha mãe dormiu m uma poltrona durante cinco dias, me ajudando em todos os movimentos, fazendo cafuné e não me deixando pirar de vez.
Finalmente, recebi alta. Estou hospedada na casa do Ricardo e já me sinto melhor. Os últimos exames mostraram que o rim está funcionando, tenho que tomar muitos remédios e ter um cuidado insano com a higiene, mas tudo bem.
Vou contanto aos poucos, porque tem muita coisa pra dizer e muita gente pra apresentar pra vocês.
O máximo é isso: poer levar uma vida praticamente normal. Como disse a Dica Moraes depois do seu transplante de medula;" A vida é muito boa quando a gente não morre".






27 junho 2011

Vou ali fazer um transplante e volto já.










Queridos, como já comentei por aqui, sou lúpica. Por conta do lupus, tive um sério comprometimento renal que já vem se arrastando há anos. Enfim, chegou onde sabíamos que chegaria: falência renal.
Como o tratamento medicamentoso já não faz efeito, ou seja, ele estava parando de funcionar e eu teria que fazer diálise.
Mas eu tive uma sorte fenomenal: meu irmão Ricardo ofereceu seu rim e como temos o mesmo tipo difícil e sangue ( O+), o transplante é viável.
Estamos internados aqui no Hospital do Rim, em São Paulo. Meus pais, meu filho e a namorada e minha amiga Frou estavam aqui até agora há pouco.
A decisão foi tomada em novembro, contei para os amigos, mas optei por não falar o blog , nem para meus alunos.
O apoio que tive da direção e coordenação da escola que trabalho foi incrível, fez toda a diferença. Tive esse apoio deles desde que contei.
Quanto aos meus aluninhos....bom, talvez eles não saibam do bem que me fazem,mas eles fizeram toda a diferença. Quanto eu estava ocupada com esse universo, com os filmes que eles viram comigo, com os jogos, com a farra que faziam só porque eu levava um fantoche, em todos esses momentos,eu NÃO estava doente. Sacume?
Minha familia foi demais também, minha mãe esconde seu pânico me mimando, minhas primas me escrevem, meus avós me olham de outro plano ( tenho certeza).
Uma amiga pegou tooooodos os meus diários de classe pra terminar, outra amiga querida me emprestou esse notebook, sem o qual eu não blogaria e foram tantos emails fofos, mensagens no facebook, ligações que nem sei, gente.
Posso garantir pra vocês que estou legal. Ontem eu dei uma boa baqueada, era só alguém olhar pra mim e eu chorava. Deu uma agonia, vocês entendem.
O doido de tudo isso é que pude perceber como a fé é efetivamente uma âncora. Já disse mil vezes aqui, tenho uma fé inabalável. E não me venham com ciência, crianças, ciência da conta de uma esfera na nossa vida, esse discurso cientifico-positivista me enche o saco...risos. É sério, quem convive comigo sabe como fiquei - e como estou - bem. Hoje recebi a visita de um seminarista da igreja que frequento, fizemos uma oração e eu sei que as orações/preces/rezas que vieram das mais diversas religiões fizeram efeito. Energia pura.;0)
Uma vez ouvi uma frase do José Alencar, em uma das suas muitas internações, que me comoveu muito.( Apesar de nunca imaginar que um dia eu citaria alguém da Direita...rs).Ele disse:
"Se Deus quiser me levar, não precisa de câncer para isso. Se Ele não quiser que eu vá, não há câncer que me leve"
Meu transplante será amanhã, às sete da manhã. Espero a torcida de vocês, queridos.
Até lá, câmbio, desligo.